Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Capítulo SETE - Ideli Salvatti

08 de junho de 2014 1

Ideli Salvatti é ministra da presidente Dilma Rousseff.

As conveniências políticas podem até eventualmente mudar o cargo, mas o lugar cativo da petista junto à presidente parece garantido. Nesses três anos e meio de governo, Ideli já esteve à frente da pesca, das relações institucionais e, desde abril, dos direitos humanos.

A história que leva Ideli Salvatti a virar a mulher de confiança da presidente da República começa nos primórdios da militância petista em Santa Catarina. Lá na eleição de 1982, ponto que escolhemos para começar a contar a política catarinense, ela era mulher de Eurídes Mescolotto, primeiro candidato do PT ao governo do Santa Catarina.

Ainda sem expressão no Estado ou no país, os petistas catarinenses marcavam posição na disputa polarizada entre o PDS de Esperidião Amin e o PMDB de Jaison Barreto. Os 6.803 votos que Mescolotto recebeu seriam insuficientes para elegê-lo deputado estadual. Não demorou para que os petistas percebessem que o caminho das urnas era mais afeito a Ideli.

A paulista que escolheu Santa Catarina – primeiro em Joinville, depois em Florianópolis – ganhou destaque no movimento sindical dos professores estaduais. Já separada de Mescolotto, concorreu à Assembleia Legislativa, sem sucesso, em 1986 e 1990. Na terceira tentativa, em 1994 conquistou a cadeira e nunca mais deixou os holofotes políticos do Estado.

Foi naquela eleição que o PT apareceu como nova força política em Santa Catarina. Ideli integrava uma bancada de cinco deputados estaduais eleitos, o partido ganhara duas vagas na Câmara – José Frisch e Milton Mendes – e chegara muito perto de eleger Luci Choinacki senadora. Apenas 60 mil votos de vantagem deram a vantagem a Casildo Maldaner.

O perfil aguerrido logo destacou Ideli no parlamento como uma forte oposicionista do governador Paulo Afonso Vieira (PMDB). Foi protagonista nos enfrentamentos com o governo em episódios como a emissão de Letras do Tesouro do Estado, que veremos mais adiante, e da tentativa de cobrança de pedágio na SC-401, em Florianópolis.

Naquela segunda metade dos anos 1990, parecia questão de tempo para o PT conseguir romper polarização da disputa pelo poder estadual entre PMDB e PDS (naquele momento chamado de PPR) — com o PFL atuando como pêndulo. Em 1996, o partido avançou mais um passo. Naquele ano, Décio Lima foi eleito prefeito de Blumenau, a terceira maior cidade do Estado, e José Fritsch venceu em Chapecó, a principal da região Oeste.

Somava-se a essas vitórias a participação no segundo turno da eleição para prefeitura de Florianópolis, onde Afrânio Boppré foi derrotado por Angela Amin (PPR). Com essa nova musculatura, o partido se preparou para voltar a liderar as esquerdas catarinenses – em 1994, o partido havia apoiado Nelson Wedekin, do PDT.

O nome escolhido para liderar o processo em 1998 foi o do deputado federal Milton Mendes, mas ele não conseguiu chegar perto do protagonismo de uma disputa marcada pela volta de Esperidião Amin às eleições estaduais e ao desgaste de Paulo Afonso – e que veremos em mais detalhes no próximo capítulo.

O PT saiu daquela eleição mantendo as mesmas duas cadeiras na Câmara e cinco na Assembleia – uma delas de Ideli. Na mesma Joinville que recebera a professora paulista no final dos anos 1970, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), eleito prefeito em 1996, planejava sua volta ao cenário político estadual.

Ideli e Luiz Henrique ainda não sabiam, mas seus destinos estavam entrelaçados. No mesmo palanque, comemorariam as maiores e mais improváveis vitórias eleitorais de suas vidas. Só teriam que esperar um pouco mais.

A série oBásico tem 14 capítulos, publicados aos domingos e quarta-feiras.
Próximo capítulo (11/06): Paulo Bauer.
Leia os textos anteriores.

Bookmark and Share

Comentários

comments

Comentários (1)

  • HOJE A JURIPOCA VAI FUMAR VAI VAI… diz: 10 de junho de 2014

    Reconheçamos a abundância de recursos federais para Santa Catarina, como nunca se viu em época nenhuma e, que tem muito do seu empenho.

Envie seu Comentário