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Capítulo OITO - Paulo Bauer

11 de junho de 2014 1

Paulo Bauer é senador e presidente estadual do PSDB.

Hoje é tucano, mas foi pelo PFL que virou protagonista desta história. Filho de Victor Bauer, ex-prefeito de Jaraguá do Sul, assumiria aos 23 anos a vice-presidência da Empresa de Eletrificação Rural de Santa Catarina (Erusc). Seria presidente da estatal antes de entrar nas disputas eleitorais, com o mandato de deputado estadual conquistado em 1986.

Em 1990 se elegeria deputado federal, reeleito quatro anos depois. Estava em Brasília em 1998, quando ressurgiria a velha e ainda imbatível aliança entre Esperidião Amin (do PPB, novo nome do PDS) e o PFL de Jorge Bornhausen. Depois do apoio vingativo de 1994, os pefelistas haviam abandonado o governo de Paulo Afonso (PMDB) com a repercussão do escândalo das Letras.

As Letras. Ah, as Letras. Naquela segunda metade dos anos 1990, diversas prefeituras e governos estaduais haviam recorrido a uma traquinagem jurídico-contábil que acabou se transformando em escândalo nacional. Desde a Constituição de 1988 apenas o governo federal estava autorizado a emitir títulos da dívida pública. Havia apenas uma brecha, utilizada como negócio por uma corretora que vendeu a solução para prefeitos e governadores com as finanças engessadas naquele país que conseguira controlar a inflação, mas ainda não reaprendera o caminho do crescimento econômico.

Essa brecha era a emissão de Letras do Tesouro para pagamento de precatórios (dívidas reconhecidas judicialmente sem possibilidade de recurso) registrados antes da Constituição de 1988. Com base nessas supostas dívidas, Estados e municípios emitiram títulos no mercado financeiro – sempre com uma porcentagem repassada ao Banco Vetor, o pai da ideia. Santa Catarina era um deles.

O caso virou escândalo político, com direito a CPI no Senado. Os três senadores catarinenses – Amin, Vilson Kleinübing e Casildo Maldaner – integravam a comissão. Kleinübing tomou a linha de frente para mostrar que as letras catarinenses tinham como base uma fraude: não existiriam os precatórios usados como pretexto para emitir R$ 170 milhões em títulos no mercado.

Uma CPI na Assembleia Legislativa chegou a conclusão semelhante. De aliado, o PFL migrou para a oposição ferrenha. Paulo Afonso sofreu processo de impeachment e só manteve o cargo porque faltaram dois votos para os 27 necessários para a cassação. Até hoje são muitas as lendas e relatos sobre os motivos que levaram deputados a virar a casaca na hora de votar. Certo é que a um ano de disputar a reeleição, Paulo Afonso era um cadáver político.

Nesse contexto foi montada a chapa que devolveria Esperidião Amin ao governo, em primeiro turno, e Jorge Bornhausen ao Senado. Para completar o quadro que deu tranquila vitória a ambos, escolheram um nome do Norte do Estado para ser vice-governador: o discreto deputado federal Paulo Bauer.

O novo vice-governador acabaria tendo as asas cortadas antes que eles virassem plumas de tucano, como veremos adiante.

A série oBásico tem 14 capítulos, publicados aos domingos e quarta-feiras.
Próximo capítulo (15/06): Eduardo Pinho Moreira.
Leia os textos anteriores.

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Comentários

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Comentários (1)

  • O paiê diz: 11 de junho de 2014

    … asas cortadas ? Não é que ninguém corta asa de cupim pai ?
    - É. Esse não é de liderar… só faz rolo e gosta de colocar ovinho no ninho dos outros que só.

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