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Capítulo DEZ - Joares Ponticelli

18 de junho de 2014 2

joaresJoares Ponticelli é o presidente da Assembleia Legislativa.

Também preside, embora esteja licenciado, o PP de Santa Catarina – o partido que nessa história já foi PDS, PPR e PPB. Desde 2013 vive o ponto mais alto, até agora, em sua carreira política. Foi no ano passado que ele assumiu o comando do legislativo estadual em um acordo de divisão de mandato com o PMDB.

Se dez anos antes alguém dissesse que esse arranjo aconteceria, seria considerado louco.

Ponticelli teve uma ascensão rápida. Eleito vereador de Tubarão em 1996, tornou-se deputado estadual dois anos depois. Tinha 33 anos e logo em sua primeira legislatura acabaria líder do governo Esperidião Amin (PPB) na Assembleia. Embora fosse um governo de fraca articulação política, o cargo colocou o novato na linha de frente. Do outro lado da trincheira, estava o PMDB.

A expectativa era de voos ainda maiores no segundo mandato. Amin era franco favorito à reeleição. Até então invicta nas urnas do Estado, sua aliança com o PFL de Jorge Bornhausen estava garantida. O favoritismo tinha um preço: ao contrário de Luiz Henrique (PMDB), com dificuldades de montar sua chapa oposicionista, todo mundo queria subir no barco governista.

Para o Senado, ficou definido que os dois principais partidos da aliança lançariam um candidato cada. O nome do PPB seria o deputado federal Hugo Biehl. O do PFL, Paulo Bornhausen – favorito nas pesquisas para ficar com uma das duas vagas. Sua vitória, se confirmada, criaria a inusitada situação de dois integrantes da família Bornhausen, pai e filho, serem senadores ao mesmo tempo. Jorge Bornhausen fora eleito em 1998 e ainda tinha quatro anos de mandato.

O problema maior foi a vaga de vice-governador. Amin topava manter Paulo Bauer, mas a solução natural sofria resistências. Ao final do segundo mandato, o governador certamente renunciaria para concorrer a outro cargo – o Senado ou uma nova tentativa presidencial. Com isso, Bauer teria pelo menos oito meses com a caneta na mão em 2006.

Isso incomodava setores do PFL que temiam ver o vice ganhar musculatura para concorrer ao governo. Além disso, Bauer conquistara a vaga em 1998 desafiando o deputado estadual Pedro Bittencourt, o candidato indicado por Bornhausen. Naquela convenção do PFL, apenas sete votos definiram o vice de Amin – e isso não havia sido esquecido.

Ao mesmo tempo, lideranças do PPB insistiam em ter um nome da sigla no governo quando Amin deixasse o cargo. Diante desses fatores, apenas a vontade declarada de Amin em manter Bauer acabou insuficiente. Eni Voltolini, deputado federal do PPB de Joinville, foi escolhido com a desculpa de neutralizar a força de Luiz Henrique em sua base.

A campanha eleitoral de 2002 começou quase como algo protocolar, que ratificaria a reeleição de Amin, a vitória de Paulo Bornhausen, talvez a de Biehl, e todos os planos que já estavam sendo traçados para 2006. Mas havia um componente novo na eleição: em sua quarta candidatura presidencial consecutiva, o petista Luiz Inácio Lula da Silva mantinha a liderança nas pesquisas e dava sinais de que o PT poderia chegar ao poder.

No Estado, Amin e Luiz Henrique apoiavam oficialmente José Serra, do PSDB, o candidato do presidente Fernando Henrique Cardoso. O favoritismo do pepebista fez com que Serra decidisse não participar da campanha do peemedebista, a quem estava oficialmente coligado. Enquanto isso, José Fritsch (PT), ex-prefeito de Chapecó, corria ao governo sozinho na raia de Lula.

Aos primeiros sinais de que algo diferente acontecia – que depois ganharia o nome de “onda Lula” -, parte do PMDB catarinense começou a abandonar Serra. Em busca da reeleição ao Senado, Casildo Maldaner declarou apoio a Lula. LHS não acompanhou, mas silenciou em relação ao tucano. Fristch crescia. Não parecia suficiente para ultrapassar o peemedebista, mas poderia viabilizar o segundo turno tido como improvável no começo da disputa.

As urnas foram cruéis com os planos de Amin e Bornhausen. A reboque de Lula, Frisch fez 27,3% dos votos e beliscou o segundo turno – Luiz Henrique teve 30%. O governador ficara com 39%. Haveria nova votação e a soma dos adversários era a maioria. Para piorar o quadro de pepebistas e pefelistas, a deputada estadual Ideli Salvatti (PT) surpreendeu e foi eleita senadora com mais de 1 milhão de votos – focando o discurso de campanha nas tais duas cadeiras do Senado que ficariam com a mesma família. A segunda vaga foi para outra zebra: Leonel Pavan (PSDB), com uma vantagem de apenas 17 mil votos para Hugo Biehl. O favorito Paulo Bornhausen amargou o quarto lugar. Casildo, mesmo trocando Serra por Lula, foi o sexto.

Nunca o PT foi tão relevante na política catarinense. Os petistas haviam garantido o segundo turno, uma senadora, cinco deputados federais (Carlito Merss e Luci Choinacki os mais votados do Estado) e nove cadeiras na Assembleia Legislativa (a maior bancada, ao lado do PPB).

Com esse novo cenário, Luiz Henrique atrelou sua campanha à de Lula – que enfrentaria Serra no segundo turno presidencial. O petista confirmava com certa com tranquilidade a vantagem que era apontada desde o início da campanha, enquanto LHS buscava voto a voto uma virada que de impossível passara para improvável.

No final da campanha, Lula fez em Florianópolis, na Praça Tancredo Neves, seu último comício, conclamando os catarinenses a derrotarem Amin e “as oligarquias”. Tinha força para isso: o petista conseguiria em Santa Catarina a maior vitória proporcional do país, colocando quase 900 mil votos de vantagem sobre Serra.

Com essa mãozinha de Lula e incríveis 76,7% do eleitorado de Joinville, Luiz Henrique conseguiu vencer Amin por 20,7 mil votos de vantagem – 50,3% a 49,7%. O PMDB estava de volta ao governo, com a inusitada situação de ter sido apoiado pelo PSDB e pelo PT em Santa Catarina.

Ao PPB de Amin e ao PFL de Bornhausen, restava a oposição. Naquela eleição, o pepebista Joares Ponticelli foi reeleito deputado estadual com a 18ª melhor votação. Assim, o mesmo homem que liderou um governo desarticulado, passaria a enfrentar praticamente só com discursos aquele que seria o mais articulado da política catarinense contemporânea. Ao vencer aquela eleição histótica, Luiz Henrique descobriu, talvez sem querer, que a fórmula da vitória sem ondas externas era ter junto a ele três dos cinco principais partidos do Estado.

Trabalharia incansavelmente por isso. Pela tríplice aliança.

A série oBásico tem 14 capítulos, publicados aos domingos e quarta-feiras.
Próximo capítulo (22/06): Júlio Garcia.
Leia os textos anteriores.

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Comentários

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Comentários (2)

  • O paiê diz: 18 de junho de 2014

    Esse é o que o magistério chama de carcamano papai.
    Vendeu a alma para o diabo colombiano e o coração foi loteado entre muitos.
    Queria privilégios com o Papa Francisco mas se ferrou!
    Nem foto, o papa é safo que é danado! kakakakaka

  • Curió ( in CURTAS E GROSSAS ) diz: 20 de junho de 2014

    O funcionalismo e os professores sabem muito bem em quem descarregar os votos… junto com metade do PMDB.

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