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Capítulo DOZE - Dário Berger

25 de junho de 2014 1

Foto: Flávio Neves, Agência RBSDário Berger foi prefeito de Florianópolis e agora é uma incógnita.

Sua primeira tentativa de entrar para a política foi 1988, quando recebeu 320 votos como candidato a vereador pelo antigo PL na cidade de São José, vizinha à capital catarinense. Parecem poucos votos, mas seriam suficientes para uma cadeira no legislativo da cidade na época. Houve até quem entrasse com menos, mas Dário ficou como primeiro suplente do partido.

Ou seja, para começar estava tudo certo, menos a legenda. Talvez tenha sido ali que o empresário tenha se convencido de que os partidos eram mais problema do que solução. Quatro anos depois, tentaria o mesmo cargo, desta vez pelo PFL. Sem sustos, 994 votos lhe deram a quinta colocação na disputa e garantiram a eleição.

Era o começo de uma caminhada que o faria atravessar a ponte Pedro Ivo Campos – aquela que traz as pessoas para a Ilha de Santa Catarina. Na eleição seguinte, em 1996, Dário foi eleito prefeito de São José com 47,4% dos votos.

Ninguém sabia ainda, mas ele só deixaria de ser chamado de prefeito 16 anos depois. A reeleição em 2000 viria com incríveis 84,7% que chamaram atenção na Capital. Algo parecia acontecer na cidade vizinha – que já era a quarta maior do Estado.

Naquele ano, Florianópolis também reelegia sua prefeita. Em primeiro turno, Angela Amin (PPB) conseguira 55,7% dos votos, derrotando com facilidade candidatos teoricamente competitivos como o ex-prefeito Sérgio Grando (PPS), o deputado estadual João Henrique Blasi (PMDB, hoje desembargador) e o deputado federal Vânio dos Santos (PT).

Era o ápice do casal Amin na política catarinense. Ela prefeita reeleita, a mais popular comandante de capital do país segundo pesquisas periódicas do Datafolha. Esperidião Amin era o governador do Estado, com uma reeleição considerada tão encaminhada quanto a dela. O que ninguém imaginava é que a queda de ambos estivesse tão próxima – e que isso passasse pelo ascendente prefeito de São José.

Em 2002, Amin perderia a reeleição para Luiz Henrique (PMDB). Dário chegou a aparecer naquela história como figurante, tentando colocar o nome no meio da disputa interna do PFL pela vaga de vice-governador na chapa do pepebista. Logo, ele perceberia que o PFL também era um problema.

O peso da última vitória em São José fizera com que Dário sonhasse com voos mais altos. A prefeitura da Capital seria o primeiro passo. Com LHS no Centro Administrativo, Angela teve dificuldades maiores em seus dois últimos anos de mandato, especialmente pela atrapalhada implantação de um novo sistema de transporte urbano. Além disso, não tinha sucessor natural. Apostaria no secretário Chico Assis (PPB), que já tentara se eleger prefeito de Florianópolis, sem sucesso, em 1985 e 1992.

Mesmo com esse cenário, o PFL preferia manter a aliança com o PPB na Capital a lançar Dário, que resolveu trocar novamente de partido. Assumiu o controle do PSDB em Florianópolis, dando uma cara nova a um partido grande, mas sem protagonismo na Capital. Em 2004, o neotucano renunciou à prefeitura de São José e se mudou de mala, cuia e título eleitoral para Florianópolis.

Por incrível que pareça, o forasteiro logo estaria liderando as pesquisas. Venceria a disputa em segundo turno contra Chico Assis, recebendo apoio do PMDB e do governador Luiz Henrique – feliz pela derrota dos Amin no principal reduto pepebista.

O primeiro mandato de Dário em Florianópolis foi cheio de polêmicas e escândalos. O principal deles foi a Operação Moeda Verde, da Polícia Federal, que chegou a prender vereadores de sua base aliada e empresários – acusados de negociarem licenças ambientais. Conversas do prefeito estavam entre as grampeadas, mas nada de concreto vazou sobre ele. O inquérito até hoje espera análise da Justiça – tendo Dário como um dos indiciados.

Esperidião Amin acabaria derrotado derrotado na revanche contra Luiz Henrique em 2006. Para a disputa pela prefeitura em 2008 era esperado que ele ou Angela se apresentassem para derrotar Dário. Era a chance de recuperar a base perdida e usá-la para retomar o Centro Administrativo. Depois de muitas especulações, Amin assumiu a tarefa, guardando Angela para a eleição estadual.

Era franco favorito, mesmo com os indícios de que Dário vinha recuperando popularidade após o esfriamento do caso Moeda Verde. O prefeito dava sinais de que mudaria mais uma vez de sigla. Duas coisas incomodavam no PSDB. Primeiro, o partido era o símbolo da oposição ao governo do presidente Lula (PT) – o que dificultava a vinda de recursos federais. Segundo, ele mirava o governo do Estado e via à sua frente na fila tucana o vice-governador Leonel Pavan.

Depois de namorar uma filiação ao PSB – para onde acabou indo o irmão Djalma Berger, deputado federal e depois prefeito de São José -, Dário aceitou os insistentes convites da cúpula estadual do PMDB. A rejeição de peemedebistas históricos de Florianópolis como o ex-prefeito Edison Andrino não comoveu Eduardo Pinho Moreira, que já comandava o PMDB-SC. Foi por articulação pessoal dele que Dário acabou se filiando em outubro de 2007, no último dia do prazo, desmanchando do dia para a noite o PSDB da Capital. Nomes como o dos vereadores Gean Loureiro e Deglaber Goulart, por exemplo, estavam na debandada.

Com o peso do PMDB, das máquinas municipal e estadual e uma forte campanha de marketing eleitoral, Dário tomou de Amin a liderança nas pesquisas ainda no primeiro turno. A vantagem foi mantida e confirmada na segunda votação, quando o neopeemedebista alcançou 57,6% dos votos sobre o ex-governador, ex-prefeito, ex-senador e ex-deputado federal.

Conquistado o quarto mandato consecutivo de prefeito (o que chegou a ser questionado na Justiça Eleitoral e por pouco não lhe valeu uma cassação), Dário se colocava de vez no jogo da política estadual. Para isso bastava entrar na fila do PMDB. Teria de esperar, porque à frente dele nessa fila estava Pinho Moreira, justamente o homem que o trouxe para o partido.

O problema é que Dário não estava acostumado a esperar.

A série oBásico tem 14 capítulos, publicados aos domingos e quarta-feiras.
Próximo capítulo (29/06): Manoel Dias.
Leia os textos anteriores.

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Comentários

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Comentários (1)

  • Curió diz: 25 de junho de 2014

    Vai ser tiro dado e o bugio deitado!
    Parabéns ao LHS que mandará o Vampeta de volta para o baile de Máscaras de Nova Veneza. E não tem choro porque senão o presidente do Concílio de Latão vai parar nas Coxias. Basta mandar descarregar os votos no CV. Para ele não governar sozinho. Dário foi de subir o morro. Não é fraco não.
    * Vamos só aguardar as desqualificações que vão ser postadas. Ninguém bate em cachorro morto, dizem.

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