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PSDB vai confirmar hoje Paulo Bauer candidato ao governo; leia a entrevista completa ao DC

26 de junho de 2014 7

Com a nome pronto para ser confirmado hoje na convenção do PSDB como o primeiro candidato tucano ao governo de Santa Catarina desde 1990, o senador Paulo Bauer ainda formata o discurso e a coligação que vão sustentar sua campanha. Isso fica claro na longa conversa com a reportagem do Diário Catarinense, na tarde de ontem, em seu escritório no Centro de Florianópolis — atrasada por um telefonema do presidenciável Aécio Neves (PSDB), interrompida brevemente por uma ligação do presidente estadual do DEM, Paulo Gouvêa.

Bauer confirma as negociações avançadas com o PSB de Paulo Bornhausen para compor uma chapa que teria dois presidenciáveis (Aécio e Eduardo Campos) em uma frente nacional anti-Dilma Rousseff. No foco estadual de seu discurso, clama por redução de estruturas de governo e mudanças na forma de governar _ minimizando a participação do PSDB como aliado dos governos de Esperidião Amin, Luiz Henrique e Raimundo Colombo.

Veja trechos da conversa, incluído trechos que não entraram na edição de hoje do Diário Catarinense.

Na cabeça de de Paulo Bauer, tucanos e Fernando Henrique. Foto: Charles Guerra, Agência RBS.

Na cabeça de de Paulo Bauer, tucanos e Fernando Henrique. Foto: Charles Guerra, Agência RBS.

Significado da primeira candidatura do PSDB ao governo desde 1990.
Fazer diferente, fazer melhor e fazer mais. São as palavras de ordem. Como? Um Estado mais enxuto, mais rápido, mais dinâmico. Já fiz comerciais em televisão dizendo que tem que reduzir os cargos políticos, privilegiar os técnicos. Isso é diferente do que se faz hoje. Hoje se faz um governo muito politicamente e precisamos fazer mais tecnicamente.

A possível contradição pelo apoio do PSDB aos quatro últimos governos estaduais.
Não tem problema. Não há, nessa nossa postura, nenhuma condenação ao passado e nem ao presente. A gente tem que aprender na vida e as manifestações do ano passado mostraram que o povo quer diferente. O povo quer um governo melhor. Mais parecido com o que temos de sucesso aqui na iniciativa privada, por exemplo. A iniciativa privada trabalha com racionalidade, com economia, com planejamento, isso é melhor. Eu tenho meu nome em toda as cidades de Santa Catarina em pelo menos uma placa de obra. Fui secretário de Educação, Cultura e Esporte uma vez, vice-governador, secretário de Educação outra vez, exerci quatro vezes mandato de deputado federal e uma de estadual. Portanto, não há município em que eu não tenho o nome em uma placa. Mas acho que o governante não tem mais que se preocupar em colocar seu nome em placa de obra, mas na história. Clinton, Barack Obama, Angela Merkel, Sarkozy e todos esses grandes nomes mundiais não inauguram obras. Inaugurar obras custa dinheiro.

Se nós não mudamos, o povo nos muda. É uma velha frase. Acho que o povo quer mudanças. Se a gente não consegue interpretar o desejo do povo por mudanças, o povo nos muda. O PSDB ajudou a eleger governadores em 1998, 2002, 2006 e 2010. O PSDB foi coadjuvante nessas quatro eleições e apoiou os projetos. Não tem nenhuma queixa, não faz críticas e não precisamos fazer nenhum mea-culpa, porque a própria sociedade concordava com aquele estilo de governo. Mas a gente percebe que o povo brasileiro não quer mais assim. A experiência do PT em nível nacional, alguns Estados muitos municípios, mostrou que aquele discurso estatal, de que o governo pode tudo, finalmente sucumbiu. Acho que finalmente chegamos no Brasil, e principalmente em Santa Catarina, ao nível de consciência que encontramos em países desenvolvidos da Europa, onde não existe nenhum preconceito da sociedade em ver o governo aliado à iniciativa privada, em ver a iniciativa privada fazendo, por concessão, aquilo que seria do público.

Reestruturação das secretarias regionais.
Elas precisam ser reestruturadas até para dar consequência ao projeto de descentralização. Elas foram necessárias porque era uma mudança de cultura política e de governo, mas já cumpriram seu papel. Agora é preciso fazer com que o órgão público executor, a escola, a delegacia, o posto de saúde, tenham autonomias. Coisa que não tem. Se antes uma escola dependia de uma gerência de educação e da Secretaria de Educação, agora depende da gerência, da secretaria regional e da secretaria estadual. Apenas entrou mais um elemento no processo de decisão. Eu penso que a escola deve ter mais autonomia do que já tem. A delegacia, idem. Para isso não é preciso ter uma secretaria regional com poder de decisão. O poder de decisão tem que estar na ponta. O delegado tem que saber se está na hora de trocar o pneu do carro ou não, não precisa de uma regional para decidir isso.

Eventualmente, (as regionais seriam substituídas por) um órgão técnico de apoio operacional para fiscalização, auditoria e assessoria jurídica. Para que os órgão da ponta possa dar andamento e ter a sua autonomia assegurada.

Não é mais necessária essa base de apoio depois que temos todo mundo usando Facebook, Twitter, meios de comunicação chegando a todas as regiões, todas as cidades com acesso asfaltado e um povo politizado como o nosso, não é mais necessário ter um representante político em cada região.

A redução de cargos comissionados e órgãos públicos
Existem alguns órgãos no Estado que não se justificam. Bescor. Pouca gente sabe que existe, mas está ali, custa dinheiro.

Eu diria que existem muitos cargos. São 1,6 mil no Estado. Não tenho números e identificação exata de onde devem ser cortados. Diria que em áreas como saúde, educação e segurança pública temos que pensar com mais cuidado. Em outras, pode ser uma ação mais rigorosa.

Parcerias com a iniciativa privada
O governo tem que parar de achar que é o único ator. Tem que fazer mais parceria público-privada, tem que envolver a sociedade, liderar o processo. Não basta apenas trazer novos investimentos. É preciso que diga se aquele equipamento, estrutura, prédio, estrada, precisa ser público ou pode ser privado. Tem que discutir isso com a sociedade. Fazer melhor significa dividir responsabilidades, não ficar com tudo para si.

Existe insegurança jurídica no país e no Estado. Aí eu considero que com o Aécio Neves (PSDB) presidente nós vamos ter fortalecidas as agências reguladoras, vamos voltar a ter segurança jurídica, investimentos estrangeiros e dar essa segurança aos governos do país inteiro, Santa Catarina em especial. Fico imaginando porque construir um teatro com dinheiro público, se poderia ser construído com recursos privados, bastando que o Estado cuide do acesso, da logística, da urbanidade, meio ambiente, energia, água. A gente precisa buscar. Um teatro construído com dinheiro público vai ser usado sexta e sábado. Se for privado, será de terça a domingo.

Ninguém vai privatizar a ponte Hercílio Luz, mas se colocarmos um metrô de superfície sobre ele para acabar com nosso problema de mobilidade urbana (…) Florianópolis só pode ter esse problema de mobilidade urbana resolvido, já que é uma ilha, se for instalado um sistema de metrô de superfície que ligue o continente desde a BR-101 até a UFSC e o Aeroporto. Agora, este investimento não pode ser público, tem que ser privado, através de concessão.

Candidato de oposição a um governo com participação do PSDB
Eu não faria uma campanha de oposição ao atual governador e nem à administração, que inclusive contou com apoio do PSDB e ainda conta.

(sobre o PSDB deixar os cargos no governo) Eu sempre disse que essa decisão cabe a cada filiado e ao governador. Nosso acordo político em 2010 foi para governar o Estado por quatro anos. O PSDB não deixará de votar nos projetos do governador na Assembleia até o final do ano. Cabe ao governador, se sentir algum desconforto, dispensar ajuda de quem ele achar que não deva continuar a seu lado. Os que estão filiados ao PSDB e continuam no governo estão até dispensados de trabalhar para mim. Porque nós temos que honrar a palavra de 2010. O PSDB tem uma conduta: nós não rompemos e nem traímos nossa própria palavra. Em Blumenau, o PSDB apoiava a administração municipal, tinha candidato a prefeito de oposição ao candidato do prefeito. Ficamos até o fim e o povo entendeu isso. Se nós vivêssemos em um Estado com alto índice de analfabetismo e de baixo nível de cidadania, eu me preocuparia com esse aspecto. Com estamos em um Estado com alto nível cultural e de cidadania, tenho certeza de que isso não vai mudar em um centímetro o resultado da eleição. Mas, repito, a oposição ao governo Colombo não vamos fazer da forma tradicional, de ficar denunciando. Nós achamos que ele tem que terminar o governo dele e bem para que a gente possa assumir um governo que possa ser bem administrado a partir de 1º de janeiro.

A chapa do partido e as alianças
Vamos para a convenção com o candidato a governador definido, 30 nomes para deputado estadual e 16 para federal. Deixaremos para a executiva estadual a função e a competência para firmar as composições proporcionais e para definir os candidatos majoritários a senador, suplente de senador e vice-governador, do partido ou autorizando a coligação com outros. Temos hoje como aliados confirmados o Solidariedade, o PEN, temos bem adiantados os entendimentos com o DEM, agora também passamos a conversar com o PSB e o PPS. Temos outros quatro ou cinco partidos com quem temos conversado. Mas não estamos privilegiando quantidade de partidos aliados. Eu não gostaria de ser governador com 16 partidos, porque quero governar para o povo, não para os partidos aliados. Ter tantos partidos, como parece ter na outra coligação, vai dar muita dor de cabeça na administração do Estado, pode ter certeza.

Palanque com Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB)
Nossa regra sempre foi a mesma. Nós nos aliaríamos a quem tivesse contra PT e contra o governo Dilma. Hoje já temos em São Paulo e outros Estados composições em que está presente o PSDB e o PSB, não há nenhuma dificuldade para a gente nessa composição.

(sobre Paulo Bornhausen como candidato a senador na chapa) Ele tem qualidades, uma história política bem construída, foi deputado federal, estadual, secretário de Estado, não há nenhum problema. Naturalmente estamos conversando para ver como se equaciona a chapa majoritária. Como disse, temos a vaga ao Senado e de vice-governador abertas.

Conversas com o DEM
Pela sua expressão nacional e decisão de apoio ao Aécio, o DEM tem grandes razões para estar conosco. Aí vem a questão: o Colombo saiu do DEM. É um candidato a governador que deixou as fileiras do partido e está hoje em outra posição política, apoiando a presidente Dilma. Segundo, o DEM não tem cargos no governo. Terceiro, o DEM é contra Dilma e o Colombo é a favor Dilma. Então, acho que a conversa do DEM conosco é muito mais fácil.

Nacionalização da campanha estadual
Não adianta pensarmos apenas em resolver os problemas do Estado, mantendo o Brasil nas mãos do PT. PT são 39 ministérios contra 20 nos Estados Unidos. PT é sinônimo de inflação na prateleira do supermercado, é identificação de desmandos, desvios na Petrobras e na Eletrobras. PT é obra que começa e não acaba e que custa o dobro quando termina. É sinônimo de atos ilegais no governo, como aqueles praticados por gente que hoje está recolhida em penitenciárias. Não adianta querermos arrumar o Estado, se não arrumarmos o país. Nacionalizar o debate não é problema, mas não vamos esquecer das questões estaduais.

Escolha dos nomes para Saúde e Segurança
Tenho falado em reunião internas do partido e com partidos coligados, que essas áreas não serão delegadas, nem transferidas, nem atribuídas a ninguém. São de responsabilidade exclusiva do governador, desde a definição dos nomes dos titulares da pasta, até a definição das políticas a serem desenvolvidas. Alguém precisa resolver em definitivo o problema da saúde e da segurança pública neste Estado.

Os problemas da saúde
Como resolve o problema da saúde? O Jorge Bornhausen foi governador de 1978 a 1982. Ele construiu seis hospitais. Desde lá, a população dobrou. Em todo esse período, construiu-se dois hospitais. Alguma coisa está errada. O investimento do Estado está muito focado na assistência, no curativo. Se você não trabalha a questão estrutural e a prevenção da doença, vai continuar correndo atrás todo dia da seringa e do remédio para injeção.

Hoje temos comprovada deficiência em algumas áreas. E quando não é em áreas, é geográfica. Temos unidades muito bem instaladas, mas que fazem um paciente viajar 800 quilômetros para fazer uma ressonância magnética. Se existem macas em corredores, ambulâncias transitando, filas para cirurgias, é porque de um lado precisa prevenir melhor para a doença não vir e de outro precisa estruturar mais. Isso se faz com dinheiro, com parceria público-privada, com racionalidade na gestão.

Policiais na rua
Temos o melhor efetivo da Polícia Militar, um efetivo muito qualificado na Polícia Civil, mas temos 700 policiais fora da rua. Eu vou me eleger dizendo isso (que vai colocar os policiais na rua) e não tenho medo de perder o voto de nenhum policial. A sede da Polícia Federal em Brasília não tem a segurança feita por policiais federais. É empresa prestadora de serviço. Por que precisa policial militar fazendo a segurança em prédios públicos em Florianópolis, trabalhando quase que como de porteiro? Para trabalhar de porteiro, podemos ter outro profissional que não seja fardado, treinado para combater o crime.

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Comentários

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Comentários (7)

  • José Germano Cardoso diz: 26 de junho de 2014

    Se fosse antigamente eu diria… cuspe e giz.
    Hoje pouco adiantaria dizer… vai, alia-te ao Wilson Klainubing lá no inferno, além do triênio subtrai agora do magistério o vale coxinha e proíbe os professore de comerem a merenda de SC privatizada em São Paulo junto com seus alunos…
    Mas insisti e acabei lendo ipsis lítera.
    Bicho híbrido das placas. Agora não tem mais que se preocupar com as placas.
    Privatizar tudo como a dor de cabeça colombiana, distratos, serviços de porco…
    Agora que já está lá no senado, agradeça ao LHS, não precisa mais de SDRs… só não fica claro o compromisso de extinção… mas nunca!
    Um teatro com toda a infra – só a bilheteria privada. Sabes que o povo não tem privada, patente, saneamento básico ? Ou não sabes ? Claro que sabes!!!
    E muito partido dá dor de cabeça na divisão das capitanias hereditárias ? Só latifúndio do tubaronato e oligarquias e nada de distribuição em loteamentos ? Fala sério homem!
    Não adianta mudar o estado porque a república tem o dobro dos ministérios dos USA ?
    Tá. Então bota três vezes em SC o que tem nos USA ? Tás louco ou te fazes de demente ?
    Essa tua ARENA chamada de frente anti-Dilma já não estaria abortada por falta de projeto a favor de algo ?
    Ou só queres empentelhar a vida de Colombo ?
    Não. Creio mais que é o medo horroroso que se espraiou por causa do Vignatti.
    De formas que aprendi bastante nesta lição, mesmo sem nem uma única quadra coberta em escola pública em SC, que esta copa não está para brincadeira não.
    Tem muita gente torcendo para matar a vaca que nunca deu tanto leite para SC.
    Pode ficar ruim e muito difícil sabes ? E não adiantará mais culpar a Dilma.

  • André Santos diz: 26 de junho de 2014

    José Germano, tu é louco? Criticas ele sem um argumento haha, típico de petralha.
    Vamos com calma, por que, odeias tanto a iniciativa privada?
    Acho que sabe que tas criticando ela usando uma tecnologia feita pela mesma não?
    Todos que tem um minimo de bom senso sabem que onde o estado é menor a população vive melhor, todos sabem que o governo não tem competência e nem deve ser empresário, só nesse teu mundo aí meu caro colega! Tu queres que nosso estado seja uma Venezuela? Cuba? Eu prefiro um estado forte e menor, prefiro que pessoas competentes façam os serviços, do que essa roubalheira com empresas de fachada, prefiro ter liberdade para escolher e, não ficar no colo do governo, pois ora eu tenho responsabilidade como cidadão. Mas pelo jeito, tu é outro que achas que o governo deve fazer tudo. Estamos juntos Paulo Bauer, teu discurso me animou. Fica a dica mais Mises menos Marx.

  • Rogério Vieira diz: 26 de junho de 2014

    Paulo Bauer sucedendo Colombo? Como dizem os pessimistas, não é tão ruim que não possa piorar mais um pouco.

  • Diego diz: 26 de junho de 2014

    Finalmente surge uma alternativa viável.
    Por que convenhamos. O Desgovernador Raimundo “Calombo” foi um caos para o nosso estado. Tentou fortalecer sua aliança para ganhar por W.O.
    Mas foi em vão. Seu carisma inexiste, sua gestão foi desastrosa, e suas articulações estão sendo tão furadas que dois dos seus principais padrinhos(LHS e Bornhausen) já abandonaram o barco.
    É esperar para ver o resultado desta eleição. Muitas surpresas estão por acontecer.
    Mas uma coisa é certa, Colombo perdeu meu voto. E no PT não voto mais é NUNCA.
    Bauer, tens meu voto. E com certeza serás governador de SC.

  • Curió & OSTRADAMUS ( CONTADORIA POLÍTICA E ANEDOTAS EM NOTAS ) diz: 26 de junho de 2014

    pqp !!! UM CARA VEM E COLOCA VÁRIOS ARGUMENTOS DETALHADAMENTE.
    Aparece outro e entulha a boca do primeiro do que ele não falou! E ainda diz que o cara é louco. pqp! Falta escola, educação, imaginem esperar-se fineza… pqp!
    Tanto o cara quanto nós não queremos que SC ( 60 ) tenha 20 secretarias a mais que o próprio Brasil continente tem ministérios ( 40 ) mesmo que os USA (20) tenha menos. Entendeu ou quer que desenhe ? Rapaz o Marx é estudado seriamente nos USA ! Estás mais por fora do que arco de barrica. Olha…
    Lá vem rolando um barril de pólvora… é bomba! Não. É Dromedário.

  • Chico diz: 26 de junho de 2014

    O Paulo Bauer e o seu partido já largou os cargos comissionados que tem no governo estadual do Raimundo Colombo?

  • Rogério Vieira diz: 26 de junho de 2014

    Nunca gostei de Colombo. Sempre escrevo falando mal dele. Mas se a outra opção for Paulo “Nazista” Bauer, mais quatro anos para Colombo, por favor.

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