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Candidatura de Dário ao Senado é resultado de apagão na articulação política

29 de junho de 2014 0

A candidatura do ex-prefeito Dário Berger (PMDB) ao Senado é resultado de uma pane política generalizada, de um verdadeiro apagão de articulação. Deu tudo errado nos planos de Raimundo Colombo, do PSD e do próprio senador Luiz Henrique nas últimas 48 horas.

O nome de Dário foi incentivado como uma espécie de bode na sala para fazer Joares Ponticelli (PP) retirar sua candidatura ao Senado. O PSD tentava há pelo menos duas semanas a desistência do pepista em favor de um nome mais palatável a Luiz Henrique. Os vetos públicos de LHS a Ponticelli não ajudavam na tarefa – pelo contrário, levavam o PP a se fechar em torno dele.

Dário deixou de ser apenas um bode na sala quando ficou claro que sua inscrição para a convenção não poderia ser simplesmente ignorada pela executiva, como pretendia Eduardo Pinho Moreira. Nesse momento, até Luiz Henrique passou a temer pelo efeito desse resultado na coligação. Tentou nas últimas 24 horas convencer o ex-prefeito a desistir. Quase conseguiu ontem à noite, mas o deputado federal Mauro Mariani disse que assumiria a candidatura se Dário a deixasse.

No PP, o outro lado da trincheira da aliança, a inscrição de Dário era vista como traição e fortalecia ainda mais a unidade pepista em torno de Ponticelli. Talvez a desistência do deputado estadual antes das convenção levasse a um acordo, mas o que se viu foi um cabo-de-guerra entre PMDB e PP sob o olhar atônito do PSD. Em vez de ceder, os pepistas começaram a falar na ex-prefeita Angela Amin também como candidata avulsa ao Senado, o que causaria uma guerra dentro da própria coligação, pela rivalidade dos Amin com LHS e Dário.

A coisa estava tão feia que depois da convenção aprovar o nome de Dário, já havia no Centro Administrativo quem considerasse ter Angela no palanque como a melhor opção. Não contavam com a reação de Ponticelli, que não aceita sair com cara de derrotado da articulação de três anos e meio para levar o PP de volta ao governismo.

Por incrível que pareça, os idealizadores da mais complexa aliança da história recente de Santa Catarina titubearam na hora fatal. A grandeza de PMDB e PP, os dois maiores partidos do Estado, falou mais alto que os gestos de composição.

Dário Berger já tinha até número escolhido para a candidatura a deputado estadual. Na quinta-feira, quando lançou sua candidatura ao Senado, cometeu um ato falho que deixava claro que tudo aquilo era um balão de ensaio. Perguntado sobre porque tinha como plano B a Assembleia Legislativa e não a Câmara dos Deputados, soltou:

- Eu não gosto de Brasília, não me imagino morando lá.

O apagão de articulação fez a candidatura cair no colo de Dário. O PP preferiu que a corda arrebentasse a soltá-la, humilhado, por exigência do maior rival que o partido encontrou na história política do Estado. Durante a noite, cresceram as especulações de que os pepistas iriam de mala, cuia, vice-governadora e senador para a chapa de Paulo Bauer (PSDB).

Restam pouco mais de 24 horas, tempo suficiente para serem montadas e desmontadas diversas chapas. A dúvida é se o apagão de articulação política da coligação governista persiste. Cada vez mais a candidatura à reeleição de Raimundo Colombo é comparada à de Esperidião Amin em 2002.

Ambos não conseguiram chegar à campanha com a chapa que queriam e viram aliados irem embora na reta final. Amin perdeu a reeleição para LHS. Colombo vê uma eleição fácil tornar-se difícil.

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