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Posts de junho 2014

De vetado a vice: Ponticelli será vice na chapa de Bauer

30 de junho de 2014 4

As conversas entre tucanos e pepistas nem precisaram avançar a madrugada. Joares Ponticelli (PP) é candidato a vice-governador na chapa de Paulo Bauer (PSDB).

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Em noite de debandadas, DEM fica com Colombo

30 de junho de 2014 0

O PSDB termina a segunda-feira contabilizando a adesão do PSB, do PPS e do PP, mas não via contar com o DEM na campanha deste ano. O partido se reuniu hoje e decidiu, por aclamação ficar com o governador Raimundo Colombo (PSD).

Os demistas consideraram que tem mais condições de eleger deputados na chapa governista. O DEM vai participar do chapão, com PSD, PMDB, PR (este só para a Câmara dos Deputados).

A prioridade é eleger Jovino Cardoso (vice-prefeito de Blumenau) deputado federal e Narciso Parisotto e Nilson Berlanda para a Assembleia Legislativa.

Presidente estadual do partido, Paulo Gouvêa diz não temer intervenção nacional para forçar a aliança com o PSDB. Alega que vai montar um comitê suprapartidário pró-Aécio Neves na coligação de Colombo, atraindo deputados do PSD e do PMDB que não votam em Dilma Rousseff.

— Seremos mais úteis na coligação do Colombo.

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Na reta final, PP larga Colombo e é conduzido por Amin ao ninho tucano

30 de junho de 2014 3

No último dia de convenções partidárias, o que era certo foi confirmado e o que era dúvida virou polêmica. Enquanto nomes como o do governador Raimundo Colombo (PSD) e Cláudio Vignatti (PT) eram confirmados na disputa pelo governo estadual, após um dia de indefinições o PP decidiu abrir negociações com o PSDB — que avançariam à madrugada.

Realizadas praticamente ao mesmo tempo, as convenções do PSD, do PT e do PP eram monitoradas à distância por políticos de todas as cores. Especialmente o encontro dos pepistas, o único que poderia trazer novidades ao cenário eleitoral. O partido passou a segunda-feira demonstrando não ter assimilado a decisão do PMDB, aceita por Raimundo Colombo, de lançar o ex-prefeito Dário Berger como candidato avulso ao Senado _ rompendo o acordo de que os pepistas indicariam o senador da coligação governista.

Nas redes sociais, Ponticelli chegou a chamar de “natimorta” a coligação com Colombo. No início da tarde, na sede do partido, o candidato ao governo Paulo Bauer (PSDB) levou oficialmente o convite para o partido indicar o vice-governador. Pouco depois, chegou Vignatti e lideranças petistas, oferecendo vice e senado. Em discurso, Ponticelli chamou o governador de “fraco” e chegou a se lançar candidato ao governo.

Horas depois, na convenção realizada no Centrosul, em Florianópolis, Ponticelli suavizaria o discurso e elogiaria Colombo. Focou as críticas no senador Luiz Henrique (PMDB), patrocinador do veto a seu nome na composição _ o que resultou na aprovação do nome de Dário. Em meio aos gritos dos militantes contra a aliança com o governador e pedido por Esperidião Amin, o PP acabou aprovando uma delegação para a executiva do partido negociar uma aliança com o PSDB. Nessa conversa, os nomes de Amin e de Jorge Boeira seriam oferecidos como candidatos ao governo ou a vice e o de Ponticelli ao Senado.

Enquanto isso, o PSD realizava sua convenção no Auditório Antonieta de Barros, na Assembleia Legislativa. Colombo foi ovacionado pelos pessedistas e lideranças de partidos aliados. O nome do governador foi homologado como candidato à reeleição. Em seu discurso, Colombo fez um pequeno balanço dos 42 meses de governo, falou do Pacto por SC, saúde e educação.

— Força tem aquele político que ouve, sabe compreender e construir o que tem que ser construído — afirmou.

O PT também homologou Vignatti, mas deixou ainda abertas as vagas de vice-governador e senador, ainda à espera de uma possível adesão dos pepistas. Vignatti criticou as alianças de Colombo.

— São os outros que mandam no governador. Governador não pode ser frouxo como o que temos hoje — disse.

No plenário da Assembleia, o PSB definiu o lançamento de Paulo Bornhausen ao Senado e o apoio à candidatura de Paulo Bauer ao governo. O tucano também recebeu adesão de última hora do PPS.

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As opções do PP na convenção

30 de junho de 2014 0

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Candidatura de Dário ao Senado é resultado de apagão na articulação política

29 de junho de 2014 0

A candidatura do ex-prefeito Dário Berger (PMDB) ao Senado é resultado de uma pane política generalizada, de um verdadeiro apagão de articulação. Deu tudo errado nos planos de Raimundo Colombo, do PSD e do próprio senador Luiz Henrique nas últimas 48 horas.

O nome de Dário foi incentivado como uma espécie de bode na sala para fazer Joares Ponticelli (PP) retirar sua candidatura ao Senado. O PSD tentava há pelo menos duas semanas a desistência do pepista em favor de um nome mais palatável a Luiz Henrique. Os vetos públicos de LHS a Ponticelli não ajudavam na tarefa – pelo contrário, levavam o PP a se fechar em torno dele.

Dário deixou de ser apenas um bode na sala quando ficou claro que sua inscrição para a convenção não poderia ser simplesmente ignorada pela executiva, como pretendia Eduardo Pinho Moreira. Nesse momento, até Luiz Henrique passou a temer pelo efeito desse resultado na coligação. Tentou nas últimas 24 horas convencer o ex-prefeito a desistir. Quase conseguiu ontem à noite, mas o deputado federal Mauro Mariani disse que assumiria a candidatura se Dário a deixasse.

No PP, o outro lado da trincheira da aliança, a inscrição de Dário era vista como traição e fortalecia ainda mais a unidade pepista em torno de Ponticelli. Talvez a desistência do deputado estadual antes das convenção levasse a um acordo, mas o que se viu foi um cabo-de-guerra entre PMDB e PP sob o olhar atônito do PSD. Em vez de ceder, os pepistas começaram a falar na ex-prefeita Angela Amin também como candidata avulsa ao Senado, o que causaria uma guerra dentro da própria coligação, pela rivalidade dos Amin com LHS e Dário.

A coisa estava tão feia que depois da convenção aprovar o nome de Dário, já havia no Centro Administrativo quem considerasse ter Angela no palanque como a melhor opção. Não contavam com a reação de Ponticelli, que não aceita sair com cara de derrotado da articulação de três anos e meio para levar o PP de volta ao governismo.

Por incrível que pareça, os idealizadores da mais complexa aliança da história recente de Santa Catarina titubearam na hora fatal. A grandeza de PMDB e PP, os dois maiores partidos do Estado, falou mais alto que os gestos de composição.

Dário Berger já tinha até número escolhido para a candidatura a deputado estadual. Na quinta-feira, quando lançou sua candidatura ao Senado, cometeu um ato falho que deixava claro que tudo aquilo era um balão de ensaio. Perguntado sobre porque tinha como plano B a Assembleia Legislativa e não a Câmara dos Deputados, soltou:

- Eu não gosto de Brasília, não me imagino morando lá.

O apagão de articulação fez a candidatura cair no colo de Dário. O PP preferiu que a corda arrebentasse a soltá-la, humilhado, por exigência do maior rival que o partido encontrou na história política do Estado. Durante a noite, cresceram as especulações de que os pepistas iriam de mala, cuia, vice-governadora e senador para a chapa de Paulo Bauer (PSDB).

Restam pouco mais de 24 horas, tempo suficiente para serem montadas e desmontadas diversas chapas. A dúvida é se o apagão de articulação política da coligação governista persiste. Cada vez mais a candidatura à reeleição de Raimundo Colombo é comparada à de Esperidião Amin em 2002.

Ambos não conseguiram chegar à campanha com a chapa que queriam e viram aliados irem embora na reta final. Amin perdeu a reeleição para LHS. Colombo vê uma eleição fácil tornar-se difícil.

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Dário vai ao Senado. E agora, PP?

29 de junho de 2014 3

Dário Berger é candidato ao Senado após vencer Edison Andrino por 309 a 112 na convenção do partido.

O próximo a jogar é o PP. Opções: Ficar com Colombo lançando Ponticelli avulso; Ficar com Colombo lançando Angela Amin avulsa para iniciar a disputa na liderança; ser vice de Paulo Bauer com Ponticelli ou Angela; procurar o PT; candidatura própria. Nessa ordem.

Falta um dia e meio para o fim do prazo das convenções. É suficiente para construir qualquer coisa.

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Notícias de uma tríplice cada vez menos aliança

29 de junho de 2014 0

Os ex-prefeitos de Florianópolis Dario Berger e Edison Andrino vão disputar a vaga ao Senado na convenção do PMDB. Apoiar o pepista Joares Ponticelli não é nem opção na cédula oferecida aos delegados. PMDB e PP vão esticar essa corda até um deles desistir ou a corda arrebentar. A dúvida é se o PSD apenas observa ou está ajudando um dos lados a puxar.

É, amigos. Isso é uma aliança. Talvez amanhã não seja mais.

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Capítulo TREZE - Manoel Dias

29 de junho de 2014 3

Manoel Dias é ministro do Trabalho e presidente licenciado do PDT catarinense.

O homem que ocupa o mais importante cargo de um catarinense na Esplanada dos Ministérios é também o personagem mais longevo dessa história – ultrapassando, inclusive, o ponto escolhido para delimitar a política catarinense contemporânea, que é a redemocratização a partir das eleições diretas para o governo estadual em 1982.

Manoel Dias, ou Maneca, como até a presidente Dilma Rousseff o chama, era vereador em Içara, pelo antigo PTB em 1964, quando os militares derrubaram João Goulart. Foi cassado e preso. Dois anos depois, pelo MDB, chegaria à Assembleia Legislativa, Acabaria cassado novamente em 1969, com os direitos políticos suspensos por dez anos.

Ele nunca mais conseguiu ocupar um cargo político através do voto. Não que tenha desistido das urnas. A proximidade com Leonel Brizola o levou para o PDT, partido herdeiro do trabalhismo pré-regime militar. Pela sigla, tentaria retornar à Assembleia em 1982, 1986 e 1990 – sempre longe da meta.

Sem votos suficientes para uma vitória eleitoral, foi como comandante do PDT em Santa Catarina e integrante da cúpula nacional do partido que ele conseguiu virar protagonista desta história. A ligação com Brizola fez de Maneca vencedor de todos os embates que teve dentro do PDT em Santa Catarina – e que levaram lideranças como Jaison Barreto, Leonel Pavan, Fernando Coruja e Amauri Soares a deixarem o partido ou serem saídos dele.

Dessa forma, Maneca controla o PDT com mão de ferro e faz com o que o partido tenha sua cara em Santa Catarina. Em 2006, chegou a concorrer ao governo do Estado após o mal-sucedido flerte com a candidatura de Esperidião Amin (PP). Os pedetistas exigiram o apoio do ex-governador à candidatura presidencial de Cristóvão Buarque (PDT) para consumar aliança, mas o PP rejeitou. Amin seria derrotado por Luiz Henrique no segundo turno, enquanto o pedetista teve 0,9% dos votos no primeiro turno.

O flerte de 2006 acabou se consumando quatro anos depois, quando Maneca foi candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Angela Amin (PP), que iniciou aquela campanha liderando as pesquisas.

Santa Catarina chegara naquela eleição sob a marca do final do ciclo de LHS. Os partidos sócios da tríplice aliança – PMDB, DEM e PSDB – se achavam no direito de lançar candidato ao governo. O próprio Luiz Henrique havia oficializado a disputa interna no início de seu segundo mandato. Dizia que o candidato à sucessão seria o mais competitivo, não importando a sigla. No páreo, o vice-governador Leonel Pavan (PSDB), o senador Raimundo Colombo (DEM) e o ex-vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB) – que ficara de fora da última eleição com a missão de ser governador nos oito meses finais do primeiro mandato de LHS. Para se igualar aos demais pretendentes, recebeu a presidência da Celesc.

O campo da oposição trazia, além de Angela Amin, a senadora Ideli Salvatti (PT). A petista estava no final do mandato e apostava na popularidade do presidente Lula e no crescimento da candidatura de Dilma, a escolhida para a sucessão presidencial. Tentaria vincular ao máximo a eleição catarinense à nacional. Uma união das oposições foi tentada até o limite do prazo de definições, mas esbarrou em um fato concreto: Angela e Ideli não abriam mão de encabeçar a chapa.

A mesma dificuldade existia na tríplice aliança. O candidato natural seria Pavan, que assumiria o cargo com a renúncia de Luiz Henrique para concorrer ao Senado. Herdaria pelo menos oito meses de governo e a possibilidade de concorrer com a máquina nas mãos. Mas o tucano enfrentava um problema externo. No início de 2010, seria acusado pelo Ministério Público de Santa Catarina de receber de propina para facilitar a vida de uma empresa de combustíveis com dificuldades junto à Fazenda estadual.

Como Pavan era vice-governador, a decisão sobre aceitar ou não a denúncia cabia ao Tribunal de Justiça, após permissão a ser concedida pela Assembleia Legislativa. O tucano pediu publicamente para que os deputados votassem a aprovação. Durante semanas, o foco da política catarinense esteve voltado para os desembargadores do Órgão Especial do TJ-SC. Mesmo após tanta expectativa, o caso acabou não sendo votado. Com a chegada do prazo final para desincompatibilização, Luiz Henrique renunciou e Pavan tornou-se governador do Estado. O caso foi automaticamente remetido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) – foro privilegiado dos governadores – sem data para analise. O tucano continuava no jogo, embora chamuscado.

No PMDB, Eduardo Pinho Moreira enfrentara Dário Berger, prefeito de Florianópolis, na prévia do partido para escolher o candidato ao governo. Era a disputa entre o controlador da burocracia partidária e a nova liderança do partido, fortalecida por ter derrotado Esperidião Amin na Capital dois anos antes. A máquina venceu por 58% dos votos dos delegados.

Diante das movimentações dos tucanos e dos peemedebistas, o DEM de Raimundo Colombo também procurou se colocar no tabuleiro. Assim que Pavan assumiu o governo, os demistas deixaram os cargos do primeiro escalão. Colombo foi lançado ao governo e o ex-pefelistas diziam que disputariam em chapa pura se fosse necessário.

E assim a coisa andava, em meio a especulações e conversas. PSDB e DEM tentaram composições com o PP – que esbarraram também na dificuldade de convencer Angela, líder das pesquisas, a desistir. Pinho Moreira procurou PT e PCdoB, mas as conversas não avançaram. A questão nacional pesava. José Serra (PSDB) liderava as pesquisas para a presidência, mas era pouco a pouco alcançado por Dilma.

Em Santa Catarina, Luiz Henrique queria manter a parceria nacional com os tucanos, vitoriosa em 2006. Para reaglutinar a tríplice aliança, apelou a Serra. Em conversa com o presidenciável, Pavan deu uma cartada: disse que retiraria a candidatura se Colombo e Pinho Moreira se entendessem, o que parecia improvável naquele momento. O tiro saiu pela culatra.

A pressão se voltou para os pré-candidatos do DEM e do PMDB. Após uma longa conversa com Colombo, em 13 de junho de 2010, Pinho Moreira desistia da candidatura ao governo para ser vice na chapa do DEM. Alegava isolamento do PMDB. Os peemedebistas que apoiaram Dário na prévia ainda tentaram articular outro nome, já que o prefeito não havia deixado o cargo no tempo necessário para se candidatar – sem sucesso. Pavan tentou resistir no páreo, mas acabou aceitando a orientação nacional e evitando uma intervenção explícita.

A tríplice estava mantida, com Colombo ao governo, Pinho Moreira de vice, Luiz Henrique e Paulo Bauer (PSDB) como candidatos ao Senado. Enfrentariam as candidaturas isoladas de Angela/Maneca e de Ideli, que trazia o empresário Guido Bretzke (PR) de vice.

A diferença de estruturas era abissal e foi confirmada no dia a dia da campanha. Logo Colombo ultrapassaria Ideli e Angela e chegaria na reta final beirando a vitória em primeiro turno – que acabou acontecendo. Com quase um milhão de votos de vantagem sobre a candidata do PP, Colombo era eleito governador. Levava o DEM, ex-PFL, de volta ao Centro Administrativo. Sim, Doutor Jorge conseguiu.

A tríplice ainda garantiria vitórias tranquilas para Luiz Henrique e Bauer ao Senado – com o tucano um pouco ameaçado pelo petista Claudio Vignatti em alguns momentos da campanha. A composição também deu a Serra 56% dos votos no segundo turno, a maior vantagem que o tucano teve em um Estado. Eram cerca de 500 mil votos de vantagem sobre Dilma, exatamente como prometera LHS quando pediu apoio do tucano para reaglutinar a tríplice aliança.

O quadro nacional era oposto. Dilma foi eleita presidente com 56% dos votos, garantindo mais quatro anos para o PT no Palácio do Planalto. Começou mexendo pouco na equipe que recebera de Lula – mantinha, por exemplo, o Ministério do Trabalho com o pedetista Carlos Lupi. A presidente enfrentaria no primeiro ano de mandato uma série de denúncias contra esses ministros herdados, que levou à demissão de vários deles, incluindo Lupi. A vaga foi inicialmente ocupada por Brizola Neto, adversário da cúpula pedetista, mas Dilma acabou devolvendo a pasta para o grupo afastado. Homem de confiança de Lupi e integrante da cúpula, Manoel Dias virou ministro.

No governo estadual, Colombo não conseguia esconder o incômodo de ser liderança de um partido que nacionalmente diminuía a cada eleição. Atrelado ao PSDB desde 1994, o DEM/PFL parecia não ter futuro além de fazer oposição ao PT e perder eleições a cada quatro anos. Não era só o catarinense que estava incomodado. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, era outra liderança ascendente encurralada por esse caminho a qual o DEM parecia condenado a percorrer.

Para mudar de rota, o paulistano tinha um plano. Esse plano passava por Santa Catarina.

A série oBásico tem 14 capítulos, publicados aos domingos e quarta-feiras.
Próximo capítulo (02/07): Cesar Souza Junior.
Leia os textos anteriores.

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Cláudio Vignatti será confirmado candidato ao governo pelo PT na segunda-feira; leia entrevista completa ao DC

28 de junho de 2014 2

Às vésperas de ter o nome confirmado para ser candidato a governador pelo PT, o ex-deputado federal Claudio Vignatti mantém uma corrida agenda de conversas e articulações para tentar fugir do isolamento na disputa estadual. Pela primeira vez desde que os petistas chegaram ao Palácio do Planalto, o candidato catarinense terá que dividir esse trunfo _ já que o governador Raimundo Colombo (PSD) também declarou apoio à reeleição de Dilma Rousseff (PT).

Mais do que a perda do discurso exclusivo das portas abertas em Brasília, a divisão do palanque também levou embora aliados históricos como o PCdoB e o PDT, prestes a se acertarem com Colombo. Nesse cenário, Vignatti recebeu a reportagem do Diário Catarinense no início da noite de ontem no Hotel Majestic, ao final de uma reunião com lideranças do partido sobre plano de governo e composições. Ainda ontem, havia ido a São Paulo, discutir cenários com o presidente nacional do PT, Rui Falcão. A conversa com Vignatti deixa claro que a estrategia de nacionalizar o debate está descartada dessa vez e que o alvo preferido do petista serão as 36 secretarias regionais, que ele fulminar como primeiro ato de governo se eleito.

Veja a íntegra da conversa, incluído trechos que não entraram na edição deste sábado do Diário Catarinense.

Antes da entrevista, na sexta-feira, Vignatti foi a São Paulo e voltou, com direito a selfie com o avião da seleção. (Foto: Arquivo Pessoal)

Antes da entrevista, na sexta-feira, Vignatti foi a São Paulo e voltou, com direito a selfie com o avião da seleção. (Foto: Arquivo Pessoal)

O PT teve candidaturas próprias ao governo em SC desde 1998 e teve em todas elas a sina do terceiro lugar. Como o senhor pretende mudar essa história?
Dessa vez vamos ficar em primeiro (risos). Vamos construir a possibilidade de ser o primeiro. Essa eleição pode ser diferente de todas as outras porque o partido está animado para o processo. Em 2002, nós tivemos os melhores resultados, só não fizemos o governador. O partido está animado da mesma forma. Eu participei daquele momento, me elegi deputado federal, e percebo isso. A militância está animada. Nós fizemos um processo de debates sobre o programa de governo. Estamos fechando as diretrizes para inscrever no dia 5 e que vamos apresentar na convenção…

Mas o crescimento do PT em SC na eleição de 2002 foi baseada na votação alcançada pela candidatura Lula. Agora, pela primeira vez, vocês vão compartilhar o presidenciável petista. Como fica essa situação?
Não tem problema. Nós já tivemos momentos em Santa Catarina três candidatos a presidente em um mesmo palanque. Isso sim é um problema. Quando Nelson Wedekin foi candidato a governador em 1994, o PSDB tinha o candidato ao Senado, eram três candidaturas a presidente. Isso é o maior conflito. Isso é difícil de explicar. É mais fácil explicar um programa nosso para a sociedade. O debate do modelo político vai tomar conta do processo eleitoral no Brasil. Nós vamos firmes na apresentação de um modelo, porque não governamos Santa Catarina nesse período. Não vamos falar mal desse Estado maravilhoso que é o nosso, mas vamos apresentar os problemas.

O que o governo do PT faria diferente?
Nós temos um Estado hoje engessado pela quantidade de órgãos e secretarias e pela quantidade e volume de recursos que são gastos hoje pelo governo para manter os partidos na aliança. Hoje, o governo não precisa fazer uma gestão de excelência. Pode fazer um governo médio, nota quatro, mas dá um jeito de passar, porque nomeia tanta gente. O Estado tem 52 secretarias, com as regionais. Cria-se um processo onde não se resolvem as coisas. O governo estadual tem R$ 11 bilhões liberados pelo governo federal e não contratou 10% disso. Hoje falta policial, engenheiro, médico, professor, falta servidor público, mas não falta cargo de confiança para nomear. As secretarias regionais começaram com um processo de descentralização e hoje não existe descentralização. Qualquer dinheiro que um prefeito queira liberar, hoje ele tem que vir a Florianópolis resolver no governador. Então para quê regional? Então, a primeira coisa que a gente vai fazer é acabar com as regionais e fazer a descentralização de verdade do governo. A descentralização de recursos e a implantação de um orçamento participativo de fato.

As secretarias regionais seriam fechadas?
As estruturas de secretaria regional serão fechadas. A primeira coisa que eu vou fazer como governador é mandar um projeto de lei para a Assembleia Legislativa fechando as secretarias regionais todas e criando a descentralização de fato. Vamos pegar o Fundo Social e transformar ele em investimento regional. Vamos efetivar o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Santa Catarina com os conselhos nas regionais. Vamos descentralizar as ações de governo através de políticas.

Como o senhor pretende desfazer essas estruturas, que são compostas também por funcionários comissionados e efetivos?
Tem muito terceirizado. Os funcionários de carreira ou são da Segurança, ou da Educação, ou do Deinfra, e eles vão ser aproveitados, porque esses órgãos estão na região. Criaram estruturas que são comitês eleitorais, não descentralizam. A ideia inicial do Luiz Henrique foi fantástica, de garantir que o Estado esteja perto das pessoas. Mas acho que os conselhos de desenvolvimento regional e a descentralização efetiva dos recursos é que vai fazer esse processo de fato. Não esse processo que muitas vezes nomeia pessoas que nem tem competência para tocar uma secretaria, só porque são um ex-deputado ou um ex-prefeito que não se elegeu.

O senhor tem encontrado dificuldades em encontrar aliados de médio ou grande porte. Tem alguma expectativa de mudanças nesses últimos dias?
Nós estamos preparando chapa pura. O PT vai chegar na convenção com proposta de chapa pura. Se chegar algum partido que tenha nomes significativos, é claro que vamos discutir. Mas estamos preparando, de fato, chapa pura. Inclusive pelo encaminhamento de partidos que historicamente compunham conosco e que pela divisão do palanque Dilma estão sendo muito mais pragmáticos do que políticos no processo de decisão. O modelo que hoje se dá, com 52 secretarias de Estado e 32 órgãos, fica muito fácil acertar a posição de partidos em que a política não faz mais parte. Faz mais parte o pragmatismo para garantir a eleição do seu deputado. O projeto para o Estado não é o mais importante.

Os nomes da majoritária estão definidos? Quem irá ao Senado, o deputado federal Décio Lima ou o deputado estadual Jailson Lima?
Um dos dois vai ser senador, pode ter certeza disso.

E o vice?
Vou ter vice, pode ter certeza, e será um nome de impacto na eleição.

O senhor não se sente constrangido de fazer campanha de oposição ao governador Raimundo Colombo (PSD) após ele ter sido elogiado pela presidente Dilma Rousseff?
Falar a favor de Santa Catarina é muito fácil, nós temos também que falar dos problemas. Eu não vou gastar meu tempo criticando o Colombo prioritariamente. E nem vou gastar meu tempo criticando o Paulo Bauer (PSDB), que fez parte desse governo até então. Eles vão ter que explicar as diferenças da aliança, nós vamos falar sobre o que queremos fazer diferente. Apontando os problemas da regionais, da educação, da segurança, da saúde, e mostrando o que vamos fazer melhor para o Estado. De certa forma, Santa Catarina criou um estado de excelência em qualidade de vida, mas temos problemas estruturais muito graves. Não temos um aeroporto bom no Estado, não temos uma rodovia duplicada que atravesse o Estado.

Mas não são obras federais?
Pois, é. Mas e aí? Quem governou o Estado de Santa Catarina durante toda essa vida não fomos nós. Isso é uma responsabilidade também do Estado, que precisa priorizar isso. Nós precisamos ir atrás de resolver os problemas. Criar gabinete de gestão para resolver os problemas da BR-470, para garantia que a ferrovia aconteça. Quantos anos se promete ferrovia nesse Estado e não acontece?

Mesmo quando são obras federais?
Falta atuação do Estado. Tem que estar presente, o governador tem que ser comandante. Não pode ser frouxo no processo de decisão política. A capacidade do governo hoje está demonstrada na ineficiência na contratação dos recursos financiados. São 11 anos de receita, um bolão de dinheiro que vem para Santa Catarina, e não tem a capacidade de contratação. O Estado está desmontado. Criaram um Estado máximo nos cargos de confiança e criaram um Estado mínimo na prestação de serviços.

Nas últimas duas eleições, o PT tentou nacionalizar o debate da eleição estadual. Sua estratégia será diferente?
Vamos fazer um palanque com compromisso com o palanque nacional, mas nós queremos debater prioritariamente Santa Catarina. Queremos colocar Santa Catarina de frente para o novo cenário nacional. Precisamos crescer mais do que o dobro da média nacional. Temos capacidade e estamos crescendo menos do que a média nacional porque o governo do Estado não se colocou para essa nova realidade de desenvolvimento econômico e social do país. Precisamos estar de frente para essa realidade. Não temos que ter só a melhor empregabilidade. Temos que ter a melhor renda.

Na sua avaliação, o que impediu o PT alcançar em Santa Catarina o mesmo protagonismo que tem nacionalmente? Chegar a um segundo turno, por exemplo.
Nós vamos chegar dessa vez. Vamos corrigir o passado com essa nova eleição.

Mas o que faltou, qual é a autocrítica que o PT catarinense faz?
O PT sempre foi muito contundente, muito forte. O partido tem hoje a segunda bancada federal e a segunda bancada estadual. É o terceiro nas eleições municipais. Então é um partido forte, um partido contundente, mesmo não tendo chegado ao governo estadual. Não é diferente no Paraná, em São Paulo, em Minas. Mas nós podemos ganhar Paraná, São Paulo Minas e podemos ganhar Santa Catarina. Uma eleição é diferente da outra. Todas as eleições que passam, nós viemos crescendo. Teve a eleição de 2002, nós perdemos espaço político porque, eu acho, o PT errou ao não participar do governo Luiz Henrique. Temos uma autocrítica nesse sentido. Se tivéssemos composto aquele governo, ajudado ele a governar Santa Catarina naquele período, o partido poderia ser governo hoje e não o Raimundo Colombo. Nós ressuscitamos com essa decisão a direita em Santa Catarina. Erramos naquele momento, mas erramos porque tínhamos elegido a senadora mais votada, quase elegido o governador, feito as maiores bancadas e o PT achou que ia ganhar a eleição na próxima. Esquecemos que quem ia disputar a eleição com a gente seria o PMDB naquele momento. Mas, neste momento, o PMDB, que é o maior partido de Santa Catarina, está descontente. E está descontente porque experimentou o governo que está aí. Descontente, desconfortável. Nós não sabemos o que acontece domingo na convenção do PMDB.

Ainda resta esperança de uma composição com o PMDB?
Acho muito difícil. Todos os episódios recentes demonstraram que o controle do Eduardo Pinho Moreira (presidente estadual do partido) é absoluto e ele deve ser o vice na composição com o Joares Ponticelli (PP). Mas eles vão ter que explicar porque estão todos juntos. Eles é que precisam explicar essa aliança.

Não há pesquisa que não aponte a saúde e a segurança como as áreas que mais preocupam o eleitor catarinense. O senhor citou os problemas nessas áreas, inclusive, em propaganda partidária. Que respostas o PT pode dar nessas áreas?
Na questão da segurança pública precisam ter de fato mudança significativa em como essa área é tratada em Santa Catarina. As polícias militar e civil fazem o que podem e o que não podem com o efetivo e a estrutura que aí está colocada. Precisamos formar gente para substituir quem se aposenta, quem está indo para a reserva remunerada. Tem muitas cidades em que não há policiais. Estamos formando menos gente do que pessoas estão indo para a reserva na PM. Precisamo formar, capacitar, estruturar as delegacias regionais, mas formar equipes que sejam implacáveis contra o crime em Santa Catarina. Precisamos construir uma política de segurança que dê oportunidade a todos os menores em conflito com a lei possam ser recuperados. Hoje as casas que fazem a recuperação das crianças não recuperam. São jaulas, não casas de recuperação. Algumas foram melhoradas, mas falta equipe, treinamento, investimento. O sistema carcerário catarinense recupera muito poucas pessoas também. Então temos que repensar a política de segurança em Santa Catarina. Estamos com uma proposta e vamos apresentar aos catarinenses.

E na saúde, existe um diagnóstico?
Precisamos criar uma política de rede em Santa Catarina, com credenciamente de especialidades em regiões diferentes. Precisamos criar uma política de consórcio para resolver bem a questão da ambulancioterapia. Eles falaram que iam cuidar bem da saúde, mas o que a gente vê é a onibusterapia, com ônibus de doentes para lá e para cá. Precisamos garantir que o cidadão seja atendido em Araranguá, em São Bento do Sul, em Joaçaba. Não precisa vir a Florianópolis, ir a Passo Fundo (RS), Porto Alegre (RS). Vamos descentralizar de fato o governo, inclusive a saúde. As secretarias regionais hoje consomem R$ 540 milhões em custeio. Se a gente colocar metade metade disse para a saúde, metade para a segurança, teremos saúde e segurança de qualidade em Santa Catarina.

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Pizzolatti e o nome do PP: "Não vetamos ninguém e queremos ser tratados da mesma maneira"

27 de junho de 2014 3

Presidente em exercício do PP, deputado federal João Pizzolati garante que não há margem para negociar a substituição da candidatura de Joares Ponticelli ao Senado.

— A candidatura do Ponticelli não é mais dele, é de partido.

Leia a sequência da conversa.

Nos bastidores há uma avaliação de que o governador e o PSD compraram uma briga muito grande para conseguir colocar o PP na chapa e que chegou a hora do partido fazer um gesto de conciliação, substituindo o nome do Ponticelli. Como o senhor encara essa avaliação?
Olha, nós estivemos sempre abertos a qualquer processo de negociação. Como vamos colocar sem criar um problema nessa altura do campeonato… o partido tomou uma decisão. Não estamos vetando nome nenhum de partido nenhum. Estamos deixando o governador extremamente à vontade para buscar a composição com outros partidos da base aliada. Da mesma forma, nós queremos ser tratados da mesma maneira. Estamos trabalhando esse projeto vitorioso com o Raimundo desde 2011.

Se houve uma exigência clara de que o PP deve trocar o candidato ao Senado, o partido pode abandonar o projeto?
O Raimundo Colombo manifestou o desejo de estar com o PP e o PP manifestou o desejo de estar com Colombo. A indicação do candidato é do partido e o partido fez a indicação. Somente isso.

Hoje o nome não seria reavaliado em hipótese alguma?
O nome do partido é o do deputado Joares. Por enquanto é isso. O PMDB vai indicar os dois suplentes e caberá a eles fazer essa escolha.

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