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Os bastidores de um debate amigável

11 de julho de 2014 0
Após o debate, os candidatos fizeram fila para entrevistas. Foto: Upiara Boschi

Após o debate, os candidatos fizeram fila para entrevistas. Foto: Upiara Boschi

A ausência de Raimundo Colombo (PSD), os discursos ainda pouco ensaiados e um clima cordial e bem-humorado entre os concorrentes marcaram o primeiro debate dos candidatos a governador do Estado, realizado nesta sexta-feira pela CBN Diário e pela TVCOM.

O ambiente informal se refletia até mesmo nas roupas dos cinco candidatos que aceitaram o convite para o debate. Afrânio Boppré (PSOL) e Paulo Bauer (PSDB) abriram mão das gravatas. Apenas Janaína Deitos (PPL) utilizava um adesivo com o número de sua candidatura, marca registrada dos candidatos desde a implantação da voto eletrônico. Claudio Vignatti (PT) não disfarçava a ansiedade, mexendo os pés constantemente por trás do púlpito, enquanto Elpídio Neves (PRP) parecia se distrair entre uma pergunta e outra.

O clima cordial aparecia em pequenos gestos. Em um de seus principais momentos no encontro, Vignatti defendeu a extinção das secretarias regionais e elevou a voz ao dizer que a pasta da Grande Florianópolis tem 140 funcionários somando comissionados e terceirizados. Assim que terminou a fala, ao seu lado, o adversário Bauer olhou para ele e piscou com o olho esquerdo, como se cumprimentasse a fala.

Afrânio dirigia as críticas que queria fazer ao ausente Colombo para o tucano, na tentativa de reforçar a ideia de que ambos são parte de um mesmo projeto que se dividiu. Bauer mantinha a posição de que encarnava o sentimento de oposição federal à presidente Dilma Rousseff (PT) — hoje aliada de Colombo. Para isso citou diversas vezes a candidatura de Aécio Neves (PSDB) e até a de Eduardo Campos (PSB), encampado como candidato do coração de Janaína e Elpídio.

O debate ganhou intensidade no segundo bloco, quando cada candidato teve cinco minutos para responder os questionamentos dos jornalistas Moacir Pereira, Estela Benetti e Adriana Krauss, do Grupo RBS. Nessa hora, Bauer teve que explicar a candidatura de oposição a um governo apoiado pelo PSDB, Vignatti falou sobre as razões do isolamento petista nesta eleição, Afrânio disse que não é contra critérios de produtividade no serviço público, Janaína defendeu maior participação das mulheres na política e Elpídio queixou-se da lembrança de que recebeu apenas 2,5 mil votos em 2006, quando também disputou o governo estadual.

Ao final, todos os candidatos sorriam e brincavam entre si e com os jornalistas, sempre citando a ausência de Colombo. Vignatti chegou a propor a Afrânio tabelinhas em alguns temas nos próximos debates, como se não houvesse imprensa ao lado. O candidato do PSOL acenou, constrangido, enquanto em outro lado do estúdio Bauer reclamava do excesso de tempo gasto com a discussão sobre as secretarias regionais.

Após duas horas de debate, os candidatos deixaram o estúdio da TVCOM aliviados com o primeiro ensaio. A campanha, literalmente, estava no ar.

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