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Clima de confronto nas redes sociais não tem trégua após eleição

02 de novembro de 2014 1

O debate político acirrado nas redes sociais foi a grande novidade da última corrida presidencial e não dá sinais de que vai se encerrar com a vitória estreita da presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) contra o adversário Aécio Neves (PSDB). Os dois lados continuaram armados após o fechamento das urnas.

Do lado da militância virtual petista, a forte defesa de projetos do governo eleito _ como os conselhos populares e o plebiscito da reforma política — e convidando figuras emblemáticas do campo oposto a se mudarem do país. Pelos tucanos, críticas ao que chamam de uso eleitoral de programas sociais, vagos pedidos de impeachment e contestações ao resultado de 26 de outubro que levaram o PSDB a pedir auditoria do processo eleitoral. Em meio a esse clima ainda conflagrado, a principal questão é se essa essa arena política nas redes sociais será permanente e quais efeitos pode ter sobre a política tradicional.

Ainda antes do segundo turno, o professor titular de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo (USP), Renato Janine Ribeiro, previa um cenário pessimista e dificuldades de conciliação.

— Creio que vamos ter uma situação muito clara, que mantém uma fratura, com o clima de “vencemos, vencemos”. Vai ser uma coisa que vai continuar conflitiva, vai ter gente dividida em briga, em tudo — afirmou.

Doutor em linguística e professor aposentado da Universidade Federal de Santa Catarina, Nilson Lage acredita que segmentos da disputa política têm interesse em manter o clima de acirramento. Defende que o embate passe a se dar em cima sobre questões concretas e não sobre a legitimidade da presidente reeleita.

— O racional seria discutir a questão política, considerando que a eleição terminou. Agora começa outra etapa. Uma etapa em que vão se discutir problemas concretos. Por exemplo, inflação real, falta d’água em São Paulo, gestão da economia. Querer derrubar o governo é golpe e sempre foi — afirma.

Foram pedidos de militantes tucanos no Facebook e no Twitter que oficialmente motivaram o PSDB a entrar com o questionamento sobre a votação no Tribunal Superior Eleitoral. O partido diz acreditar ter confiança no processo, mas que pretende “tranquilizar eleitores que levantaram, por meio das redes sociais, dúvidas em relação à lisura da apuração dos votos”.

A ação provocou reação imediata de simpatizantes do PT, que acusam o adversário de tentar promover um terceiro turno da eleição. Por enquanto, os tucanos ainda não encamparam os pedidos de impeachment contra Dilma – com origem em grupos mais radicais do antipetismo. O jurista Péricles Prade, com larga experiência em direito eleitoral, pontua que esses pedidos de afastamento são, no mínimo, precoces.

— É necessária uma prova estridente, prática, de um crime de responsabilidade. Não basta mera alegação. Por ora, é uma temeridade. Ainda está em curso uma CPI que trata da Petrobras. Se no futuro houver uma prova evidente de que a presidente tinha plena ciência do que estava ocorrendo, aí haveria uma base. Agora, qualquer pedido é precoce, fadado ao arquivamento por não obedecer os pressupostos que o justifiquem — explica.

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Comentários

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Comentários (1)

  • Curió diz: 4 de novembro de 2014

    Dir-se-á que a oposição…
    ” mofará com a pomba na balaia ” !

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