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Em texto à militância, diretório do PT-SC rejeita adesão ao governo e chama de "farsa" apoio de Colombo a Dilma

26 de novembro de 2014 3

O diretório estadual do PT está divulgando um texto para as bases que é uma aposta no confronto e na oposição ao governo de Raimundo Colombo. O tom – e a proposta encaminhada – é muito diferente das conversas que estão sendo alinhadas entre as bancadas eleitas e os prefeitos do partido, que pregam aproximação com o governo para sair do isolamento político no Estado.

O texto divulgação aos militantes chega a ironizar o apoio do governador à presidente Dilma Rousseff (PT), dizendo que “a farsa do voto de gratidão em Santa Catarina pode ser comparada às imagens que mostraram o voto de Sarney em Aécio”.

Tem tudo para pegar fogo a reunião do diretório, marcada para dia 5 de dezembro, quando será discutida a possibilidade de adesão ao governo Colombo. O blog reproduz o texto que foi encaminhado às bases do partido e está aberto para a publicação de quem defende a outra tese.

TEXTO BASE PARA AVALIAÇÃO DO PROCESSO ELEITORAL 2014

Antes de iniciar uma avaliação há que se perguntar para que ela serve. As organizações costumam avaliar permanentemente seus desempenhos, mediante metas estabelecidas, a fim de buscar a excelência. Porém, para um partido político como o PT, qual o papel deste instrumento? Um método de avaliação partidária requer combinar quatro elementos: o processo; o contexto; pontos positivos e pontos negativos; e apontar desafios futuros.

Nesses 34 anos de trajetória, o PT catarinense passou por um primeiro momento de fundação e estruturação. Depois, ocupou por 12 anos um papel coadjuvante na disputa do Estado (1986 a 1998). Em 1998 lançou candidatura própria, já como um partido maduro e pronto para disputar o poder em Santa Catarina, quando, coligado com PDT, PPS e PC do B, obteve 16% dos votos para governador (386.332 votos), elegendo dois deputados federais pelo PT e dois pelo PDT, mais cinco estaduais pelo PT e um pelo PDT. Daí em diante o PT deu um salto, de sete prefeitos para 13 na eleição seguinte (2000), vencendo em grandes cidades, bem distribuídas regionalmente. O próximo passo foi a maior votação proporcional do PT no país para Presidente da República em 2002 e a eleição de uma vaga majoritária (senadora), fazendo a maior bancada federal (cinco) e maior bancada estadual (dez, mais uma vaga do PL).

O PT catarinense vive, dentre outros, dois grandes dilemas. Um deles é ser situação no âmbito federal e ao mesmo tempo ser oposição no Estado. Outro é colocar-se como uma opção de esquerda na disputa do governo do Estado ou, nesse momento, ceder aos acordos pragmáticos com os demais partidos que sempre se revezaram no poder.

Passamos os últimos três pleitos (2006/2010/2014) e em todos eles houve dificuldades e esforços, mas o PT não conseguiu resolver algumas situações e manteve-se no mesmo patamar (14,3% em 2006; 21,9% em 2010; e 15,56% em 2014), oscilando as bancadas federal (3; 4; 2) e estadual (6; 7; 5). Obteve um número sempre crescente de prefeituras (24 em 2004; 33 em 2008; e 45 em 2012) e de vereadores eleitos. O PT nesse período governou metade das 10 maiores cidades do Estado (Joinville, Blumenau, Criciúma, Chapecó e Itajaí) e em todas as regiões. Ocorre que nesse mesmo período LHS, o governador eleito com nosso apoio em 2002, reorganizou a estrutura e a máquina estatal e desarticulou as forças políticas com a máxima de que é dividindo os adversários que se vencem eleições e, assim, tem sido bem sucedido no período.

Neste contexto, ser situação na esfera federal traz desgastes para o partido no Estado, por várias razões:

a) o conservadorismo político vem aumentado a cada eleição especialmente nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, tendo como principal fator as acusações de desvios éticos contra o PT;
b) os bônus do governo federal são aproveitados de forma oportunista pelos adversários do PT no Estado e por vezes até contra o PT;
c) não restam alternativas ao PT além de defender o governo, se expor aos debates e ter que responder internamente por quais motivos as decisões federais que passam pelo Estado não dialogam com o PT e sim com os adversários;
d) ainda que haja esforço de fazer oposição no âmbito estadual, perde credibilidade na medida em que as ações federais privilegiam nossos adversários políticos locais.

Portanto, acredita-se que o processo político e a situação do PT em Santa Catarina não são das mais simples, o que requer responsabilidade na avaliação dos pontos positivos e negativos das disputas mais recentes para entender, aprender com o processo e apontar desafios futuros.

Assim, as eleições de 2014 ocorrem no momento mais agudo de reação da direita brasileira, quando eles acreditavam ser a alternativa para derrubar o PT, e, portanto, não se conformam com sua quarta derrota seguida. Ao mesmo tempo, a onda conservadora despertou a militância histórica, pouco exigida e muito esquecida pelo PT na última década, que reagiu espontaneamente aos ataques da direita e salvou a reeleição da Presidenta Dilma. Frente a isso cabe perguntar: o ódio da direita vai se dissipar ou vai ganhar força? A esquerda que voltou às ruas se manterá ou volta para casa a espera do resultado do comportamento do PT e do governo? O PT terá condições de voltar a liderar as forças de esquerda do país em direção a um novo projeto político? O governo federal será parte deste processo mais amplo de disputa de forças ou fará apenas o papel de gestor da máquina estatal?

Em que pese o clima desfavorável do período pré-eleitoral (manifestações de junho, manifestações contra a Copa do Mundo e o vexame da seleção brasileira, clima de terrorismo econômico com baixo crescimento e ameaça de volta da inflação e o massacre midiático ético-moral contra o PT) e também as reviravoltas da campanha (morte de Eduardo Campos), o PT e a campanha nacional conseguiram administrar o primeiro turno, escolhendo o adversário para o segundo turno. A sétima disputa direta contra os tucanos possibilitou debater projeto para o país, mas antes disso foi necessário um jogo duro de desconstrução da imagem de “paladinos” da ética no Brasil. A soma de esforços aliada à militância espontânea de esquerda garantiu uma vitória “suada”, preocupante para o futuro do PT.

O PT vem diminuindo o percentual de votos no segundo turno a cada eleição (2002 – 61%; 2006 – 61%; 2010 – 56% e 2014 – 52%), vejamos o resultado por região do país: Santa Catarina teve a maior votação para os tucanos no primeiro turno (52,89%) e repetiu o crescimento da direita no segundo turno (29,17%).

Por que isso ocorreu e como avaliar os números do PT estadual diante deste contexto? Além da onda conservadora e do ódio ao PT ter avassalado a região, o Estado de Santa Catarina contou com alguns elementos políticos distintos: o PT disputou eleição com chapa pura, pois os aliados históricos foram atraídos pelos nossos adversários em nome de um suposto alinhamento com o governo federal, que não houve.

Em 2014, o PT manteve uma votação dentro dos patamares históricos que vêm se repetindo desde 1998, considerando que é a primeira vez, depois de 1986, que o partido disputa uma eleição sem aliança. Portanto, há que se considerar positivamente o fato de um partido obter sozinho um sexto dos votos do Estado, pois nenhum outro partido consegue medir o seu parâmetro individualmente, ou seja, é um patamar que continua firmando o PT como uma opção viável para SC, a depender das circunstâncias.

Outro fator positivo, apesar do resultado, foi a votação da Presidenta Dilma em SC, pois os partidos aliados ao governo federal no estado e o próprio governador, que manifestou seu voto de gratidão, não se envolveram e não ajudaram a resistir o mínimo de votos nacional, nem no primeiro turno e com raríssimas exceções no segundo turno (a farsa do voto de gratidão em Santa Catarina pode ser comparada às imagens que mostraram o voto de Sarney em Aécio, coincidindo em contextos semelhantes). Portanto, diferente de outros Estados em que a votação da Presidenta Dilma foi baixa e muito próxima aos 35% (SP, PR, DF e AC), em nenhum deles o PT estava disputando com chapa pura.

Não faltaram esforços dos candidatos petistas, majoritários e proporcionais, de fazer uma campanha unificada, praticamente sem recursos, ocupando espaços políticos importantes em todas as regiões, revelando novas lideranças (especialmente as candidatas mulheres que enfrentaram um pleito desta magnitude pela primeira vez) e das direções petistas nos municípios, todos guerreiros e guerreiras, fazendo jus ao lema do “coração valente” da nossa Presidenta. Esse esforço foi repetido no segundo turno, a batalha foi dura e mesmo com muita campanha nosso resultado foi pífio. Por fim, o resgate de militantes de esquerda desengajados há muito tempo, que também aqui no Estado voltaram às ruas e poderão voltar para o PT se chamados.

Ainda assim, não se podem ser desconsiderados os aspectos negativos que precisam ser ressaltados, como por exemplo: a redução das bancadas federal e estadual, consequências deste conjunto de fatores combinados, e a baixa votação nas cidades governadas pelo PT.

Diante disso é necessário seguir a luta, aprofundar a discussão sobre os dilemas petistas em Santa Catarina e reafirmar a credibilidade das direções partidárias como instâncias para tomadas de decisão. Nesse contexto alguns temas são recorrentes na pauta:

- Depois desse resultado, o PT vai se dobrar e compor com as forças conservadoras que estão no poder em SC?
- Nos próximos quatro anos como conduzir a situação de ser governo no âmbito federal e oposição no Estado?
- Haverá mudanças na política de ocupação dos cargos do governo federal no Estado? E se houver o PT será incluído ou será ainda mais alijado?
- Como manter uma estrutura mínima, ainda mais reduzida com a diminuição das bancadas, e ao mesmo tempo fortalecer a relação com setores sociais, retorno da militância histórica e buscar uma reação para as próximas disputas?
- Como retomar uma tática de crescimento partidário e eleitoral?

Avaliação Municipal:
Como foi a votação do PT no seu município. Boa, Regular ou Ruim?
A que você atribui esta votação?
Quais são os desafios colocados para o futuro do PT?

Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores de Santa Catarina

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Comentários

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Comentários (3)

  • Murilo Silva diz: 27 de novembro de 2014

    Uma observação precisa ser dita sobre um texto-base de verdade, e não um panfleto. Sobretudo quando assinado por um diretório partidário, o texto-base é um documento que deve conter alguns dos principais tópicos relacionados ao tema que precisa ser debatido. O objetivo é orientar o processo de discussão nas diversas etapas do problema, possuindo, portanto, um caráter propositivo. É um ponto de partida para o debate, que não esgota, no entanto, todos os desafios pertinentes à sigla. Se não consegue ser imparcial, deve – no mínimo – ser o mais abrangente possível, procurando expor a tese e a antítese; o acolhimento do contraditório deve estar ali exposto. Este ato expressa profundo equívoco de direção partidária, dissonante com princípios do esclarecimento.

  • E’tica diz: 27 de novembro de 2014

    Ser ou não ser…oposic,ao. Ser ou não ser…situação. Na duvida…PTrobras!!

  • Curió diz: 30 de novembro de 2014

    Começar por suspender os tiros nos pés.
    Chamar a Ideli nas puas.
    Não se estabelecer sem competência.
    Se a história não se repete senão como farsa, 18 brumário de Napoleon, não se brinca em serviço, nada de lógica paradoxal se o povo só conhece a formal.
    Não reclamar, muito menos tornar público a reclamação a respeito de diminuição. Inutilidade para quem tem tempo de coçar no saco.
    Não gastar tempo em discutir se, se, pois farsa é farsa, jogo é jogo, é preciso cintura.
    Cuidar das suas cabritas porque os bodes das outras siglas estão soltos: cuidar mais dos eleitos pelo partido: quem votaria num partido que tem um deputado estadual médico processadíssimo esbravejando e vomitando contra a justiça instituída ? Só um louco, poupem o tempo, já respondi. Juízo! Cintura não é ceder a nada! Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de… leques de penas de aves raras abanando Colombo!
    Vão encarar a obra de reorganização do partido tão bonita que está sendo feita ? Ou vão deixar para depois ?
    Também tem outra… não apoiar o Colombo não significa ser contra ele… se alguém no partido não compreende isso… phodeu-se o coletivo.
    Antes de chamar os que foram PT chamar os simpatizantes. U !!!
    … ” ou será ainda mais alijado ” … isso não poderia ser publicado, é burrice! vai atrás e pronto! choramingas não movem as velas do barco!
    Ora, ora, ora e labora ! Como retomar ? Indo ao encontro dos trabalhadores ! Começa pelo piso dos professores que não é pago !

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