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Pizzolatti é acusado de receber e intermediar propinas. Conheça o conteúdo dos inquéritos

07 de março de 2015 1

Deputado federal até o final de janeiro deste ano, o catarinense João Pizzolatti (PP) é alvo de cinco dos 21 inquéritos abertos pela Procuradoria-Geral da República para investigar políticos suspeitos de integrar esquemas de corrupção na Petrobras. De acordo com o Ministério Público Federal, o pepista seria uma dos principais beneficiários e intermediário direto de propinas pagas por empresas que mantinham negócios com a estatal para deputados do PP.

As denúncias tem como base as delações premiadas feitas pelo doleiro Alberto Yousseff e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ambos apontam que Pizzolatti “compunha o grupo de parlamentares do PP que, de maneira estável e permanente, atuava visando a manutenção e operacionalização do esquema”, nas palavras do procurador-geral Rodrigo Janot. De acordo com Yousseff, esse grupo de deputados pepistas que incluia Mario Negromonte, Nelson Meurer e Pedro Correa. O doleiro afirmou que esse quatro parlamentares receberiam de R$ 250 mil a R$ 500 mil por mês e intermediavam a divisão do resto – de R$ 1,2 milhões a R$ 1,5 milhão – com os demais deputados do partido.

A origem dos recursos seriam as propinas cobradas por Costa junto às empresas que mantinham negócios com a Petrobras e participavam de suposto cartel. Dos inquéritos que tratam da participação de Pizzolatti, dois envolvem pagamento de propina por empreiteiras – Andrade Gutierrez e Mendes Junior – por conta de contratos ligados a refinarias da estatal no Paraná e no Rio de Janeiro. Outro, envolve um suposto pagamento de propina pela empresa Brasken para obter preços melhores para os derivados de petróleo que compra da Petrobras _ seriam US$ 5 milhões anuais.

Também são investigados desvios de recursos do caixa da Petrobras, segundo Yousseff utilizados nas campanhas eleitorais de pepistas, incluindo Pizzolatti. Em sua delação, Costa admitiu que a expressão “Piz 5,5″ encontrada em uma de suas agendas se refere ao ex-parlamentar catarinense e uma suposta propina de R$ 5,5 milhões. Também admitiu que outros R$ 560 mil teriam sido repassados a um advogado de Pizzolatti, para “resolução de algum problema na área eleitoral”.

Em 2014, barrado pela Ficha Limpa, Pizzolatti desistiu de concorrer. Mesmo sem mandato, o Rodrigo Janot defendeu que Pizzolatti tenha os cinco inquéritos analisados no STF. Alegou que os fatos ligados a ele têm “conexão direta e umbilical” com os relativos aos atuais deputados do PP investigados.

Um sexto inquérito, sem ligação com a Petrobras, não será analisado pela corte suprema por não ter relação direta com a Petrobras. De acordo com delação de Yousseff, o catarinense teria apadrinhado a indicação de um diretor do Denatran que viabilizou a terceirização do registro de transferências de veículos. Em troca, a empresa teria pago R$ 20 milhões em propinas que seriam distribuídas por Pizzolatti entre os demais parlamentares do PP – seguindo a mesma logística do propinoduto ligado à Petrobras.

Essa petição será encaminhada ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, foro privilegiado conquistado por Pizzolatti ao ser nomeado secretário extraordinário de Relações Institucionais e Promoção de Investimentos do Estado de Roraima, em fevereiro deste ano. Se não estivesse ocupando o cargo, Pizzolatti teria esse caso analisado pelo juiz Sérgio Moro, em Curitiba.

A reportagem do Diário Catarinense tentou falar com Pizzolatti através de ex-assessores, familiares e telefones fixos de Blumenau registrados em seu nome. Nenhum telefonema foi atendido ou teve retorno.​

.:: Do que tratam os inquéritos

Petição 5260
Resumo: Condensa e vincula todo os esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Lava Jato. Deve servir de base para a acusação de formação de quadrilha.

Petição 5267
Resumo: Repasse de propina no valor de R$ 5,5 milhões para financiar campanha eleitoral de Pizzolatti em 2010. Os valores teriam como origem o caixa da Petrobras. Repasse de R$ 560 mil para advogados de Pizzolatti durante a campanha de 2010.

Petição 5290
Resumo: Como líder de partido, Pizzolatti teria recebido e intermediado propina da empreiteira Mendes Júniorpara o PP com base em contratos ligado às refinarias de Paulínia (SP) e Araucária (PR). De acordo com Yousseff, 1% do valor de um contrato em torno de R$ 1 bilhão.

Petição 5280
Resumo: Os recursos teriam como origem contratos para aquisição de produtos da Petrobras pela empresa Brasken. Cliente da Petrobras, a empresa teria pago para que fossem praticados preços mais baixos. Seriam US$ 5 milhões por ano – 30% para Paulo Roberto Costa, o resto para o PP – intermediado por Pizzolatti.

Petição 5291
Resumo: Pagamento de vantagens indevidas pela empreiteira Andrade Gutierrez ao PP, em particular aos então deputados João Pizzolatti e Roberto Teixeira, com base em contratos referentes à Refinaria de Duque de Caxias/RJ e ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro. Pelo menos R$ 1,5 milhão teriam sido pagos.

Petição 5286
Resumo: Pizzolati é acusado de ter apadrinhado a indicação de um dirigente do Denatran. Esse dirigente teria terceirizado o registro de transferências de veículos para a empresa GRF. O acerto teria rendido R$ 20 milhões em propinas, pagas em 20 parcelas. O dinheiro seria pago na casa de Pizzolatti em Brasília, que distribuia os recursos no partido. Como o caso não tem relação com a Petrobras, será encaminhado para o TRF-1.

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Comentários

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Comentários (1)

  • roberto diz: 7 de março de 2015

    O Pizzolati estava num posto na BR 101, com uma Belina cheia de coisas, acho q esta fugindo para o paraguai

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