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Ponte Hercílio Luz: MPC deu cifras ao imaginário popular

02 de outubro de 2015 3

Existe um termo no imaginário da sociedade catarinense que ganhou força ao longo dos 33 anos de interdição da Ponte Hercílio Luz. A chamada “indústria da ponte” seria um canal de recursos públicos para o bolso de políticos e outros agentes públicos, diz o senso comum. Ao apresentar uma representação sobre os recursos gastos com a histórica e polêmica construção de 1926, Diogo Ringenberg, procurador do até então obscuro Ministério Público de Contas, deu cifras a esse imaginário: R$ 570 milhões em valores corrigidos. Meio bilhão.

Por mais que haja exageros e até mesmo erros de cálculo na projeção do procurador _ um exemplo claro é a inclusão na conta dos R$ 64 milhões captáveis via Lei Rouanet, dos quais só existem realmente cerca de R$ 4 milhões, ainda não gastos _ a representação do MPC coloca em pauta um histórico de descaso com aquele que é considerado o maior símbolo de Santa Catarina.

A reação do governador Raimundo Colombo (PSD) ao decidir interpelar Ringenberg judicialmente tem um quê de culpar o mensageiro, mas também se explica pela frustração pessoal de ver o Estado questionado em um momento em que a obra avança. Colombo sonhava em entregar a obra ao fim do primeiro mandato. Ao ver que não seria possível, rompeu com a construtora Espaço Aberto e enfrentou dificuldades para substituí-la na etapa emergencial, praticamente concluída. Ainda aguarda respostas das americana American Bridge e da portuguesa Teixeira Duarte para definir qual delas assume a restauração em si.

A ação do MPC tem como efeito colateral o ressurgimento das discussões sobre desistir de restaurar a ponte, sobre derrubá-la e construir outra. Por incrível que pareça – e os catarinenses aprenderam a duvidar disso – hoje é mais rápido e mais barato concluir a reforma. Ao tramitar no Tribunal de Contas do Estado, a ação do procurador não deve ir além de nomear culpados e chorar os milhões derramados.

Comparação

Mesmo que o meio bilhão de Ringenberg fosse uma conta exata, a Hercílio Luz – que não votou em nenhum dos políticos responsáveis por mantê-la em pé – teria custado ao Estado metade da dívida gerada pela atrapalhada emissão de Letras do Tesouro nos anos 1990.

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Comentários

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Comentários (3)

  • naldo diz: 2 de outubro de 2015

    A questão é a seguinte: com MEIO BILHÃO DE REAIS, QUANTAS PONTES LIGANDO A ILHA AO CONTINENTE poderiam ser construídas?? Colombo poderia responder esta, – extrajudicialmente!!

  • Curió diz: 2 de outubro de 2015

    Qué vê imaginário é o povo acreditá que tem governo!…
    Viva Dom Sebastião!…
    Viva Dom Sebastião!…
    Ele vai nos levar a uma terra sem males!… O reino de Sancatrina!…
    Viva o Dom Sebastião!

    Faltou dizer que tudo ficou muito bem amarrado e se caso a ferralhada vier abaixo ó!
    Foi dito!
    Não vai adiantar chorar o leite derramado da vaca sepultada no mar… he he he

  • Celso diz: 3 de outubro de 2015

    A que se perguntar e procurar entender?
    O que fazia esse tal de MP DO TC nesses últimos 30 anos?
    Quanto se gastou nesse tal de MP DO TC nos últimos 30 anos?
    E afinal o que é esse tal de MP DO TC que nunca se ouviu falar?
    Transparência é só para quem é governo e eleito pelo povo?

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