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Ponte Hercílio Luz: A aposta portuguesa de Raimundo Colombo

12 de outubro de 2015 7

Durante semanas o governo estadual conviveu com a resposta negativa da American Bridge à proposta de liderar a etapa principal das obras de restauração da Ponte Hercílio Luz, tornada pública na noite de sexta-feira. Reteve a informação por duas expectativas distintas. A primeira, mais no campo da esperança, de que poderia fazer a empresa americana que construiu a ponte nos longínquos anos 1920 mudar de posição. A segunda, pragmática, pelo temor de que ao se ver sozinho no páreo, o grupo português Teixeira Duarte inflacionasse a própria proposta.

Ponte Hercílio Luz: MPC deu cifras ao imaginário popular

Ambas as respostas — de americanos e portugueses — estão há algum tempo nas mãos do governador Raimundo Colombo. A divulgação do parecer do Ministério Público de Contas apontando inflados R$ 560 milhões em gastos com a Hercílio Luz nos últimos 33 anos tornou explosivo o ambiente para anúncios referentes à reforma. O plano do governo já estava traçado: enquanto escondia a informação da desistência, debruçava-se sobre a proposta portuguesa em busca de formas de baixar o valor estimado — a Teixeira Duarte teria aberto a possibilidade que a compra de materiais ficasse a cargo do Estado.

A ponte Hercílio Luz foi, mais uma vez, colocada nas mãos de quem não pode com ela

Assim, a negativa da American Bridge seria apresentada à sociedade junto com uma alternativa concreta. À exemplo de que fez com a reforma da previdência, o governador chamaria os demais poderes — Judiciário, Ministério Público de Santa Catarina, Tribunal de Contas do Estado e Assembleia Legislativa — para analisar a proposta e dar uma espécie de aval prévio. Um cenário de certa forma difícil de se concretizar, até porque boa parte desses órgãos será responsável por analisar contratos, gastos e andamento da obra, e não devem querer se comprometer por antecipação.

O gesto de Colombo, no entanto, é uma tentativa de se precaver diante de uma difícil decisão a ser tomada: a dispensa de licitação para contratação da Teixeira Duarte, através de sua subsidiária brasileira, a Empa _ que toca as obras consideradas emergenciais. A ideia no governo é fazer essa apresentação aos poderes e à imprensa ainda esta semana. Colombo tem convicção de que a Teixeira Duarte consegue concluir a obra ainda durante seu mandato e afirma ter medo de que uma licitação aberta tenha como vencedor outra empresa que não dê conta do recado. Parece disposto a pagar para ver.

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Comentários

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Comentários (7)

  • nelson diz: 12 de outubro de 2015

    “Uma TENTATIVA de se precaver diante de uma DIFÌCIL decisão: dispensa de licitação para contratação da PORTUGUESA Teixeira Duarte, através de uma subsidiária BRASILEIRA, a Empa”. De novo, o JEITINHO BRASILEIRO para resolver um problema que se arrasta por 30 anos, enriquecendo muitos políticos gananciosos. Os Americanos devem ter ficado impressionados com a engenharia Brasileira depois que viram a GAMBIARRA construída sob a ponte para SUPOSTA sustentação. Dispensando os motivos de piadas entre GAJOS e MANÉS, acredito que nossa velha ponte passará para a historia no próximo episódio de “PROCURANDO NEMO”.

  • Beto diz: 12 de outubro de 2015

    Bom dia Boschi e demais leitores.

    Em meio ao caos político financeiro brasileiro não importa qual a decisão do Colombo sobre a reforma da ponte Hercílio Luz, haverão manifestações contrárias.

    Mesmo que a EMPA conclua a reforma e a ponte seja liberada para o uso, ainda assim a sociedade seguirá com a sensação de ter sido punida, pagando muito caro pelos “band-aids” que suspeito, não durarão sequer 20 anos.

    Passarão curtos dez anos e estaremos discutindo a implosão da ponte, novamente, diante de uma nova proposta de restauração das partes da ponte que não foram “previstas” na reforma proposta atualmente.

    Não é preciso ser clarividente para prever que a ponte não resolve o problema da mobilidade urbana entre o continente e a ilha, que só formará um novo gargalo no estreito, nas ruas adjacentes ao acesso à ponte.

    É, a ponte, um “ativo” turístico e por este motivo deve ser preservada, deve ser restaurada. Este é um dos argumentos de todos que defendem a sua reforma, e o fundamentam no exemplo da famosa torre Eiffel.

    Não creio que o custo desta preservação seja algum dia recuperado. Não percebo em nossa ponte o potencial de alavancar recursos como possui a famosa torre de Paris.

    Talvez fossem melhor aproveitados os parcos recursos do Estado se fossem investidos na construção de uma 4ª ponte e novas vias de acesso à ilha, pois chegamos próximo ao limite de tráfego das vias de acesso às pontes atualmente funcionais e, qualquer incidente no horário de pico provoca terrível congestionamento, bem sabemos.

    O município de Florianópolis perdeu uma oportunidade ímpar de melhorar a qualidade no transporte coletivo (o que seria uma alternativa ao fluxo de veículos pequenos) ao não fixar no processo de concessão um prazo para dotar todos os veículos com ar condicionado.

    Acreditar que quem possui automóvel com ar condicionado vai deixar de lado o uso do seu veículo optando pelos “amarelinhos” com poucos horários e alcance limitado é a demonstração da falta de planejamento e da pequena visão de quem deve gerir o sistema integrado de mobilidade.

    Nossos gestores públicos precisam evoluir, precisam tratar os interesses dos cidadãos com mais respeito. Porque nivelar a prestação de serviço de interesse público no patamar mais baixo? Porque não propor um modelo em que todos os veículos sejam dotados de ar condicionado o que tornaria desnecessário a utilização dos amarelinhos com preço diferenciado.

    Desculpem, a questão da reforma da ponte foi o gatilho para falar da mobilidade urbana.

    E repito, a restauração da ponte Hercílio Luz não é solução para a questão da mobilidade urbana na grande Florianópolis.

  • Marciana Ludero diz: 12 de outubro de 2015

    Não seria mais interessante fazer parceria com o governo chinês e ou japonês…. Olha a China até já construiu uma ponte de vidro e o Japão se reconstruiu em menos de um ano após o terremoto e o tsunami….

  • Fabio diz: 13 de outubro de 2015

    Beto, tu sinceramente achas que os franceses preservam a torre deles porque ela dá lucro?Se o fosse, acho que jamais seriam a nação francesa, a mesma de Descartes, de Voltaire, de Napoleão, da Revolução, de L. Pasteur, de Pascal, Laplace, de Sartre, de Foucault etc. É preciso um espírito um pouco mais nobre do que esse filisteísmo rasteiro para formar uma nação dessa.

  • reinaldo diz: 13 de outubro de 2015

    De fato, recuperação parcial é como dar analgésico a paciente com dor provocada por envelhecimento total e desgaste natural..Vai partir breve – fadiga, ferrugem, desgaste…
    Estão apenas colocando aparelhos para a paciente respirar artificialmente por alguns poucos anos, se é que não vai “estourar” no assentamento.

  • Beto diz: 13 de outubro de 2015

    Entendo o teu argumento Fabio.

    Contudo, não creio que a preservação da ponte seja determinante para a formação de pensadores, cientistas ou capaz de propiciar o surgimento destes aqui na nossa sociedade.

    Pelo contrário. Em nossa sociedade ainda repercute uma máxima comportamental determinada pela desgastada frase: eu gosto de levar vantagem em tudo.

    E, penso que levarão mais algumas dezenas de anos para que as pessoas adotem princípios mais nobres.

    Também não acho que os gestores públicos devam deixar de lado o pragmatismo em troca de uma visão romântica em prol da preservação da ponte. Da mesma forma, seria insano desconsiderar o impacto econômico do turismo para Paris.

    Entre recuperar a ponte ou construir outras vias de acesso a ilha que sejam mais eficientes eu optaria pela construção de outras vias de acesso.

    Claro que, havendo recursos disponíveis para realizar ambas as alternativas, poderia aprovar ambas.

    Não creio que os cidadãos, dentro de mais alguns anos, fiquem felizes por poder apreciar a ponte enquanto convivem com congestionamentos ainda maiores.

    Imagino a cena. Aquele belo congestionamento de fim de tarde, de mais de duas horas, ali na beira-mar, olhando para a ponte e falando: que bom que restauraram a ponte. Não importa se vou ficar preso em congestionamentos diários, o importante é a ponte Hercílio Luz.

    O que quero dizer é que não me parece sensato escolher a reforma do fusca 1969 ao invés de comprar um porsche zero se o custo é o mesmo.

    Mas, claro, o que torna a vida maravilhosa é a singularidade das pessoas.

  • Curió diz: 14 de outubro de 2015

    Deixa estar que assim tá muito bão
    E viva Dom sebastianíssimo Sebastião!… Bum!… Bum!… Bum!… ( na abertura do carnaval )
    carregando o Marquês de Pombal pela mão
    Viva Dom sebastião, cantadô com o Dão ( coitadinhas das criancinhas )
    Com saudades dos professores velhinhos mandados para a Alemanha para fazer sabão
    E vida Dom Sebastião
    Neste dia de vésperas de comemoração do extinto dia do professor Viva Dom João
    Que a espera do magistério de anos e anos foi para o seu colhão!

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