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Cordão de isolamento e galerias vazias: símbolos da falta de diálogo na Alesc

08 de dezembro de 2015 6

A Assembleia Legislativa tornou-se um ambiente conflagrado. O símbolo de um plenário isolado por um cordão de policiais militares, tropa de choque e a própria segurança da casa marca um triste final de ano legislativo. O spray de pimenta lançado isoladamente por um desses seguranças contra manifestantes nesta terça-feira apenas tempera um cenário construído com erros de parte a parte e doses generosas de intolerância.

O ambiente conflagrado é resultado da falta de disposição para o diálogo. Essa frase vale para o governo que encaminha projetos estruturantes como a reforma da previdência e o novo plano de carreira dos servidores faltando três semanas para o final ano legislativo. Vale também para os grupos sindicais que admitem ir para a Assembleia com objetivo único de impedir a base de gritos e xingamentos a tramitação das propostas.

O governo passou o ano discutindo internamente essas propostas. No caso do plano para os professores, o projeto é mesmo desde o início do ano, com uma ou outra adaptação. É sabido desde então que não haveria acordo com o Sinte sobre o principal eixo – a incorporação dos 25% de regência de classe aos salários. Por que, então, não veio antes? Se não era construção de consenso, era para reduzir tempo de debate. O preço a pagar é amargo para o Centro Administrativo: a base governista ainda resiste à proposta.

A reforma previdenciária também está em discussão desde o início do ano. Os poderes foram convocados a opinar e deram aval à criação do fundo complementar SCPrev em uma discussão que se estendeu de maio a setembro dentro de gabinetes. Quando finalmente passou a ser discutido na Assembleia, o governador Raimundo Colombo (PSD) deu sinal verde para um aumento de alíquotas de contribuição previdenciária. Parecia simples, reajustar ou não reajustar. Um impasse jurídico fez o projeto ganhar como adendo a extinção do fundo previdenciário criado em 2008, colocando R$ 800 milhões no caixa em 2016 e reunindo todos os servidores no mesmo grupo. O que era simples virou um projeto complexo, bombardeado por sindicatos, corporações e pelo próprio Iprev. E que será votado em uma semana e meia de análise.

É assim que se constroem tumultos como o desta terça-feira. De um lado, os sindicalistas reunem os mesmos radicalizados de sempre para dizer não a qualquer coisa. Para fugir dos gritos, o governo reduz o tempo de análise das propostas e acaba dando razão aos críticos. Está certo quem diz que a sociedade não está na Assembleia. Nem no plenário ocupado por seus representantes políticos, nem no saguão tomado por seus representantes sindicais. Aí surge outro grande símbolo: talvez a sociedade esteja mesmo representada é pelas galerias vazias.

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Comentários

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Comentários (6)

  • janete diz: 8 de dezembro de 2015

    É com grande pesar que o governo encerre o ano desta forma.Tirando do professor para dar para o próprio professor só que de forma conta gotas. Aí, este mesmo governo está preocupado em construir presídios.
    Países preocupados com a população, estão cada vez mais investindo pesado na educação ,e o governo está tirando da educação para dar para quem?
    Teremos daqui a alguns anos quem para estar em salas de aulas? Sem respeito dos governantes que mandam a polícia bater, surrar, jogar gás de pimenta como se fôssemos baderneiros.Tiram os nossos direitos e devemos ficar deitados em berço esplêndido como se nada estivesse acontecendo?

  • Paulo diz: 8 de dezembro de 2015

    Com quem credenciais o “jornalista” diz que na ALESC estavam os sindicalistas radicalizados? Sou professor, sequer sou filiado ao SINTE e assim como muitos de meus colegas estava lá para dizer NÃO mesmo. Estamos sempre dizendo NÃO porque a proposta do governo é sempre a mesma: usar manobras matemáticas para reduzir o salário líquido e acabar com a carreira do magistério catarinense. Quem estava na assembleia hoje a tarde eram professores, profissionais da saúde, da segurança pública que estão cansados de tanto descaso.

  • simone hagemann diz: 9 de dezembro de 2015

    Quero discordar da matéria no que diz que a sociedade não está representada pelos sindicatos. Nós trabalhadores do serviço público somos também sociedade, também contribuímos com impostos para o orçamento do estado, que agora o governo coloca mais uma vez à mercê de seus interesses meramente políticos-partidários.
    É o caso da unificação dos fundos do IPREV, que está sendo proposta pelo Governo unicamente para salvar as contas do Governo pois não vai sanar o déficit da previdência além de manter a lista gorda de benefícios do alto escalão, como o auxílio moradia dos parlamentares e a aposentadoria vitalícia dos governadores. Sem mencionar o gasto com os cargos comissionados das SDR´s.
    O governo fala em coragem… mas a única coragem que ele tem é de retirar direitos do serviço público, trabalhadores que atendem diretamente à sociedade e há anos estão sendo sucateados. Falta coragem ao Governo de acabar com as regalias das SDR´s e de seu alto escalão…
    O Governo deslocou mais de 300 policiais, inclusive estudantes do curso da PM para barrar a entrada de servidores no plenário. como fica a sociedade nesse momento?
    Um governo que não dialoga e usa a polícia para cercear o direito à livre expressão é um governo que não representa a ninguém a não ser os seus interesses políticos.

  • carlos henrique diz: 9 de dezembro de 2015

    No caso dos professores não houve acordo porque o governo queria incorporar a gratificação e depois dizer que deu um “reajuste” de 25% no salário em 2016.

    Como em 2015 já NÃO HOUVE reajuste, em 2016 também não haveria, seriam DOIS ANOS de salário congelado de uma categoria que já é mal remunerada.

    Então, se não na ALESC, onde os professores deveriam ir para mostrar o desespero a que chegaram com essa situação?

  • Leronardo diz: 9 de dezembro de 2015

    Parabéns pelos matéria, pelo menos algum colunista deste jornal é imparcial. Ver os dois lados da moeda, isso é democrária. O que não fez o governo. Fez cagada, deve todo mundo, isso ele não conta, sáude, educação, justição estão com seus estoques de insumos vazios. Culpa da má gestão e fraudulenta. São políticos de carreira, fazendo campenha, usando dinheiro público, com a desculpa de ser convenios com instituições. Lobista dentro das secretarias trabalhando com terceirizações de áreas técninas, como estão acontecendo na sáude. Estas pessoas não estão ali de graça, vão ganhar alguma coisa. A nova previdência, está mascarado, que o governo pode usar quando bem entender o dinheiro do fundo, pode pedir emprestimo em nome do fundo. Será que os deputados leram esta parte do projeto?

  • Daniel – Laguna diz: 9 de dezembro de 2015

    Seu comentário foi bem mais feliz que de seu mentor.
    As associações de magistrados já enviaram recado claro, onde está o dinheiro do antigo ipesc e do iprev? Faltou deixar na conta, agora falta.
    Pesquise jornalista quem de fato receberá aumento com este plano de carreira para o magitério. Os comissionados, em desvio de função, pessoal da sed, sdr, gestores de escola e outros. Faça o cálculo, serão incorporados 25% ao salário destas pessoas e sobre este valor acrescidos até 100% do salário, gratificação segundo desempenho, sem contar outros benefícios que desconheço. Por favor pesquise e aí encontrará os beneficiados.

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