Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

O grito de independência de Colombo

20 de fevereiro de 2016 4

Que nunca se espere grandes gestos de rompimento por parte de Raimundo Colombo. O governador catarinense é cauteloso, conciliador e paciente. Costuma tentar deixar os problemas se solucionarem sozinhos, o que nem sempre acontece. Com esse estilo de fazer política, o pessedista construiu uma carreira política em que conseguiu agrupar políticos, partidos e interesses diversos em torno de seu projeto.

É justamente por esse estilo, que é preciso olhar com atenção a disposição de Colombo de patrocinar uma ação judicial no Supremo Tribunal Federal (STF) em que o Estado de Santa Catarina questiona os critérios utilizados pelo Ministério da Fazenda para aplicar a lei que determinou a renegociação da dívida com a União. Mais do que a tentativa de corrigir uma interpretação marota do Ministério da Fazenda, que aplica juros sobre juros ao recálculo da dívida e torna inócua a renegociação aprovada pelo Congresso em 2014 para beneficiar Estados e municípios, a disputa judicial coloca o catarinense em uma nova posição do tabuleiro político: a de liderar uma disputa nacional contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Se a chamada Tese de Santa Catarina prosperar no STF, os demais devedores vão exigir o mesmo cálculo.

Em plano estadual, Colombo sofre no dia a dia os efeitos negativos da lealdade que mantém em relação à petista. Na campanha eleitoral, declarou o apoio àquela que lhe viabilizou o mandato através de financiamentos via Banco do Brasil e BNDES. Sabia que a declaração de voto em Dilma Rousseff no Estado de Santa Catarina, talvez hoje o mais antipetista do país, talvez lhe custasse a reeleição caso tivesse que enfrentar um segundo turno.

Mesmo diante do derretimento da popularidade de Dilma e das dificuldades do governo e do país em 2015, Colombo manteve-se leal e chegou a assinar no final do ano um manifesto de governadores aliados ao Planalto contra o impeachment. Ainda acreditava que a petista pudesse retomar o controle da situação. Foi na troca de Joaquim Levy por Nelson Barbosa na Fazenda que o catarinense jogou a toalha, ao entender a mudança como uma sinalização de fechamento do governo federal em si mesmo.

Foi nesse contexto, no final de dezembro, que o decreto da dívida foi editado confirmando o pior cenário possível: a dívida aumenta em vez de reduzir nas calculadoras de Barbosa. Engendrada na Fazenda catarinense, sustentada pela Procuradoria Geral do Estado, ratificada por um parecer do jurista Carlos Ayres Britto, acompanhada de perto por todos os devedores da União, a Tese de Santa Catarina é o grito de independência de Colombo.

Bookmark and Share

Comentários

comments

Comentários (4)

  • Luiz diz: 20 de fevereiro de 2016

    Post primoroso!

  • Curió diz: 22 de fevereiro de 2016

    Engraçado!… Sabias que ele me deve R$ 150.000,00 por conta de ação na justiça favorável a mim, passado por julgado e engomado e vai para a lista dos precatórios que ele nunca vai pagar na vida ? Isso não é motivo de reportagem ? Bem, é de salários e proventos pagos com irregularidade para o bocó do professor aqui… manda pendurar num prego forte, manda queimar na fogueira esse tal de grevista do Curió…
    Isso é apenas artimanha do Colombo, mais uma novidade do seu baú de ilusões, o cara não cria vergonha na cara mesmo! O juro do cheque especial ( para essas autoridades e deputados encherem a bunda de dinheiro ) é sobre o saldo devedor sem vergonhas velhacos! Vocês querem prometer na próxima campanha, isso é que vocês querem.
    Ah! É desse jeito assim e asado como um anjinho do céu que deve ser olhado o Colombo!
    Na cova em que o Colombo quer colocar a Dilma será plantado sem tiro nem de morteiro imagina de canhão!…

  • Carlos Henrique diz: 23 de fevereiro de 2016

    A procuradoria geral do estado certa vez também sustentou os títulos dos precatórios, e deu no que deu…

    Como até agora ninguém se preocupou em efetivamente explicar para o distinto público leigo como é essa diferença de cálculoque causa tanto desacordo entre estado e união, vou esperar para ver.

  • Manuel do Desterro diz: 23 de fevereiro de 2016

    E A ZELOTES, COMO ANDA?

    NÃO VEJO ESSE FALAR NADA DA IMENSA SONEGAÇÃO QUE AFETA A TODOS NÓS.

Envie seu Comentário