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O respeito às instituições

19 de abril de 2014 0

Normalmente em polos contrários no espectro ideológico, os desembargadores Lédio Rosa de Andrade e Cesar Abreu chegaram a um raro consenso durante a votação do recurso que pedia o retorno de Romildo Titon (PMDB) à presidência da Assembleia Legislativa. Ambos levantaram o argumento de que era necessário preservar a independência dos poderes para defender a volta do peemedebista ao cargo. Também criticaram a desmoralização da classe política, com o argumento de que não há democracia sem políticos.

Na sequência, o desembargador Paulo Costa deu o contundente voto em que dizia não caber à Justiça socorrer os políticos que se desvalorizam. O mesmo magistrado lembrou que a tão citada independência dos poderes é desrespeitada diariamente em legislativos que se curvam aos interesses dos governos – e não é preciso determinar se municipais, estaduais ou federal, porque a situação é a mesma. Esse registro tardio do ponto alto de debate de quarta-feira entre os desembargadores que, por 11 votos a 10, decidiram manter o afastamento de Titon, é para uma constatação maior.

Assim como no Judiciário, na classe política o afastamento do peemedebista também tem unido a atuação de polos contrários do espectro ideológico. De olho no que representa o PMDB no contexto eleitoral, nenhum partido, nenhum deputado, oposição ou governo, ninguém ergue a voz para dizer que não aceita ter como presidente do poder Legislativo um homem denunciado pelo Ministério Público Estadual, afastado pelo Tribunal de Justiça, com os bens bloqueados por um juiz de primeira instância. O respeito às instituições começa pelo respeito que as instituições têm por si mesmas.

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Sozinho, não
A hipótese de Joares Ponticelli (PP) renunciar à vice-presidência da Assembleia para permitir que um peemedebista ocupe o cargo e, consequentemente, tenha a interinidade do comando do Legislativo, está descartada. A avaliação é de que se apenas o pepista renunciar, assume o 2o vice-presidente, Padre Pedro Baldissera (PT). Uma renúncia coletiva da mesa diretora não está descartada.

Planejamento a longo prazo
O deputado federal Décio Lima (PT) só será candidato ao Senado se o PT conseguir uma aliança com o PMDB. Em chapa pura, concorrerá à reeleição para a Câmara dos Deputados. Teme ficar sem mandato e colocar em risco seu projeto principal: 2018.

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Para curtir as propostas
O PSB catarinense esperava aproveitar a passagem do presidenciável Eduardo Campos por Santa Catarina, na terça-feira, para lançar um site colaborativo com propostas para o Brasil e para o Estado. A agenda apertada entre Florianópolis e Chapecó dificultou o plano, mas o site deve mesmo começar a funcionar durante a semana. Através do Facebook, os usuários poderão apresentar propostas, curtir e comentar. As mais populares terão destaque.

Homenagem peemedebista
Na sessão em homenagem aos 48 anos do PMDB, dia 28 de abril na Assembleia, será homenageado o deputado estadual mais votado do partido na eleição de 1990: Luiz Suzin Marini. Reeleito em 1994, ele deixou a Assembleia para ser o primeiro peemedebista indicado para o Tribunal de Contas – abrindo espaço para a eleição de Moacir Sopelsa.

Prontos para torcer
O Tribunal de Contas do Estado está pronto para a Copa do Mundo. Já determinou que nos dias de jogos da seleção brasileira o expediente será realizado das 7h às 13h ou das 8h às 14h. O procedimento foi adotado em outros mundiais.

(19 de abril, Diário Catarinense, interino na coluna Moacir Pereira)

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O Sinte em campanha eleitoral

19 de abril de 2014 0

A última assembleia estadual do Sindicato dos Trabalhadores em Educação em Santa Catarina (Sinte-SC) deixou clara uma realidade em vigor desde janeiro de 2011: a única oposição organizada e contundente ao governador Raimundo Colombo (PSD) é a sindical. Em estado de greve, a categoria realizou o encontro em frente à Assembleia Legislativa na terça-feira, dia em que deveria ser votada a medida provisória com o reajuste de 8,5% para o magistério.

Na ampla pauta aprovada pelo Sinte naquele encontro, três pontos chamaram atenção do governo estadual por não adotarem meias palavras: “Intensificar a campanha Basta Colombo; realizar protestos e seguir o Colombo onde estiver; campanha contra a reeleição do governador Colombo”.

A relação deve piorar. Naquela mesma tarde, após o encontro, professores que vieram de todas as partes do Estado foram à Assembleia acompanhar a votação da medida provisória. Queriam emendas ao texto, que previa aumento escalonado até setembro. O Sinte-SC exigia o aumento integral e retroativo a janeiro e para isso lotou as galerias. Para evitar a pressão, o plenário cheio esvaziou. A votação foi feita na manhã seguinte.

Com os cenários eleitorais em construção e dependentes de uma posição do PMDB sobre ficar na aliança governista, a decisão oficial do Sinte de fazer campanha contra Colombo é um ingrediente a mais. Resta saber se o movimento sindical tem força e legitimidade para influenciar o quadro eleitoral.

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TCU antes da hora
A reação negativa que culminou na desistência do senador Gim Argello (PTB-DF) de ser indicado para o Tribunal de Contas da União por pouco não levou à antecipação dos planos da ministra Ideli Salvatti (PT), dos Direitos Humanos. A presidente Dilma Rousseff chegou a conversar com a petista, mapeada inicialmente para a vaga que vai abrir no final do ano.

Ficou para depois
A ideia não prosperou. A avaliação é de que Ideli acabou de assumir os Direitos Humanos e que é melhor aceitar a indicação do economista Fernando Moutinho, funcionário do Senado, feita pela oposição como contraponto a Gim Argello. A expectativa é de que aceitar o nome da oposição agora facilite a ida de Ideli para o TCU no final do ano.

negrito

Conta o milagre, mas não o santo
O deputado federal Mauro Mariani (PMDB) viu sinal divino na ajuda de um padre serrano para localizar um delegado peemedebista da pré-convenção marcada para dia 26 de abril. O nome do santo não é dito, por medo de que os defensores da aliança com Raimundo Colombo (PSD) cheguem a ele e alcancem o mesmo milagre.

Bastidores
Chico Santa Rita está lançando seu terceiro livro sobre bastidores de campanhas eleitorais. Em Batalha Final, ele destaca episódios em que considera que os eleitores foram complacentes com candidaturas barrados pela Lei da Ficha Limpa.

Replay
Na eleição suplementar de Criciúma em 2013, Chico Santa Rita trabalhou para Ronaldo Benedet (PMDB), derrotado por Márcio Búrigo (PP) – vice da chapa de Clésio Salvaro (PSDB), barrado pela Ficha Limpa. A votação do tucano em 2012 e a do pepista em 2013 foram praticamente iguais.

Sozinho
Marina Silva não vai acompanhar Eduardo Campos no roteiro em Chapecó e Florianópolis, na terça-feira.

(18 de abril, Diário Catarinense, interino na coluna Moacir Pereira)

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Um puxão de orelhas do Judiciário na Assembleia

17 de abril de 2014 0

O único ponto positivo encontrado na Assembleia Legislativa na decisão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ-SC) que manteve o afastamento do presidente Romildo Titon (PMDB) foi a proximidade do feriadão da Páscoa. Os dias longe do plenário e dos olhos da sociedade vão permitir aos parlamentares, incluindo o próprio peemedebista, avaliar de forma mais calma como sair do beco institucional sem saída em que se meteram.

O recado do Tribunal de Justiça foi mais claro do que aparenta a votação apertada, por 11 votos a 10. Mesmo no caso de magistrados que votaram a favor da volta de Titon ao cargo, como Newton Trisotto, houve críticas ao fato de os parlamentares terem permitido a posse de um presidente que já estava sob investigação do Ministério Público de Santa Catarina. Trisotto lembrou que em Brasília o deputado federal André Vargas (PT-PR) está sendo pressionado a renunciar ao próprio mandato por causa da carona no jatinho de um investigado. Afirmou que teria vergonha se Titon, nas atuais circunstâncias, chegasse a assumir o governo do Estado – algo sempre ao alcance de um presidente do Legislativo.

Além do relator José Trindade dos Santos, apenas três desembargadores usaram a palavra para defender a rejeição dos recursos. Mas foram contundentes. O destaque foi Paulo Costa – o mais recente integrante do Órgão Especial e o mais velho entre os julgadores. Quando os discursos indicavam que seria aceita a solução de permitir a volta de Titon com poderes limitados, ele ergueu a voz para rejeitar o que chamou de “presidência meia-sola”. Levou a plateia às gargalhadas e aparentemente selou o destino do peemedebista.

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MPF contra o habeas corpus
Durante a leitura de seu parecer, o relator José Trindade dos Santos revelou que o Ministério Público Federal já apresentou análise ao habeas corpus do ministro Rogério Cruz, do STJ, que impede a aceitação de denúncia da Operação Fundo do Poço pelo TJ-SC. O magistrado informa que o parecer é pela cassação da liminar.

Um risco
A pressão para que Romildo Titon renuncie para estancar o sangramento do Legislativo é inevitável nos próximos dias. Mas há quem lembre que pelo temperamento do peemedebista, pressionar pode ter efeito contrário.

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Voto curioso
A Câmara de Lages votou uma moção de apoio à campanha Serrano vota em Serrano, da Associação Empresarial de Lages (Acil). O curioso é que quatro vereadores votaram contra: Professor Domingos (PT), Marcius Machado (PR), David Moro (PMDB) e Gerson dos Santos (PMDB). Devem ser eleitores de candidatos de outras regiões. Os críticos dizem que os quatro praticamente declararam a intenção de eleger nomes de outras regiões do Estado.

Visita anual
Na coluna de ontem não ficou claro que o procurador-geral de Justiça, Lio Marin, foi à Assembleia Legislativa na terça-feira para apresentar o relatório anual de atividades da instituição. Falou sobre as denúncias que motivaram o pedido de CPI para investigar a compra de nova sede do órgão, mas de forma espontânea. A visita anual ao parlamento é uma previsão que consta na Constituição. Se a CPI for instalada, Marin deve retornar de forma oficial.

(17 de abril, Diário Catarinense, interino na coluna Moacir Pereira)

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As surpresas das vésperas

16 de abril de 2014 1

A Operação Fundo do Poço tem guardado surpresas para as vésperas de reuniões do Órgão Especial do Tribunal de Justiça. Foi assim há duas semanas, quando as expectativas sobre a aceitação da denúncia que envolve o presidente afastado da Assembleia, Romildo Titon (PMDB), foram frustradas um dia antes pela liminar conquistada pela defesa junto ao Superior Tribunal de Justiça para impedir a análise do inquérito do Ministério Público de Santa Catarina.

Ontem não foi diferente. Em uma ação paralela, por improbidade administrativa, o juiz Luiz Antônio Fornerolli, da 1a Vara da Fazenda da Capital, determinou a indisponibilidade dos bens de oito réus e três empresas supostamente envolvidas em fraudes em licitações para construção de poços. A decisão tem 45 páginas, analisando toda a investigação do MP-SC e afirmando que Romildo Titon “avançou consideravelmente as barreiras que a sua função lhe impunha, adentrando diretamente na esfera da ilegalidade e, possivelmente, da criminalidade”. O deputado teve congelados R$ 2,76 milhões.

Esse processo não tem relação direta com a votação dos recursos, hoje no Órgão Especial, que podem devolver Titon à presidência do Legislativo. Mas seus efeitos podem desequilibrar uma disputa hoje considerada apertada. Nas contas de deputados e outros interessados, quatro ou cinco desembargadores indecisos devem decidir sobre a volta do peemedebista ao cargo. Impossível que não passe pela cabeça deles o efeito simbólico de devolver ao comando da Assembleia um parlamentar que não pode comandar seus próprias contas bancárias.

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O quórum sumiu
A deputada estadual Angela Albino (PCdoB) provocou a base governista no Facebook. Disse que o plenário estava cheio para ouvir Lio Marin, mas esvaziou logo depois, quando seria votada a medida provisória que reajusta em 8,5% os salários do magistério estadual. Por falta de quórum, a votação ficou para hoje, frustrando os professores nas galerias.

Ficou para maio
Um pedido de vista e a vontade de “ampliar o debate” manifestada por boa parte do Conselho Universitário frustrou os planos da reitora Roselane Neckel de votar a cessão do terreno da UFSC para duplicação da avenida Deputado Antônio Edu Vieira. O parecer favorável do relator Paulo Pinheiro Machado foi lido ontem, mas a votação ficou marcada para dia 6 de maio.

Podia ser pior
Antes, será realizada uma audiência pública, dia 28 de abril, sobre a cessão do terreno para a prefeitura de Florianópolis realizar a obra. Roselane Neckel rebateu os argumentos de conselheiros que defendiam a convocação de mais três audiências antes da votação.

Benedito novo
PP na cabeça de chapa, aliado a PSD e PT, enfrentando o PMDB em coligação com o PSDB. Cenário absurdo? Não, são as eleições suplementares para prefeito de Benedito Novo, no Vale do Itajaí, marcadas para 1o de junho. O candidato pepista é Jean Michel Grundmann e o peemedebista é o ex-prefeito Laurino Dalke – vencedor da eleição em 2012, mas que teve a candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral.

Benedito reprisado
Na época, Laurino Dalke foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa por ter uma condenação colegiada de crime ambiental. O registro de candidatura ainda precisa ser aprovado pelo Justiça Eleitoral. Na segunda-feira, o PP entrou com pedido de impugnação.

Marcação especial no Código Penal
O vice-presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, o catarinense Sérgio Junkes, participou ontem da audiência pública sobre a reforma do Código Penal, no Senado. Defendeu atenção especial para a lavagem de dinheiro e o tráfico de drogas, por estarem na gênese de grande parte dos outros crimes.

(16 de abril, Diário Catarinense, interino na coluna Moacir Pereira)

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Jurisprudência do Amapá no caso Titon

15 de abril de 2014 1

Cerca de 3 mil quilômetros separam Florianópolis de Macapá, mas é da capital do Amapá, no Norte do país, que vem um dos principais argumentos da defesa do deputado estadual Romildo Titon (PMDB) para o recurso que pode devolvê-lo à presidência da Assembleia Legislativa. No resumo do caso que encaminhou aos desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ-SC), o advogado Claudio Gastão da Rosa Filho cita decisão do ministro Ricardo Lewandowski, de dezembro, que devolveu Moisés Souza (PSC) ao comando daquela Assembleia após um ano e meio de afastamento.

O caso catarinense é muito diferente do amapaense, mas a essência é semelhante. O Ministério Público local acusou o presidente do Legislativo de integrar uma quadrilha que teria avançado sobre recursos públicos e conseguiu o afastamento do deputado do cargo por liminar de um desembargador. A principal diferença – além do tempo de afastamento – é que no Amapá a denúncia foi aceita e Moisés Souza já é réu. Em dezembro, Lewandowski devolveu o cargo ao deputado, alegando que se tratava de um pré-julgamento impedi-lo de exercer a função sem previsão para o término do processo. Na comparação, Gastão Filho alega que o caso de Titon é ainda pior, porque aqui o TJ-SC não sabe sequer quando poderá aceitar ou não a denúncia – e se o caso continuará mesmo na Justiça Estadual.

Além da jurisprudência amapaense, a defesa de Titon critica as decisões e a condução do relator José Trindade dos Santos. Em um dos trechos mais fortes, diz que ele operou a “cassação branca” do peemedebista.

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Pressão docente
Começa a ganhar corpo entre professores da UFSC um movimento pela alteração na forma da consulta que resulta na eleição do reitor. Um abaixo-assinado já teria 500 assinaturas defendendo que o peso do voto dos professores seja de 70%. Atualmente os docentes têm o mesmo peso de servidores e estudantes, 1/3 cada. É uma reação ao movimento que defende o voto universal na UFSC, que daria aos alunos maior influência na escolha.

Outro petista interessado
O petista Claudio Vignatti subiu ao palanque dos peemedebistas Mauro Mariani e Dário Berger para ajudá-los a rebater a ideia de que o PMDB dissidente ficaria isolado fora da coligação do governador Raimundo Colombo (PSD). Mas não é ele quem espalha que o PT pode oferecer a cabeça-de-chapa ao partido, ficando com as vagas de vice e do Senado.

Tucano com os empresários
O senador e pré-candidato ao governo Paulo Bauer (PSDB) é o convidado da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (ACIF) para reunião de hoje da diretoria da entidade.

A chapa em Santa Catarina
O deputado federal Paulo Bornhausen participou ontem, em Brasília, do evento em que Marina Silva foi anunciada como pré-candidata a vice na chapa de Eduardo Campos. No dia 22, ele espera receber a dupla em Santa Catarina, para eventos em Florianópolis e Chapecó. Campos está confirmado, Marina ainda não.

Palpites oficiais
O número de interessados pelo sistema de consulta pública a anteprojetos do governo estadual está surpreendendo a Casa Civil. Em menos de três semanas no ar, o anteprojeto disponível – sobre gestão da fauna nativa e exótica do Estado – recebeu 91 contribuição. O endereço do site é consultapublica.scc.sc.gov.br.

Buraqueira na rodovia
O leitor Adroaldo Amandio de Borba escreve à coluna para reclamar das condições da BR-101 entre Sombrio e a divisa com o Rio Grande do Sul. Cobra maior fiscalização por parte do Dnit.
– Tem trecho que se anda em uma pista, pois do lado esquerdo é uma buraqueira.

Esclarecimento
O texto principal da coluna de ontem afirmava que a sugestão de que a Ocupação Amarildo negociasse com o governo estadual a ida para um terreno público desocupado teria partido de de assessores do juiz agrário Rafael Sandi. O magistrado não conta com assessores. A ideia teria partido de oficiais da PM que atuam junto ao juiz.

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(15 de abril, Diário Catarinense, interino na coluna Moacir Pereira)

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Os jornalistas do campus

15 de abril de 2014 0

Desde sexta-feira circula na UFSC a nova edição do jornal-laboratório Zero, dos alunos de Jornalismo da instituição. É uma edição especial sobre a operação da Polícia Federal no campus e seus desdobramentos. Com uma cobertura ampla e madura dos acontecimentos, os futuros jornalistas diplomados tiveram oportunidade de entrar em espaços que foram negados aos jornalistas profissionais. E souberam nos representar.

A íntegra da publicação está neste link.

Abaixo, a reprodução do editorial que dá o tom da cobertura.

Não há imparcialidade, somente honestidade

Depois do conflito com a polícia no bosque do CFH, na terça-feira (25), os repórteres do Zero que ficaram sabendo, ou que haviam presenciado o acontecimento, se encontraram na redação para uma reunião de pauta emergencial. No dia, resolvemos dar um espaço de oito páginas ao assunto. Mas depois dos desdobramentos daquela semana, culminando na manifestação de sexta-feira (28), decidimos que melhor seria se esta edição fosse um especial, aprofundando os temas relacionados e contando com mais detalhes o que aconteceu.

Em um momento em que a imprensa é impedida de entrar na UFSC por conta da insatisfação dos envolvidos com o que foi veiculado, a perspectiva interna dos acontecimentos que o Zero traz nesta edição é necessária para entender o que ainda não foi dito. Por serem estudantes, nossos repórteres conseguiram o acesso que as mídias tradicionais não tiveram, e trazem uma vivência da qual outros não compartilham.

Todos temos um ponto de vista sobre o conflito. Na redação não existe um consenso de opinião sobre os assuntos que tratamos aqui. Alguns são favoráveis à ocupação, outros contrários. Alguns aprovam a ideia da polícia militar no campus, outros não. Cada um vivenciou o ocorrido de uma maneira, como estudantes desta universidade e repórteres. Nas matérias, contribuimos com a nossa experiência. As perguntas que escolhemos fazer aos entrevistados, a forma como percebemos as cenas e o viés que decidimos dar ao texto, tudo isso influencia como contamos o que aconteceu. Não só para nós, esta é uma condição de qualquer veículo jornalístico.

Não podemos, portanto, prometer imparcialidade. Podemos, sim, dizer que somos honestos com os leitores. Relatamos o que vimos e ouvimos, sem modificar ou suprimir informações por conta de nosso julgamento da situação. Abrimos espaço para a pluralidade de discursos, concordando ou não com o que foi dito. Não temos como objetivo esgotar o assunto, mas contribuir para o debate de um tema complexo. Porque este é um contexto político onde não cabe dizer que existe uma unidade de pensamento, em qualquer uma das partes envolvidas.

Assim, temos em mente o que Adelmo Genro Filho, teórico do jornalismo e ex-professor do nosso curso, disse em seu livro O Segredo da Pirâmide: “A maioria dos autores reconhece que a objetividade plena é impossível no jornalismo, mas admite isso como uma limitação, um sinal da impotência humana diante da própria subjetividade, ao invés de perceber essa impossibilidade como um sinal da potência subjetiva do homem diante da objetividade.

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O destino de Amarildo

14 de abril de 2014 0

O destino da Ocupação Amarildo, às margens da rodovia SC-401, em Florianópolis, é a novela da semana. Conseguiu até rebaixar para o horário das sete horas a arrastada trama do afastamento de Romildo Titon.

Os ocupantes têm data marcada, terça-feira, para deixar as terras que pertenceriam ao ex-deputado Artêmio Paludo após um acordo costurado pelo juiz agrário Rafael Sandi. Como bons novelistas, os próprios invasores tentaram antecipar este destino no final de semana, ao iniciar um processo de mudança para o terreno vizinho – impedido pela Polícia Militar no sábado.

O alvo original dos membros da ocupação não era a área vizinha, mas um terreno que o Ciasc, órgão do governo do Estado, possui em Canasvieiras, Norte da Ilha, ironicamente localizado próximo ao estande de tiro da Academia de Polícia Civil. A proposta foi levada por deputados de oposição a membros do Executivo e prontamente rejeitada. O governo entende que quem deve resolver a questão é o Incra. As conversas se encerraram na sexta-feira.

Além disso, os estragos feitos pelos manifestantes na Assembleia Legislativa quarta-feira não foram o melhor cartão de visitas para negociações. Com a negativa, os parlamentares tiraram o time de campo. Houve quem pedisse para não ser informado sobre os planos do movimento.

A frustração maior aconteceu porque a ideia de procurar um terreno estadual livre teria partido de assessores do juiz agrário. Ontem, Rafael Sandi afirmou com todas as letras que a tentativa de transferir o acampamento descumpria o acordo. Na ocupação, a tese é de permanecer até uma decisão sobre a propriedade da área, considerada federal pela Superintendência do Patrimônio da União (SPU). A cada promessa de confronto, surgem mobilizações nas redes sociais para que militantes de esquerda partam para o local.

É na expectativa dessa novela que se inicia esta semana, na torcida para que o capítulo final não tenha a SC-401 como cenário de outra batalha campal ideológica.

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Sem apostas
A aparente divisão no Órgão Especial do Tribunal de Justiça está evitando apostas sobre o futuro do presidente afastado da Assembleia Legislativa, Romildo Titon (PMDB). Os 25 desembargadores decidem na quarta-feira se ele volta ao cargo, do qual foi afastado por liminar de José Trindade dos Santos, relator do inquérito da Operação Fundo do Poço.

Só para depois
O palpite permitido é sobre depois do julgamento. Se o TJSC devolver o cargo a Romildo Titon, ele assume imediatamente. Se mantiver o afastamento, ele será pressionado a renunciar e o PMDB inicia debate interno para indicar outro nome para o cargo.

perguntas

Aécio na Ilha
O senador mineiro Aécio Neves (PSDB) deve aparecer em Florianópolis em abril. O presidenciável tucano deve falar a empresários sobre os rumos da economia brasileira. O encontro está sendo articulado pelo senador Paulo Bauer, pré-candidato ao governo, e por Leonel Pavan.

Márcio e eles
Há pouco mais de um ano, Clésio Salvaro (PSDB) conduzia Márcio Búrigo (PP) à uma vitória esmagadora contra Ronaldo Benedet (PMDB) na eleição suplementar para prefeitura de Criciúma. O bordão do tucano era “Márcio e eu”, em referência à época em que o pepista era vice-prefeito. O cenário hoje é o oposto. Clésio se afastou da gestão e Búrigo se aproximou dos peemedebistas.

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(14 de abril, Diário Catarinense, interino na coluna Moacir Pereira)

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A UFSC depois da confusão

13 de abril de 2014 0

A Universidade Federal de Santa Catarina, especialmente o campus de Florianópolis, ainda assimila os efeitos do tumulto gerado pela operação da Polícia Federal (PF) contra o tráfico de drogas no bosque localizado atrás do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH), três semanas atrás. Na intrincada política interna da universidade, os principais atores aguardam o cenário clarear.

O forte posicionamento da reitora Roselane Neckel contra a forma de abordagem da PF no caso, responsabilizando o delegado Paulo Barcellos Cassiano Júnior pelo confronto que ganhou repercussão nacional, teve dois efeitos imediatos. O primeiro foi a reação em forma de críticas e manifestos dos setores mais conservadores da universidade contra a reitora, a quem questionam a autoridade na condução do episódio e a suposta defesa do uso de drogas no campus. O segundo, o silêncio do grupo mais à esquerda que apoiou Roselane no segundo turno da última eleição e que vinha buscando se descolar de sua administração.

Curiosamente, os dois efeitos têm relação direta. Através de e-mails e pequenos manifestos, professores do grupo conservador chegaram a levantar a tese de impeachment da reitora. Teria como base a assinatura do acordo com os alunos que invadiram a Reitoria, que tem em um de seus ítens a concordância em não aplicar sanções aos estudantes.
A tese ganhou a internet em um longo artigo do professor José Fletes, integrante da administração do ex-reitor Antonio Diomário de Queiroz, nos anos 1990.

Diante da radicalização dos discursos, os grupos mais à esquerda preferiram não aumentar o fogo da fervura. Nomes como o dos professores Irineu de Souza, terceiro colocado na eleição de 2011, e de Nildo Ouriques, não abordam o assunto publicamente. Na Reitoria, o discurso é de preservação da instituição. A reitora evita entrevistas e exposição.

A ideia do impeachment não prosperou nem mesmo entre integrantes de antigas gestões que se consideram vítimas da atual administração. Preferem Roselane sangrando até o final do mandato enquanto articulam um nome viável para a próxima disputa. De qualquer forma, fica a constatação: a operação da PF propagou o incêndio, mas a política interna da UFUFSC já estava em chamas.

Reprodução: Frutuoso Oliveira. Clique para ampliar

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Provocação
Do Facebook de um militante do PMDB pela candidatura própria:
– O PMDB deveria fazer uma convenção a cada seis meses. Aí o Colombo apareceria mais nas cidades.

Outra
Os argumentos das lideranças peemedebistas que pregam a candidatura própria ao governo não poderiam ser utilizados também para pleitear votar no 15 para a Presidência da República?

O dever chama
O senador Luiz Henrique planeja passar a semana no Estado, mantendo os roteiros pelo interior pela manutenção da aliança do PMDB com o governador Raimundo Colombo (PSD). O único entrave é a pressa do Palácio do Planalto em votar o Marco Civil da Internet, do qual LHS é o relator no Senado. O governo gostaria que fosse votado esta semana.

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Desceu do muro
Os números da pesquisa Ibope da semana passada fizeram o deputado estadual Amauri Soares (PSOL) descer do muro e assumir a pré-candidatura ao Senado. No levantamento, ele oscilava entre 11% e 14%. Ele tem se reunido com o pré-candidato ao governo, Afrânio Boppré, para traçar estratégias.

Antecendentes
Antes de João Amin (PP), outros dois vice-prefeitos de Florianópolis também decidiram disputaram eleições durante seus mandatos: Péricles Prade, em 1998, para deputado federal; João Batista Nunes, em 2008, para estadual. A lei eleitoral permite que os vices concorram, desde que não assumam a prefeitura no período.

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(13 de abril, Diário Catarinense, interino na coluna Moacir Pereira)

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O convidado petista

12 de abril de 2014 1

As lideranças do PMDB que defendem a candidatura própria ao governo estadual comemoraram a presença do presidente do PT-SC, Claudio Vignatti, no evento realizado na noite de quinta-feira em São José. O petista foi lá a convite do deputado federal Mauro Mariani e subiu ao palco junto a nomes como o do ex-prefeito Dário Berger, do ex-governador Paulo Afonso vieira e do deputado estadual Carlos Chiodini. Levava uma mensagem: – Estamos do mesmo lado.

Vignatti sabe bem o que enfrentam os peemedebistas dissidentes. Na disputa pela presidência do PT, ele também enfatizou o discurso da candidatura própria para ganhar a militância. Na época, cresciam as especulações de que o PT, através da ministra Ideli Salvatti, poderia aceitar uma composição com o governador Raimundo Colombo.

A vitória de Vignatti praticamente selou a ausência dos petistas da chapa governista. Na época, vignatti já contava com a solidariedade de peemedebistas que não queriam que o PMDB continuasse na aliança, como Dário Berger. Agora, retribuiu.

Mas como compatibilizar dois projetos que pregam a candidatura própria? Vignatti é cauteloso ao responder, diz que a aliança pode acontecer no segundo turno, mas admite que o cenário eleitoral só começa a ficar claro após a pré-convenção.

– Queremos criar um novo bloco político. Se o PMDB deixar o governo, nós vamos ter que agir com grande responsabilidade.

Nessa lógica, o petista também mantém as conversas com o PP. Já tem encontro marcado com Esperidião Amin.

Foto: Fábio Lima, Divulgação. Clique para ampliar.

Foto: Fábio Lima, Divulgação. Clique para ampliar.

Parecer em pauta
A doação do terreno da ufSC para duplicação da avenida Deputado Antonio Edu vieira, em florianópolis, volta para a pauta da Conselho Universitário na terça-feira. O conselheiro Paulo Pinheiro Machado apresentará seu parecer. Serão exigidas contrapartidas da prefeitura, como a implantação de rede de esgoto na região,
reconstrução de um prédio que será atingido pela obras e a inclusão de ciclovias.

Votação depois
Na sessão de terça-feira será realizada apenas a leitura. A votação deve ser no dia 28 de abril, com tendência pela aprovação.

Só um susto
O advogado Claudio gastão da Rosa Filho levou um susto ao receber ofício do Tribunal de Justiça informando que a análise da denúncia da Operação Fundo do Poço estaria pautada para a próxima sessão do Órgão Especial, na quarta-feira. Depois de várias conversas com o próprio TJ-SC e com o Superior Tribunal de Justiça – que suspendeu por liminar a análise da denúncia – foi desfeito o equívoco.

Legislicídio
É curiosa a proposta de emenda constitucional apresentada pelo deputado federal Paulo Bornhausen (PSB) em sua volta à Câmara após deixar a Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Pela proposta, toda nova lei criada pelo Congresso nos próximos 10 anos deveria automaticamente extinguir outras duas – apontadas pelo parlamentar que propor o projeto. A ideia é enxugar a legislação.
– Temos leis demais – justifica Bornhausen.

Comissão polêmica
O empresário Orlando Becker contratou o advogado Péricles Prade para ajudá-lo a cobrar a comissão de 6% sobre a compra do terreno da Casa Rosa, onde ficará o novo prédio do Ministério Público de Santa Catarina por R$ 123 milhões. A construtora Becker, de seu primo, Paulo Becker, já foi notificada extrajudicialmente. Orlando diz que não se ofereceu para falar na CPI da Casa Rosa, mas que iria.

Não é só pelos 6%
Orlando Becker alega que fez a primeira intermediação entre o MP-SC e a construtora.
– Eu não tenho absolutamente nada contra o Ministério Público e nem contra os corretores que concluíram a transação, a minha questão é com o meu primo. Eu levei ele até o MP, ele não saberia que o negócio existia sem mim.
A construtora e os corretores que fecharam o negócio alegam que o terreno oferecido por Orlando era outro.

Revoada
Os comissionados da Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte indicados pelo PSDB estão apreensivos após a posse de Filipe Mello (PR) como secretário. Os tucanos devem ser substituídos por nomes mais republicanos.

(12 de abril, Diário Catarinense, interino na coluna Moacir Pereira)

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Partido Pirata formaliza coordenação em SC

07 de abril de 2014 0

Os piratas já estão organizados em Santa Catarina. Nesse caso, eles são os militantes catarinenses do Partido Pirata, que formalizaram sua primeira coordenação estadual provisória. O primeiro-bucaneiro, ou melhor, primeiro-secretário, é o jornalista Henrique Ungaretti.

A coordenação será a responsável pela tarefa de coletar as assinaturas necessárias para legalizar o partido, nomear novas direções municipais e organizar a ida de catarinenses à assembleia nacional do Partido Pirata que acontece em maio, em Curitiba, onde será eleita a nova direção nacional dos piratas.

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