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Capítulo CATORZE - Cesar Souza Junior

02 de julho de 2014 4

cesarCesar Souza Junior é o prefeito de Florianópolis, capital de Santa Catarina.

O jovem político de 35 anos herdou do pai o nome e a vocação para os microfones e para as urnas. Cesar Souza, o pai, é apresentador de televisão, locutor e suplente de senador. Em 1982 estreou nas urnas como vereador em Florianópolis pelo PDS. Era uma dos nomes em que Jorge Bornhausen apostava para renovar o partido. Quatro anos depois, já pelo PFL, conquistaria o primeiro mandato como deputado estadual. Cesar Junior tinha sete anos.

Conciliando mandatos, programas de televisão e rádio, Cesar Souza se transformou em um campeão de votos. Em 1990, seria o segundo deputado federal mais votado do Estado, atrás apenas de Angela Amin. Não gostou muito da vida em Brasília e voltou para a Assembleia, onde conquistou mais três mandatos. Em 2006, decidiu que era hora de lançar o filho, com quem já dividia os microfones. Cesar Junior tinha 27 anos quando se elegeu pela primeira vez – o sétimo mais votado do Estado. Já tinha um objetivo: a prefeitura de Florianópolis.

Era um sonho do pai que nunca se viabilizou. Havia sempre outro nome, outro projeto na frente. Agora, o filho era a prioridade. A aliança com os Amin em Florianópolis estava desfeita após a derrota para Dário Berger em 2004. Esperidião Amin lançou-se candidato a prefeito disposto a impedir a reeleição do novo rival, mas os pefelistas, com o partido rebatizado para DEM, preferiram – literalmente – apostar no novo.

Aos 29 anos, Cesar Junior disputou a prefeitura da Capital de olho na eleição seguinte. Travou uma batalha voto a voto com Angela Albino (PCdoB) pelo terceiro lugar, antecipando uma disputa que se repetiria em 2012. Chegou na frente, por 0,5%.

Reeleito deputado estadual em 2010, o segundo mais votado, o demista assumiria a Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte no governo do correligionário Raimundo Colombo. O foco era Florianópolis. Mais do que o projeto pessoal de Cesar Junior, estava no planejamento também impedir que o Dário elegesse seu sucessor e se credenciasse a enfrentar Colombo na eleição de 2014.

O começo de mandato do governador era marcado por uma tentativa titubeante de se descolar do senador Luiz Henrique (PMDB) – antecessor e padroeiro da aliança que garantira sua vitória – e pela falta de recursos em caixa para marcar aquele novo momento. Enfrentou, ainda, uma greve de 62 dias do magistério ainda no primeiro semestre de governo.

O isolamento do DEM em plano nacional preocupava Colombo, que olhava com atenção para os movimentos do prefeito paulistano Gilberto Kassab, colega de partido disposto a criar uma nova sigla. Naqueles primeiros movimentos, havia a digital de Jorge Bornhausen, conselheiro de Kassab, de Colombo e ainda eminência parda do DEM/PFL catarinense. Bornhausen também cansara de ser coadjuvante das derrotas do PSDB para o PT em plano nacional. Enxergou um caminho a percorrer na disposição do governador pernambucano Eduardo Campos (PSB) de criar uma terceira via.

A fundação de uma nova sigla era a brecha permitida pela legislação para trocar de partido sem perder os mandatos. O projeto começou tímido. Uma dúzia de parlamentares, talvez um pouco mais, que criariam um partido que depois seria fundido ao PSB de Campos, dando maior musculatura a essa tentativa de furar a polarização tucano-petista.

Colombo simpatizava com a ideia, mas temia levar o DEM – terceiro maior partido do Estado – para uma aventura. Não havia certeza de que o novo partido teria direito ao horário eleitoral gratuito e ao fundo partidário e nem se toda a burocracia necessária para fundar a sigla estaria concluída em tempo de participar das eleições municipais.

A cartada que definiu a mudança foi um gesto de Campos: dar o controle do PSB de Santa Catarina a Colombo. Se o novo partido não tivesse tempo de tevê ou não saísse do papel, haveria um Plano B. Ironicamente, o PSB-SC estava locado aos Berger – era presidido por Djalma, irmão de Dário e prefeito de São José, que logo buscaria abrigo no PMDB.

Com essa garantia, Colombo disse sim a Kassab. O DEM de Santa Catarina foi, do dia para a noite, transformado em partido nanico. Toda a bancada federal e estadual, além de quase todos os prefeitos da sigla, foi junto com o governador para o novo partido: o PSD.

Depois de caçar 500 mil assinaturas em todo o país, driblando denúncias de fraude, e cumprir os requisitos burocráticos, o novo PSD estava pronto às vésperas do prazo limite. Talvez nem Kassab imaginasse o tamanho do desejo represado de pular cercas partidárias que existia no Congresso. O PSD nasceu com 51 deputados federais – a terceira maior bancada. De lambuja, a Justiça Eleitoral decidiu que os parlamentares carregavam na fuga o equivalente em frações do tempo de televisão das legendas originais.

O PSD mal existia e já era maior que os planos iniciais de dar suporte ao presidenciável pernambucano.

Alçado à condição de gênio da articulação política, Kassab resolveu ir além. Foi atrás do PT e da presidente Dilma Rousseff, sendo de pronto atendido. Qualquer liderança que estivesse ajudando a extirpar o DEM da política — como chegou a dizer Lula em 2010, durante comício em Joinville — era companheiro. Essa aproximação estava fora dos planos de Jorge e Paulo Bornhausen, deputado federal licenciado, secretário no governo Colombo e entusiasta da criação do partido.

A resistência do clã acabou expondo uma nova realidade. O PSD vivia um processo de renovação à margem do velho articulador. Esse movimento era liderado pela bancada estadual, com deputado Gelson Merisio, então presidente da Assembleia, à frente. No governo, o representante era o secretário da Fazenda Antonio Gavazzoni. Ambos vinham do Oeste, sob a popularidade do deputado federal João Rodrigues, ex-prefeito de Chapecó.

Desse grupo fazia parte Cesar Junior, novamente candidato a prefeito de Florianópolis com um discurso diferente do utilizado pelo velho PFL. Chegou a brincar, certa vez, que se um norueguês viesse a Florianópolis durante aquela campanha, sem entender os contextos, iria pensar que ele era um candidato de esquerda.

Brincadeiras à parte, a esquerda naquela eleição de Florianópolis, na teoria, tinha dona. Era a deputada estadual Angela Albino, em segundo lugar nas pesquisas, pronta para repetir a disputa particular com Cesar Junior – desta vez pela vitória. O candidato de Dário era o peemedebista Gean Loureiro, tido como azarão.

Para vencer, Angela tinha duas fórmulas. A primeira, impedir a divisão da esquerda, garantindo a coligação com o PT local. A segunda, ampliar seu eleitorado com um discurso mais ameno, voltado para o eleitor de centro. O PSD temia aquela movimentação e focou suas críticas na candidata do PCdoB, poupando Gean. A estratégia mostrou efeito, com o crescimento do peemedebista. Na reta final, Angela ficou fora do segundo turno graças a um castigo aplicado pelo eleitorado de esquerda que parecia garantido no início da disputa: o desconhecido Elson Pereira, do pequeno PSOL, dono de 1% nas pesquisas eleitorais, recebeu 14% dos votos. Um movimento cruel e decisivo, considerando que faltaram apenas 2% para a deputada comunista chegar ao esperado segundo turno com Cesar.

O embate final pela prefeitura foi disputado voto a voto, inclusive com Gean liderando pesquisas na reta final. O PSD venceu com 52,6% dos votos – concretizando os sonhos do pai Cesar Souza, do filho Cesar Junior e do governador, que via Dário deixar de ser uma ameaça real para 2014.

Após as eleições municipais, a guinada do PSD em direção a Dilma Rousseff ficou cada vez mais nítida. O partido assumiu um ministério, o das Micro e Pequenas Empresas, com Guilherme Afif Domingos. Começaram a ficar mais frequentes os encontros de Colombo com a presidente, que resultaram na aprovação de financiamentos de R$ 9 bilhões para o Estado.

O dinheiro viabilizou financeiramente o mandato de Colombo, que tratou de iniciar obras pelo Estado e de conquistar a simpatia de prefeitos de diversos partidos pulverizando entre eles parte do valor financiado junto ao governo federal.

Em 2013, Colombo começou a declarar que a gratidão que sentia por Dilma faria com que votasse nela para a reeleição. O discurso demorou a ser assimilado, inclusive pelo PT catarinense – oposição ao governo pessedista. Atônitos, os Bornhausen viam desmoronar o projeto que ajudaram a criar. Perguntado se sentiria desconforto em subir em um palanque pela reeleição da presidente petista, Paulo Bornhausen respondeu.

- Desconforto vai sentir quem estiver em um palanque com Dilma, não eu. Eu sei onde estou e para onde vou. Estou no partido criado para ser uma terceira via e apoiar Eduardo Campos.

Três meses depois da frase, em agosto de 2013, Paulo Bornhausen deixava o PSD e assumia o comando do PSB de Santa Catarina, com a ficha assinada pelo pernambucano.

Em novembro, Dilma visitaria Florianópolis para uma série de anúncios e assinaturas. No Teatro do CIC, ouviu Cesar Junior e Colombo, em tom semelhante, dizerem as palavras que mudavam o eixo da história política de Santa Catarina. Em sua fala, o jovem prefeito foi até o limite do que permite a legislação em eventos públicos para não deixar margem a mal-entendidos.

- Presidenta, por fim, reafirmo que aqui em Santa Catarina no geral, e em Florianópolis em particular a senhora conta com aliados nesta difícil tarefa que é governar um país com as complexidades do Brasil, num ambiente internacional tão instável. Este é um ato oficial, mas gostaria de deixar claro, que a senhora conta com o nosso apoio para continuar a transformação do país.

Estava mais do que claro. De olho no futuro, os herdeiros do pefelismo não queriam e não precisavam mais do Doutor Jorge.

 

 

A série oBásico teve 14 capítulos, publicados aos domingos e quarta-feiras entre maio e julho deste ano. Um novo capítulo será publicado no primeiro domingo de novembro, com personagem ainda indefinido.
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Capítulo TREZE - Manoel Dias

29 de junho de 2014 3

Manoel Dias é ministro do Trabalho e presidente licenciado do PDT catarinense.

O homem que ocupa o mais importante cargo de um catarinense na Esplanada dos Ministérios é também o personagem mais longevo dessa história – ultrapassando, inclusive, o ponto escolhido para delimitar a política catarinense contemporânea, que é a redemocratização a partir das eleições diretas para o governo estadual em 1982.

Manoel Dias, ou Maneca, como até a presidente Dilma Rousseff o chama, era vereador em Içara, pelo antigo PTB em 1964, quando os militares derrubaram João Goulart. Foi cassado e preso. Dois anos depois, pelo MDB, chegaria à Assembleia Legislativa, Acabaria cassado novamente em 1969, com os direitos políticos suspensos por dez anos.

Ele nunca mais conseguiu ocupar um cargo político através do voto. Não que tenha desistido das urnas. A proximidade com Leonel Brizola o levou para o PDT, partido herdeiro do trabalhismo pré-regime militar. Pela sigla, tentaria retornar à Assembleia em 1982, 1986 e 1990 – sempre longe da meta.

Sem votos suficientes para uma vitória eleitoral, foi como comandante do PDT em Santa Catarina e integrante da cúpula nacional do partido que ele conseguiu virar protagonista desta história. A ligação com Brizola fez de Maneca vencedor de todos os embates que teve dentro do PDT em Santa Catarina – e que levaram lideranças como Jaison Barreto, Leonel Pavan, Fernando Coruja e Amauri Soares a deixarem o partido ou serem saídos dele.

Dessa forma, Maneca controla o PDT com mão de ferro e faz com o que o partido tenha sua cara em Santa Catarina. Em 2006, chegou a concorrer ao governo do Estado após o mal-sucedido flerte com a candidatura de Esperidião Amin (PP). Os pedetistas exigiram o apoio do ex-governador à candidatura presidencial de Cristóvão Buarque (PDT) para consumar aliança, mas o PP rejeitou. Amin seria derrotado por Luiz Henrique no segundo turno, enquanto o pedetista teve 0,9% dos votos no primeiro turno.

O flerte de 2006 acabou se consumando quatro anos depois, quando Maneca foi candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Angela Amin (PP), que iniciou aquela campanha liderando as pesquisas.

Santa Catarina chegara naquela eleição sob a marca do final do ciclo de LHS. Os partidos sócios da tríplice aliança – PMDB, DEM e PSDB – se achavam no direito de lançar candidato ao governo. O próprio Luiz Henrique havia oficializado a disputa interna no início de seu segundo mandato. Dizia que o candidato à sucessão seria o mais competitivo, não importando a sigla. No páreo, o vice-governador Leonel Pavan (PSDB), o senador Raimundo Colombo (DEM) e o ex-vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB) – que ficara de fora da última eleição com a missão de ser governador nos oito meses finais do primeiro mandato de LHS. Para se igualar aos demais pretendentes, recebeu a presidência da Celesc.

O campo da oposição trazia, além de Angela Amin, a senadora Ideli Salvatti (PT). A petista estava no final do mandato e apostava na popularidade do presidente Lula e no crescimento da candidatura de Dilma, a escolhida para a sucessão presidencial. Tentaria vincular ao máximo a eleição catarinense à nacional. Uma união das oposições foi tentada até o limite do prazo de definições, mas esbarrou em um fato concreto: Angela e Ideli não abriam mão de encabeçar a chapa.

A mesma dificuldade existia na tríplice aliança. O candidato natural seria Pavan, que assumiria o cargo com a renúncia de Luiz Henrique para concorrer ao Senado. Herdaria pelo menos oito meses de governo e a possibilidade de concorrer com a máquina nas mãos. Mas o tucano enfrentava um problema externo. No início de 2010, seria acusado pelo Ministério Público de Santa Catarina de receber de propina para facilitar a vida de uma empresa de combustíveis com dificuldades junto à Fazenda estadual.

Como Pavan era vice-governador, a decisão sobre aceitar ou não a denúncia cabia ao Tribunal de Justiça, após permissão a ser concedida pela Assembleia Legislativa. O tucano pediu publicamente para que os deputados votassem a aprovação. Durante semanas, o foco da política catarinense esteve voltado para os desembargadores do Órgão Especial do TJ-SC. Mesmo após tanta expectativa, o caso acabou não sendo votado. Com a chegada do prazo final para desincompatibilização, Luiz Henrique renunciou e Pavan tornou-se governador do Estado. O caso foi automaticamente remetido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) – foro privilegiado dos governadores – sem data para analise. O tucano continuava no jogo, embora chamuscado.

No PMDB, Eduardo Pinho Moreira enfrentara Dário Berger, prefeito de Florianópolis, na prévia do partido para escolher o candidato ao governo. Era a disputa entre o controlador da burocracia partidária e a nova liderança do partido, fortalecida por ter derrotado Esperidião Amin na Capital dois anos antes. A máquina venceu por 58% dos votos dos delegados.

Diante das movimentações dos tucanos e dos peemedebistas, o DEM de Raimundo Colombo também procurou se colocar no tabuleiro. Assim que Pavan assumiu o governo, os demistas deixaram os cargos do primeiro escalão. Colombo foi lançado ao governo e o ex-pefelistas diziam que disputariam em chapa pura se fosse necessário.

E assim a coisa andava, em meio a especulações e conversas. PSDB e DEM tentaram composições com o PP – que esbarraram também na dificuldade de convencer Angela, líder das pesquisas, a desistir. Pinho Moreira procurou PT e PCdoB, mas as conversas não avançaram. A questão nacional pesava. José Serra (PSDB) liderava as pesquisas para a presidência, mas era pouco a pouco alcançado por Dilma.

Em Santa Catarina, Luiz Henrique queria manter a parceria nacional com os tucanos, vitoriosa em 2006. Para reaglutinar a tríplice aliança, apelou a Serra. Em conversa com o presidenciável, Pavan deu uma cartada: disse que retiraria a candidatura se Colombo e Pinho Moreira se entendessem, o que parecia improvável naquele momento. O tiro saiu pela culatra.

A pressão se voltou para os pré-candidatos do DEM e do PMDB. Após uma longa conversa com Colombo, em 13 de junho de 2010, Pinho Moreira desistia da candidatura ao governo para ser vice na chapa do DEM. Alegava isolamento do PMDB. Os peemedebistas que apoiaram Dário na prévia ainda tentaram articular outro nome, já que o prefeito não havia deixado o cargo no tempo necessário para se candidatar – sem sucesso. Pavan tentou resistir no páreo, mas acabou aceitando a orientação nacional e evitando uma intervenção explícita.

A tríplice estava mantida, com Colombo ao governo, Pinho Moreira de vice, Luiz Henrique e Paulo Bauer (PSDB) como candidatos ao Senado. Enfrentariam as candidaturas isoladas de Angela/Maneca e de Ideli, que trazia o empresário Guido Bretzke (PR) de vice.

A diferença de estruturas era abissal e foi confirmada no dia a dia da campanha. Logo Colombo ultrapassaria Ideli e Angela e chegaria na reta final beirando a vitória em primeiro turno – que acabou acontecendo. Com quase um milhão de votos de vantagem sobre a candidata do PP, Colombo era eleito governador. Levava o DEM, ex-PFL, de volta ao Centro Administrativo. Sim, Doutor Jorge conseguiu.

A tríplice ainda garantiria vitórias tranquilas para Luiz Henrique e Bauer ao Senado – com o tucano um pouco ameaçado pelo petista Claudio Vignatti em alguns momentos da campanha. A composição também deu a Serra 56% dos votos no segundo turno, a maior vantagem que o tucano teve em um Estado. Eram cerca de 500 mil votos de vantagem sobre Dilma, exatamente como prometera LHS quando pediu apoio do tucano para reaglutinar a tríplice aliança.

O quadro nacional era oposto. Dilma foi eleita presidente com 56% dos votos, garantindo mais quatro anos para o PT no Palácio do Planalto. Começou mexendo pouco na equipe que recebera de Lula – mantinha, por exemplo, o Ministério do Trabalho com o pedetista Carlos Lupi. A presidente enfrentaria no primeiro ano de mandato uma série de denúncias contra esses ministros herdados, que levou à demissão de vários deles, incluindo Lupi. A vaga foi inicialmente ocupada por Brizola Neto, adversário da cúpula pedetista, mas Dilma acabou devolvendo a pasta para o grupo afastado. Homem de confiança de Lupi e integrante da cúpula, Manoel Dias virou ministro.

No governo estadual, Colombo não conseguia esconder o incômodo de ser liderança de um partido que nacionalmente diminuía a cada eleição. Atrelado ao PSDB desde 1994, o DEM/PFL parecia não ter futuro além de fazer oposição ao PT e perder eleições a cada quatro anos. Não era só o catarinense que estava incomodado. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, era outra liderança ascendente encurralada por esse caminho a qual o DEM parecia condenado a percorrer.

Para mudar de rota, o paulistano tinha um plano. Esse plano passava por Santa Catarina.

A série oBásico tem 14 capítulos, publicados aos domingos e quarta-feiras.
Próximo capítulo (02/07): Cesar Souza Junior.
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Capítulo DOZE - Dário Berger

25 de junho de 2014 1

Foto: Flávio Neves, Agência RBSDário Berger foi prefeito de Florianópolis e agora é uma incógnita.

Sua primeira tentativa de entrar para a política foi 1988, quando recebeu 320 votos como candidato a vereador pelo antigo PL na cidade de São José, vizinha à capital catarinense. Parecem poucos votos, mas seriam suficientes para uma cadeira no legislativo da cidade na época. Houve até quem entrasse com menos, mas Dário ficou como primeiro suplente do partido.

Ou seja, para começar estava tudo certo, menos a legenda. Talvez tenha sido ali que o empresário tenha se convencido de que os partidos eram mais problema do que solução. Quatro anos depois, tentaria o mesmo cargo, desta vez pelo PFL. Sem sustos, 994 votos lhe deram a quinta colocação na disputa e garantiram a eleição.

Era o começo de uma caminhada que o faria atravessar a ponte Pedro Ivo Campos – aquela que traz as pessoas para a Ilha de Santa Catarina. Na eleição seguinte, em 1996, Dário foi eleito prefeito de São José com 47,4% dos votos.

Ninguém sabia ainda, mas ele só deixaria de ser chamado de prefeito 16 anos depois. A reeleição em 2000 viria com incríveis 84,7% que chamaram atenção na Capital. Algo parecia acontecer na cidade vizinha – que já era a quarta maior do Estado.

Naquele ano, Florianópolis também reelegia sua prefeita. Em primeiro turno, Angela Amin (PPB) conseguira 55,7% dos votos, derrotando com facilidade candidatos teoricamente competitivos como o ex-prefeito Sérgio Grando (PPS), o deputado estadual João Henrique Blasi (PMDB, hoje desembargador) e o deputado federal Vânio dos Santos (PT).

Era o ápice do casal Amin na política catarinense. Ela prefeita reeleita, a mais popular comandante de capital do país segundo pesquisas periódicas do Datafolha. Esperidião Amin era o governador do Estado, com uma reeleição considerada tão encaminhada quanto a dela. O que ninguém imaginava é que a queda de ambos estivesse tão próxima – e que isso passasse pelo ascendente prefeito de São José.

Em 2002, Amin perderia a reeleição para Luiz Henrique (PMDB). Dário chegou a aparecer naquela história como figurante, tentando colocar o nome no meio da disputa interna do PFL pela vaga de vice-governador na chapa do pepebista. Logo, ele perceberia que o PFL também era um problema.

O peso da última vitória em São José fizera com que Dário sonhasse com voos mais altos. A prefeitura da Capital seria o primeiro passo. Com LHS no Centro Administrativo, Angela teve dificuldades maiores em seus dois últimos anos de mandato, especialmente pela atrapalhada implantação de um novo sistema de transporte urbano. Além disso, não tinha sucessor natural. Apostaria no secretário Chico Assis (PPB), que já tentara se eleger prefeito de Florianópolis, sem sucesso, em 1985 e 1992.

Mesmo com esse cenário, o PFL preferia manter a aliança com o PPB na Capital a lançar Dário, que resolveu trocar novamente de partido. Assumiu o controle do PSDB em Florianópolis, dando uma cara nova a um partido grande, mas sem protagonismo na Capital. Em 2004, o neotucano renunciou à prefeitura de São José e se mudou de mala, cuia e título eleitoral para Florianópolis.

Por incrível que pareça, o forasteiro logo estaria liderando as pesquisas. Venceria a disputa em segundo turno contra Chico Assis, recebendo apoio do PMDB e do governador Luiz Henrique – feliz pela derrota dos Amin no principal reduto pepebista.

O primeiro mandato de Dário em Florianópolis foi cheio de polêmicas e escândalos. O principal deles foi a Operação Moeda Verde, da Polícia Federal, que chegou a prender vereadores de sua base aliada e empresários – acusados de negociarem licenças ambientais. Conversas do prefeito estavam entre as grampeadas, mas nada de concreto vazou sobre ele. O inquérito até hoje espera análise da Justiça – tendo Dário como um dos indiciados.

Esperidião Amin acabaria derrotado derrotado na revanche contra Luiz Henrique em 2006. Para a disputa pela prefeitura em 2008 era esperado que ele ou Angela se apresentassem para derrotar Dário. Era a chance de recuperar a base perdida e usá-la para retomar o Centro Administrativo. Depois de muitas especulações, Amin assumiu a tarefa, guardando Angela para a eleição estadual.

Era franco favorito, mesmo com os indícios de que Dário vinha recuperando popularidade após o esfriamento do caso Moeda Verde. O prefeito dava sinais de que mudaria mais uma vez de sigla. Duas coisas incomodavam no PSDB. Primeiro, o partido era o símbolo da oposição ao governo do presidente Lula (PT) – o que dificultava a vinda de recursos federais. Segundo, ele mirava o governo do Estado e via à sua frente na fila tucana o vice-governador Leonel Pavan.

Depois de namorar uma filiação ao PSB – para onde acabou indo o irmão Djalma Berger, deputado federal e depois prefeito de São José -, Dário aceitou os insistentes convites da cúpula estadual do PMDB. A rejeição de peemedebistas históricos de Florianópolis como o ex-prefeito Edison Andrino não comoveu Eduardo Pinho Moreira, que já comandava o PMDB-SC. Foi por articulação pessoal dele que Dário acabou se filiando em outubro de 2007, no último dia do prazo, desmanchando do dia para a noite o PSDB da Capital. Nomes como o dos vereadores Gean Loureiro e Deglaber Goulart, por exemplo, estavam na debandada.

Com o peso do PMDB, das máquinas municipal e estadual e uma forte campanha de marketing eleitoral, Dário tomou de Amin a liderança nas pesquisas ainda no primeiro turno. A vantagem foi mantida e confirmada na segunda votação, quando o neopeemedebista alcançou 57,6% dos votos sobre o ex-governador, ex-prefeito, ex-senador e ex-deputado federal.

Conquistado o quarto mandato consecutivo de prefeito (o que chegou a ser questionado na Justiça Eleitoral e por pouco não lhe valeu uma cassação), Dário se colocava de vez no jogo da política estadual. Para isso bastava entrar na fila do PMDB. Teria de esperar, porque à frente dele nessa fila estava Pinho Moreira, justamente o homem que o trouxe para o partido.

O problema é que Dário não estava acostumado a esperar.

A série oBásico tem 14 capítulos, publicados aos domingos e quarta-feiras.
Próximo capítulo (29/06): Manoel Dias.
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Capítulo ONZE - Júlio Garcia

22 de junho de 2014 1

Crédito: Agência Alesc.Júlio Garcia é o presidente do Tribunal de Contas do Estado.

Como quase todos os integrantes da instituição que fiscaliza as contas dos órgãos estaduais e municipais catarinenses é um ex-parlamentar. Mas não qualquer – sua passagem pela Assembleia Legislativa, em quatro mandatos, tornou-se lendária pela capacidade de articulação política.

É essa capacidade que o faz ser requisitado ainda hoje, mesmo teoricamente aposentado, e que a partir de 2003 tornou Júlio Garcia um dos principais fiadores da maior aliança da política catarinense contemporânea – mas vamos com calma.

Comecemos por 1986, quando ele se elege deputado estadual pela primeira vez. Seu partido era o PFL, o único pelo qual disputou eleições. Seria reeleito quatro anos depois, mas sofreria um forte revés em 1994: ficou com a oitava suplência, o que costuma significar exatamente nada.

Foi salvo do ostracismo pela composição do PFL com Paulo Afonso Vieira (PMDB) no segundo turno daquela eleição, fundamental para que o peemedebista derrotasse Angela Amin (PPR) e se elegesse governador. Sócios na vitória, os pefelistas ganharam cargos. Garcia primeiro assumiu o Badesc, depois a Casan – substituindo outro suplente do PFL. Era o lageano Raimundo Colombo, que estava deixando a estatal para concorrer a prefeito de Lages.

Quando o PPB (novo nome do PPR) dos Amin e o PFL de Jorge Bornhausen acertaram novamente os ponteiros, a partir de 1997, Garcia e Colombo mantiveram a lealdade a Paulo Afonso. Isso quase lhes custou a legenda na eleição seguinte: o PPB tentou vetar as candidaturas de Garcia à Assembleia e de Colombo à Câmara (ele havia sido derrotado na disputa lageana pelo cunhado Décio Ribeiro, do PDT).

O veto acabou não se confirmando e ambos foram eleitos. Dois anos depois, Colombo conseguiria voltar à prefeitura de Lages, enquanto Garcia seguia discreto na Assembleia. Os anos difíceis haviam passado, mas o protagonismo ainda não chegara.

Amin era o governador e perderia a reeleição em 2002 em uma virada espetacular de Luiz Henrique da Silveira (PMDB) – a bordo da onda que levou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Planalto. Eleito, LHS tinha em sua aliança original formada por PMDB e PSDB apenas 10 dos 40 deputados. Apostou na coalizão com o PT como forma de garantir a maioria.

Não há petista em Santa Catarina que negue o esforço de Luiz Henrique para manter o parceiro que lhe garantiu a vitória eleitoral. Conseguiu levar Volnei Morastoni (PT) para a presidência da Assembleia. Com o petista no cargo, chegou a viabilizar missões internacionais para ele e para o vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB), permitindo que o petista assumisse o cargo por 13 dias – o então presidente nacional do PT, José Genoíno, até veio para a posse.

Mas o esforço foi inviabilizado pelas correntes mais à esquerda do partido, representadas pelo deputado estadual Afrânio Boppré. A presença do PSDB no governo estadual era um dos principais entraves, mas não o único. Os petistas tinham ainda preconceito em relação ao PMDB. Tanto que, na esfera nacional, o partido havia desistido de contar com o apoio formal dos peemedebistas a Lula – preferindo composições com siglas de médio porte (sim, estou falando do PTB de Roberto Jefferson, entre outros).

Sem os petistas, Luiz Henrique buscou o PFL e o principal canal era Júlio Garcia. O pefelista foi eleito presidente da Assembleia na segunda metade mandato com um feito raro que passaria a ser constante: a unanimidade, com a divisão dos cargos na mesa diretora entre todos os partidos. No comando do Legislativo, Garcia ajudou a costurar outra composição inédita: a aliança entre PFL e PMDB em primeiro turno.

O senador Vilson Kleinübing, maior entrave a composições com os peemedebistas, morrera em 1998 após uma longa batalha contra o câncer. Paulo Afonso cumpria discreto mandato como deputado federal. Episódios como as Letras e o quase impeachment pareciam distantes e superados.

Mesmo assim, não foi fácil. Reeleito prefeito em 2004, Raimundo Colombo era pré-candidato do partido ao governo do Estado, com toda a força do padrinho Jorge Bornhausen – que depois da derrota do filho Paulo Bornhausen na disputa pelo Senado em 2002, acionara seu plano B.

O projeto era apresentar um rosto novo e deixar de ser suporte ao PP de Esperidião Amin (sim, o PPB, ex-PPR e ex-PDS, havia mudado de nome mais uma vez). Colombo estrelava as propagandas do PFL e combatia o principal projeto político de LHS: a criação de 27 secretarias regionais de desenvolvimento – que chegariam a 30 até o final do mandato. Para o lageano, as novas estruturas – marcos da chamada descentralização administrativa – eram cabides de emprego.

O cenário se consolidava com a candidatura à reeleição de Luiz Henrique, os nomes que disputaram a eleição anterior (Amin e o petista José Fritsch), somados às caras novas de Colombo e do senador Leonel Pavan (PSDB). LHS já aprendera na eleição anterior que era necessário o apoio de três dos cinco maiores partidos do Estado para vencer a disputa – e trabalhava de olho em manter o PSDB e em trazer o PFL.

No projeto de Colombo e Bornhausen, os pefelistas tentavam fazer Amin desistir da revanche e aceitar ser candidato ao Senado em uma chapa liderada pelo PFL. O ex-governador não aceitava e nem rejeitava, ia às reuniões e falava sobre qualquer outra coisa, prometia cartas de apoio que nunca chegaram. A ponto de Colombo perder sua já conhecida paciência.

- Humildade é uma coisa, humilhação é outra – diria.

Após mais um desses encontros frustrantes e temendo levar o partido ao isolamento, Colombo aceitou a sugestão de conversar com Luiz Henrique – diz que a lenda que o pefelista telefonou e recebeu o convite para viajar com o peemedebista no mesmo dia. Na volta, estavam acertados. Colombo desistia de concorrer ao governo e aceitava ser senador na chapa de Luiz Henrique. Com a definição, Pavan concordou em ser candidato a vice – em uma equação viabilizada pela renúncia de LHS ao governo, permitindo que Pinho Moreira assumisse o cargo em definitivo até o final do ano. Estava formada a tríplice aliança.

A Amin restou uma coligação com o PV. Fritsch não tinha cenário melhor: dera a vaga de vice ao PL por um punhado de segundos de televisão e apostava que Luci Choinacki (PT) pudesse herdar votos de peemedebistas históricos que se recusassem a votar em um pefelista.

Com a composição, Luiz Henrique desta vez apoiaria até o fim o presidenciável tucano Geraldo Alckmin. Lula não tinha mais o apelo de quatro anos antes por causa do desgaste com o escândalo do Mensalão, quando importantes dirigentes petistas foram acusados pelo petebista Roberto Jefferson de pagar mesada para ter o apoio de parlamentares de partidos de médio porte.

A candidatura de Fritsch não decolou e o PT-SC se viu em um segundo turno sem palanque para Lula. Amin estava lá, completamente isolado. A ocasião levou, lentamente, a mais uma união de ex-adversários ferrenhos. Apenas na última semana de campanha Amin declarou voto em Lula e vice-versa.

A composição não impediu a derrota, mas evitou o massacre eleitoral. No primeiro turno, o petista perdera para Alckmin por quase 800 mil votos de diferença no Estado e reduziu essa distância para 295 mil. Amin diminuiu a desvantagem de 600 mil votos para 173 mil.

De qualquer forma, estava mais do que claro que Luiz Henrique pilotava a maior máquina eleitoral criada na política catarinense contemporânea. Perguntado sobre porque aceitara enfrentá-la, restou a Amin a conhecida sagacidade:

- Porque não falei de cabides para depois entrar no armário.

A ironia tinha destino certo: Raimundo Colombo, senador eleito com a maior votação da história de Santa Catarina, 1,73 milhão de votos. Assumiria a cadeira de Bornhausen no Senado e teria a tribuna para viabilizar o plano de ser o futuro piloto da máquina criada por LHS.

Pioneiro na aproximação entre PFL e PMDB, Júlio Garcia também tinha resultados a colher. Reeleito com a nona votação para a Assembleia, seu melhor resultado, ele se consagrou também com a recondução para a presidência – outra vez por unanimidade.

Seria seu último ato antes de ir para o Tribunal de Contas. Mas a obra que começou levaria o PFL, agora rebatizado como DEM, de volta ao comando do Estado.

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Próximo capítulo (25/06): Dário Berger.
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Capítulo DEZ - Joares Ponticelli

18 de junho de 2014 2

joaresJoares Ponticelli é o presidente da Assembleia Legislativa.

Também preside, embora esteja licenciado, o PP de Santa Catarina – o partido que nessa história já foi PDS, PPR e PPB. Desde 2013 vive o ponto mais alto, até agora, em sua carreira política. Foi no ano passado que ele assumiu o comando do legislativo estadual em um acordo de divisão de mandato com o PMDB.

Se dez anos antes alguém dissesse que esse arranjo aconteceria, seria considerado louco.

Ponticelli teve uma ascensão rápida. Eleito vereador de Tubarão em 1996, tornou-se deputado estadual dois anos depois. Tinha 33 anos e logo em sua primeira legislatura acabaria líder do governo Esperidião Amin (PPB) na Assembleia. Embora fosse um governo de fraca articulação política, o cargo colocou o novato na linha de frente. Do outro lado da trincheira, estava o PMDB.

A expectativa era de voos ainda maiores no segundo mandato. Amin era franco favorito à reeleição. Até então invicta nas urnas do Estado, sua aliança com o PFL de Jorge Bornhausen estava garantida. O favoritismo tinha um preço: ao contrário de Luiz Henrique (PMDB), com dificuldades de montar sua chapa oposicionista, todo mundo queria subir no barco governista.

Para o Senado, ficou definido que os dois principais partidos da aliança lançariam um candidato cada. O nome do PPB seria o deputado federal Hugo Biehl. O do PFL, Paulo Bornhausen – favorito nas pesquisas para ficar com uma das duas vagas. Sua vitória, se confirmada, criaria a inusitada situação de dois integrantes da família Bornhausen, pai e filho, serem senadores ao mesmo tempo. Jorge Bornhausen fora eleito em 1998 e ainda tinha quatro anos de mandato.

O problema maior foi a vaga de vice-governador. Amin topava manter Paulo Bauer, mas a solução natural sofria resistências. Ao final do segundo mandato, o governador certamente renunciaria para concorrer a outro cargo – o Senado ou uma nova tentativa presidencial. Com isso, Bauer teria pelo menos oito meses com a caneta na mão em 2006.

Isso incomodava setores do PFL que temiam ver o vice ganhar musculatura para concorrer ao governo. Além disso, Bauer conquistara a vaga em 1998 desafiando o deputado estadual Pedro Bittencourt, o candidato indicado por Bornhausen. Naquela convenção do PFL, apenas sete votos definiram o vice de Amin – e isso não havia sido esquecido.

Ao mesmo tempo, lideranças do PPB insistiam em ter um nome da sigla no governo quando Amin deixasse o cargo. Diante desses fatores, apenas a vontade declarada de Amin em manter Bauer acabou insuficiente. Eni Voltolini, deputado federal do PPB de Joinville, foi escolhido com a desculpa de neutralizar a força de Luiz Henrique em sua base.

A campanha eleitoral de 2002 começou quase como algo protocolar, que ratificaria a reeleição de Amin, a vitória de Paulo Bornhausen, talvez a de Biehl, e todos os planos que já estavam sendo traçados para 2006. Mas havia um componente novo na eleição: em sua quarta candidatura presidencial consecutiva, o petista Luiz Inácio Lula da Silva mantinha a liderança nas pesquisas e dava sinais de que o PT poderia chegar ao poder.

No Estado, Amin e Luiz Henrique apoiavam oficialmente José Serra, do PSDB, o candidato do presidente Fernando Henrique Cardoso. O favoritismo do pepebista fez com que Serra decidisse não participar da campanha do peemedebista, a quem estava oficialmente coligado. Enquanto isso, José Fritsch (PT), ex-prefeito de Chapecó, corria ao governo sozinho na raia de Lula.

Aos primeiros sinais de que algo diferente acontecia – que depois ganharia o nome de “onda Lula” -, parte do PMDB catarinense começou a abandonar Serra. Em busca da reeleição ao Senado, Casildo Maldaner declarou apoio a Lula. LHS não acompanhou, mas silenciou em relação ao tucano. Fristch crescia. Não parecia suficiente para ultrapassar o peemedebista, mas poderia viabilizar o segundo turno tido como improvável no começo da disputa.

As urnas foram cruéis com os planos de Amin e Bornhausen. A reboque de Lula, Frisch fez 27,3% dos votos e beliscou o segundo turno – Luiz Henrique teve 30%. O governador ficara com 39%. Haveria nova votação e a soma dos adversários era a maioria. Para piorar o quadro de pepebistas e pefelistas, a deputada estadual Ideli Salvatti (PT) surpreendeu e foi eleita senadora com mais de 1 milhão de votos – focando o discurso de campanha nas tais duas cadeiras do Senado que ficariam com a mesma família. A segunda vaga foi para outra zebra: Leonel Pavan (PSDB), com uma vantagem de apenas 17 mil votos para Hugo Biehl. O favorito Paulo Bornhausen amargou o quarto lugar. Casildo, mesmo trocando Serra por Lula, foi o sexto.

Nunca o PT foi tão relevante na política catarinense. Os petistas haviam garantido o segundo turno, uma senadora, cinco deputados federais (Carlito Merss e Luci Choinacki os mais votados do Estado) e nove cadeiras na Assembleia Legislativa (a maior bancada, ao lado do PPB).

Com esse novo cenário, Luiz Henrique atrelou sua campanha à de Lula – que enfrentaria Serra no segundo turno presidencial. O petista confirmava com certa com tranquilidade a vantagem que era apontada desde o início da campanha, enquanto LHS buscava voto a voto uma virada que de impossível passara para improvável.

No final da campanha, Lula fez em Florianópolis, na Praça Tancredo Neves, seu último comício, conclamando os catarinenses a derrotarem Amin e “as oligarquias”. Tinha força para isso: o petista conseguiria em Santa Catarina a maior vitória proporcional do país, colocando quase 900 mil votos de vantagem sobre Serra.

Com essa mãozinha de Lula e incríveis 76,7% do eleitorado de Joinville, Luiz Henrique conseguiu vencer Amin por 20,7 mil votos de vantagem – 50,3% a 49,7%. O PMDB estava de volta ao governo, com a inusitada situação de ter sido apoiado pelo PSDB e pelo PT em Santa Catarina.

Ao PPB de Amin e ao PFL de Bornhausen, restava a oposição. Naquela eleição, o pepebista Joares Ponticelli foi reeleito deputado estadual com a 18ª melhor votação. Assim, o mesmo homem que liderou um governo desarticulado, passaria a enfrentar praticamente só com discursos aquele que seria o mais articulado da política catarinense contemporânea. Ao vencer aquela eleição histótica, Luiz Henrique descobriu, talvez sem querer, que a fórmula da vitória sem ondas externas era ter junto a ele três dos cinco principais partidos do Estado.

Trabalharia incansavelmente por isso. Pela tríplice aliança.

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Próximo capítulo (22/06): Júlio Garcia.
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Capítulo NOVE - Eduardo Pinho Moreira

15 de junho de 2014 1

imageEduardo Pinho Moreira é o vice-governador do Estado.

É também o principal nome do PMDB no Sul do Estado desde 1992, quando se elegeu prefeito de Criciúma. Antes havia sido deputado federal por dois mandatos. Depois de quatro anos na prefeitura – ainda não havia reeleição -, confirmou sua popularidade com a vitória do aliado Paulo Meller em 1996. Fortalecido regionalmente, acabou disputando com o governador Paulo Afonso Vieira a prévia do PMDB para a disputa ao governo em 1998.

Tinha o apoio de Luiz Henrique da Silveira, eleito dois anos antes prefeito de Joinville. LHS recomeçava sua trajetória mirando o governo do Estado, mas sabia das dificuldades do PMDB manter o cargo naquela eleição, além de ter que abandonar a prefeitura com tão pouco tempo de mandato. Foi enfático na defesa de Pinho Moreira – uma forma de se contrapor ao governador que quase teve o mandato cassado e que não apresentava chances de vitória.

Com a máquina do governo ainda em suas mãos, Paulo Afonso venceria a prévia e partiria para a eleição mais preocupado em defender seu capital político. Acabou em segundo lugar, muito longe do eleito Esperidião Amin.

Após a derrota na prévia, Pinho Moreira enfrentaria um percalço maior: na tentativa de retornar à prefeitura de Criciúma em 2000 acabou derrotado pelo petista Décio Goes – que colocava mais uma estrela vermelha em um polo regional.

As derrotas levaram o peemedebista de volta a uma posição de político paroquial e, aparentemente, em decadência. Mas, mais uma vez, Luiz Henrique estava no caminho de Moreira. Depois de conquistar a reeleição como prefeito de Joinville, LHS agora se via em condições de disputar o governo do Estado em 2002.

O principal adversário não seria Amin, mas a expectativa de que o governador seria reeleito com facilidade. O discurso contra as fragilidades do governo Paulo Afonso ainda era muito forte e era alta a popularidade do pepebista (o PDS agora se chamava PPB).

Naquele contexto, LHS tinha dificuldades em fechar uma chapa minimamente competitiva. Contou com sorte e articulação política para trazer o PSDB para sua órbita. Apostou em um núcleo de tucanos descontentes com a baixa participação no governo estadual e aproveitou a decisão do Supremo Tribunal Federal de que as alianças estaduais deveriam reproduzir as das eleições presidenciais. O PMDB havia indicado Rita Camata como vice na chapa de José Serra (PSDB) e essa articulação colocou os tucanos oficialmente no colo de LHS – mesmo com boa parte do partido fazendo campanha para Amin. Em troca, coube ao PSDB uma vaga para concorrer ao Senado: o azarão Leonel Pavan, ex-prefeito de Balneário Camboriú.

Para a segunda vaga ao Senado, Casildo Maldaner tentaria a reeleição. Difícil mesmo estava conseguir alguém que topasse ser candidato a vice com improváveis chances de vitória. Luiz Henrique foi a Criciúma e colocou Pinho Moreira de volta no palanque de uma eleição que seria uma das mais importantes dessa história.

Finalmente chegara a vez de LHS na fila do PMDB catarinense.

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Capítulo OITO - Paulo Bauer

11 de junho de 2014 1

Paulo Bauer é senador e presidente estadual do PSDB.

Hoje é tucano, mas foi pelo PFL que virou protagonista desta história. Filho de Victor Bauer, ex-prefeito de Jaraguá do Sul, assumiria aos 23 anos a vice-presidência da Empresa de Eletrificação Rural de Santa Catarina (Erusc). Seria presidente da estatal antes de entrar nas disputas eleitorais, com o mandato de deputado estadual conquistado em 1986.

Em 1990 se elegeria deputado federal, reeleito quatro anos depois. Estava em Brasília em 1998, quando ressurgiria a velha e ainda imbatível aliança entre Esperidião Amin (do PPB, novo nome do PDS) e o PFL de Jorge Bornhausen. Depois do apoio vingativo de 1994, os pefelistas haviam abandonado o governo de Paulo Afonso (PMDB) com a repercussão do escândalo das Letras.

As Letras. Ah, as Letras. Naquela segunda metade dos anos 1990, diversas prefeituras e governos estaduais haviam recorrido a uma traquinagem jurídico-contábil que acabou se transformando em escândalo nacional. Desde a Constituição de 1988 apenas o governo federal estava autorizado a emitir títulos da dívida pública. Havia apenas uma brecha, utilizada como negócio por uma corretora que vendeu a solução para prefeitos e governadores com as finanças engessadas naquele país que conseguira controlar a inflação, mas ainda não reaprendera o caminho do crescimento econômico.

Essa brecha era a emissão de Letras do Tesouro para pagamento de precatórios (dívidas reconhecidas judicialmente sem possibilidade de recurso) registrados antes da Constituição de 1988. Com base nessas supostas dívidas, Estados e municípios emitiram títulos no mercado financeiro – sempre com uma porcentagem repassada ao Banco Vetor, o pai da ideia. Santa Catarina era um deles.

O caso virou escândalo político, com direito a CPI no Senado. Os três senadores catarinenses – Amin, Vilson Kleinübing e Casildo Maldaner – integravam a comissão. Kleinübing tomou a linha de frente para mostrar que as letras catarinenses tinham como base uma fraude: não existiriam os precatórios usados como pretexto para emitir R$ 170 milhões em títulos no mercado.

Uma CPI na Assembleia Legislativa chegou a conclusão semelhante. De aliado, o PFL migrou para a oposição ferrenha. Paulo Afonso sofreu processo de impeachment e só manteve o cargo porque faltaram dois votos para os 27 necessários para a cassação. Até hoje são muitas as lendas e relatos sobre os motivos que levaram deputados a virar a casaca na hora de votar. Certo é que a um ano de disputar a reeleição, Paulo Afonso era um cadáver político.

Nesse contexto foi montada a chapa que devolveria Esperidião Amin ao governo, em primeiro turno, e Jorge Bornhausen ao Senado. Para completar o quadro que deu tranquila vitória a ambos, escolheram um nome do Norte do Estado para ser vice-governador: o discreto deputado federal Paulo Bauer.

O novo vice-governador acabaria tendo as asas cortadas antes que eles virassem plumas de tucano, como veremos adiante.

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Capítulo SETE - Ideli Salvatti

08 de junho de 2014 1

Ideli Salvatti é ministra da presidente Dilma Rousseff.

As conveniências políticas podem até eventualmente mudar o cargo, mas o lugar cativo da petista junto à presidente parece garantido. Nesses três anos e meio de governo, Ideli já esteve à frente da pesca, das relações institucionais e, desde abril, dos direitos humanos.

A história que leva Ideli Salvatti a virar a mulher de confiança da presidente da República começa nos primórdios da militância petista em Santa Catarina. Lá na eleição de 1982, ponto que escolhemos para começar a contar a política catarinense, ela era mulher de Eurídes Mescolotto, primeiro candidato do PT ao governo do Santa Catarina.

Ainda sem expressão no Estado ou no país, os petistas catarinenses marcavam posição na disputa polarizada entre o PDS de Esperidião Amin e o PMDB de Jaison Barreto. Os 6.803 votos que Mescolotto recebeu seriam insuficientes para elegê-lo deputado estadual. Não demorou para que os petistas percebessem que o caminho das urnas era mais afeito a Ideli.

A paulista que escolheu Santa Catarina – primeiro em Joinville, depois em Florianópolis – ganhou destaque no movimento sindical dos professores estaduais. Já separada de Mescolotto, concorreu à Assembleia Legislativa, sem sucesso, em 1986 e 1990. Na terceira tentativa, em 1994 conquistou a cadeira e nunca mais deixou os holofotes políticos do Estado.

Foi naquela eleição que o PT apareceu como nova força política em Santa Catarina. Ideli integrava uma bancada de cinco deputados estaduais eleitos, o partido ganhara duas vagas na Câmara – José Frisch e Milton Mendes – e chegara muito perto de eleger Luci Choinacki senadora. Apenas 60 mil votos de vantagem deram a vantagem a Casildo Maldaner.

O perfil aguerrido logo destacou Ideli no parlamento como uma forte oposicionista do governador Paulo Afonso Vieira (PMDB). Foi protagonista nos enfrentamentos com o governo em episódios como a emissão de Letras do Tesouro do Estado, que veremos mais adiante, e da tentativa de cobrança de pedágio na SC-401, em Florianópolis.

Naquela segunda metade dos anos 1990, parecia questão de tempo para o PT conseguir romper polarização da disputa pelo poder estadual entre PMDB e PDS (naquele momento chamado de PPR) — com o PFL atuando como pêndulo. Em 1996, o partido avançou mais um passo. Naquele ano, Décio Lima foi eleito prefeito de Blumenau, a terceira maior cidade do Estado, e José Fritsch venceu em Chapecó, a principal da região Oeste.

Somava-se a essas vitórias a participação no segundo turno da eleição para prefeitura de Florianópolis, onde Afrânio Boppré foi derrotado por Angela Amin (PPR). Com essa nova musculatura, o partido se preparou para voltar a liderar as esquerdas catarinenses – em 1994, o partido havia apoiado Nelson Wedekin, do PDT.

O nome escolhido para liderar o processo em 1998 foi o do deputado federal Milton Mendes, mas ele não conseguiu chegar perto do protagonismo de uma disputa marcada pela volta de Esperidião Amin às eleições estaduais e ao desgaste de Paulo Afonso – e que veremos em mais detalhes no próximo capítulo.

O PT saiu daquela eleição mantendo as mesmas duas cadeiras na Câmara e cinco na Assembleia – uma delas de Ideli. Na mesma Joinville que recebera a professora paulista no final dos anos 1970, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), eleito prefeito em 1996, planejava sua volta ao cenário político estadual.

Ideli e Luiz Henrique ainda não sabiam, mas seus destinos estavam entrelaçados. No mesmo palanque, comemorariam as maiores e mais improváveis vitórias eleitorais de suas vidas. Só teriam que esperar um pouco mais.

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Capítulo SEIS - Paulo Bornhausen

04 de junho de 2014 4

pbPaulo Bornhausen é deputado federal e ocupou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável nos últimos três anos.

Está em seu terceiro mandato em Brasília e também foi deputado estadual por quatro anos, sempre mantendo posições firmes – seja situação, seja oposição. Mais do que isso, é herdeiro direto de uma tradição política que passa por seu pai Jorge Bornhausen, pelo avô Irineu Bornhausen, pelo primo em segundo grau Antonio Carlos Konder Reis e pelo tio-avô Adolfo Konder. Todos eles, ex-governadores de Santa Catarina.

Levando adiante a linhagem política da família, Paulo começou sua caminhada em 1994, quando concorreu e se elegeu pela primeira vez deputado federal. É provável que essa vitória tenha sido a única coisa que deu certo em tudo que os Bornhausen planejaram para aquela eleição. Essa vitória e a vingança contra os Amin, responsabilizados pelo fracasso do planejamento.

A vitória tranquila da aliança União por Santa Catarina (PDS+PFL) em 1990, levando Vilson Kleinübing (PFL) ao governo e Esperidião Amin (PDS) ao Senado tinha tudo para ser reeditada em 1994. O acerto envolvia a troca de posições entre os protagonistas da eleição anterior: Kleinübing iria ao Senado e Amin voltaria a concorrer ao governo. O candidato a vice já estavam escolhido: Raimundo Colombo (PFL), aquele lageano em que Jorge confiava muito e que agora era deputado federal.

Tudo estava fechado quando o prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (PDS, rebatizado para PPR), anunciou que não concorreria à Presidência da República. Até poucos meses antes, ele era considerado o único que poderia derrotar Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com o avanço do Plano Real, crescia o nome do ex-ministro Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que teria o apoio do PFL de Bornhausen e, por tabela, da União por Santa Catarina.

Assim que Maluf saiu do jogo, Amin desmontou toda a aliança construída no Estado em nome de um velho sonho: concorrer à Presidência. Ele havia tentado em 1989, quando perdeu para Maluf a prévia do PDS. Com o caminho livre, apostou que poderia ser a opção ao eleitorado conservador que elegera o presidente afastado Fernando Collor de Mello.

Na disputa estadual, Amin seria substituído pela mulher Angela, deputada federal. Ao PFL sobrou a tarefa de montar um palanque emergencial em Santa Catarina para dar sustentação a Fernando Henrique. O PSDB local integrava uma insólita chapa comandada por PDT e PT – com o senador pedetista Nelson Wedekin concorrendo ao governo. FHC, aliado ao PFL, não era bem-vindo naquele palanque mais preocupado com Lula e Leonel Brizola (PDT).

Coube a Jorge Bornhausen ser candidato ao governo pelo PFL, ficando apenas em terceiro lugar. Kleinübing manteve sua candidatura ao Senado, levando com facilidade uma das duas vagas em disputa – a outra foi para Casildo Maldaner (PMDB). Colombo montou de última hora sua candidatura à reeleição para a Câmara, ficando apenas com a segunda suplência.

Na eleição presidencial, Fernando Henrique venceu em primeiro turno. Amin foi apenas o sexto, com menos de 2% dos votos. No Estado, Angela Amin liderou desde o começo, mas não conseguiu impedir o segundo turno contra Paulo Afonso (PMDB). Foi aí que veio o troco dos Bornhausen: o PFL decidiu apoiar o PMDB, apesar dos protestos de Kleinübing.

Angela acabou ultrapassada na reta final. Paulo Afonso levava o PMDB de volta ao governo por uma diferença de 40 mil votos. À tiracolo, os pefelistas – entre eles, Colombo, indicado para a presidência da Casan.

Além do primeiro mandato de Paulo Bornhausen, aquela eleição marcaria a última reeleição de Luiz Henrique (PMDB) para a Câmara dos Deputados. Tinha sido mais uma vez, como em 1982, o mais votado no Estado, iria para o quinto mandato, o quarto consecutivo. Mas a vitória de Paulo Afonso o mantinha afastado da fila peemedebista pelo poder estadual.

Era a hora de testar outra estratégia. Hora de trocar Brasília por Joinville.

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Capítulo CINCO - Paulo Afonso Vieira

01 de junho de 2014 3

PauloAfonsoPaulo Afonso Vieira é diretor-administrativo da Eletrosul.

Não se deixe enganar pela falta de pompa do cargo. Sem disputar eleições desde 2002, o ex-governador Paulo Afonso mantém uma voz firme junto à militância e lideranças do PMDB catarinense. Em prestígio pessoal, talvez seja o único que rivalize com Luiz Henrique.

Aliás, rivalidade é a palavra certa quando se trata da relação entre Paulo Afonso em Luiz Henrique no PMDB. A disputa, sempre indireta, remonta ao início dos anos 1990, quando aos 32 anos Paulo Afonso furou a fila dos peemedebistas rumo ao governo estadual.

Servidor de carreira da Secretaria da Fazenda e deputado estadual em primeiro mandato, Paulo Afonso assumiu a pasta no governo de Pedro Ivo e se manteve quando Casildo Maldaner foi efetivado. O governo a quatro mãos do PMDB chegou ao final com poucas expectativas de manter o comando do Estado.

Escaldados pela derrota de 1986, Jorge Bornhausen e Esperidião Amin deixavam as diferenças de lado e lançavam a coligação União por Santa Catarina com nova candidatura de Vilson Kleinübing ao governo. A composição só seria possível porque Jorge abria mão de concorrer à reeleição como senador, deixando a vaga para Amin.

Quem se fragmentava era justamente o PMDB, que via lideranças como o senador Dirceu Carneiro e Francisco Küster migrarem para o recém-fundado PSDB. A possibilidade de aliança entre peemedebistas e tucanos no Estado chegou a ser ironizada por Amin.

- É bom porque mostra que eles são farinha do mesmo saco, como nós do PDS e do PFL também somos – brincou.

Mas os tucanos acabaram indo para a disputa, com Dirceu Carneiro – a primeira e única candidatura do PSDB ao governo catarinense até agora. Sem perspectiva, o PMDB permitiu que o jovem Paulo Afonso concorresse ao principal cargo do Estado.

Como esperado, Kleinübing levou em primeiro turno. O que não era esperado era a votação alcançada por Paulo Afonso, que o credenciou a disputar o governo novamente em 1994. O final seria completamente diferente.

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