Depois de Angela Albino (PCdoB), o blog do jornalista Felipe Patury, da revista Época, entrevistou Cesar Souza Junior (PSD). Ele tem apresentado uma série em que a cada dia entrevista um pré-candidato de capital. Na entrevista, o pessedista também mostrou o que devem ser pontos centrais de sua discurso de campanha: planejamento e mobilidade urbana. Como eles também foram destacados por Angela Albino, fica claro o que as pesquisas qualitativas estão mandando os políticos falarem. Ou, talvez, os temas realmente tenham entrado na agenda política da Capital. Vai saber. Confira a entrevista concedida a Marcelo Osakabe.
O senhor já acertou a aliança com o PP e a família Amin? Estamos conversando intensamente com o PP, principalmente com o vereador João Amin. Temos ideias muito parecidas para a cidade. Mas, por enquanto, ainda não há nada fechado.
Em que outros partidos o senhor busca apoio? Não temos mais aquela restrição que o antigo PFL nos impunha, de ter que coligar apenas com partidos da oposição ao governo federal. A nossa expectativa é formar uma aliança bastante forte para enfrentar essa eleição. Temos contato próximo com o PSB e continuamos conversando abertamente com outras siglas.
Que temas pretende discutir durante a campanha? Florianópolis é uma cidade abençoada, mas temos observado que sua situação é pior em relação ao que era há cinco ou dez anos. Isso faz com que a população olhe para o futuro com certa insegurança. Então a primeira coisa que precisamos fazer é devolver ao cidadão essa confiança no futuro da capital.
Como? O primeiro passo é enfrentar o desordenamento da cidade. A cidade está crescendo sem infra-estrutura básica de saneamento ou transporte, sem olhar para a sustentabilidade. Então precisamos de um Plano Diretor capaz de orientar o seu crescimento. O segundo ponto é mobilidade urbana. Florianópolis ostenta o título de pior capital nesse quesito. Não podemos encarar essa questão a não ser com investimentos grandes em transporte coletivo. A terceira questão é encorajar a cidade a abraçar aquilo que ela tem de mais promissor, que é sua vocação de pólo da economia criativa, tecnologia, turismo e serviços. Tudo isso com a obrigação de manter nosso patrimônio natural.
Existe algum projeto nesse sentido? Na área de gestão pública, queremos trazer tecnologias mais modernas de gestão, que convidem o cidadão a participar. Um projeto desenvolvido com sucesso em outras cidades dá ao cidadão a possibilidade de tirar fotos com seu celular e enviá-las para a prefeitura. Com isso, cada cidadão pode ser um fiscal da prefeitura, que terá maior consciência dos pequenos problemas da cidade, aquele buraco na rua, o mato no terreno baldio, e por aí vai.
Como avalia a gestão do prefeito Dário Berger? Ele passou oito anos na administração. Conseguiu alguns avanços pontuais, mas a sensação é de que a cidade não sabe para onde vai. Quem vinha para Florianópolis buscar qualidade de vida começa a enxergar que já não é bem assim, e o morador mais antigo percebe o quanto a cidade está mal cuidada.
Berger declarou ter se sentido traído pelo seu grupo, já que o apoiou a candidatura vitoriosa de Raimundo Colombo (PSD) para o governo do Estado. Olha, não se pode confundir a aliança municipal com a estadual. Houve uma aliança entre PMDB e Democratas para a eleição estadual, mas é impossível mantê-la em todos os municípios. Hoje, o PMDB faz oposição ao governador na Câmara. Decidimos disputar a prefeitura, e temos o aval do governador