
Registro de Geraldo Magela, da Agência Senado, na reunião da Comissão de Assuntos Econômicos do dia 17 de abril.
Duas das principais marcas do governo Luiz Henrique da Silveira (PMDB) estiveram em julgamento ontem em Brasília. No Senado, a Comissão de Assuntos Econômicos votava a resolução 72, que unifica as alíquotas de ICMS dos importados - o que fulminaria a agressiva política de incentivos fiscais para importadores que utilizassem portos catarinenses. No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o alvo era o próprio Luiz Henrique, réu em processo de cassação, mas o que estava na berlinda era o uso dos fundos de cultura, turismo e esporte em ano eleitoral.
Pois Luiz Henrique terminou a terça-feira com uma vitória e uma derrota, ambas expressivas.
No Senado, a base governista fez valer sua maioria e garantiu a vontade do Palácio do Planalto. A partir de 2013, as alíquotas de ICMS serão uniformizadas, dando fim à guerra dos portos - um dos principais pontos da guerra fiscal dos estados. Foram derrotadas também as tentativas da bancada catarinense, LHS à frente, de aprovar compensações ou a implantação gradual da medida. Resta aos catarinenses buscar soluções para enfrentar as perdas que virão e não esquecer de que a política adotada nos últimos oito anos é uma das responsáveis diretas pelo crescimento da economia catarinense no período. Ou seja, se pagou.
No TSE, o vento soprou a favor de Luiz Henrique, em ação que incluía seus suplentes e seu ex-secretário de Turismo, Cultura e Esporte, Gilmar Knaesel (PSDB). Iniciada pelo PP, a batalha contra o uso dos fundos de cultura, turismo e esporte em ano eleitoral foi abraçada pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pela vice-procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau.
Eram questionados os repasses feitos através dos fundos entre janeiro e março de 2010, quando Luiz Henrique ainda respondia pelo governo e Knaesel era seu secretário. Eles seriam uma forma de driblar a lei eleitoral, que proíbe repasses de recursos a entidades públicas e privadas com exceção de calamidades ou programas com lei específica e em vigor (um exemplo é a lei que destina recursos às Apaes). O MPE e Sandra Cureau também questionavam a falta de impessoalidade nos repasses, por conta da existência, atestada por funcionários do Tribunal de Contas do Estado (TCE), de uma "cota do governador", em que projetos escolhidos por Luiz Henrique teriam tramitação facilitada.
Com um voto contundente, o ministro Marcelo Ribeiro defendeu as leis que criaram o sistema de fundos, minimizou a potencialidade eleitoral dos eventos e entidades beneficiados e disse não existirem provas suficientes de direcionamento político dos recursos. O único voto divergente foi do ministro Marco Aurélio Mello, uma constante no TSE.
Se as teses fossem aceitas pelos ministros, Luiz Henrique e Knaesel teriam os mandatos cassados e ficariam inelegíveis por oito anos - mais o tempo de mandato ainda a cumprir. O subproduto dessa decisão, seria a inviabilização dos fundos de cultura, turismo e esporte, que não poderiam funcionar como política de Estado um ano sim, outro ano não. Dessa forma, o placar de 6 a 1 a favor de LHS também é um alívio para quem comanda ou comandou a gestão dos fundos após o governo do peemedebista.
O Estado está livre de ter que remodelar sua política de incentivo à cultura, esporte e turismo. É um legado de LHS que fica, apesar dos artistas acampados no Centro Integrado de Cultura.