Anda tão apertada a agenda do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que o executivo reclama de mal ter tempo para ir ao banheiro. Assim, a entrevista de mais de uma hora concedida no início da noite de sexta-feira a Zero Hora é uma preciosidade no momento em que a maior empresa do país enfrenta pesado tiroteio — de uma CPI a críticas de excesso de poder resultante das novas regras de exploração e produção de petróleo na camada pré-sal, ainda em discussão no Congresso.
Em uma rara visita a Porto Alegre, Gabrielli participou de um seminário na Assembleia Legislativa sobre as jazidas gigantes anunciadas nos últimos três anos e depois recebeu ZH numa sala do Sheraton, no bairro Moinhos de Vento — deslocamento que levou quase uma hora naquele dia de trânsito conturbado. De bom humor, apesar do cerco fechado, Gabrielli confessou que há uma "síndrome de perseguição" na terceira maior empresa de capital aberto da América Latina: — A Petrobras, como eu digo, é de certa forma uma Geni, o povo gosta de bater na Petrobras, é bom bater na Petrobras.
Veja aqui a entrevista em vídeo

Leia a íntegra da conversa:
Zero Hora - Para quanto podem aumentar os investimentos para os próximos cinco anos, já que o senhor já previu que devem ser maiores do que os US$ 174,4 bilhões entre 2009 e 2013?
José Sergio Gabrielli - Não tenho condições de responder. Temos cerca de 500 projetos acima de US$ 25 milhões cada um, e 3,5 mil abaixo de US$ 25 milhões. Então, além de atualizar pela inflação, precisamos rever cerca de 3,5 mil e 4 mil projetos. Cada um está numa etapa diferente — conclusão de contrato, fase inicial da contratação, em desenho, conclusão de projeto básico. Também há situações de mercado já determinadas, que são fáceis de antecipar e outras que exigem uma avaliação mais cuidadosa sobre perspectivas, se pode atrasar ou não, se os cronogramas vão ser cumpridos ou não. Ou seja, há um conjunto enorme de questões, temos algumas centenas de pessoas trabalhando nessa reavaliação, que só vai ser concluída quando terminar todo o processo.
ZH - Quando será concluído?
Gabrielli - Pretendemos divulgar isso no primeiro trimestre de 2010.
ZH - Mas será mais de US$ 174 bilhões nos próximos cinco anos a partir de 2010?
Gabrielli - Provavelmente mais de US$ 174 bilhões. Nós tentamos reduzir os custos mas muitos dos projetos que nós estamos fazendo são de águas profundas e como estamos mantendo a demanda, torna-se mais difícil reduzir o custo simultaneamente. Provavelmente, no próximo plano de investimentos isso trará o impacto do aumento de custo, mas não só aumento de custos, também temos novos projetos e atualização de orçamentos.
ZH - Quando a Petrobras anunciou o plano de US$ 174 bilhões, houve ceticismo e especulação de que teria havido pressão do governo para manter o investimento elevado em meio à crise. Naquele momento, foi arriscado manter esse investimento?
Gabrielli - Não, naquele momento foi uma decisão de fazer o investimento em função de haver, primeiro, uma perspectiva de crescimento da produção e, segundo, de aumento da capacidade de refino. No entanto, nós tínhamos ali duas condicionalidades. Nós dissemosm, se conseguissemos captar US$ 30 bilhões e se o preço do petróleo ficasse na faixa de US$ 65, estaríamos financiados sem problema. Se o preço do petróleo fosse de US$ 45, estaríamos financiados por dois anos. Desde então, captamos um volume extraordinário, de janeiro a maio de 2009, captamos praticamente US$ 30 bilhões. É uma coisa extraordinária termos captado isso em plena crise, certo? Hoje nós estamos tranquilos, quer dizer, o plano atual é perfeitamente financiado nos próximos cinco anos. Se vai ser mais, e provavelmente será mais, nós temos pela frente ainda uma capitalização que talvez permita não necessitar de nenhuma dívida nova.
ZH - O objetivo é completar a capitalização no primeiro semestre?
Gabrielli - É para ser no primeiro semestre.
ZH - Desse volume de US$ 174 bilhões, a previsão era que US$ 10 bilhões viessem para o Sul. Quais os principais projetos para o Rio Grande do Sul? Gabrielli - O programa de investimentos é de US$ 2,680 bilhões.
ZH - É basicamente indústria naval?
Gabrielli - Envolve cascos e as plataformas P-55 e P-63, sistema de drenagem, sistema de tancagem, terminal de terra e em qualidade.
ZH - Por que o contrato para a fabricação dos oito cascos ainda não foi assinado com a Engevix/GVA, que venceu a licitação?
Gabrielli - Olha, eu não tenho muita certeza de como é que anda esse processo. Depois do resultado da licitação, vêm os advogados, vêm as questões técnicas, e aí o processo burocrático eu não acompanho. Geralmente o que acontece é detalhe de advogado. Esses contratos têm 600, 800 cláusulas.
ZH - Quando deve começar a construção desses cascos em Rio Grande?
Gabrielli - O problema principal é que os cascos são usados em diferentes consórcios, que são diferentes entre si, então precisam aceitar custos, tem que aprovar projetos. São coisas simples, mas levam tempo porque os consórcios é que vão usar os cascos na produção mais tarde.
ZH - Está havendo um esforço em Brasília deslanchar a votação na Câmara dos Deputados dos projetos das novas regras para o pré-sal. Há risco de atraso caso a questão avance para discussão num ano eleitoral?
Gabrielli - Não, não acredito não. Na verdade, nossa expectativa é a de que estivesse no Senado no primeiro trimestre de 2010 e, na Câmara, votasse até o final do ano. Estamos esperando que seja votado ainda na Câmara, não vejo porque que não seja votado. É uma decisão da liderança do Congresso, mas não vejo porque não votar, praticamente os elementos centrais do acordo estão definidos.
ZH - Não há temor de que a votação fique mais difícil no meio da campanha?
Gabrielli - Não, se tivermos problema de atraso na votação, digamos que vai atrasar mais um ano, não tem problema, porque nosso plano de investimentos não inclui as áreas novas, ainda não concedidas do pré-sal. É todo baseado nas áreas já concedidas. Então o que vai acontecer é que nós vamos demorar mais. E isso é só uma hipótese, você não pode raciocinar, ainda estamos em tempo, o ano legislativo ainda não terminou.
ZH - O senhor considerou justo o acordo?
Gabrielli - Eu, como presidente da Petrobras, não tenho que comentar, porque independe de para quem tenhamos de pagar, vamos pagar os royalties previstos. ZH - A União vai receber menos, no final da contas? Gabrielli - Do ponto de vista da União, do ponto de vista do fundo social, há uma redução dos royalties que vão ser redistribuídos para os Estados, é uma decisão que a União e os Estados tomam. Para a empresa produtora, para empresa que participa do processo industrial de produção é indiferente, pagará de qualquer maneira para quem quer que seja.
ZH - Mas a União também vai receber muito mais com o modelo de partilha, não?
Gabrielli - Sim, mas nisso também há uma compensação, o modelo de partilha envolve o reembolso do custo da extração. Se o custo cresce, a partilha diminui. A partilha se baseia numa percentagem do lucro que é além do custo.
ZH - Mas em comparação ao modelo atual, de concessão, a partilha dá mais dinheiro para a União, não?
Gabrielli - Ah, do que a concessão, com certeza. A partilha tem mais recurso para a União. ZH - O problema é que a cada acordo, surge uma nova polêmica, não? Gabrielli - Isso é um risco, mas também, na medida em que a eleição se aproxima, as atenções para o Congresso aumentam. Pode haver também uma fração da sociedade que tenha essa noção, de cobrar uma solução. Pode haver as duas coisas também, pode ter uma ação parlamentar que seja contra, mas pode ter também uma fração da sociedade que pressione a favor.
ZH - O senhor vê essa mobilização?
Gabrielli - Não, não tenho nenhuma avaliação hoje. Acredito que processo parlamentar vá resolver a questão até o primeiro semestre de 2010, essa é a minha expectativa do processo parlamentar normal, incluindo aí que em 2010 tem eleição, no final do ano.
ZH - Para a Petrobras, não foi mais confortável que a polêmica tenha se centrado na divisão dos royalties entre os Estados, em vez de focar o que foi apontado por críticos como um excesso de concentração de poder na empresa, que com a capitalização tende a se tornar ainda mais estatal?
Gabrielli - Não, não tem porque ficar mais ou menos confortável. A Petrobras tem a visão de que é a melhor operadora para o pré-sal. É a empresa que mais conhece, a Petrobras é de fato a melhor operadora do mundo em águas profundas. Tem capacidade técnica, capacidade financeira, capacidade de gestão para viabilizar esse pré-sal. Depois, a Petrobras tem condições de atrair e tem parceiros internacionais na área de petróleo que estão interessados em trabalhar conosco e que têm confiança na operação da Petrobras. A Petrobras tem condições de acelerar a montagem da infraestrutura do setor nacional. Então, há uma série de vantagens para ser a operadora que tem a maior eficácia, tanto nas áreas da Bacia de Santos, onde a infraestrutura é nova e precisa ser toda construída, como na Bacia de Campos, onde a infraestrutura já está construída e é da Petrobras. É a melhor resolução para o problema. Então a Petrobras ser operadora única é uma saída econômica adequada ao país.
ZH - Mas as críticas...
Gabrielli (interrompendo) - Eu sei, eu vou chegar lá. É óbvio. Se não houvesse crítica, a Petrobras não seria a Petrobras. Tem críticas todos os dias, todos os dias tem críticas nos jornais, isso é inevitável.
ZH - Mas vocês não acham que são perseguidos, não é?
Gabrielli - Um pouco de síndrome de perseguição, tem. A Petrobras, como eu digo, é de certa forma uma Geni, o povo gosta de bater na Petrobras, é bom bater na Petrobras.
ZH - Por que é bom bater na Petrobras?
Gabrielli - Ah, porque dá ibope, né?
ZH - Por que é a maior companhia, porque está na onda do pré-sal?
Gabrielli - Eu acho que haverá essa discussão, sobre o mérito da partilha frente à concessão, sobre o papel da Petrobras versus o papel das outras empresas, a possibilidade de discussão sobre constitucionalidade ou não do projeto de mudança, como vai ser o processo de implementação do conteúdo nacional. Esse debate vai ocorrer, mais cedo ou mais tarde, na Câmara ou no Senado. Não tem como prever esses debates, se vão ser mais intensos ou menos intensos, se os jornais vão cobrir ou não vão cobrir. O que não dá para negar é que a questão federativa é um elemento fundamental, isso existe, é fato. O Rio Grande do Sul tem muita experiência muito grande sobre isso, a Revolução Farroupilha, as questões federativas do Rio Grande do Sul. Na Bahia também as questões federativas são muito importantes, não há dúvida. Quando se discute um volume gigantesco de nova renda tributária, mesmo que se esteja discutindo uma coisa que vai acontecer em 2015, 2016, você não vai querer sair perdendo. Hoje, é objetivamente claro que houve uma radicalização entre os Estados produtores e não produtores, provocada principalmente pelo Rio de Janeiro. Essa radicalização provocou a radicalização da bancada do Nordeste, e o tema se colocou como tema nacional de grande polêmica, e a imprensa cobriu porque dá mais atenção, mais interesse.
ZH - Mas a questão também interessa a quem vai estar no poder em 2014, 2015, 2016...
Gabrielli - É uma questão que interessa a todos, claro. Agora, qual é o conceito fundamental da apropriação da renda tributária que o governo fez? A proposta do governo tem uma lógica, tem uma consistência fantástica. Das contribuições governamentais, tirou as participações especiais, porque não tem sentido na partilha ter participação especial, pegou os royalties, uma parcela do lucro que vai para União e tira do orçamento, coloca num fundo esse recurso. Então, com isso, tira do uso regular e vai para um fundo específico. Não é um fundo que vai para uma aplicação única, vai alimentar a acumulação e a poupança a longo prazo. Vai servir para duas coisas: primeiro para financiar projetos de investimento rentáveis e também reduzir o efeito de valorização acelerada ou apreciação acelerada do real, na medida em que eu pego as divisas que entrarem (com a venda do petróleo) e mantenho fora do país, e diminuo portanto a apreciação do real, certo?
ZH - Esse é um risco considerável, não?
Gabrielli - Por outro lado, o rendimento desse fundo será aplicado em algumas coisas, como no combate à pobreza, na melhoria da educação, na melhoria das condições de saúde, na melhoria das condições de cultura, na infraestrutura de inovação tecnológica e ambiente. Então o governo define como capitalizar o recurso, qual é o volume do recurso e onde aplicar esse recurso.
ZH - Então como a questão dos royalties tende a ser solucionada, pode ser que no próximo ano se volte a discutir outros pontos polêmicos?
Gabrielli - O próprio processo legislativo é distinto do Senado. Na Câmara, os projetos são discutidos um a um. No Senado é diferente, a discussão se dá nas comissões permanentes. Vai se focar na questão de constitucionalidade, é outra abordagem. Então uma discussão entre senadores, que são representantes dos Estados e não dos governos, tem uma lógica distinta, então o debate vai ser outro. Acho difícil que não haja outros debates no Senado. O povo brasileiro sabe que ninguém faz uma coisa dessas de um dia para o outro. A Petrobras descobriu o pré-sal, mas é um processo. Ninguém perfura um poço a 300 quilômetros de distância da costa, sob 2 mil metros de água, passa 3 mil metros de rocha com 2 mil metros de sal para achar petróleo só baseado na sorte. É preciso muito estudo, muita análise, muita tecnologia, muito conhecimento e assumir risco, porque o primeiro poço custou US$ 240 milhões.
ZH - Essa tecnologia de fato poderá alcançar vários segmentos da indústria, por meio da exigência de conteúdo nacional mínimo?
Gabrielli - Em 2003 começamos com 57%. Hoje nós estamos pedindo 67% e estamos obtendo 74%. Ou seja, conseguimos ter mais conteúdo nacional do que queríamos.
ZH - Essa é uma tendência?
Gabrielli - É a tendência, temos a nossa visão. Estamos aumentando nossa meta, o conteúdo nacional requerido, mas a indústria vai atender mais, porque a capacidade da indústria brasileira entra num movimento de autoalimentação.
ZH - Esse efeito já começou e devem se intensificar a partir de agora?
Gabrielli - Acho que sim. Claro que nós temos hoje uma demanda em alguns setores que está quase atingindo a capacidade instalada, é preciso elevar a capacidade instalada não só no Brasil, no mundo. No caso das sondas, queremos que esse aumento de capacidade adicional seja feito no Brasil. Então estamos com uma licitação aberta para construção de 28 sondas no Brasil, sendo sete que serão compradas por nós diretamente com 48 meses para entregar a primeira, duas serão compradas por nós com 40 meses para entregar a primeira, e 19 que serão afretadas de terceiros com contrato conosco para entregar 48 meses a primeira.
ZH - É uma licitação nacional?
Gabrielli - Licitações nacionais e internacionais, mas a exigência é construir no Brasil, então com isso estamos usando uma escala de construção. Cada sonda dessas custa de US$ 600 a 800 milhões. Não tem nenhuma licitação desse tamanho no mundo nesse momento. Nós vamos fazer aqui 72 navios, vamos precisar de 146 barcos de apoio, então é um conjunto de demanda que afeta o mundo. Queremos apenas que esse crescimento seja no Brasil.
ZH - A Petrobras pensa em novas aquisições?
Gabrielli - Não, nossa estratégia é de crescimento orgânico. Aquisição de empresa é oportunística, ocorre quando a gente tem uma oportunidade. O plano estratégico se faz em torno do objetivo orgânico que a gente tem.
ZH - Há muitos ativos depreciados hoje, em decorrência da crise.
Gabrielli - Mas também tem muita porcaria disponível (risos). A grande força da Petrobras é o crescimento orgânico, é o crescimento com base nos seus próprios ativos e na capacidade de crescer. Nós fazemos grandes associações e grandes parcerias. Nesse momento, estou muito entusiasmado com um programa que envolve hoje 50 redes temáticas com universidades brasileiras que desenvolvam a capacidade de desenvolvimento de pesquisas empíricas, laboratórios e capacidade de processamento computacional que vai dar ao sistema de ciência e tecnologia brasileiro uma capacidade gigantesca, no primeiro momento na área de petróleo e gás, mas depois vai beneficiar o conjunto da economia brasileira. Temos algumas centenas de pesquisadores envolvidos nisso, milhares de estudantes, com laboratórios de altíssimo nível montados, funcionando, e laboratório básico de ciência empírica.
ZH - Toda essa movimentação gera algum grau de Petrobras-dependência? Aumenta o risco da maldição do petróleo?
Gabrielli - Não vejo esse risco crescer por duas razões muito importantes. Felizmente para nós, a Petrobras, diferentemente das outras empresas de petróleo, teve de encontrar petróleo. As outras surgiram em cima de descobertas já realizadas ou de processos de nacionalização de reservas já existentes. A Petrobras surgiu produzindo 2 mil, 2,3 mil barris por dia e hoje produz 2,3 milhões de barris por dia às próprias custas, com desenvolvimento tecnológico, com capacitação teconológica, do conhecimento geológico, do conhecimento empírico, do aprender fazendo.
ZH - E um pouco de sorte para encontrar petróleo...
Gabrielli - Só um pouquinho. Não é fácil ter essa sorte. Se fosse, outros achavam. Além disso, diferentemente de outras grandes empresas de petróleo no mundo, a Petrobras é grande na economia brasileira, não tem dúvida. Mas é 6,5% das exportações, 6% das importações, é a maior contribuinte de impostos, mas representa 12,5%, é muito importante no PIB brasileiro, mas é 5% a 6%. A cadeia toda de petróleo e gás vai chegar provavelmente a 10% do PIB. Mas é 10%, não 70% do PIB, 80% da arrecadação do governo, como em outros países. O programa que está sendo apresentado é de fortalecimento da indústria nacional. Então há muitos elementos que impedem a expansão desse risco. Que ele existe, existe, não há dúvida. Vai depender muito fortemente da velocidade da área nova que será colocada à disposição. Um elemento chave para colocar novas áreas vai ser a capacidade da indústria nacional responder. Se for muito rápido, a indústria não tem condições. Aí vai buscar importar mais produtos, e aí sim o risco cresce.
ZH — Outra preocupação relativa ao pré-sal é no aspecto geopolítico. As descobertas têm justificado até o aumento dos gastos com defesa. Mas isso é necessário, num momento em que o mundo tenta reduzir sua dependência do petróleo?
Gabrielli — Primeiro, eu não concordo que o mundo esteja deixando de ser dependente de petróleo. Nossa visão hoje é de que na crise energética mundial o petróleo representa 33%, petróleo, gás natural e carvão representam ao todo 70% da oferta primária de energia no mundo. Nossa visão é de que, em 2030, o petróleo vá cair de 33% para 28%, são cinco pontos, mas o volume de demanda física em 2030 será maior, portanto você precisará entre 28 milhões e 34 milhões de barris de petróleo por dia de produção a mais, apenas para cobrir a demanda. Então haverá uma demanda física, de novos barris, extremamente alta até 2030. Não vemos nenhum cenário em que a demanda vá cair fisicamente até 2030. O consumo de biocombustíveis vai crescer mais de 100%, vai sair de 0,4% para 0,9% (risos).
ZH — Aliás, desde o pré-sal não falou mais em biocombustíveis.
Gabrielli — Vocês não falaram, nós continuamos. O nosso presidente Rossetto (o gaúcho Miguel Rossetto, que preside a Petrobras Biocombustíveis) continua lá, desenvolvendo todos os projetos. A imprensa deixou de cobrir.
ZH — Mas não perdeu um pouco da prioridade?
Gabrielli — Não perdeu nada, nós mantemos nosso investimento, de US$ 2,8 bilhões até 2013, estamos aumentando a nossa produção de biodiesel, vamos dobrar nossa capacidade de produção no próximo ano, vamos aumentar a nossa presença na produção de etanol, estamos intensificando nossa capacidade de exportação. Este ano, 11% da exportação brasileira de etanol é da Petrobras, estamos ativíssimos na área, estamos com várias negociações de aquisição na área de etanol. A imprensa deixou de prestar atenção.
ZH — Não passou para o segundo plano?
Gabrielli — Para nós, não. Criamos uma empresa chamada Petrobras Biocombustível que é exatamente para dar o foco naquela empresa e não perder prioridade na área de biocombustível.
ZH — Não se ouve mais falar, por exemplo, no HBio...
Gabrielli — Está pronto. A grande vantagem do projeto HBio é um processo tecnológico, você usa óleo degomante de soja e produz um biodiesel de alta qualidade. Qual é a grande vantagem? Você só usa se precisar, e se o preço da soja for adequado. Porque o investimento necessário é muito pequeno em relação à capacidade de hidrotratamento já instalada nas refinarias. A tecnologia está patenteada, mas só entra no momento em que for interessante.
ZH — E o risco geopolítico das descobertas, existe ou não?
Gabrielli — Se vai haver demanda de petróleo, qual é a distribuição geográfica da demanda de petróleo, essa que é a questão chave. Os maiores importadores de petróleo do mundo são os EUA, Europa, Japão, a China é grande consumidora de petróleo. Países desenvolvidos em geral são grandes importadores de petróleo. Quem são os grandes produtores de petróleo? Primeiro, o maior produtor de petróleo no mundo, hoje é a Rússia, Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait, Venezuela, Nigéria. O Brasil vai se tornar também um grande produtor.
ZH — A companhia é um tanto desconfortável...
Gabrielli — Então evidentemente que você tem claramente um desequilíbrio geopolítico aí, de crise geopolítica em potencial. Os produtores são um determinado tipo de país, onde há uma complexidade industrial menor, as instituições democráticas são menos consolidadas, há instabilidades políticas claras, contratos são mais mutáveis. Os importadores são fortes militarmente, fortes economicamente e são intensos demandadores. A tensão entre esses dois grupos de países já explicou vários episódios de guerra no mundo, vários, não foi um só. Vários episódios de guerra nos últimos 100 anos no mundo são decorrentes exatamente do acesso ao petróleo. Esse fenômeno está fora do horizonte? Não acredito que esteja, temos hoje duas crises no mundo, importantes, todas duas de uma certa maneira relacionadas com o petróleo, tanto o Irã quanto o Iraque, estão relacionados ao petróleo. O Paquistão pode-se dizer até que também pode ter porque é uma rota de gás, que pode ser um problema. Então se tem hoje nas grandes crises no mundo uma presença de hidrocarbonetos. Na medida em que o Brasil vai se tornar uma grande fonte produtora, o Atlântico Sul vai se tornar uma área de atenção. No que se refere a essa potencialidade do futuro, quando vamos estar produzindo muito mais do que hoje, e como não estamos antecipando nenhuma redução da demanda, é provável que também teremos atenções e pressões geopolíticas, e pressão geopolítica, você combate fortalecendo sua base interna, fortalecendo sua base militar, fortalecendo suas alianças diplomáticas e fortalecendo sua capacidade econômica. É isso nós estamos fazendo, o Brasil está fazendo isso, está se fortalecendo em termos de relações diplomáticas, crescento fortemente internamente, está se protegendo na área da defesa e está se articulando em termos das diversas ações internacionais pra evitar ficar isolado e poder ser atacado facilmente.
ZH — Já se antevê um risco de ataque?
Gabrielli — Não, não vejo isso como um risco. Depois vão colocar na manchete do jornal: Gabrielli vê risco... (risos) O que quero dizer aqui é que, analisando a longo prazo, vamos atrair atenção, porque vamos crescer como fonte produtora. Não é à toa que conseguimos US$ 10 bilhões dos chineses e um contrato de 200 mil barris por dia para o Japão, e os Estados Unidos nos deram US$ 2 bilhões no mesmo semestre.
ZH — O Brasil vai a que posição entre os produtores quando usufruir do pré-sal?
Gabrielli — Isso depende da quantidade de petróleo que se tem no pré-sal. Ninguém sabe, não tem como saber. Em quatro áreas, temos de 10 a 16 bilhões de barris, mas olha o tamanho dessas quatro áreas em relação à enorme área que ninguém conhece. É bem menos de 5%. Provavelmente tem muito mais, agora, quanto, não sei.
ZH — Por que não interessa ao Brasil entrar na Opep?
Gabrielli — Não é uma questão de não interessar. A Opep é uma organização de exportadores de petróleo cru, o que significa não refinado. Nós estamos construindo cinco novas refinarias e vamos estar com disponibilidade não de petróleo cru, mas de diesel, querosene de aviação, gasolina, GLP, nafta, lubrificantes, óleo de navio, que têm mais valor adicionado.
ZH — Essas cinco refinarias estão dando uma dor de cabeça extra à Petrobras?
Gabrielli — Sim, porque fazer cinco refinarias depois de o país ter feito a última refinaria em 1980 é preciso ativar segmentos da indústria desativados há 20 anos, 30 anos. Quando você vem com cinco refinarias no mesmo momento, a negociação é difícil. Assinamos há pouco cinco contratos da refinaria Abreu e Lima, de R$ 9 bilhões, alguns deles rebidados três vezes. O mercado está aquecido, quando você vai manter investimento, você tem rebida, anula a licitação, contrata de novo, negocia, redefine o escopo, aí o tempo passa, a negociação é tensa, faz parte da vida.
ZH — E o valor do investimento vai aumentando?
Gabrielli — Ou não, ou vai diminuindo, depende. Para o investimento crescer ou não, depende de várias coisas, depende do escopo definido, da capacidade do sistema responder no prazo, de como andam os outros projetos em relação àquele segmento que você está usando. Não é uma resposta simples de que o investimento sempre está crescendo. Não necessariamente, alguns projetos vieram abaixo do que se esperava. Vários, vários, vários.
ZH — Havia a expectativa de que quando o petróleo baixasse dos quase US$ 150 a que chegou, os custos também baixassem, mas isso não ocorreu?
Gabrielli — Claro, por que não caiu? Porque em alguns segmentos, nós continuamos comprando, e a demanda não caiu. A Petrobras não é a única, as grandes empresas de petróleo mantiveram os investimentos, não reduziram. Só as pequenas e, das grandes, só a BP teve uma redução porque já tinha feito aquisições grandes no ano passado, então ela deu uma freada no investimento. Então navios, sondas, árvores de natal molhadas, tubulações submersas, válvulas de controle de pressão continuaram sendo comprados. Então, quem produz isso diz `olha, meu amigo, você continua comprando, por que eu vou baixar preço`?
ZH — Mas na época, se justificava o custo elevado pelo preço alto do barril...
Gabrielli — Mas é bom lembrar também que isso não é de agora. Lembro bem que fui para um encontro muito importante em Houston, chamado OTC, em 2005 o grande debate lá era como as empresas de petróleo estavam ganhando muito, enquanto que as fornecedoras de serviços estavam ganhando pouco. Quando voltei em 2007, a situação era exatamente inversa. Aí o preço do petróleo continuou subindo e, por um dia, durante 10 minutos, ficou US$ 147 e virou um marco como se fosse do ano todo. Foi um dia, durante 10 minutos. Aí é evidente que o setor industrial fornecedor não acompanha isso instantaneamente, mas você passa a ter em alguns segmentos queda de preço, menor do que caiu o preço do petróleo. E lembro que o preço do petróleo caiu para US$ 33 no dia 31 de dezembro de 2008. Sei disso porque as reservas são calculadas pelo preço do petróleo no dia 31 de dezembro. O valor do petróleo afeta a reserva, porque reserva não é um conceito físico, é um conceito econômico. Como a reserva foi para US$ 33, estava perdendo reserva porque tem reserva que não é viável a US$ 33, então deixa de ser reserva. Várias empresas perderam reserva, nós não.
ZH — Quando esses 10 bilhões ou 16 bilhões de barris já estimados podem se transformar oficialmente em reserva?
Gabrielli — Tecnicamente, só pode ser reserva depois de declarada a comercialidade. Significa que vou ligar o taxímetro para contar o tempo de produção. Se não começar, eu perco. Então só vou ligar o taxímetro se for andar.
ZH — A gasolina vai ser mais barata agora que o Brasil nada em petróleo?
Gabrielli — Não tem nada uma coisa a ver com outra. Porque o país é aberto, hoje qualquer pessoa pode importar gasolina, diesel e GLP.
ZH — Em termos legais ou econômicos?
Gabrielli — Aconteceu isso há um ano. Se você mantém o preço no Brasil muito acima do preço internacional, por algum tempo, com certa estabilidade no preço internacional futuro, porque quando você compra um navio de diesel você não paga o preço do momento em que você comprou, você paga no momento em que chegou aqui. Se o preço está estável, se o câmbio está estável, e se os preços estão por muito tempo acima do internacional, você vai ter importação de diesel para oferecer ao mercado nacional. Você vai ter importação pelo Rio Grande do Sul, vai ter importação pelo norte do Brasil, principalmente. Vai ter no Brasil todo, porque nada impede a importação. Por que alguém que pode comprar mais barato lá fora vai comprar aqui dentro mais caro, não tem lógica?
ZH — Mas há dificuldade de logística, o preço de frete...
Gabrielli — É claro que tem de incluir todos os custos... E se você mantiver abaixo do preço internacional, o que vai acontecer? Alguém vai comprar da sua mão, vai exportar. Não tem sentido, não vai ficar aqui. Você só consegue manter o preço isolado se você tiver um país isolado. Não tem como, o preço do petróleo, nunca, em nenhum lugar do mundo, é definido pelo custo de produção. É definido pelo preço internacional ou por uma decisão de governo que faz o subsídio ou cobra excedente. Só é possível fazer isso se você isola o Brasil. Veja o que acontece na fronteira, quando o preço do vizinho está baixo.
ZH — Nos últimos anos, houve uma flutuação mais acentuada nos preço internacional de petróleo, mas analistas do setor apontam que este governo interferiu mais nos preços do que o governo anterior.
Gabrielli — Nós deliberamos, fizemos uma política de preços na Petrobras deliberada e anunciada. Eu canso de fazer isso, há seis anos e 11 meses falo isso sempre que encontro a imprensa. Não vamos repassar para o mercado brasileiro as flutuações de curto prazo do mercado internacional. Vamos manter uma relação do preço da gasolina, diesel e GLP no Brasil com o mercado internacional de longo prazo. No caso do GLP mais ainda, não alteramos desde janeiro de 2003. É R$ 11 por 13 quilos há seis anos e 11 meses.
ZH — Esse é um preço controlado?
Gabrielli — Esse é um preço que nós estamos controlando, estamos segurando essa diferença. É claro que tem um subsídio cruzado aqui dentro. Então o que fizemos. Se você olhar retrospectivamente esses seis anos e 11 meses, e somar as áreas em que nós estivemos acima do preço internacional e abater as áreas em que nós estivemos abaixo do preço internacional, vamos ficar mais ou menos em zero a zero. Aliás, fomos elogiados pelo FMI por essa política de preços.
ZH — O senhor será candidato em 2010?
Gabrielli — Não serei candidato, pode dizer com todas as palavras. Eu fico revoltado com essa pergunta.
ZH — Mas sua candidatura a senador pela Bahia era considerada certa...
Gabrielli — Desmentida categoricamente por mim e pelo diretório do Partidos dos Trabalhadores. Mais do que isso não pode ser desmentida.
ZH — Por que não?
Gabrielli — Eu não quero. Já fui candidato a várias coisas: a governador, a vice-prefeito, a deputado federal. A última vez em que fui candidato foi em 1990. Não pretendo ser candidato de novo.
ZH — A carreira executiva é mais interessante?
Gabrielli — Não, eu sou professor, estou executivo. Eu sou professor concursado de Macroeconomia na Universidade Federal da Bahia.
ZH — Mas o pré-sal vai se transformar em bandeira eleitoral para o governo, não?
Gabrielli — Olha, não é uma bandeira para o governo, é uma bandeira para o país. O presidente Lula quando apresenta isso, não pode estar pensando no governo, porque o efeito disso é de 10, 15, 20 anos, não é para um governo de quatro anos. A indústria de petróleo não pode pensar em quatros anos. Um poço de petróleo, entre o momento que você descobre e o primeiro óleo, leva sete, oito anos. Uma refinaria leva seis, sete anos para se fazer, um gasoduto leva três, quatro anos para ser feito, uma unidade técnica leva três anos. Nada é de curto prazo. Quando você fala num pré-sal em que 72% da área é desconhecida, você vai ter 10, 12 anos para conhecer.
ZH — Quando vamos conhecer?
Gabrielli — Para conhecer é preciso fazer sísmica, que é equivalente a um ultrassom. Hoje há sísmica 3D, que é mais sofisticada. Você pode com a sísmica fazer o contorno, identificar possibilidades, mas tem que perfurar. Não tem jeito, tem ir para o fundo do poço, tirar de lá o testemunho e saber se lá tem petróleo. Só se sabe petróleo na ponta da broca, como diz o povo lá. Um poço custa de US$ 60 milhões a US$ 100 milhões, leva 3 a 4 meses para perfurar, e estamos falando numa área enorme. Leva anos. Na indústria de petróleo, tudo é probabilístico. Só se sabe o tamanho da reserva depois que produz o último barril.
ZH — Como está a disputa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina pelo terceiro terminal de regaseificação de gás liquefeito do país?
Gabrielli — Estamos finalizando os estudos, e provavelmente Santa Catarina está na frente, porque do ponto de vista logística é melhor colocar mais ao Norte do que ao Sul.
ZH — E essa definição vai sair quando?
Gabrielli — Em breve, assim que terminarem os estudos, não tem um prazo pré-determinado. Há outras alternativas para o Rio Grande do Sul, outro tipo de alimentação.
ZH — O projeto de GNL embarcado pode mudar a configuração desse segmento?
Gabrielli — Pode mudar substancialmente. Tem duas coisas hoje que podem mudar o segmento de gás natural. Uma é a tecnologia de gás de rocha, que está sendo desenvolvida nos EUA, hoje responsável pela enorme separação entre o preço do gás e o preço do petróleo no mundo. Se for um sucesso, como parece, vai fazer com que o preço do GNL mundial caia, no longo prazo, e a estrutura do mercado de gás vai se alterar. Então, o gás que hoje é transportado 85% via gasoduto, via GNL vai se transformar em termos relativos. Estamos estudando uma planta flutuante para liquefazer gás natural para ter mais flexibilidade. Em vez de ter um duto trazendo gás para o solo, podemos trazer de navio para onde tiver terminal, ou exportar. Se vai ser viável ou não, vamos levar um ano ainda para saber.
ZH — Isso abre possibilidade de pontilhar o litoral brasileiro de plantas de regaseificação?
Gabrielli — É, mas não sei se vale a pena porque a partir de março vamos ter um gasoduto que liga o Ceará ao Rio Grande do Sul, o Gasene. Não precisa ter planta em todos os lugares.
ZH — A capitalização da Petrobras ainda vai render muita dor de cabeça?
Gabrielli — O processo que o governo está apresentando envolve duas operações distintas. De um lado, o governo está dizendo: `estou disposto a oferecer à Petrobras até 5 bilhões de barris para que a Petrobras explore e desenvolva, e a Petrobras vai me pagar por isso`. Quanto a Petrobras vai pagar? O valor presente líquido dos barris, levando em conta o custo para desenvolver, o risco do desenvolvimento, levando em conta a capacidade produtiva dos reservatórios. Portanto tem que ser localizado, não pode ser em tese. ZH — Isso não é valor de mercado?
Gabrielli — É valor de mercado sim, mas valor de reserva, não valor de produção. Tem centenas de operações como essa sendo feitas por ano. Em 2008, foram 134 operações de compra e venda de reservas, com preços do barril variando entre US$ 5 e US$ 18, em vários lugares do mundo. Tivemos 94 no primeiro semestre deste ano. É uma operação normal. Então, vai exigir perfuração de poços, já iniciamos a perfuração de poços na vizinhança de Iara, com autorização da ANP, para localizar essas áreas. Mas como é que nós vamos pagar, porque isso é muito caro. São 5 bilhões de barris, não é uma coisa trivial. Vamos emitir ações e vender, não no mercado geral, vamos vender ações ao atuais acionistas, que vão pagar essas ações usando dinheiro e títulos públicos. Então vamos pegar o dinheiro e os títulos públicos, parte vai para o caixa, e outra vai pagar o governo. Então são duas operações distintas, com o direito de todos os acionistas assegurados, na proporção que têm do capital. É claro que alguns podem não exercer, porque não têm dinheiro, é uma opção deles. Nesse caso, o governo aumenta a proporção, se os acionistas não exercerem, mas é consequência das regras do jogo, não tem nada de excepcional.
ZH — O efeito líquido mais provável não será o aumento da participação da União na Petrobras?
Gabrielli — Não, depende de como os acionistas vão se comportar.
ZH — Acionistas minoritários que têm participação na Petrobras por meio do fundo de garantia terão dificuldades para comprar sua parte, já que o governo não vai autorizar novamente o uso do fundo, não?
Gabrielli — São 2% do total que estão com o FGTS, eles vão poder exercer. É 2,1%. Eles têm direito de exercer. Por que não podem exercer com o dinheiro do FGTS? Por duas razões: primeiro porque se você der o direito que eles tiveram no passado você vai aumentar a diferença deles entre os cotistas do FGTS, os que já estão, daqueles outros. Se abrir para todos os cotistas do FGTS, você vai criar uma diferença entre os detentores de FGTS e os outros acionistas, que não pode fazer, porque não vai ter oferta para outros que não os atuais acionistas. É um problema de equanimidade, todos têm de ter os mesmos direitos.
Postado por Bela Hammes