Apesar dos esforços dos empresários do setor calçadista, não houve alteração na atitude do governo argentino, que continua a não liberar as licenças de importação para que os calçados brasileiros entrem nas suas fronteiras. Segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) junto aos seus afiliados, até sexta-feira, exatos 3.518.704 pares de calçados aguardavam o aceite do sistema aduaneiro da Argentina. Em valores, os 3,5 milhões de pares representam US$ 39,2 milhões.
Ainda na sexta-feira passada, o deputado federal Renato Molling, que lidera a Frente Parlamentar em Defesa dos Setores Coureiro-Calçadista e Moveleiro, fez um apelo ao Ministério do Desenvolvimento por um posicionamento do Governo quanto à expectativa da liberação das licenças, para que a indústria possa ter garantias para efetivar seus negócios.
— Passamos o dia em contato com o MDIC para que essa situação fosse resolvida definitivamente. Precisamos de ações efetivas e não expectativas frustradas — comentou em e-mail enviado à Abicalçados.
O levantamento da entidade apontou ainda que do dia 30 de setembro a 7 de outubro, apenas 98,6 mil pares foram liberados e 7,5 mil foram cancelados.
— Estamos muito preocupados. O prejuízo é muito grande e as autoridades não estão conseguindo resolver — lamenta Rosnei Alfredo da Silva, diretor da Calçados Bibi (Parobé/RS).
Com o atraso das liberações, várias fábricas não conseguiram colocar os calçados nas vitrines argentinas a tempo para o Dia das Mães daquele país, que ocorre no próximo dia 16.

