O papa Bento XVI se não se arrependeu de ter levantado a excomunhão de quatro bispos lefebvrianos, da Fraternidade Pio X, já deve ter a certeza da precipitação.
Ontem, um dos contemplados, don Floriano Abrahamowicz, disse que as câmaras de gás serviam para desinfetar. E a sua postura anticristã não parou aí. Sustentou que o número de 6,0 milhões de hebreus exterminados é meramente simbólico, pois, quando se fala em genocídio, sempre há exageros.
Depois da repercussão negativa decorrente do levantamento da excomunhão, em especial do bispo lefebvriano Richard Williamson, que nega o Holocausto-Shoá, o papa Ratzinger condenou publicamente “todo negacionismo” e voltou a falar de “irmãos” hebreus: João Paulo II havia excomungado os quatro lefebvrianos em 1988 e chamara os hebreus de “irmãos mais velhos”.
Como destaquei em post anterior, a diplomacia vaticana, depois do ato de levantamento da excomunhão na antevéspera do Dia Internacional da Memória do Holocausto (27 de janeiro), atuou como bombeiro na tentativa de apagar o incêndio causado por Ratzinger. Coube ao cardeal Walter Kasper escrever uma resposta à carta-protesto do Rabinato de Israel, com a seriedade que o momento reclamava.
Enquanto a diplomacia vaticana comemorava o sucesso da reaproximação e do fim do incidente, com a retomada, pelo Rabinato, das conversações bilaterais suspensas, um outro foco de incêndio apareceu ontem.
O novo foco de incêndio deve-se à divisão dos lefebvrianos. Uma ala virulenta, que aproveita da visibilidade pós-levantamento da excomunhão, volta a atacar o papa Ratzinger e fala em “escandaloso erro ao ter o papa rezado numa mesquita islâmica”. Na segunda frente de ataque, o bispo Floriano Abrahamowicz, provoca os hebreus.
Em síntese, a ala lefebvriana radical apresenta-se como anti-semita, pois considera impura as mesquitas islâmicas e nega os extermínios dos hebreus.
Só para lembrar, o bispo Williamson negou o Holocausto e afirmou que nenhum hebreu morreu em câmara de gás, para ele inexistes nos campos de concentração. Williamson atua na Argentina na formação de novos lefebvrianos, para a Fraternidade fundada em 1970 pelo falecido cardeal Marcel Lefebvre.
Agora, o bispo Floriano Abrahamowicz, até então desconhecido internacionalmente, parte para reforçar o ataque de Williamson. E Floriano é da comunidade lefebvriana da região nordeste da Itália, onde, separatistas, querem a “independência da Padânia” (região do rio Pó) da República italiana. Os referidos separatistas se reúnem num partido político conhecido por Liga Norte, de perfil filo-fascista e que apóia, com os seus parlamentares, o governo direitista do premier Sílvio Berlusconi.
Fonte: Wálter Fanganiello Maierovitch, Terra
O único que posso acrescentar, é que o fato é lamentável e repudiavel, e suja a imagem dos bons irmãos católicos.
Postado por Prof. Guershon Kwasniewski



