Acontece-me, às vezes, de perceber nos pais uma espécie de medo, e apreensão diante da suspeita que um filho possa orientar-se ao Ministério Sacerdotal.
Mesmo os pais de seminaristas me fazem intuir a sua inquietude, como se perguntassem: "Mas que vida espera meu filho, se se tornar padre? Será feliz? Estará só?
Gostaria de respopnder que a vida do padre, a de hoje e de amanhã, como a de ontem, é uma vida cristã: por isso quem quiser ser um bom padre carregará a sua cruz a cada dia, como fazem vocês, pais, numa dedicação que não será sempre gratificada pelo reconhecimento e por resultados, num exercício de responsabilidade que encontrará também a crítica e a incompreensão, num acúmulo de compromissos e de exigêncas que será , às vezes, desgastante.
No entanto, parece-me, não se considerar o bastante aquilo que torna bela a vida de um padre, bela e feliz de um modo único.
O padre, de fato, vive sobretudo de relações: dedica o seu tempo às pessoas. Não cuida de coisas, de papeis, de dinheiro, a não ser secundariamente. Passa o seu tempo a encontrar gente: os idodos, crianças, jovens e dultos, os doentes e os sadios, aqueles que lhe querem bem e o ajudam, e aqueles que o criticam, zombam dele e até fazem cobranças. É uma existência humana extraordinária. Ele encontra as pessaos não para lhes vender alguma coisa, nem para obter alguma vantagem; não por curiosidade, nem como quem encontra um cliente, mas ele encontra as pessoas para cuidar delas, de sua vocação à alegria, do seu ser filhos de Deus. Ao padre as pessoas frequentemente abrem seu coração com uma confiança sem paralelo nas relações humanas, e nesta confiança é semeada a Palavra que diz a verdade, que abre a esperança eterna, que cura com o perdão.
O padre vive uma liberdade extraordinária: entregou-se a si mesmo à Igreja e por isso, se é coerente com sua vocação, não tem apreensões pelo seu futuro, não se apega às coisas, não vive na obsessão de enriquecer. Entregou-se a si mesmo na obediência a Deus, e justamente no exercitar esta obediência vive uma grande liberdade, dispõe de seu tempo para servir, dispõe das suas qualidades pessoais para ajudar a comunidade.
O padre celebra por si e pelas pessoas os mistérios da salvação: a obra de suas mãos não são produtos precários, fortunas expostas à incerta sorte das coisas humanas. Celebrando os Santos Mistérios oferece às pessoas a graça de entrar na vida eterna, a comunhão com Jesus. Mesmo que prestem pouca atenção à sua palavra, ainda que seja reduzido o número daqueles que procuram o Dom oferecido, o padre vive a certeza que o Reino de Deus vem exatamente assim, como a semente que morre para produzir muitos frutos. O padre, no fim de sua vida, olhando para trás, poderá sentir arrependimento por suas misérias e entristecer-se pela sua inadequação à missão recebida, mas não lhe faltará a incomparável consolação de ter oferecido aos homens o Pão da Vida eterna e os abraços do perdão de Deus.
Parece-me oportuno recordar aquilo que torna grande a vida do padre, para que a ênfase sobre as fadigas, o sublinhar das dificuldades, não obscureça esta forma esplêndida de vida cristã.
Para nós, católicos,o mês de agosto é o mês em que meditamos as diversas vocacões cristãs, para que possamos, de fato, vivê-las na fidelidade e na certeza de que o chamado de Deus exige uma resposta séria e consequente.
Postado por Porto Alegre - Pe. João Tadeu.








