Prof. Cléber Fontoura Marcolan
Sucót (do hebraico, cabanas) é um festival judaico que se inicia no dia 15 de Tishrei de acordo com o calendário judaico e tem duração de 8 dias. Também conhecido como Festa dos Tabernáculos ou Festa das Cabanas ou, ainda, Festa das colheitas visto que coincide com a estação das colheitas em Israel, no começo do Outono. A Torah determina que, durante sete dias, os judeus habitem em tendas, para que se lembrem que em cabanas habitaram os filhos de Israel quando Deus os redimiu da escravidão do Egito e lhes deu a Terra de Israel para que nela se fixassem (Vayicrá (Levítico), 23:39-44).
É uma das três maiores festas, conhecidas como Shalosh Regalim, onde o povo de Israel peregrinava para o Templo de Jerusalém.
Sucót relembra os 40 anos de êxodo dos judeus no deserto após a sua saída do Egito. Nesse período o povo judeu não tinha terra própria, eram nômades e vivam em pequenas tendas ou cabanas frágeis e temporárias. Como forma de simbolizar este período, durante a celebração de Sucót, os judeus deixam as suas casas e se abrigam sob folhas e galhos ao ar livre, simbolizando a Sucá. A Sucá nos lembra das Nuvens de Glória que rodearam o povo durante sua peregrinações pelo deserto a caminho da Terra Prometida. Todos então viram a especial proteção Divina, que D'us lhes concedeu durante aqueles anos difíceis.
A Sucá nos lembra que confiamos em D'us para nossa proteção, pois a Sucá não é nenhuma fortaleza, nem ao menos fornecendo um telhado sólido sobre nossa cabeça. Lembra-nos também de que a vida nesta terra é apenas temporária. Vivendo nesta humilde tenda, sujeita a qualquer pancada de vento, o indivíduo é capaz de perceber com mais facilidade que um dia deixará seus bens materiais e verá o que realmente é importante na vida. O ser humano percebe que não são seus bens ou suas paredes que o mantêm protegido, mas a bondade de D’us para com ele. O indivíduo pode ver claramente que o material é passageiro, enquanto suas ações e atitudes para com os demais, assim como as virtudes que este buscou conquistar, estarão sempre com ele.
A Sucá deve ser erguida ao ar livre e deve ser constituída de palha ou folhagem, que possibilita ver-se o céu. Deve ter pelo menos 3 paredes as quais não devem estar pregadas ao teto. Além desta passagem pelo deserto, a Sucá também simboliza todos os judeus que moram na diáspora, ou seja, fora de Israel.
Nos países mais quentes, muitos judeus comem e dormem dentro da Sucá. Nos países mais frios, é ordendado fazer ao menos uma refeição por dia dentro da Sucá. A questão é trocar a segurança e o conforto de uma casa por uma estrutura frágil, para perceber que, em última análise, toda sua proteção vem de D’us.
Também chamada Zemán Simchatêinu - Época de nossa Alegria, pois simboliza alegria e felicidade, ao depararmos com o conceito de que não é aquilo que possuimos (conforto, casa, bens materiais) que nos tornam felizes. Uma casa pode não ser um lar. Encontrar contentamento em uma cabana, certos de que D’us é nosso Protetor, é muito mais significativo do que contar com as forças das paredes e de um telhado para nos dar segurança e felicidade.
No último dia da festa era costume no Templo Sagrado (Beit HaMikdash) que o rei de Israel recitasse, na íntegra, o texto da Torah. Isto causava também uma grande alegria ao povo, que se confortava ao saber que seu rei, e portanto a nação, trilhava nos caminhos de D’us. Hoje em dia, os judeus comemoram, no último dia de Sucót, a festa de Simchá Torá (a alegria da Torá). Esta festa consiste na conclusão da leitura dos cinco primeiros livros da Tanach, que são lidos semanalmente nas sinagogas, divididos em porções.
Além de sair de suas casas para morar na Sucá, em Sucot os judeus também tem de cumprir outro mandamento muito importante: dentro da Sucá devem segurar quatro espécies diferentes de plantas que crescem em Israel (destino final dos judeus que agavam pelo deserto) na forma de um ramo com quatros espécies, assim precisamente chamado (arba'á minim) em hebraico, e balançá-las em todas as direções enquanto recitam uma brachá (bênção) especial. As quatro espécies são:
· Luláv = ramo de palmeira
· Aravá = ramo do salgueiro que cresce perto da água
· Hadás = ramo de murta, uma planta aromática
· Etróg = fruto cítrico que se assemelha a um limão
De acordo com algumas interpretações, as quatro espécies de Sucot representam os quatro tipos diferentes de judeus:
· O Etróg, com sabor e fragrância, representa os judeus que estudam a Torah e fazem boas ações
· O Luláv tem sabor, mas não tem fragrância. Representa os judeus que tem estudo, mas não fazem boas obras.
· O Hadás não tem sabor, mas tem fragrância, assim como os judeus que não tem estudo, mas praticam boas ações.
· A Aravá não tem sabor nem fragrância. Representa os judeus que não estudam nem realizam boas ações.
O que este ritual nos mostra é que todas as quatro espécies devem estar juntas para serem abençoadas. Nenhuma delas pode ser deixada de lado; nenhum judeu pode ser dispensado como “desnecessário” ou “excessivo”. As três espécies imperfeitas – o Luláv, a Aravá e o Hadás – devem ser seguradas juntamente com o Etróg, do mesmo modo todos os judeus devem ser considerados, os menos preparados em conjunto com aqueles que lhes servem de inspiração. Juntas, as quatro espécies que simbolizam a unidade do povo judeu são balançadas na direção dos quatro cantos do mundo para mostrar que a missão judaica é ser “uma luz entre as nações”, levando sua sabedoria, ética e moral a toda a humanidade, fazendo o Tikún Olam (aperfeiçoamento do mundo).