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Posts de dezembro 2010

Feliz Natal

24 de dezembro de 2010 0

O Natal do amor

Ana Tartarotti


A celebração do Natal perdura através dos séculos. A comemoração que iniciou oficialmente no ano 336dC, em Roma, está presente até hoje nos mais diversos países do mundo. A festa cristã ganhou significado comemorativo amplo, sendo também aderida por muitos não cristãos.

A representação do nascimento de Jesus, criada por São Francisco em 1223, nos remete a Belém e nos recorda que é na simplicidade que o amor de Deus se revela. Na humildade dos corações que o messias dos cristãos nasce.

Nesta e época de festividades, a singela representação do presépio nos convida a diminuirmos o ritmo e a fazermos uma pausa, sugerida pelo próprio cenário bíblico. Contemplar o presépio é interromper a correria do final de ano e olhar para nós mesmos, para nossos anseios, desejos e dificuldades diante da simplicidade  da vida, que nos é apresentada por Jesus recém-nascido numa manjedoura. Em meio a um cenário de encantamento, que muitas vezes ofuscam com  tanto brilho comercial o verdadeiro sentido do Natal, a virtude do amor nos é revelada. O amor é a mais abrangente de todas as graças e também a mais completa. A história do nascimento de Jesus nada mais é do que a lembrança do amor de Deus para conosco, e do seu desejo de estar ao nosso lado. Muitas vezes o mundo nos distrai de Deus. E não é preciso protestar contra  a existência do Papai Noel para viver verdadeiramente essa época natalina. Basta não substituir Jesus pelo “bom velhinho”, e compartilhar com  nossos irmãos  o verdadeiro sentido dessa festividade: o amor de Deus por cada um de nós.

A generosidade que se acentua mais nesta época, é também uma forma de comemorarmos o Natal, que não deve ser festejado só materialmente, e sim, vivido nos corações com um espírito de fé. E somente num coração generoso e solidário, a luz de Deus tem espaço para iluminar. O mistério do natal realiza-se em nós quando Deus toma forma em nós.

Lembremos que cada natal é uma oportunidade para abrirmos nosso coração para que Deus possa nele reinar. Deixemos de lado os exageros e meditemos a importância da paz que nos é sugerida  por esta festa. A paz que somente é possível alcançar através do amor. Que a esperança e a alegria do Natal estejam presentes em nossos corações.


Agradeço a nossa querida Ana Tartarotti pelo seu texto e colaboração e aproveito para desejar aos nossos irmão cristãos um Feliz Natal.

Prof. Guershon Kwasniewski

Bispo argentino inicia "cruzada" contra o Papai Noel

16 de dezembro de 2010 1

Religioso argumentou que os pais católicos têm a obrigação de contar a seus filhos a verdade sobre Papai Noel

Um bispo católico da Argentina deflagrou uma inusitada “cruzada”. Fabriciano Sigampa exige a “oficialização” da inexistência de Papai Noel, aparentemente porque o famoso velhinho de roupa vermelha que, segundo a tradição, reside no Polo Norte e distribui presentes às crianças em todo o mundo na madrugada do dia de Natal, representa uma concorrência direta com Jesus Cristo.

Exaltado, o bispo alertou, durante uma missa em sua diocese na cidade de Resistencia, capital da província do Chaco:

— Não devemos nos confundir, não devemos misturar o Natal com isto!

O bispo argumentou que os pais católicos têm a obrigação de contar a seus filhos a verdade sobre Papai Noel, que o bispo denomina de “o homem de vermelho”. Segundo Sigampa, os pais devem ser sinceros e dizer às crianças que o Bom Velhinho não entrega presentes.

— Outro dia perguntei a uma criança sobre o Natal, e ela me respondeu que sabia que a data havia chegado porque havia sidra e panetone na geladeira. E ela não me disse nada sobre o menino Jesus! — lamentou o religioso.

O bispo deslanchou a cruzada horas antes da inauguração, em Resistencia, da “Casinha do Natal”, um empreendimento conjunto do Rotary Club, da prefeitura da cidade e do governo do Chaco. O resultado foi imediato. Assustadas com as pressões do clero, as autoridades prontamente ordenaram a remoção de todas as figuras alusivas a Papai Noel na “Casinha do Natal”.

A cruzada contra o Papai Noel deixou pelo menos uma vítima: ficou sem emprego o ator que interpretaria o “homem de vermelho”. Devido à iniciativa do bispo, também acabou a campanha para doar presentes para crianças no Natal do Chaco, uma das mais pobre províncias da Argentina.

Fonte ZH  16/12/10

O Patriarca Abraham na Avenida

15 de dezembro de 2010 0

Do sonho e da união de sambistas do G.R. Escola de Samba Acadêmicos de Vila Madalena e Bloco Boca das Bruxas surge a Escola de Samba “Pérola Negra”. Sua estréia no Carnaval Paulistano ocorreu no ano de 1974, levando para a avenida São João o tema enredo “Piolim, Alegria Circo História”. A Pérola Negra também está localizada em uma região da cidade de São Paulo que vem se valorizando nos últimos tempos, a Vila Madalena. Mas a sua presença no lugar vem desde quando a Vila era um bairro de operários e ainda não tinha todo o agito dos dias atuais.

A escola tem onze participações no Grupo Especial. Esteve pela primeira vez em 76, quando ficou ininterruptamente até 81. As outras participações se deram em 83, 90, 96, 01 e em 2007, 2008 e 2009.

Como enredo do Carnaval 2011, a escola escolheu o tema “Abraão, o Patriarca da Fé”

Objetivo: Frente ao caos urbano, turbinado pelo crescimento populacional descontrolado, pelas trágicas reações climáticas e, principalmente, pela banalização da violência, o homem tem travado uma batalha conceitual sobre os seus valores religiosos, dificultando a sua renovação de fé e esperança e, sobretudo, questionando a existência de Deus.

Ao contar a lenda de Abraão, comum as três tradições monoteístas – judaísmo, cristianismo e islamismo -, pretendemos ilustrar a importância, para a sociedade atual, da busca por algo divino para amenizar suas dores e cicatrizar suas feridas, pois nada é por acaso. E assim, como fez o protagonista deste enredo, ter a palavra “acreditar” como ordem, entendendo que para cada um de    
nós foi escrito um capítulo exclusivo, mesmo sobre linhas enviesadas, desta grande obra que é a vida.

“Deus se esconde – a fim de que o homem o procure”
Rabi Nahman de Bratslav

Desenvolvimento dos Setores

SETOR I:
Narra o início da lenda de Abraão e sua adoração por um único Deus; sua obediência cega
que o fez marchar rumo à Canaã – a terra prometida – com sua esposa Sarai e seu
sobrinho Ló; sua projeção particular do local; e os percalços que os levaram a rumar para
o sul e procurarem abrigo no Egito; e etc.

SETOR II:
Mostra a prosperidade egípcia da época; a farsa que propôs Abraão a sua esposa Sarai
para driblar a impiedade do faraó e as conseqüências deste ato; a expulsão dos envolvidos
do Egito; e os outros

SETOR III:
Conta como foi a separação de Abraão e seu sobrinho, fazendo Ló seguir para Sodoma e
Gomorra; o resgate de Ló por Abraão; a decisão de Ló retornar a Sodoma e Gomorra; a
visita de anjos enviados por Deus a Ló; a destruição da cidade; e etc.

SETOR IV:
Ilustra o que levou o Abraão a ter Ismael, seu filho com Hagar, escrava de sua mulher
Sara, inclusive com o consentimento da mesma; a promessa de Deus em dar um filho a
Sara de Abraão, mesmo sendo ela estéril e ambos idosos; o sacrifício de Isaac e sua
importância para o sentido da fé incondicional; e outros.

SETOR V:
Mostra o valor de Abraão para as grandes tradições monoteístas – judaísmo, cristianismo
e islamismo -, pegando como exemplo sua história de fé para promover a paz e a
tolerância entre os homens e as religiões aqui citadas; e outros

Letra do Samba

Levanto As Mãos Pro Céu
E Agradeço Ao Criador
Eu Vou. Abençoado Rumo A Canaã
Esperança, Um Novo Dia
No Egito Meu Afã
Oh, Deus Pai!
Nossa Aliança Se Renova A Cada Manhã
Ao Forjar Um Fato, O Ato De Amor
Enfrentei Barreiras, Luxúrias E Ambição
Na Busca Da Tua Verdade
Em Prova Toda A Minha Devoção

Oh, Meu Senhor, Que Conduz Meu Caminhar
Sou Do Povo De Javé, Tenho O Dom De Acreditar
Em Minhas Mãos Adoração E Sacrifício
O Meu Destino Sob A Luz Do Seu Olhar

Fé Na Palavra Sagrada
Que Me Dá Força Nessa Jornada
Fonte De Sabedoria
A Paz Que Brilha Dessa Joia Rara
Glória No Caminho Da Vitória
Fieis Seguidores Em Comunhão
O Seu Legado Ficará Perpetuado
Num Mundo De Amor, Num Só Coração
A Vida Madalena Canta Em Oração

Pela Fé De Abraão
Pérola Negra Vem Cumprir Sua Missão
Divina Luz Que Ilumina
O Meu Samba Em Procissão


Diálogo católico-judaico cresce no Brasil, afirma rabino Michel Schlesinger

14 de dezembro de 2010 0

O rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista (CIP), tem participado de diversos eventos de promoção do diálogo inter-religioso entre judeus e católicos, representando a Confederação Israelita do Brasil (Conib), a qual tem como uma das prioridades de sua atual gestão o aprimoramento deste diálogo.

Schlesinger participou da XVI Assembleia Nacional do Diálogo Católico-Judaico, realizada em outubro último no Rio de Janeiro, e da 14ª Semana de Estudos de Religião, promovida em setembro pela Universidade Metodista, em São Bernardo do Campo.

Ele também é membro da Comissão Nacional de Diálogo Religioso Católico-Judaico (CNDCJ), uma comissão mista e permanente criada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em 1981, e apoiada pela Conib, que articula em âmbito nacional o diálogo religioso entre católicos e judeus.

Em entrevista ao boletim da Conib, Schlesinger falou sobre o progresso no diálogo católico-judaico. Leia abaixo os principais pontos abordados.

Canais de diálogo entre católicos e judeus no Brasil

A  Comissão Nacional de Diálogo Religioso Católico-Judaico (CNDCJ) tem encontros mensais, de caráter teológico e filosófico. Ela integra pessoas pertencentes às comunidades católicas e judaicas, todos com visão pluralista da religião. Entre os membros da comunidade judaica, podemos citar os rabinos Alexandre Leone, Henry Sobel e Ruben Sternschein; Abrão Zeiman; Hans Borger. Pelo lado católico, padres e freiras, coordenados pelo padre José Bizon, assessor da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB.

A comissão busca promover o diálogo em quatro níveis:

1) Diálogo Teológico, do qual participam padres e rabinos;

2) Diálogo Institucional, do qual participam instituições como a Conib, o Congresso Judaico Latino-Americano, a B’nai B’rith, a Associação religiosa Israelita do Rio de Janeiro (ARI) e a CIP;

3) Ação Social – podem ser citadas a ajuda conjunta a vítimas de enchentes no Brasil; e a assinatura de manifesto de solidariedade por líderes católicos e muçulmanos quando das demonstrações antijudaicas no Brasil na época da guerra em Gaza (2008-2009), que demonstra a união de forças por uma causa comum;

4) Contato Pessoal, que permite a tomada de decisões com menos burocracia. Há um bom contato com D. Odilo Scherer, cardeal-arcebispo de São Paulo, e com Dom Raimundo Damasceno, cardeal-arcebispo de Aparecida e atual presidente do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM). O padre Jesus Hortal, ex-reitor da PUC-RJ e consultor da Pontifícia Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo é um grande incentivador do diálogo, como também Dom Orani Tempesta, cardeal-arcebispo do Rio.

Já a Assembleia Nacional do Diálogo Católico-Judaico faz parte dos encontros anuais abertos à comunidade, para divulgação do conteúdo das discussões mensais na CNDCJ. É um encontro com o grande público, composto de estudantes, membros de entidades judaicas, teólogos. Em 2010, foi realizada no Rio, na ARI e na PUC-RJ. O tema central foi “Desafios para as Religiões no Século XXI: Nossa Responsabilidade Ética”, ou seja, a busca da educação para o diálogo.

Existe também um diálogo mais informal, como os encontros promovidos por faculdades, como a Metodista. Nesse tipo de evento, há grande curiosidade sobre a comparação entre aspectos do judaísmo e do cristianismo.

A própria CIP recebe muitas visitas de grupos que querem conhecer sua sinagoga: igrejas, colégios católicos e laicos. O SESC tem um projeto de visitas a instituições religiosas. E muitos indivíduos vêm à cerimônia de Shabat.

Fonte CONIB


A outra face de Abu Dhabi

12 de dezembro de 2010 0

Futebol, paixão e religião

Nos próximos dias quem ama futebol estará envolvido com o Mundial Interclubes que irá se disputar nos Emirados Árabes, na cidade de Abu Dhabi.

Milhares de torcedores do Internacional irão embarcar com o sonho do Bi-Mundial.

Entre os fanáticos torcedores haverá muitos que tiraram passaporte novo por um motivo que pouco tem a ver com o Fair Play – o jogo limpo – que tanto prega a FIFA.

Se por uma questão de turismo, existia previamente no passaporte brasileiro um carimbo de ingresso  a Israel, o torcedor colorado seria impedido de entrar nos Emirados Árabes.

Muitos torcedores colorados, especialmente os judeus, que nalguma oportunidade visitaram Israel, correram para a Policia Federal para garantir o novo passaporte e assim garantir acompanhar o time do coração.

A paixão pelo futebol faz que muitas pessoas, judias e não judias que alguma vez visitaram Israel tiveram que aceitar esta medida do país árabe.

Considero esta atitude discriminatória, mas vejam que mesmo assim os colorados não se intimidaram e estarão viajando igualmente.

Seria impossível pensar no passado, um grupo de judeus querendo viajar para a Alemanha Nazista para torcer pelo time do coração.

O interessante que o ódio contra os judeus que existe nos Emirados Árabes não é muito diferente do ódio que existiu durante a Segunda Guerra Mundial.

A FIFA deveria repensar o cenário que escolhe para competições mundiais.

Locais onde cidadãos são discriminados pela sua religião deveriam ficar fora das escolhas.

Graças a De-s a próxima Copa do Mundo será no Brasil, país tolerante, onde todos podemos professar livremente a nossa religião, onde ninguém será varado por ter um carimbo de um u outro país no seu passaporte.

Resta pensar e refletir naqueles que embarcam nas próximas horas, como a paixão pelo futebol acaba superando qualquer barreira política ou religiosa.

Que nós próximos dias possamos curtir a festa do futebol mundial e possamos esquecer as diferenças que separam os homens.

Por incrível que pareça, uma simples bola rolando é um dos símbolos mais poderosos da  paz.


Prof. Guershon Kwasniewski

Líder Religioso da SIBRA – Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência –


Ônibus ateus começam a circular na Capital neste domingo

11 de dezembro de 2010 3

Transportes urbanos trarão mensagens nada convencionais expondo o ponto de vista de ateus e agnósticos

A partir deste domingo, a chamada campanha dos ônibus ateus terá início na Capital. Ônibus exibirão mensagens expondo o ponto de vista de ateus e agnósticos sobre temas como fé e moralidade. A ação é uma iniciativa da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos.

O mote da campanha é o slogan “Diga não ao preconceito contra ateus”, que aparece em quatro peças diferentes acompanhando imagens e frases polêmicas. Uma delas afirma “A fé não dá respostas. Ela só impede perguntas”. Em outra aparecem Adolf Hitler e Charles Chaplin ilustrando o texto “religião não define caráter”.

A campanha traz ainda a foto de um avião atingindo o World Trade Center com os dizeres “Se Deus existe, tudo é permitido” – em referência à famosa citação em contrario do romance “Irmãos Karamazov”, de Dostoievski. Outra peça afirma “Somos todos ateus com os deuses dos outros”, mostrando imagens de um deusa hindu, um deus egípcio e um deus palestino – Jesus.

A associação pretende arrecadar fundos para estender a exibição das peças, inicialmente prevista para um mês. Segundo o presidente da entidade, Daniel Sottomaior, a campanha é necessária para chamar a atenção da sociedade e tirar os ateus da invisibilidade.

— Somos cerca de 2% dos brasileiros, ou 4 milhões de ateus. Mas muitos têm medo de se expor devido ao preconceito de amigos, chefes e familiares. Isso tem que acabar.

Segundo a entidade, o objetivo da campanha não é fazer desconversões em massa, mas conseguir um espaço na sociedade e diminuir o preconceito que existe contra ateus.

Para o Líder Religioso da SIBRA – Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência-  e responsável pelo Blog das Religiões em zerohora.com, Guershon Kwasniewski, a manifestação é válida, desde que não haja ofensas:

— Vivemos em uma sociedade com liberdade de expressão. Todo aquele que quer se manifestar, crente ou não em Deus, tem o direito sempre que não ofenda aquele que não pense do mesmo jeito. As tragédias na história da humanindade aconteceram não pela falta de Deus, mas sim pela falta do homem.

A campanha já passou por diversos países, comos Estado Unidos, Reino Unido e Espanha. No Brasil, ela será feita em Salvador e Porto Alegre.

Fonte ZH 11/12/10

Chanuka no Hospital Moinhos de Vento

10 de dezembro de 2010 0

Há muitos anos, durante a êpoca de Chanuka, a capela do Hospital Moinhos de Vento abre as suas portas para a celebração comandada pelo Líder Religioso da SIBRA.

O objetivo é fazer o acendimento da Chanukia – candelabro de oito braços –  junto a pacientes e familiares de pessoas da comunidade judia baixadas no Hospital.

A celebração é aberta a todas as religiões. Na mesma enviamos uma mensagem de conforto e força para quem está passando por um problema de saúde e também rezamos pero pronto restabelecimento de todos os pacientes.

O Pastor Ivo Lichtenfels,  acompanhou a comunidade judaica na celebração.

Este é mais um exemplo de respeito entre as religiões que deve ser conhecido.

Saúde a todos e felicidades!

Fotografia, Prof. Guershon e Pastor Ivo

A Sra. Ruth Herz acende a Chanukiá


Retiro, parte III

08 de dezembro de 2010 0

No último dia, essa cerimônia inter-religiosa foi realizada de forma conjunta, com cada uma das quatro tradições realizando em sequência suas orações, em locais diferentes, numa dinâmica inspirada em uma concepção do Padre Manfred (Coordenador do Centro de Diálogo e Orações onde ficamos hospedados), que metaforiza as Estações da Paixão de Jesus. Esse foi um momento muito tocante, pois todos pudemos ouvir os líderes religiosos lembrarem da importância de olharmos para aquele passado doloroso como um alerta e uma fonte de instrução para nossos dias e para o futuro.

Todas as noites, também tínhamos alguma prática coletiva: visitamos a impressionante exposição dos desenhos de Marian Kolodziej (o prisioneiro 432, que sobreviveu a quatro anos e meio em Auschwitz, e registrou em seus trabalhos a terrível realidade daqueles dias); participamos de dois Councils de todo o grupo, um dos quais ocorreu na noite de quinta-feira, dentro de um dos barracões de prisioneiros em Birkenau, com a presença de um dos únicos sobreviventes de uma fuga do Campo. E, na última noite, houve a celebração do Shabat, com presença opcional, após o que nos foi oferecido um jantar de encerramento, e uma confraternização de todos os participantes, com a oferta dos talentos daqueles que sentiram-se inspirados a tal.

Assim foram aqueles dias, em seu aspecto visível. Porém, no que me diz respeito, o mais significativo ocorria o tempo todo no mundo silencioso dos sentires, nas manifestações de emoções ora contidas, ora transbordantes em lágrimas e isolamentos silenciosos de muitos de nós. Ainda que as condições físicas fossem muitas vezes adversas – num dia ficamos na chuva, e em pelo menos em dois dias o vento era tão forte e tão frio durante os períodos de zazen que precisamos colocar pedras dentro dos sapatos para que não fossem arrastados para longe – o frio maior, a escuridão mais assustadora estava dentro de mim. Em muitos momentos, foi impossível entender o que quer que fosse; felizmente que assim foi, penso eu, pois desse modo pude seguir com mais disciplina as orientações de Genro Sensei e Glassman Roshi, que nos indicaram que, nesse Retiro, os maiores ensinamentos seriam dados por Auschwitz. 
Indizível gratidão, supremo consolo. Lá estava o Buddha, em sua sua persistência e generosidade na Prática; comigo estava o Dharma, com sua preciosa profundidade e incompreensível eficiência; em minha determinação, fraquezas, desesperos e alegrias, também me acompanhava a Sangha, com sua harmoniosa manifestação de todas as inevitáveis diversidades. 
Se tiver de resumir os sentimentos desses dias fecundos, devo falar de tristeza e esperança.

Talvez nunca em minha existência tenha contatado com tamanha tristeza, com tão profundo pesar. A dor indizível de ver o registro daqueles tantos olhares – nas fotos, nos desenhos – que já não tinham expectativa de ver qualquer outro horizonte que não fosse a morte sem qualquer compaixão ou respeito; os muitos sapatos, óculos, brinquedos, malas, cabelos, de pessoas que pereceram sem nenhum consolo de uma presença amiga; o silêncio frio daqueles barracões, onde os dias devem ter passado lenta e pesadamente para aqueles que sobreviviam para trabalhar e para desejar ao menos uma morte honrada, morte esta que tardava em vir libertá-los da dor interminável de continuarem vivos. Acima de tudo, porém, convivi e me permiti acolher a tristeza imensurável de perceber que, de fato, ainda colocamos em prática muito pouco do que podemos e devemos aprender com aquelas páginas vergonhosas de nossa história comum. Para além dos papéis das vítimas ou perpetradores daquele horror, persiste nossa experiência de seres humanos que, em muitas ou no mais das vezes, continuam insensíveis às necessidades alheias. E, principalmente, continuamos a temer a diversidade, a culpabilizar o que não aceitamos, a punir o que escapa ao nosso entendimento ou interfere em nossos interesses limitados, egoístas. Persistimos em nos julgar de algum modo melhores ou especiais, e desse modo preparamos o terreno para o preconceito, esse brutal e cruel obstáculo à manifestação de uma cultura de paz. Assim, seguimos a conviver em uma cultura muito pobre em termos da realização autêntica de nossos sonhos existenciais mais profundos.

Pois bem; se tamanha tristeza me fez companhia naqueles imensos espaços gélidos, assim também andei por lá de mãos dadas com uma luminosa esperança. Aprendi com alguns eventos da história daqueles Campos que o ser humano pode efetivamente ir além das limitações do si mesmo, e tocar os limites da compaixão. Por exemplo, lá está o relato sobre o prisioneiro 16670 – o Padre católico polonês Maximilian Kolbe – que silenciosamente submeteu-se a morrer de fome para salvar a vida de outra pessoa condenada à mesma forma de execução. Lá, no decorrer do Retiro, pude testemunhar a sincera determinação de tantos participantes que, corajosamente, mantiveram-se firmes na Prática, apesar das dores e revoltas daqueles ligados de alguma forma às vítimas, e apesar das culpas e vergonhas herdadas por aqueles ligados de algum modo aos perpetradores. Para todos, restava a consoladora possibilidade do agora, esse terreno fértil e real, que pode gestar um novo porvir. A cada depoimento, a cada manifestação honesta que alguém fazia de seus sentimentos, todos nós nos sentíamos fortalecidos para expressar cotidianamente que algo temos aprendido com a história daqueles dias de horror. Na minha experiência, algo extremamente significativo foi ver, uma vez mais, como é bonito e inspirador participar da convivência pacífica e respeitosa entre as diferentes tradições espirituais.


Foi emocionante ver, ao longo dos dias e de diversas formas, a forma como interagiram, em uma motivação fraterna e sábia em suas manifestações, o Rabino Ohad, o Imam Ihab, Padre Manfred, Glassman Roshi e Genro Sensei. Algo tão simples e tão raramente colocado em prática: se todos desejamos ser felizes, como podemos aspirar a ver isso manifesto se não respeitamos e valorizamos a diversidade de tantas visões sobre como ser feliz? É necessário e urgente que nos permitamos a experiência de conviver com exemplos desse tipo de comportamento edificante.

Finalmente, se algo o Retiro em Auschwitz-Birkenau já me ensinou, foi que devo em qualquer circunstância manter firme e serena a minha Prática; devo persistir no cultivo das sementes de paz em meu coração – pois se elas não germinarem ali, certamente não florescerão ou darão seus frutos no mundo; e, para meu próprio bem e o de todos os seres, devo respeitar e valorizar os ensinamentos do Dharma e os exemplos dos Professores e Professoras, seguindo com humildade os chamados que consigo captar. Naqueles dias, comprovei que, se um Sesshin em um Campo de Concentração pode parecer algo um tanto extremo e amedrontador, mais extremo e trágico é aceitar viver um dia de nossas vidas sem perceber a preciosidade nele contida, como se pudéssemos ter uma segunda chance de viver de novo esta vida.
Aspiro que possamos cultivar a sabedoria e a compaixão aqui e agora, e manifestá-las em todas as nossas relações. Que eu possa sinceramente dedicar todos os méritos de minha Prática ao benefício de todos os seres. Que todos os seres possam ser felizes, livres e pacíficos.

Jorge Koho – novembro/2010 

Retiro, parte II

07 de dezembro de 2010 0

A partir do segundo dia, nossa rotina mudou um pouco, e foi repetida até o final do Retiro: iniciávamos o dia da mesma forma, mas nos deslocávamos agora para Auschwitz-Birkenau, também em dois grupos. Caminhando, eram 40 minutos. Ao chegar, nos reuníamos no assim denominado “Portão da Morte”, por onde outrora passavam os trens com milhares de civis, muitas dezenas em cada vagão, vindos de vários países da Europa, viajando em pé, sem água ou alimentos, em jornadas que em alguns casos duravam vários dias, sem paradas, nem mesmo para as necessidades fisiológicas…

Do portão, caminhávamos em silêncio até o antigo Barracão de Triagem, onde recebíamos colchonetes e almofadas de meditação (Zafus), e aqueles que necessitavam podiam utilizar bancos de madeira. Nosso “Zendo” era montado ao ar-livre, com qualquer clima, e ficava localizado na “Rampa”, o local onde outrora os prisioneiros desembarcavam dos vagões de transporte e passavam por uma triagem, sendo os considerados aptos para o trabalho forçado encaminhados aos barracões-alojamento, e os demais, julgados inaptos, dirigiam-se para o “Setor de Desinfecção”, o que significava a sumária execução da sentença de morte. Antes, porém, todos eram confiscados de quaisquer pertences, tinham o cabelo raspado, e os que não eram executados de imediato recebiam a tatuagem de um número, que substituía seus nomes a partir de então.

No centro de nosso local de Prática, algumas velas e uma caixa de madeira que iria conter as folhas com nomes de pessoas que morreram nos Campos de Concentração. Nós, sentados em um grande círculo, pela manhã fazíamos dois períodos de 30 minutos de Zazen. No primeiro, apenas sentar. No segundo Zazen, enquanto a maioria dos participantes permanecia em silêncio, os integrantes de um dos pequenos grupos de Council fazia a leitura de algumas dezenas de nomes de vítimas do Holocausto. Depois do zazen, participávamos de uma cerimônia em alguma das instalações originais do Campo; nos barracões ainda remanescentes do setor das mulheres e das crianças, nos prédios da “desinfecção” (onde os prisioneiros eram submetidos a um processo de desidentificação, ou poderíamos chamar também de desumanização), nas ruínas das enormes Câmaras de Gás e Crematórios – dinamitados um pouco antes da chegada das tropas Aliadas, e no monumento internacional que honra a memória das vítimas. Nessas cerimônias, ao final sempre recitava-se o Kadish (oração judaica), em vários idiomas.

Após essa última atividade da manhã, tínhamos o intervalo de almoço, quando recebíamos em nossa tigela a sopa do dia, e pão. Nossa refeição ocorria fora dos limites do Campo, pois, por respeito às vítimas, nunca devíamos levar água ou alimentos para dentro das cercas. Desnecessário dizer que aquele alimento simples, que talvez em outro local e ocasião seria considerado pobre ou insuficiente, ali, naquele local de tantas memórias de sofrimentos e privações, tornava-se um banquete digno da profunda gratidão de todos.

Na parte da tarde, fazíamos outro período de Zazen acompanhado da leitura de mais nomes, e finalizávamos as práticas dentro das instalações do Campo com uma cerimônia memorial inter-religiosa. Nessa, cada tradição – budista, judaica, islâmica e católica – oficiava ao mesmo tempo em um diferente local significativo. Cada participante podia escolher em qual local e tradição desejava participar naquele dia, e esse momento era algo que me permitia confirmar que a forma apenas serve para manifestar a motivação sincera de nossos corações humanos, se assim o permitirmos. O fato é que o contato com aquelas memórias de dor e desumanidade requisitavam o consolo de alguma prática resignificativa, para além de qualquer elaboração racional que pudéssemos fazer.

Monge Koho

Retiro em Auschwitz-Birkenau

06 de dezembro de 2010 0

O Monge Koho, integrante do Grupo de Diálogo Inter-Religioso de Porto Alegre, atualmente mora na Suiça.

Há pouco tempo teve uma experiência de retiro que irá compartihar com os nossos leitores em diferentes posts em nosso blog.


Por muitos anos, aspirei participar de um Retiro dos Zen Peacemakers em Auschwitz-Birkenau. Há poucos dias, esse sonho tornou-se realidade, com o apoio de vários amigos. Reunidas as causas e condições necessárias, dediquei-me a fazer minha parte, entregando-me por cinco dias a essa jornada voluntária naqueles locais tão dolorosamente significativos para a história humana.
Nossa experiência começou em Krakow, na Polônia, onde os participantes reuniram-se na tarde do domingo, dia 31 de outubro de 2010. Na manhã da segunda-feira, 1° de novembro, fomos de ônibus para Oswiecim, cidade próxima aos antigos e dolorosamente famosos campos de concentração. Éramos 84 participantes (68 adultos e 16 jovens), de várias nacionalidades, a caminho de algo que, por mais que nos preparássemos, sentíamos que iria nos surpreender, de algum modo. E assim foi também comigo… Após sairmos de Krakow, no trajeto de quase uma hora, a solicitação era de que mantivéssemos o nobre silêncio após 15 minutos da partida. Isso aconteceu de forma espontânea, à medida que a viagem progredia, pois o ambiente no ônibus transformou-se, e, das naturais interações de um grupo que há pouco se reunia, fomos nos recolhendo cada um em seu espaço pessoal, e ao silêncio coletivo. As circunstâncias ajudavam, pois a estrada passava por cemitérios cobertos de flores, algo tradicional na Polônia na data de 1° de novembro, quando se comemora o “Dia de Todos os Santos”…
A rotina do Retiro era algo diferente da que estou habituado em um Sesshin (Retiro de prática intensiva) tradicional do Zen. As atividades começavam às 6 da manhã, para os que queriam praticar Yoga. Depois, às 7 horas, o primeiro encontro de todos os participantes, mas em pequenos grupos, na metodologia de Council, onde todos têm oportunidade de falar do seu sentir, a partir de um referencial de autenticidade, respeito e conexão com a experiência do momento. Às 8:30H, desjejum, em silêncio. A partir das 9:30H, nos deslocávamos até o local do campo de concentração. O primeiro grupo, caminhando; o segundo grupo, de ônibus. 
No primeiro dia, visitamos o campo de Auschwitz I, com seu tragicamente célebre portão de entrada, por conter a inscrição “Arbeit macht frei“ (algo como: “O trabalho liberta.”) Conhecemos vários dos prédios – com suas dolorosas lembranças -, que atualmente constituem um Museu, e ao final dessa visita, realizou-se uma cerimônia inter-religiosa junto ao Muro das Execuções. Nessa ocasião, representantes do Budismo, Judaísmo e Islamismo oficiaram em memória das pessoas que foram ali mortas a tiros. Opcionalmente, ainda pudemos visitar a Câmara de Gás e Crematório de Auschwitz I, que foram utilizadas em caráter provisório, até a construção de Auschwitz II (Birkenau).

Estaremos publicando em breve a continuação do relato.

Para ler a íntegra entrar em http://jorgekoho.blogspot.com/

Com Coen Sensei, de quem recebi a Ordenação Monástica. Que sua vida seja longa, sua saúde e alegria sejam profundas e duradouras, e que seus Votos sejam plenamente cumpridos.
Gratidão e reverência ao seu exemplo vivo e tão humano.
Gasshô.

Hoje começa Chanuca

01 de dezembro de 2010 0

Pelo calendário judaico, hoje começa a festividade de Chanuca

A história lembra dos milagres acontecidos nos tempos dos Macabeus.

O símbolo de festividade é um candelabro de 8 braços.

Velas são acessas durante as oito noites da comemoração.


Para aprofundar os conhecimentos da festividade sugiro entrar em

http://www.morasha.com.br/ ou

http://pt.wikipedia.org/wiki/Chanuc%C3%A1

A todos Chag Sameach, Feliz Chanuca!


Prof. Guershon Kwasniewski

Líder Religios da SIBRA