Na madrugada de ontem (27/02/2011) faleceu não só um grande escritor, mas
uma extraordinária criatura humana.
Tempos atrás, Moacyr se recuperava de um grave acidente de trânsito e havia
ganho uma ação de despejo onde o aluguel era muito pequeno e o inquilino não
se defendera; o pequeno imóvel de propriedade de Moacyr tinha frente para a
Borges de Medeiros em Porto Alegre.
Fui então procurada para defender o indefensável, pois já havia coisa
julgada; nada a mais poderia ser feito. Mesmo assim, tentei falar, por
telefone, com Moacyr. Fui atendida por sua esposa, Judith, a quem contei o
problema: meu cliente havia sofrido a amputação das duas pernas por
problemas de saúde, e sua única distração era olhar através da janela para
ver o movimento da rua.
O pedido para sustar a execução do despejo foi ouvido e atendido por este
escritor, que tinha um enorme coração. Eu só o conhecia por ser leitora de
seus livros, os quais muito admiro.
Moacyr, só tenho palavras de gratidão. Segue tua caminhada com Deus! E que
os Benfeitores Amigos te envolvam com carinho! Leva nosso muito obrigada.
Cristina Canovas de Moura
