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Posts de abril 2011

Polêmica na gruta

29 de abril de 2011 0

Padre quer mais mudanças em gruta

Guardião de santuário católico da Capital pretende pedir sugestões a fiéis

O corte das folhagens que há décadas cobriam parte da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, em Porto Alegre, gerou controvérsia entre os católicos frequentadores, mas o guardião do local não quer parar por aí as mudanças no santuário. Na primeira romaria em que a Gruta da Glória, como é conhecida, estará com seu novo visual, no domingo, o padre Paulo César Batista Júnior, 43 anos, aguarda sugestões de fiéis para implementar mais melhorias.

A prioridade é reformar os bancos, já que a maior parte está com as ferragens corroídas. A segunda opção é ajeitar o Cemitério dos Padres, que precisa de pintura e limpeza, conforme o padre. Em uma situação financeira perfeita, ele adianta que contrataria um arquiteto para propor um projeto paisagístico. No entanto, falta dinheiro para as obras desejadas. O religioso pede colaboração.

– Se tiver ajuda, melhor. No momento, estou de mãos amarradas – argumenta.

O padre espera que os fiéis apoiadores da retirada da vegetação o auxiliem com dicas sobre mudanças a serem feitas na área da gruta. Ele entende que também poderá receber reclamações daqueles mais contrariados com a poda.

– Sei que algumas pessoas não ficaram satisfeitas. Estou aberto ao diálogo – afirma.

Paulista, o padre Paulo chegou a Porto Alegre há um mês para substituir o antigo guardião, o padre Antonio Lorenzatto, 90 anos, afastado por problemas de saúde, e já foi colocando as mãos à obra. Há duas semanas, eliminou as folhagens, compostas principalmente de costelas-de-adão e mantidas há 40 anos por Lorenzatto.

Saiba mais
- A Gruta de Nossa Senhora de Lourdes ou Gruta da Glória (Rua da Gruta, 109) foi inaugurada em 21 de abril de 1935 na Capital
- Missas são celebradas aos sábados (às 17h) e domingos (às 10h e às 17h) e no dia 11 de cada mês (às 17h)
- A gruta fica aberta diariamente das 8h às 19h
- Desde 1971, o local também recebe a Romaria à Gruta, sempre no primeiro domingo de maio
- A procissão sai da Paróquia Nossa Senhora da Glória (Avenida Professor Oscar Pereira, 2.851) e termina no santuário
- No domingo, a saída está marcada para as 15h. Após, haverá missa e bênção da saúde
Fonte ZH

Páscoa e Pessach, a todos os nossos leitores felicidades

23 de abril de 2011 1

O Pastor Carlos Dreher sugere a seguinte leitura que foi publicada pelo Instituto Humanitas de Unisinos.

A Páscoa cristã e a Pessach judaica: origens, relação e atualidade. Entrevista com Guershon Kwasniewski, Cleide Schneider e Antônio Cechin

Neste ano, coincidentemente, a Páscoa cristã e a Pessach judaica serão comemoradas na mesma semana. A Páscoa cristã iniciou com a festa do Domingo de Ramos, no dia 28 de março estendendo-se até o Domingo da Ressurreição, no dia 04 de abril. Já o 1º Seder da Pessach, cuja data é fixada pelo calendário hebraico, o dia 15 de nissan, lua cheia, foi no dia 29 de março. Depois, seguem-se outros sete dias de comemoração.

Mas o que se comemora nessas celebrações cuja memória, de origens comuns, remonta a um mesmo gesto, ou seja, uma passagem, uma travessia?

Para compreender melhor não apenas a festividade, mas também suas origens e sua atualidade, depois de tantos milênios desde seus primeiros registros históricos, a IHU On-Line entrevistou um líder religioso judeu, uma luterana e um católico. Em foco, a origem comum da celebração: o Êxodo dos israelitas do Egito, que os cristãos irão reviver e reatualizar com a “nova Páscoa”, a paixão, morte e ressurreição de Cristo.

* * *

Pessach, a celebração do valor da liberdade

“O valor supremo que nós destacamos hoje e que mantém a festividade viva, vibrante e com uma mensagem atual, é o valor da liberdade”, destaca Guershon Kwasniewski. “Mesmo que tenham se passado mais de 3.300 anos da saída do Egito, estamos falando de um valor do qual muitas sociedades carecem hoje”, afirma.

Descendente de família judaica, Guershon Kwasniewski aprendeu os costumes judaicos ainda na infância, na Argentina. Estudou no Seminário Rabínico Latino-Americano, onde se formou Professor pelo Instituto Superior de Estudos Judaicos. Também é jornalista e locutor formado pelo Instituto Superior de Enseñanza de Radiodifusión (ISER). Em Israel, cursou oMachon Grimberg, curso de especialização para professores de judaísmo, e o Ishtalmut Morimdo Beit Midrash Lebrabanim na Escola Rabínica. Foi professor do Colégio Israelita Brasileiro, de Porto Alegre, e professor convidado pelo Núcleo de Estudos Judaicos daUniversidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Desde 1996, é líder religioso daSociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência (SIBRA). Também é colaborador doBlog das Religiões, do clicRBS.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quais são os fatos históricos que embasam especificamente a comemoração da Páscoa judaica?

Guershon Kwasniewski – Na história, a comemoração do Pessach rememora o êxodo do Egito. Foram mais de 430 anos de escravidão. E os judeus, que ainda não eram povo, mas filhos de Israel – pois o povo só se constituiu após o recebimento da Torá, a Lei, no Monte Sinai –, haviam ido para o Egito por causa da seca e da fome em sua terra de origem. O Egito, com o Rio Nilo, permitia comida em abundância. Com o passar do tempo e com o crescimento dos hebreus, os conselheiros do Faraó falaram que o povo hebreu poderia chegar a crescer demais. Por isso, o faraó resolveu que toda criança deveria ser jogado no Rio Nilo. Dentre os meninos que foram jogados estava Moisés, que foi resgatado pela filha do faraó. Ele foi levado para o palácio e recebeu uma educação cortesã. No desenvolvimento da história, que é muito conhecida e que está no livro do Êxodo, houve a revelação a Moisés, na sarça ardente, para voltar ao Egito e salvar o povo. Aarão, irmão de Moisés, se transforma num porta-voz dele, na frente do faraó. Lembramos o tempo da escravidão, das dez pragas que abateram o Egito, das quais nove também atingiram os filhos de Israel. Com a décima praga, e com a morte do primogênitos, acabou mudando o parecer do faraó, que libertou o povo de Israel. E no final de tudo, o poder supremo de Deus que se refletiu nas pragas, mostrando a sua vontade de que o povo escolhido fosse libertado.

IHU On-Line – Para os judeus, existe algum tipo de comprovação histórica de que o êxodo realmente ocorreu ou isso não é relevante, já que o importante é a fé de um povo que está sendo transmitida?

Guershon Kwasniewski – Quanto aos registros históricos, isso fica claro quando o povo regressa para a terra de Canaã, quando ele se assenta nessa terra e sua história vai evoluindo. Todos esses registros estão na Torá, no Antigo Testamento. O registro histórico é o próprio relato, que conta tudo o que aconteceu, com minúcias, os 40 anos que transcorreram desde a saída do Egito e a subida ao Monte Sinai. Temos todo um registro de quando surge a lei judaica, logo após a saída do Egito, no Monte Sinai. Temos o registro histórico dos espiões que foram para Canaã, composto de um integrante de cada uma das tribos de Israel, que foram ver o que acontecia. Existe um registro histórico, também, na sucessão de Moisés, em que Ioshua (Josué) foi seu sucessor. Temos, de fato, um registro comprovado, acreditamos na história. A história, obviamente, é tão importante que é contada e narrada na noite da comemoração.

IHU On-Line – Quais seriam os elementos centrais para a comemoração da Pessach judaica? Como um judeu, a partir desta segunda-feira, comemora essa celebração?

Guershon Kwasniewski – Na noite da comemoração, o que se faz basicamente no lar, que é o local principal, é o Seder, que, em hebraico, quer dizer ordem. Seguem-se os 15 passos do livro chamado Hagabá, que envolvem todos os rituais. Dentro desses passos, temos a narrativa da saída do Egito. O jantar acontece na primeira e na segunda noite da Pessach, que são os principais dias da comemoração, assim como o último, quando a celebração se encerra. Os dias do meio são semi-festivos. O número de oito dias de comemoração não tem um significado específico. Isso foi determinado pelos nossos sábios, e a comemoração já está definida na própria Torá. É uma determinação divina, comemorar durante oito dias.

“Nós mesmos fomos escravos no Egito. Esse é um pedido da tradição: sentir na sua própria pele que você foi escravo, como se nós mesmos fôssemos os próprios libertados do Egito”

O que não pode faltar em uma mesa na noite da Pessach é vinho e matzá, que são os pães ázimos. Eles são pães especiais, que não chegam a fermentar e crescer. Seu preparo é de 18 minutos e não mais do que isso. Temos também um cálice especial maior, chamado Cálice do Profeta Elias, que, simbolicamente, entra em cada um dos lares judaicos e os abençoa. Deste cálice não se bebe, ele é deixado na mesa. Também temos quatro cálices menores, que podem ser bebidos, e lembram cada uma das ações feitas por Deus com os judeus: tirou-os da terra do Egito, salvou-os, levou-os e redimiu-os.

Há também um prato chamado keará, onde se colocam os elementos simbólicos da festividade. Lá se coloca um ovo duro, pelo simbolismo de que quanto mais se ferve o ovo, mais duro ele fica, então quanto mais se persegue os judeus, mais fortes eles ficam. Também se colocam ervas amargas, para lembrar a amargura que os nossos antepassados passaram no Egito, e uma mistura doce de nozes, vinho e maçã, para lembrarmos da cor dos tijolos que os judeus escravos fabricaram no Egito. Também tem um osso, para lembrar do sacrifício do cordeiro pascal.

Temos também três matzot, três pães ázimos, colocados juntos um em cima do outro, para lembrar os extratos sociais do povo judeu: os sacerdotes, os levitas (os mestres) e o próprio povo de Israel. Cada país depois também acabou tendo as suas comidas típicas, acrescentando ao cardápio seus gostos típicos.

Com o livro Hagabá todo mundo canta, participa e pergunta. As crianças perguntam: “Por que esta noite é diferente de todas as noites?”, e nós, adultos, devemos responder o porquê, com toda a narrativa [do Êxodo].

Existem também proibições durante os oito dias da comemoração, como não consumir nada que tenha farinha comum ou fermento, para lembrar os nossos antepassados que não tiveram tempo de preparar suas comidas na hora em que saíram da escravidão do Egito. Praticamente, tudo foi resolvido de uma hora para outra, e eles tiveram que fugir, então não tiveram tempo de levar comida.

IHU On-Line – Na sua opinião, por que a comemoração da Pessach tem tanta importância ainda hoje?

Guershon Kwasniewski – O valor supremo que nós destacamos hoje e que mantém a festividade viva, vibrante e com uma mensagem atual, é o valor da liberdade. Mesmo que tenham se passado mais de 3.300 anos da saída do Egito, estamos falando de um valor do qual muitas sociedades carecem hoje. A celebração também serve para unir a família. Não são muitas as oportunidades que se tem para isso, então a partir da celebração no lar, com todos os seus rituais, o acendimento das velas, os cânticos, a participação das crianças, a preparação dos alimentos típicos, tudo isso envolve a família toda: os homens mais na parte do ritual, as mulheres mais na parte da cozinha, as crianças mais na parte das perguntas. Os rituais e os cânticos são muito bonitos, passados de uma geração à outra. Isso torna a festividade ainda mais alegre, mais festiva.

IHU On-Line – Já que a festa do Pessach tem o significado de passagem, qual seria a travessia que a humanidade é desafiada a fazer nos dias de hoje, a partir da compreensão judaica?

Guershon Kwasniewski – Acho que a humanidade ainda não está gozando de uma plena liberdade. Isso ainda está longe de acontecer. Hoje estamos comemorando a liberdade, e vemos na Internet um atentado ao metrô de Moscou. Existem povos que ainda estão lutando pela sua liberdade. Até não termos uma liberdade completa, não podemos deixar de comemorar essa festividade e de encontrar a sua importância mais profunda. Acho que a transcendência passa também pela conscientização de que nós mesmos fomos escravos no Egito. Isso é uma espécie de pedido da tradição, de sentir na sua própria pele que você foi escravo, pois se você sentir isso você vai apreciar ainda mais o valor da liberdade. Mesmo tendo liberdade, à noite, no jantar da Pessach, afirma-se que, em cada geração, devemos sentir como se nós mesmos fôssemos os próprios libertados do Egito. A liberdade é um valor universal, mas nós, judeus, a cultuamos e fazemos dela um pilar de nosso povo e um pilar que desejamos para todos os povos desta terra.

* * *

Páscoa cristã, a maior ação de Deus

“A Páscoa cristã é a maior ação de Deus, oferecendo seu próprio filho como sacrifício em favor de seres humanos pecadores. A ressurreição de Cristo nos marcou definitivamente. Não há como não ter esperança e fé, mesmo em meio a lágrimas, sofrimentos e clamores”, afirma a pastora luteranaCleide Olsson Schneider.

Membro da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Cleide é bacharel em Teologia pela Escola Superior de Teologia (EST) e licenciada em Pedagogia pela Unisinos. Atualmente participa do Programa Gestando o Diálogo Inter-Religioso e o Ecumenismo (Gdirec) naUnisinos, coordena o Serviço Ecumênico Leopoldense e atua no Serviço de Acolhimento a Famílias Enlutadas em São Leopoldo.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como entender o sentido da Páscoa cristã?

Cleide Schneider – Jesus Cristo é descrito pelo Apóstolo Paulo como “nosso cordeiro pascal, imolado” (Cor 5, 7) usando como referência a instituição da Páscoa em Êxodo 12. Nesse contexto, os judeus foram libertados da escravidão que sofriam no Egito. A Páscoa cristã é a maior ação de Deus, oferecendo seu próprio filho como sacrifício em favor de seres humanos pecadores.

A ressurreição de Cristo nos marcou definitivamente. Não há como não ter esperança e fé, mesmo em meio a lágrimas, sofrimentos e clamores. Em vários momentos da história da Igreja Cristã e das pessoas luteranas, é possível ver e ouvir testemunhos de felicidade, perdão e gratidão ao Deus da vida.

IHU On-Line – Para os luteranos, por que a Páscoa tem tanta importância ainda hoje?

Cleide Schneider – A Páscoa é a vitória sobre a morte. A ressurreição de Jesus anuncia que temos possibilidade de uma vida baseada no amor, no respeito, na dignidade humana, olhando para os dias que temos com esperança e fé. É o próprio Deus que nos oferece, e, por isso, a cada Páscoa, esse Deus é exaltado, e sua ação em favor da humanidade, relembrada e celebrada.

IHU On-Line – Para a Igreja Luterana, quais são os elementos essenciais para a comemoração da Páscoa, seus símbolos e rituais? Como um luterano celebra a Páscoa?

Cleide Schneider – Antes de chegar a Páscoa, foi preciso passar pela Sexta-Feria da Paixão. Não há como não lembrar o sofrimento de Cristo e se consternar diante de tanta dor. Por isso, a Sexta-Feira Santa é dia de recolhimento e reflexão. No Domingo de Páscoa, cantamos alegres a ressurreição e as comunidades festejam, algumas desde a madrugada, a vitória da vida, do cuidado de Deus pela sua criação. Celebramos com alegria a Ceia, lembrando a última ceia de Jesus com seus discípulos. As crianças festejam a Páscoa se alegrando com o Coelho, símbolo de fertilidade e multiplicação da vida e com os ovos de Páscoa, símbolos de vida frágil e delicada.

IHU On-Line – Lutero foi um reformador não apenas de “conteúdo”, mas também de “forma”. Ele promoveu algum tipo de “reformulação” dos ritos ou da reflexão teológica acerca da Páscoa diante do que era ensinado e celebrado pela Igreja Católica?

Cleide Schneider – A principal contribuição de Martinho Lutero para compreensão da fé é que a salvação nos é oferecida por graça (Rm 5, 1-11). Não há nada que possamos fazer, gestos ou ações, que nos garanta a salvação. Pela ação do Espírito Santo podemos ter fé em Jesus Cristo como Salvador. É Jesus quem nos libertou da morte, nos oferecendo vida, esperança e fé.

“A Páscoa cristã é a maior ação de Deus, oferecendo seu próprio filho como sacrifício em favor de seres humanos pecadores”

IHU On-Line – Já que tanto a festa da Pessach judaica quanto a Páscoa cristã têm o significado de passagem, qual seria a travessia que a humanidade é desafiada a fazer nos dias de hoje, a partir da fé luterana?

Cleide Schneider – Não estamos no mundo por acaso e sim porque Deus assim o quis. Creio que o principal desafio é deixar que Deus cuide e conduza nossas atitudes e nossas vidas. Somos seres frágeis, mas nos consideramos auto-suficientes. A Páscoa é a oportunidade que Deus nos oferece de nova vida, com dignidade e compromisso. A vida de Jesus nos deu exemplos infinitos de amor e cuidado. A graça de Deus nos alcança através de Jesus Cristo e nos dá a possibilidade de anunciar a nova vida oferecida por Deus com a ressurreição de Seu filho. Assim como Maria Madalena foi enviada, assim também nós somos. É preciso dar sinais nas relações diárias e nas tarefas do cotidiano do cuidado de Deus com minha vida. Nas relações, nas vivências com as outras pessoas que demonstramos quem cuida de nossas vidas. Há uma canção que cantamos no final de nossas celebrações que simboliza nossa certeza e nosso pedido:

Dá-nos esperança e paz,
Dá-nos bênção, dá-nos fé.
Dá-nos a luz de teu olhar
Dá-nos teu amor

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Páscoa, passagem de situações de menos vida para situações de vida plena

Para o irmão marista Antônio Cechin, “Jesus é totalmente Páscoa, Passagem da Morte para a Vida, não somente como fatos históricos significantes do Antigo Testamento, como também significado concentrado na Pessoa do Filho de Deus, mas também na vida cotidiana das pessoas e dos povos, realizando com todos, cotidianamente, constantes passagens de situações piores para situações melhores, de situações de pouca ou nenhuma vida, para sempre mais vida.”

Cechin formou-se em Letras Clássicas e em Direito pela PUC-RS, onde também foi professor. Fez sua pós-graduação no Centro de Economia e Humanismo, em Paris. Iniciou a especialização em catequese no Instituto Católico de Paris, quando foi chamado para o Vaticano, naSagrada Congregação dos Ritos (atual Congregação para as Causas dos Santos), no início da década de 60. Depois, retornou ao Brasil e iniciou a luta junto aos movimentos sociais. Sua obra está centrada no seu ativismo mais do que na sua elaboração intelectual e voltada para manuscritos e artigos, diversos deles publicados no sítio do IHU.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Qual é a comemoração central da Páscoa cristã? Como ela se relaciona com a comemoração judaica?

Antônio Cechin – A páscoa cristã tem tudo a ver com a Pessach (passagem) judaica. Os cristãos, até por ordem do próprio Jesus, tem que se ligar e religar com a Páscoa Judaica (Pessach). Jesus afirmava “Não penseis que vim abolir a Lei ou os Profetas!”. A primeira é a antiga Páscoa, a do Povo de Israel ou do Testamento Antigo, e a segunda é a Nova Páscoa, a de Jesus e do Povo de Deus, ou a do Novo Testamento. Não há solução de continuidade entre as duas. “Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco”, diz Jesus no contexto da Ceia Pascal, momentos antes de sua morte. Desde o início de Israel como povo de Deus, que desencadeou a Páscoa como arrancada de libertação, através de uma greve contra a escravidão e a saída do Egito, há, isso sim, uma caminhada de superposição de sentidos antigos que engrenam na Páscoa cristã, e que culmina no fato central da história humano-divina, ou seja, a morte e Ressurreição de Cristo, pois havia chegado “a ‘hora’ de Cristo” tantas vezes anunciada por Ele próprio. Essa “hora” é a reveladora suprema do tipo de Messias que é Jesus. Não o rei poderoso descendo do céu cercado de poder e majestade como o esperavam, há 2.000 anos atrás, os conterrâneos do Mestre, mas sim, o “servo” de Javé, “mais parecido com um verme do que com um homem”, crucificado e morto para a salvação da humanidade toda.

IHU On-Line – Quais são os fatos históricos que embasam especificamente a comemoração da Páscoa cristã?

Antônio Cechin – A Páscoa já era a maior festa judaica, séculos antes do nascimento de Jesus. Originariamente, é uma festa familiar, celebrada à noite, por ocasião da lua cheia ou do plenilúnio do equinoxial da primavera. Ofereciam a Javé um animal novo de apenas um ano, a fim de atrair as bênçãos de Deus sobre os rebanhos. A vítima era um cordeiro ou um cabrito, macho e sem defeito. Não podiam quebrar-lhe osso algum. Em sinal de preservação, com o sangue do animal untavam a porta de cada moradia. A carne era comida em refeição feita às pressas, todos os convivas à mesa vestindo roupas de viagem.

“O Nazareno, portanto, quer a Vida sempre, nunca a morte. Onde neste mundo existe pouca vida ou apenas ‘vida severina’, como dizem os nordestinos, é necessário ajudar a fazê-la desabrochar em todo seu vigor”

A grande primavera de Israel é aquela em que Deus o liberta da escravidão egípcia através de intervenções providenciais entre as quais a mais espetacular se afirma na décima praga: o extermínio dos primogênitos das famílias egípcias opressoras. Esse é agora o mais significativo dos sentidos atribuídos à páscoa em tempo judaico: coincide com a libertação da escravidão, através de uma greve, organizada pelo povo, guiado por Moisés. É o Êxodo, o maior acontecimento da história do povo israelita. Lembra que Deus castigou o Egito e poupou os que lhe são fiéis. Páscoa adquire então um novo sentido: passagem (pessach) ou travessia do mar Vermelho, ou seja, da terra da escravidão passaram para Terra Prometida ou Terra da Libertação, tão fértil que nela até “corriam leite e mel”. Pessach também, travessia ou passagem de Javé por cima das casas dos israelitas com as portas pintadas com o sangue que lhes poupa as famílias e ao mesmo tempo castiga os lares dos egípcios escravocratas.

Quando mais tarde Salomão construiu o templo de Jerusalém, Páscoa virou também a maior festa do Templo. Tornou-se então lembrança comemorativa marcada por grande peregrinação que foi adquirindo obrigatoriedade anual. O próprio Jesus, na idade de 12 anos, foi até o templo cumprir a desobriga, ocasião em que se perdeu de seus pais, como narra o evangelista Lucas. Desde então, vão começar a se sobrepor os significados cristãos. Jesus começa participando da páscoa judaica; Ele a queria melhor do que era, para finalmente suplantá-la, realizando-a em plenitude, tornando-se Ele próprio a Páscoa da Ressurreição para todos os cristãos.

Aos 30 anos, Jesus começa a implantação do Reino de Deus, que é o projeto do Pai que o enviou. O primeiro sinal desse Reino que será completado na “Sua Hora”, ou seja a hora da paixão, morte e Ressurreição, é assinalado pelo evangelista João no episódio das Bodas de Caná. Na cena desse casamento, está presente Maria, a mãe de Jesus, e os doze são também convidados. Em um determinado momento da festa, “não havia vinho”. Maria vai a seu Filho Jesus e diz: “Eles não têm vinho!”. Jesus retruca: “Mulher, o que há entre mim e ti? A minha hora ainda não chegou!”. Em todos os Evangelhos, a hora de Jesus é sempre a hora de sua morte, ressurreição e ascensão aos céus. Por isso, é errada a interpretação useira e vezeira na catequese tradicional de que em Caná o Mestre estaria significando a “hora de começar a fazer milagres”. Aqui, nos esponsais de Caná, para João evangelista, Jesus é o Divino Esposo realizando as núpcias com o povo de Israel, que é a esposa de Deus segundo os profetas, Oseias em particular. O vinho é a bebida mística que o Messias virá servir a todos, quando chegar, segundo os profetas.

Maria, a mãe de Jesus, depois da convivência com o mistério de seu Filho Jesus, já com fé adulta, entendendo sempre melhor o mistério de seu filho, vai a Ele e lhe faz o pedido de realizar a redenção, ao alertá-lo que os convidados às bodas não têm o vinho que os profetas anunciaram. Jesus responde que sua hora ainda não havia chegado. Em atenção ao pedido da Mãe Maria, esclarece que a hora da redenção ainda não chegou. Contudo presenteia a todos com um sinal do que vai acontecer na hora que vai ser a sua, na sexta feira santa, em que o vinho da redenção, que é o seu próprio sangue, vai ser servido.

Vemos aqui o apóstolo que em seu Evangelho vai ser o único a não narrar a última ceia de Jesus na quinta feira santa. No “mistério de Caná”, revela nas entrelinhas a mais autêntica Páscoa cristã superabundante de redenção: Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão do Mestre Jesus. O Nazareno passa então a concentrar todos os significados judaicos de libertação da escravidão, de entrada na Terra Prometida, de cordeiro imolado, dos pães ázimos (Eucaristia), Redenção, etc. Jesus é totalmente Páscoa, Passagem da Morte para a Vida, não somente como fatos históricos significantes do Antigo Testamento, como também significado concentrado na Pessoa do Filho de Deus, mas também na vida cotidiana das pessoas e dos povos, realizando com todos, cotidianamente, constantes passagens de situações piores para situações melhores, de situações de pouca ou nenhuma vida, para sempre mais vida.

IHU On-Line – Quais são os elementos essenciais para a comemoração da Páscoa cristã, seus símbolos, rituais? Como um cristão católico é convidado a celebrar a Páscoa?

Antônio Cechin – A Páscoa Cristã é a maior festa do ano litúrgico. Acontece na Semana Santa. Inicia com o Domingo de Ramos lembrando o evento acontecido na cidade de Jerusalém por ocasião da Páscoa Judaica, ano 33 da era cristã. Jesus, em sua pregação e organização do “Reino dos Céus”, já pelo espaço de três anos, jurado de morte pelas autoridades “do templo e do pretório”, entra na capital Jerusalém, montado num burrinho, símbolo da Paz que anunciava, particularmente nas bem-aventuranças, consideradas a plataforma do seu projeto: “Felizes os construtores da paz porque serão chamados Filhos de Deus”.

Eis que as multidões que já tinham ouvido a fama dele como Messias começam a correr pelas ruas da cidade no seguimento de Jesus. Cortam ramos de árvores para atapetar o caminho por onde o Mestre passaria. Na falta de árvores depõem sob os pés da montaria, as próprias túnicas e cantam: “Louva Jerusalém ao Senhor, louva teu Deus, ó Sião! Hosana, Hosana, Hosana ao Filho de Davi!”.

Cinco dias depois, na Quinta-feira Santa, Jesus manda os discípulos prepararem a Páscoa numa sala especial e aí, através do Lava-pés, prepara os apóstolos para a Sua Páscoa, que é Páscoa Cristã. Dentro de um clima de grande emoção, inventa a Eucaristia numa refeição em que serve Pão e Vinho por Ele transformados em seu Corpo e Sangue. Com esse rito central da Missa, acaba definitivamente com os sacrifícios de animais. Unicamente Ele será o Cordeiro da Nova Aliança imolado pela salvação da Humanidade. Fato que acontecerá uma única vez para todo o sempre, no dia seguinte.

Na Sexta-feira Santa, acontece então o grande comício organizado pelas autoridades “do templo e do pretório” que haviam conseguido cooptar multidões de peregrinos que vinham de longe e outros inimigos de Jesus. Gritavam para Pilatos, instigados pelos chefões de plantão: “Crucifica-O!… crucifica-O!…”. Travou-se a batalha decisiva entre o “projeto de Jesus” e o “projeto das trevas”.

Jesus foi condenado, pregado na cruz, finalmente morto. O Pai, naturalmente, o ressuscitou no terceiro dia, que é, liturgicamente, o grande dia chamado Páscoa da Ressurreição. Desde então, um dos símbolos principais da Páscoa passou a ser a cruz, instrumento de Redenção para os cristãos. Em torno da cruz, costumam os fiéis realizar sempre de novo a Via Sacra, devoção que reproduz os 15 momentos mais importantes da subida de Jesus ao monte Calvário, lugar em que pendeu desse instrumento de suplício inventado pelos imperadores romanos.

Na noite de sábado para domingo da Semana Santa, temos nos dias de hoje como ritual a bênção do fogo novo, extraído da pedra. Com esse fogo é aceso o Círio Pascal simbolizando Jesus vivo e Ressuscitado, caminhando conosco. Como ponto culminante da noite, é entoado em seguida o canto do Exultet (exultação). Canto em que o cristão explode de alegria, envolvido num máximo de lirismo pela Boa Nova por excelência: a morte foi vencida por Jesus Cristo. Com Ele ressuscitamos para sempre, já aqui e agora, para um dia com Ele dividirmos a glória eterna do Reino celestial. Segue o Rito da bênção da água batismal, que servirá durante o ano para batizar os novos cidadãos que começarão a fazer parte da Igreja.

O domingo encerra a Semana Santa dentro do máximo de solenidade pascal com bimbalhar dos sinos, grandes coros ao som de órgão e as orquestras. Nesse dia, os cristãos da Igreja de Roma, perseguidos e escondidos nas catacumbas, passavam um pelo outro sussurrando ao ouvido “Ele está vivo e caminha conosco!”.

IHU On-Line – Depois de tantos milênios, em que talvez a comemoração original até já perdeu o seu sentido ou o seu entendimento, qual a grande travessia que a humanidade é convidada a fazer nos dias de hoje, a partir da compreensão cristã?

Antônio Cechin – A Páscoa continua atualíssima tanto quanto o foi desde que se constituiu o povo judeu como povo de Deus, ou em vida do Filho de Deus, encarnado na pessoa do Homem Jesus de Nazaré. O sonho desse Homem, o seu grande projeto, é o Reino de Deus. Trata-se da maior e melhor felicidade com que pessoa humana ou coletividade pode sonhar. Trata-se de viver em plenitude o Amor de Deus e o Amor ao próximo, a partir dos mais pobres e mais sofredores do mundo. O teste do Amor a Deus que não vemos é o amor dos pobres a quem vemos diariamente em nossas praças, ruas, campos etc. Jesus não se cansou de afirmar “Eu vim para que todos tenham Vida e a tenham em plenitude!”. O Nazareno, portanto, quer a Vida sempre, nunca a morte. Onde neste mundo existe pouca vida ou apenas “vida severina”, como dizem os nordestinos, é necessário ajudar a fazê-la desabrochar em todo seu vigor. A Páscoa é sempre passagem, trânsito de situações de menos vida para situações de vida plena.

Podemos comparar o mundo em que vive uma massa de excluídos com um grande acumulador de eletricidade. Nesse acumulador, existem os polos que acumulam eletricidade. Essas massas humanas sofredoras, pelo simples fato de estarem sofrendo, concentram todas as contradições e conflitos do planeta terra. Aos poucos, como em relação aos polos de um acumulador, essas imensas contradições vão fazendo surgir eixos de consciência. Esses eixos de consciência vão se organizando a fim de reverter o curso da história: da opressão para a libertação

É o que acontece no cotidiano das cidades, estados, nações, continentes, mundo. Através dos eixos de consciência que são os Movimentos Populares, o povo de Deus vai adquirindo a certeza de sua capacidade de organização e de luta e, ao lado de uma história de perdição, vai construindo uma história de salvação, em que Jesus, o Filho de Deus, caminha à nossa frente para uma transformação global.

Só um pequeno exemplo: nesta terça-feira, aqui em Porto Alegre, diante da Secretaria de Educação, estava uma pequena multidão do MST [Movimento dos Sem-Terra] com seus educadores e um grupo de crianças, solicitando audiência ao Secretário em favor do retorno das Escolas Itinerantes do MST. Só em um assentamento em São Gabriel, 200 crianças estão sem escola. Está aí uma Páscoa do MST. Na transparência desses reivindicadores, está o Divino Ressuscitado puxando a frente e protestando com eles. De uma situação menos humana das crianças, querem passar para uma situação mais humana. Fazendo isso, o Movimento cumpre as leis sociais do país, além das leis divinas expressas até nas diretrizes dos bispos do Brasil quando, no artigo 23, pós-assembleia de Aparecida, dizem: “O Senhor da história caminha conosco e nos acompanha com seu Espírito de Vida. Com olhos de fé, ainda que em meio a ambiguidades, podemos vê-Lo nos movimentos sociais que se articulam em favor de causas mais amplas que as da classe ou do interesse local”.

IHU On-Line – Qual a importância dos irmãos e irmãs de outras fés nessa travessia?

Antônio Cechin – A grande surpresa, para não falar em escândalo, é que depois de mais de 2.000 anos da Páscoa de Jesus como passagem de sua morte para a Vida em plenitude, ainda estamos com uma dívida pendente com o povo judeu. Os cristãos, no passado, fomos culpados de perseguições aos judeus quando os consideramos povo diretamente culpado pela morte de Jesus. É realmente uma pena que o ecumenismo na Igreja seja tão recente. Começamos a nascer ou a renascer ecumênicos somente a partir do Concílio Vaticano II, isto é, a partir dos anos 60. O Papa João XXIII, quando recebeu uma representação judaica em seus aposentos, logo de entrada, abraçando um por um exclamava:  “Eu sou o vosso irmão José!”, ligando a cena bíblica de José do Egito, quando os irmãos que o haviam vendido a um mercador, chegaram ao palácio em busca de alimentos, sem a presença do irmão menor e do velho pai Jacó.

(Reportagem de Moisés Sbardelotto)

Para ler mais:

PÁSCOA JUDAICA, Celebração e reflexão no Pessach

20 de abril de 2011 0

A celebração de Pessach (Páscoa judaica) da Sociedade Israelita Brasileira (Sibra) começou ontem ao som de um violino atravessando o saguão do Plaza São Rafael, em Porto Alegre. A música animou as cerca de 150 pessoas que estiveram no evento.

O Pessach evoca o êxodo judeu do Egito, onde eram escravos, e leva a pensar na liberdade como um valor universal. É por isso que, nesses sete dias de comemoração, todos os povos são lembrados com um desejo de que obtenham também sua liberdade.

– O objetivo é sentir na própria carne como se cada um de nós tivesse saído do Egito – disse o líder religioso da Sibra, Guershon Kwasniewski (foto, D).

A data também é de reflexão.

– Do Pessach do ano passado ao deste ano, muita coisa mudou. Em nós, o que aconteceu de diferente em nossas vidas? A retrospectiva é muito importante – afirmou o líder religioso.


Fonte ZH 20/4/11

Pessach

20 de abril de 2011 0

ATRAVÉS DO BLOG DAS RELIGIÕES O GRUPO DE DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO DE PORTO ALEGRE MANIFESTA A UM DE SEUS QUERIDOS INTEGRANTES, O LIDER RELIGIOSO GUERSHON KWASNIEWSKI COMO TAMBÉM A TODA A COMUNIDADE DA SIBRA A ALEGRIA DA COMEMORAÇÃO DO PESSACH.

ESSA COMEMORAÇÃO ANIMA E ESTIMULA A TODOS OS MEMBROS DO DIRPOA A UNIR-SE NA REFLEXÃO SOBRE A ‘LIBERDADE COMO UM VALOR UNIVERSAL”  REAFIRMANDO QUE  O RESPEITO AOS DIFERENTES E ÀS DIFERENÇAS  É O VERDADEIRO CAMINHO PARA O ENTENDIMENTO E PARA A CONSTRUÇÃO DA PAZ ENTRE AS PESSOAS.

Pessach, Festa judaica para lembrar data histórica

19 de abril de 2011 0

O Pessach (passagem), data religiosa judaica, foi celebrado, ontem, pela Associação Israelita Catarinense com um jantar e uma celebração no Hotel Beach Village, em Florianópolis.

O evento, que contou com o apoio da Confederação Israelita do Brasil e da União Mundial do Judaísmo Progressista, trouxe o Prof. Guershon Kwasniewski, da Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência, de Porto Alegre, e foi aberto à comunidade.

Ointuito era lembrar o êxodo dos hebreus, escravos no Egito, para a terra prometida, onde estariam livres, entre 1220 a.C. e 1180 a.C.

Para a presidente da Associação Israelita Catarinense, Julia Guivant, o Pessach é um período de valorização da liberdade, da democracia e da conciliação dos povos. Este ano, a celebração vai de 18 a 26 de abril e está sendo comemorada na mesma época em que os cristãos festejam a ressurreição de Jesus Cristo.

No cardápio do jantar, ingredientes com fortes significados: a chicória, para lembrar os tempos amargos da escravidão no Egito; a alface mergulhada em água salgada, remetendo às lágrimas dos escravos; e o pão ázimo, sem fermento, sugerindo a falta de tempo para o trigo se desenvolver e a pressa dos hebreus que fugiam.

Os pratos confirmam o esforço em manter, no presente, os ensinamentos deixados pelos antigos.

Fonte Diario Catarinense


Celebração evoca o sentimento de libertação Pessach, data religiosa que relembra a saída dos judeus do Egito, tem início hoje e segue até dia 26

18 de abril de 2011 0

Fonte ZH 18 de abril de 2011

De hoje a 26 de abril, famílias judias celebram o Pessach, que relembra o êxodo dos hebreus, escravos no Egito, para a Terra Prometida, onde seriam homens livres, entre 1220 a.C. e 1180 a.C. Uma das datas mais importantes do calendário judaico, a celebração evoca o sentimento de liberdade, lembra o passado e permite refletir sobre o presente.

– O valor da liberdade não pertence a um único povo. A liberdade é um valor universal e, particularmente, fico muito feliz que as sociedades árabes possam se libertar da tirania e da opressão das ditaduras, assim como o povo de Israel conseguiu se livrar do Faraó há 3 mil anos – compara o líder espiritual da Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência (Sibra), Guershon Kwasniewski.

De acordo com Kwasniewski, o conceito de história no judaísmo não é linear, é cíclico. Os mesmos fatos se repetem em distintas gerações, por isso a memória permite que o passado seja lembrado e o presente, interpretado.

– Os judeus experimentaram o conceito de liberdade, que está recém acordando nos povos árabes e vai servir no futuro para uma coexistência pacífica na região. Estamos falando do mesmo Egito. Só um povo livre pode optar por sua política, pelo seu caminho, seu estilo de vida – diz o líder espiritual, para quem “liberdade é quando se pode pensar e agir conforme a própria vontade, dentro de um sistema de leis democrático, que respeita os direitos básicos do ser humano”.

Seder é a cerimônia que marca o início do Pessach

Este ano o Pessach é comemorado no mesmo período em que os cristãos celebram a ressurreição de Jesus.

A comunidade judaica revive esse momento de transição durante oito dias. Entre os dias 18 e 19, as famílias se reúnem para o “Seder do Pessach” (cerimônia que ocorre na noite do 14º dia do mês de Nissan, o primeiro mês do calendário judaico conforme a Torá). O encontro é marcado por uma ceia em que relembram a libertação dos hebreus, depois de um longo período de escravidão no Egito.

O Pessach é a festa da liberdade, tempo de comemorar o êxodo do Egito e a redenção de um povo que viveu em regime de escravidão. A celebração não só relembra o passado, mas também se esforça em manter, no presente, os ensinamentos deixados pelos antigos.

Pessach significa “passagem”, a migração liderada por Moisés, que no percurso recebe os 10 Mandamentos.

lívia.meimes@zerohora.com.br

LÍVIA MEIMES

Saiba mais
A FESTA
- O Seder marca o início do Pessach. É uma cerimônia que une o ritual religioso a uma ceia repleta de alegria. A palavra seder significa ordem: de acordo com as tradições judaicas, a cerimônia segue uma ordem pré-definida. O propósito da cerimônia é fazer com que cada judeu reviva a experiência dos seus antepassados na noite em que partiram do Egito. Todos os rituais e as comidas simbólicas do Seder ajudam a vivenciar o sofrimento e a redenção dos ancestrais do povo judeu.
A MATZÁ
- Durante o período do Pessach, os judeus não podem comer nada feito com fermento. Os alimentos fermentados – chamados de chamêts – são proibidos. A história conta que a rapidez em fugir era tanta que os hebreus usaram dos poucos ingredientes de que dispunham para preparar seu alimento base. Assim, no lugar do trigo, da cevada, do centeio e da aveia, é usada uma farinha especial feita de matzá, o pão ázimo. Em lembrança a esse alimento, durante o Pessach a casa é limpa de todos os alimentos feitos à base de fermento.

Convite Dia das Mães

14 de abril de 2011 0

Homenagem ao Dia das Mães terá cerimônia Inter-Religiosa

13 de abril de 2011 0

A Secretária de Administração Sonia Vaz Pinto participou de reunião com a coordenadora da Comissão de Eventos do Município, Alfa Buono e com representantes do Grupo de Diálogo Inter-Religioso de Porto Alegre para tratar da cerimônia em homenagem ao Dia das Mães. A reunião também contou com a presença da secretária adjunta Rita Eloy. O evento, que integra o calendário de eventos do município, será realizado na Catedral Metropolitana no dia 14 de maio (sábado), às 9:30h e contará com a presença do Prefeito, José Fortunati e do Secretariado Municipal. Alfa Buono informou que a primeira reunião da Comissão de Eventos do Município será realizada na próxima quarta-feira (13), às 9:30h, na sala de reuniões da SMA (Rua Siqueira Campos 1300, 10º andar).


11 de abril de 2011 0

Japão

Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro.

Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência. Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar à serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?

Outra palavra é gaman: aguentar, suportar. Educação para ser capaz de suportar dificuldades e superá-las.

Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo de duas maneiras. A primeira pela violência do  tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima. A segunda pela disciplina,  ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas. Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para  os banheiros.

Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém. Compartilhavam cobertas,  alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área. As crianças não faziam algazarra, não  corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado. Não furaram as filas para assistência médica – quantaspessoas necessitando de remédios perdidos – mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção  médica, alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água. Compartilharam também do resfriado, da falta de água para
higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte.

Nos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques. Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo  pouco que recebiam. Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão.

Sumimasen é outra palavra chave. Desculpe, sinto muito, com licença. Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver.  Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta. Desculpe pela minha dor,  pelo minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo. Sumimasem.

Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um  todo, somos cuidadas e respeitadas. O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei. Cada um de  nós, cada uma de nós é o todo manifesto.

Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a  realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico. As vítimas encontradas, vivas ou mortas eram gentilmente cobertas pelos  grupos de resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias,  helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais.

Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de  que “somos um só povo e um só país”.

Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas. Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança  nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo.

Aprendemos com essa tragédia o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória, nada é seguro neste mundo, tudo  pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente.

Reafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra. O planeta tem seu próprio movimento e vida. Estamos na superfície, na casquinha mais fina. Os movimentos  das placas tectônicas não tem a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos. O que podemos fazer é cuidar da  pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos. E isso já é uma tarefa e tanto.

Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento  compartilhado leva à reconstrução.

Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que  companharam os eventos que se seguiram a 11 de março.

Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar.

Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso dizer : todas. Todas eram e são pessoas de meu conhecimento. Com elas aprendi a orar, a ter fé, paciência, persistência. Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas.

Mãos em prece (gassho)
Monja Coen

Luto

08 de abril de 2011 0

Acompanhamos com pesar e dor o assassinato de crianças inocentes que estavam no local certo, o colégio, estudando e brincando com os seus colegas.

Só uma pessoa doente com muito ódio pode fazer o que fez, assassinar.

A vida é o mais sagrado que tem o ser humano, e ninguém a não ser D-s tem o direito a tirar a mesma.

Desde Porto Alegre, o nosso abraço carinhoso para os familiares e amigos das vítimas.

Para os colegas das vítimas, toda a nossa força para que em breve possam retornar para o colégio.

São Lourenço do Sul

07 de abril de 2011 0

Prezados leitores, no passado final de semana fui junto a equipe da sinagoga para a cidade de Pelotas, onde celebramos um casamento.

Sabendo que iriamos passar por São Lourenço do Sul aproveitamos e entramos até a cidade.

Nos encaminhamos até a Defesa Civil e entregamos os agasalhos arrecadados na nossa campanha de solidariedade.

No local encontramos a primeira dama da cidade, esposa do Prefeito que agradeceu pelos donativos.

Ainda tem muitos desabrigados na cidade e eles continuam necessitando de todos nós.

Por isso se estiver por perto da cidade,  são apenas 5 km desde a BR 116 até o posto da Defesa Civil.

Enviamos o nosso abraço fraternal a todos os moradores da cidade e desejamos que em breve voltem as suas vidas normais.

Agradecemos aquelas pessoas que doaram os agasalhos para a nossa campanha de Tzedaká – o  conceito judaico de Justiça.

Quando alguém está necessitado não fazemos caridade, fazemos justiça.