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O comentário semanal da Torá - do Antigo Testamento - pelos Rabinos Brasileiros

25 de outubro de 2013 0

Parashat hashavua -porção semanal – Chaiei Sará

No projeto da SIBRA Parashat Hashavua pelos nossos Rabinos, o Rabino Leonardo Alanati da CIM – Comunidade Israelita Mineira – comenta Chaiei Sará -Gênesis 23:1- 25:18 -.

Viva o casamento! (Chaiei Sara)

Conversando com um amigo traumatizado por um divórcio recente, ele me disse: “Nunca mais quero me casar!”

Esta posição contrária ao casamento é compreensível diante de uma união mal feita e terrivelmente desfeita.  Os traumas são profundos.  No entanto, o judaísmo sempre foi um forte defensor do casamento, mesmo reconhecendo as suas dificuldades.  Ler a Parashá desta semana (Gênesis 23-25) nos leva a refletir sobre esta antiga instituição.  A Parashá é um verdadeiro hino de louvor ao casamento.  A Torá descreve a busca de uma esposa para Isaac detalhadamente.  Porém, um outro casamento é descrito de forma mais discreta e menos comentada, mas não menos importante.

Abraão tinha perdido sua querida esposa Sara.  Ele ficou de luto, chorou a perda, procurou um local digno para o enterro dela.  Algum tempo depois, Abraão se preocupou com o casamento de seu filho Isaac.  Após conseguir casá-lo, lemos que o já idoso Abraão se casou com Ketura e teve nada menos do que seis filhos com ela!  Após este relato, a Torá nos conta que Abraão morreu “numa feliz velhice, idoso e satisfeito.” (Gen 25:8).

O casamento é tão bom que não é algo só para os jovens.  O primeiro israelita nos deu o exemplo, que depois ainda se repetiria por diversas vezes na nossa história: viúvos e viúvas, muitos dos quais amaram profundamente seus primeiros cônjuges, se unindo em casamento uma outra vez.  Esta união lhes trará carinho, apoio e conforto diante das dificuldades da idade avançada.

O judaísmo está ciente de que a união harmoniosa entre um homem e uma mulher não é uma tarefa fácil.  Um provérbio talmúdico afirma que “é mais difícil para Deus unir um casal em matrimônio do que repartir o Mar Vermelho.” (Sot. 2a e G.R. 68:3)

Em casos críticos, nos quais após diversas tentativas o casal não consegue atingir uma convivência harmoniosa, o judaísmo, desde os tempos bíblicos, já indicava o divórcio.  Era um procedimento pouco usado, pois era triste e penoso.  Porém, a existência do divórcio simboliza o reconhecimento da possibilidade de erro ao se casar e o fato de que as pessoas mudam com o passar do tempo.

Infelizmente, nas últimas décadas houve um aumento significativo do número de divórcios.  Atualmente, para cada dois casamentos realizados, um será desfeito.  Baseado nesse e em outros fatos, alguns já declararam o fim do casamento.  Experimentam-se outras alternativas.  Porém, a verdade é que o casamento não está em extinção, mas sim em transformação.  Homens e mulheres desejam mais desta união e não se acomodam com relacionamentos frios e estéreis como antigamente.  Atualmente, ambos precisam investir mais no seu relacionamento do que no passado.

Psicólogos afirmam que casamento e felicidade caminham juntos.  Um estudo nos EUA demonstrou que 39 % de adultos casados alegavam ser muitos felizes, comparados com 24 % dos solteiros.  Uma das explicações é a antiga máxima da Torá: “Não é bom para uma pessoa viver sozinha.” (Gen 2:18).  Os casados sentem menos solidão do que os solteiros e recebem mais apoio.

Uma história chassídica conta que uma pessoa estava perdida na floresta há dias.  De repente encontrou uma outra pessoa.  Celebraram com alegria o seu encontro.  Um disse então: “Enfim, alguém que sabe o caminho de volta!” Ao que o outro respondeu: “Oh, não!  Você também está perdido!” Então o primeiro disse: “Não vamos desanimar. Você já sabe alguns caminhos que não levam à saída e eu já conheço outros caminhos que não levam a nada.  Mesmo que nenhum de nós conheça a saída, será mais fácil encontrá-la juntos.”

Rabino Leonardo Alanati

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