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Posts de novembro 2013

Comentário da porção semanal da Torá

29 de novembro de 2013 0

A cada semana o povo de Israel faz a leitura de uma porção do Antigo Testamento.

Trazemos neste espaço o comentário de vários rabinos do Brasil, que corresponde ao livro de Gênesis, capítulo  41, versículo 1 até capítulo 44, versículo 17.

Esta é a décima porção semanal, desde o início do ciclo de leitura da Torá.

Poder e emoção (Mikets e Chanucá -)

            A Parashá desta semana normalmente é lida na festa de Chanucá.  Existem inúmeras ligações entre o texto da Torá e esta festa.

A história dos Macabeus, de sua coragem, de seu preparo militar, de seus atos heroicos e de seu levante contra um império mais poderoso se tornou fonte de inspiração para o movimento sionista, que era principalmente composto de jovens socialistas ateus.  Estes jovens desejavam construir não apenas um novo país, mas também um novo judeu.  Eles desprezavam o judeu religioso europeu, franzino, subserviente e temeroso de reagir contra o antissemitismo.  Eles sonhavam com um judeu corajoso, independente, batalhador e que sabe se defender de ataques.

Este ideal se concretizou nas primeiras gerações de israelenses.  Por muitos anos em Israel valorizou-se a pessoa durona, que não demonstra emoções e nunca chora.

Na Parashá desta semana encontramos outro modelo.  Após passar pela escravidão e pela prisão, José conseguiu subir na vida.  Ele se tornou o vice-faraó, o segundo homem mais poderoso de um dos maiores impérios da antiguidade.  Não há exemplo melhor do “self made man”, de homem que alcança o sucesso sozinho.  Após alguns anos de bons serviços no governo do Egito, ele se encontrou com um grupo de israelitas desesperados e famintos.  Eram seus irmãos, que tinham lhe vendido como escravo.  Ele os reconheceu, mas os irmãos não o reconheceram.  Inicialmente José sentiu raiva e os acusou de espiões.  Porém, quando os irmãos contaram sua história e demonstraram arrependimento pelo que fizeram com José, lemos que ele “se afastou deles para chorar.” (Gen 42:23)

A segunda vez que José chorou foi quando os irmãos retornaram trazendo Benjamim, o caçula, seu único irmão de pai e de mãe.  A Torá relata o encontro nas seguintes palavras: “Emocionado até as entranhas à vista de seu irmão, apressou-se a procurar um lugar reservado para chorar.  Dirigiu-se a seus aposentos e ali chorou.” (Gen 43:30)

Por fim, após testar seus irmãos e se certificar que eles tinham realmente se arrependido, “José soluçou tão forte que os egípcios o ouviram, mesmo a casa de Faraó. … Ele atirou-se aos pescoços de seus irmãos, chorando, e os beijou. ” (Gen 45:2)

Até recentemente, em Israel ou na Diáspora, a sociedade machista não aceitava o choro masculino com tranquilidade.  Um dos aspectos positivos da modernidade é abrir espaço para a demonstração dos sentimentos masculinos.  Até homens poderosos, altos executivos ou políticos são admirados quando se emocionam publicamente durante uma ocasião tocante.

Alguns dos textos bíblicos que apoiam este comportamento se encontram na Parashá desta semana.  O poderoso José tentou inicialmente esconder seus sentimentos.  Mas acabou deixando a vergonha de lado e chorando forte e alto, para todos ouvirem.  José assim se tornou um ideal de homem empreendedor e corajoso, mas sensível e emotivo.

No século XXI, os israelenses já aceitaram que a emoção faça parte da sua rotina.  Casais de namorados andam abraçados e se beijando pelas ruas de Tel Aviv.  Até os mais bravos e fortes soldados de tropas de elite de Israel choram nos enterros de seus companheiros abatidos em combate.

Do outro lado do mundo, nós, judeus da Diáspora, não somos mais passivos, subservientes e medrosos.  Sabemos responder pela palavra oral ou escrita, ou por atos políticos, a todas as manifestações de ódio e preconceito.

Que Deus nos oriente a continuar integrando coragem, força de iniciativa e assertividade política à emoção e à sensibilidade.

Rabino Leonardo Alanati

Congregação Israelita Mineira

Por quê comemorar Chánuka em 2013?

28 de novembro de 2013 0

O maior desafio das comunidades israelitas da diáspora é encontrar sentido nas comemorações das festividades judaicas.
O caráter histórico de algumas das datas não sensibiliza o congregante do mesmo jeito que as festividades que reúnem a família em torno de uma mesa em forma massiva – como acontece em Pêssach – ou as festividades que reúnem centos de pessoas nas sinagogas – como o caso de Rosh Hashaná e Kipur -.

O fato de celebrar Chánuka sempre próximo da época natalícia coloca a festividade num outro patamar.

O acendimento da chanukiá é a melhor vitamina que encontramos para reforçar a nossa identidade num tempo no qual o fascínio, especialmente das crianças, pelas luzes de Natal pesa como influência cultural.
Hoje não reinauguramos mais o Grande Templo de Jerusalém para comemorar esta data, mas sim reinauguramos a chance de reafirmar e fortalecer o nosso judaísmo pelo caminho mais simples se pensamos no contexto e na era do desenvolvimento tecnológico que vivemos.
Acendemos “velas” – elemento primário e transformador – todas as noites durante os oito dias da celebração, para lembrar o espírito macabeu.

Diversas perspectivas para entender porque sim devemos comemorar Chánuka:

Coloco o foco na cidade de Modiin, hoje uma cidade radiante e em constante crescimento, moderna, próxima do aeroporto de Lod e na metade do caminho entre Jerusalém e Tel Aviv.
Modiin concentra uma população jovem em relação a outras cidades, não encontramos árabes nela, nem grupos de judeus ortodoxos.
Deve ser uma das cidades de Israel com maior quantidade de praças por número de habitantes.
Mas o interessante é que esta mesma cidade que hoje existe e que albergou o verso da revolução contra os selêucidas, não é assunto do passado o que torna a festividade ainda mais legítima

Outra mensagem que aprendemos em Chanuka é à força do povo quando se junta para atingir um objetivo.
A história dos macabeus deixa as claras à inconformidade de uma família de sacerdotes que levou todo um povo a se sublevar contra o inimigo grego.

Chánuka nos ensina a ser criativos sem limites, não existe uma regra para construir uma chanukiá – candelabro com oito braços mais um que utilizamos para acender as velas-.

Chánuka é uma festividade que repudia o egoísmo que existe dentro de cada um de nós. As velas devem ser acessas do lado da janela externa da casa com o objetivo de compartilhar a luz, sem interessar com quem. Mas o objetivo nobre é compartilhar, ação que escasseia no mundo atual.

A história de dois judeus, duas opiniões se reforça em Chánuka. Beit Shamai – a Escola de sábio Shamai – pregava acender toda a chanukia na primeira noite e depois restar uma vela, enquanto o Beit Hilel pregava acender uma vela por noite até completar o acendimento na oitava noite. O conceito da Halachá estabelece “demaalin bakodesh velo moridin – subimos na santidade e não diminuímos –“. Por tanto hoje acendemos conforme a tradição da Escola de Hilel.

Culinária: no último ano passei a festividade em Jerusalém, cidade que fica toda enfeitada. Imperdível é chegar até alguma padaria, especialmente na área de Machané Iehuda – o mercado -, a variedade de sufganiot –sonhos – é inacreditável.

Seja qual for a sua motivação, comemore!! Você faz parte do povo de Israel!

Chag Aaurim Sameach!

Guershon Kwasniewski
Rabinato da SIBRA

Concerto Inter-religioso

25 de novembro de 2013 0

ConcertConcerto Inter-religioso2013o Inter-religioso – em clave de fraternidade

Uma oportunidade muito especial de apreciar a música religiosa de diversas tradições, com a apresentação de grupos musicais das organizações religiosas afiliadas ao Grupo de Diálogo Inter-religioso de Porto Alegre.

Local: Igreja Nossa Senhora das Dores
R. Riachuelo 630

Horário: 19h30min

Organização e Promoção: Grupo de Diálogo Inter-religioso de Porto Alegre

Grupo de Diálogo Inter-religioso participa da posse do novo Arcebispo de Porto Alegre

17 de novembro de 2013 0

Na passada sexta-feira, 15 de novembro, os integrantes do Grupo Inter-religioso participaram na Catedral de Porto Alegre da posse de Dom Jaime Spengler, novo Arcebispo.

Desejamos agradecer a acolhida oferecida tanto pelos religiosos, como pelos leigos que participaram da posse.

Foi um momento relevante da Igreja Católica e como integrantes do Grupo somos gratos pela oportunidade de estarmos presentes.

 

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Comentário da porção semanal da Torá - Antigo Testamento - pelos rabinos brasileiros

01 de novembro de 2013 1

Hoje recebemos o comentário do Rabino Uri Lam, da SIB – Sociedade Israelita da Bahia –  Salvador.

A porção semanal chama-se Toldot, se encontra no livro de Gênesis, capítulo 25, versículo 19 até o capítulo  28, versículo 9.

Comentário – Parashát Toldot

Rebeca, a primeira estudante de Yeshivá: uma rosa entre espinhos

Rabino Uri Lam, Sociedade Israelita da Bahia

Disse Rabi Acha bar Yaakov: Venha e veja o que está escrito: “E Isaac suplicou para o Eterno na presença de sua esposa, pois ela era estéril [e o Eterno o atendeu e Rebeca concebeu]” (Gên.25:21) – Disse Rabi Acha: Por que ela é estéril? Porque as forças do iétzer hará estão ausentes do mundo. Por isso não há fertilidade e concepção… na medida em que se desperta o yétzer hará, há fertilidade e concepção. (Zohar, Toldot)

Há muitos anos tive um sonho muito real. Sonhei que estava em uma casa à beira do mar, num morro. Entre a casa e o mar havia um lindo jardim de rosas que cobria a encosta. No mar estava se banhando uma linda mulher, por quem eu era apaixonado. Com um gesto, ela me chamou para entrar na água. Desci por entre as rosas e recolhi algumas para lhe dar. Quando cheguei, ela sorriu, mergulhou e sumiu entre as ondas. Senti a alma e o corpo arderem: a alma, pela perda da pessoa amada; o corpo, arranhado e sangrando graças aos espinhos das roseiras, ardia dolorosamente em contato com a água do mar. Eu estava vivo.

***

Rebeca é definida no Midrash como uma rosa entre espinhos. E por quê? Porque ela teria crescido em uma casa de trapaceiros: seu pai Betuel e especialmente seu irmão, Lavan.

Rebeca era uma mulher ousada – provavelmente também seria vista assim nos dias atuais, para o bem e para o mal, aos olhares de muitos de nós. Ela decidiu ir ao encontro do seu noivo e chegou a “cair do camelo” ao vê-lo. Ela alternou timidez ou modéstia – quando cobriu o rosto antes de encontrá-lo – com extroversão e ousadia ao seguir com ele para a tenda de sua mãe, onde Isaac foi consolado em seus braços.

O casal passou muito tempo sem engravidar, como parecia ser a sina da família – vide Abrahão e Sara. Passados 20 anos, Isaac suplicou a Deus, na presença dela, para terem filhos. Rebeca engravidou. De gêmeos. Que corriam um atrás do outro dentro do seu ventre. Em um de seus célebres debates, Rabi Iochanan e Resh Lakish discordam sobre o conflito pré-natal: “Um quer matar o outro”, diz Rabi Iochanan; “Um permite o que o outro proíbe [só para irritá-lo]”, diz Resh Lakish. Seja como for, o “amor” entre Esaú e Jacob é mútuo.

Depois de 20 anos e finalmente grávida, Rebeca parece se desesperar com o que a espera: “Se é assim, por que isso para mim? – E foi compreender [Lidrósh] o Eterno”. (Gên. 25:22)

A tradução convencional nos conta que, dada a situação, Rebeca foi consultarDeus para saber o que se passava. Segundo o midrash, Rebeca teve uma postura mais ativa: ela foi para a yeshivá, ou seja, estudou nos batei midrásh (casas de estudos) de Shem e Éver, precursores de Abrahão, para tentar Lidrósh – compreender, interpretar o que Deus reservou para ela.

Rebeca teve despertado o seu yétzer hará. Geralmente traduzido como “mau impulso”, é graças ao yétzer hará que se colocam filhos no mundo, criam-se novos empreendimentos, reinventa-se o mundo – e em vez da fé cega, busca-se entender Deus. Talvez, o yétzer hará seja um aspecto daquilo que o rabino Nilton Bonder chamou de “alma imoral”. Graças ao yétzer hará – apesar da dor causada pelos espinhos, que muitas vezes se dizem guiados pelo yétzer hatov, o “bom impulso” – as rosas podem nascer, colorir e perfumar o mundo.

Rabino Uri Lam
SIB – Sociedade Israelita da Bahia