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Posts de setembro 2014

A DOAÇÃO DE ÓRGÃOS E OS TRANSPLANTES

29 de setembro de 2014 0

Nestes últimos dias aprendemos muito: o Grupo de Diálogo Inter-religioso de Porto Alegre foi convidado a participar da celebração inter-religiosa do Dia Nacional de Doação de Órgãos na Catedral Metropolitana de Porto Alegre em 25 de setembro de 2014; dia 26 de setembro, assistimos à mesa redonda que a Central de Transplantes do Rio Grande do Sul, comemorando o dia nacional da doação de órgãos e tecidos, onde representantes de diversas religiões expuseram o enfoque da sua religião a respeito do tema. Ambos os eventos estiveram sob o comando e organização de Lúcia e Naida, do Atendimento Psicossocial CTX da Central de Transplantes, a quem envidamos nossos aplausos, em vista do sucesso. O evento de 26 de setembro foi realizado no auditório do Centro Administrativo do Estado, Av. Borges de Medeiros, 1501, térreo, e a explanação começou perto das 10:30 horas. O público alvo foi composto por pessoas e instituições ligadas à saúde e público em geral.

Dissemos que aprendemos muito: e isto é uma realidade. A vida se nos apresenta a cada momento oportunidades cheias de vivências e ensinamentos; muitas vezes não damos ouvidos à voz da curiosidade, mãe do aprendizado, e que nos leva à busca de conhecimentos que abrem nossas realidades. E estes foram momentos de abertura, de renovação, de reavaliações.

Dia 25 de setembro, na Catedral Metropolitana, houve a belíssima celebração inter-religiosa; com início às 18:30 horas, coordenados por Alfa Buono, ouvimos a Coordenadora da Central de Transplantes, Dra. Rosana Reis Nothen falar sobre as atividades desenvolvidas pela Central, por Hospitais, e por todo um especial esquema de médicos, enfermeiros, assistentes sociais, transportadores de órgãos, doadores, e transplantados, com o único objetivo de salvar vidas.  O representante da Igreja Católica em nosso Grupo, padre Luis Carlos Almeida, leu a todos a Epístola aos Coríntios de Paulo. Tivemos a alegria de ouvir a salmista Rosângela, acompanhada de Hudson, envolvendo a atmosfera de sons maravilhosos em que o canto e o piano bailavam a nossos ouvidos sons e palavras belíssimas, contidas no Salmo 8.  Após, Ahmad Ali falou sobre o evento, seguido por nós, pelo representante da Umbanda e Cultos Afro Clóvis Alberto Oliveira de Souza e pelo Padre Luis Carlos Almeida.  Após, com a Oração de São Francisco cantada, ouvimos as mensagens de pessoas ligadas à doação de órgãos: Felipe Rafael Nunes, transplantado do coração, mostrou o seu envolvimento a partir de sua doença, tratamento e transplante até o despertar da vontade de ajudar que o transformou em estudioso de enfermagem, mister a que hoje se dedica; Rosemary Brandeburski, que teve uma filhinha de sete anos acidentada, e que somente ultrapassou a dor da perda pela doação dos órgãos da criança a receptores necessitados; o depoimento de Jorge Luis Neves, pai da receptora de fígado Andressa Lima que externou a todos a gratidão de ver uma filhinha renascer da dor pelo transplante necessário e vital; a assistente social da Santa Casa de Misericórdia Adriane Peres Barbosa que contou o trabalho que as equipes desenvolvem para que se concretize um transplante; o médico regulador da Central de Transplantes,  Dr. Ricardo Ruhling que nos fez saber o que é transportar sonhos, esperança, vida quando do transporte de órgãos doados, que poderíamos chamar de órgãos de amor; e por último, o depoimento da médica transplantadora do Hospital de Clínicas Dra. Sandra Vieira, que acompanhava com alegria a vida que saltitava de Andressa, sua pequena paciente, a quem restituíra um futuro e a vida. O evento terminou com a Bênção Aarônica, que o Grupo transmitiu, após o canto É Preciso Saber Viver, dos Titãs.

No dia seguinte, 26 de setembro, após a abertura do evento pela Secretária da Saúde, seguida da explanação da Dra. Rosana Reis Nothen sobre o Panorama e Perspectivas nas Doações e transplantes, assistimos à mesa redonda que a Central de Transplantes do Rio Grande do Sul promoveu, comemorando o dia nacional da doação de órgãos e tecidos, onde representantes de diversas religiões expuseram o enfoque da sua religião a respeito do tema. Então estiveram presentes representante dos Luteranos, Pastor Carlos Kupka, que falou sobre o aconselhamento às pessoas com relação à morte cerebral, e o benefício da doação; o Padre Gustavo Hass, que a todos encantou com a maestria de suas palavras, que apontou nas Escrituras da Bíblia o primeiro transplante feito por Deus, quando retirou uma costela de Adão e fez a mulher; Dr. Emanuel Burck dos Santos, médico transplantador de rim do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, representando o Espiritismo; e Mozart Nascimento, representando a Umbanda, que firmou os princípios relativos ao evento, apresentando as razões das pessoas de seu culto religioso, com as condições básicas para aceitar ser doador. Seguiu-se o Mediador, Dr. Lothar Carlos Hoch, que mostrou sua vivência em Santa Catarina, concluindo que a família que permite a doação tem a dor do luto abreviada. Falou-se, após, no papel das diversas orientações religiosas em relação a tão importante evento, além de depoimento do Dr. Joel Andrade, Coordenador da Central de Transplantes de Santa Catarina.

Em A Gênese, Allan Kardec nos ensina que “O Espiritismo e a ciência se completam um ao outro; a ciência sem o Espiritismo se encontra na impossibilidade de explicar certos fenômenos unicamente pelas leis da matéria; sem a ciência, ao Espiritismo faltaria apoio e controle.”Se nos perguntarmos: o Espiritismo é a favor ou contra a doação de órgãos? É importante ressaltarmos que na época da Codificação Espírita nem se cogitava desse assunto. Porém, encontramos ensinamentos nas obras de Allan Kardec que nos autorizam a dizer que sim, o Espiritismo é a favor da doação de órgãos, respeitando também aqueles que optam em não doar, pois essa escolha é de cunho pessoal e não deve ser forçada sob nenhum pretexto. Examinando a resposta à questão 156 de O Livro dos Espíritos, que trata sobre a agonia, lembramos que é por que o Espírito abandona o corpo que acontece a morte; na agonia, há o desprendimento do Espírito ou da alma; não há mais nada a não ser resquícios de vida material. E lembramos: será que isto não corresponde à morte encefálica que os Espíritos já falavam por volta de 1857? Também, quando do desprendimento da alma, não há mais dor física, de acordo com o que se apreende em LE 257. Mas sabemos que não existe morte, pois a vida continua em outro plano. E no mundo espiritual não precisamos mais deste corpo. Nosso irmão Jesus nos ensinou que devemos amar a Deus, ao próximo e a nós mesmos; devemos fazer ao outro o que gostaríamos que fizessem a nós mesmos. No caso da doação, o maior beneficiado é o doador. E é preciso que nos esclareçamos, pois aqui se fala em vida, e, doar é dar com amor, propiciar ao outro que nosso ente querido que foi para outro plano continue vivendo, por um maior período, continue conosco, beneficiando com seus órgãos, pessoas  necessitadas e trazendo ao outro a vida pela matéria que não mais necessita.

Não sabemos a autoria de um trecho que lemos na Internet, em página de um espírita de Minas Gerais, Valdir Pedrosa, que aqui trazemos: “Quando minha hora chegar, não tente introduzir vida artificial no meu corpo, através de uma máquina. Em vez disso, doe meus olhos para um homem que nunca viu o Sol nascer, nem o rosto de um bebê ou o amor nos olhos de uma mulher. Doe meus rins para uma pessoa que depende de máquina para viver de semana em semana. Pegue meu sangue, meus ossos, todos os músculos e nervos do meu corpo, e encontre uma maneira de fazer uma criança aleijada andar. Explore todos os cantos do meu cérebro. Pegue minhas células, se for necessário, e cultive-as. Então, quem sabe um dia, um garoto mudo consiga gritar quando seu time marcar um gol, e uma garota surda consiga ouvir o som dos pingos da chuva batendo na sua janela. Queime o que restar de mim e espalhe as cinzas para ajudar as flores crescerem. Se você quiser mesmo enterrar alguma coisa, enterre meus erros e minhas fraquezas. Minha alma eu peço que seja entregue a Deus”.

A Vida e o Amor nas Religiões

01 de setembro de 2014 0

14-08-29SeminarioAPER-RS1A VIDA E O AMOR NAS RELIGIÕES.

No dia 29 de agosto de 2014, a convite da Associação dos Professores do Ensino Religioso do Rio Grande do Sul (APER/RS), o Grupo de Diálogo Interreligioso de Porto Alegre participou do IX Seminário de Ensino Religioso, que se realizou no Auditório da Livraria Paulinas, na Rua dos Andradas 1212, em Porto Alegre.

Em um clima de fraternidade e descontração, se fizeram presentes a Coordenadora Alfa, a Monja Isshin Havens (Missionária do Soto Zen Japonês, e orientadora espiritual da Sanga Águas da Compaixão – Budismo Zen), Ahmad Ali (Fundador do Grupo DIRPOA e Representante Palestino da Comunidade Islâmica e do Centro Cultural Islâmico do RGSul), Pastor Carlos Dreher (Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil), Rabino Guershon Kwasniewski (Líder religioso da SIBRA-Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência), Clovis Alberto Oliveira de Souza (CEUCAB – Presidente do Conselho da Umbanda e Cultos Afro-brasileiros), Padre Luis Carlos de Almeida(Igreja Católica Apostólica e pároco da Igreja das Dores) e a representante da Federação Espírita do Rio Grande do Sul.

O tema do Seminário era A VIDA E O AMOR NAS RELIGIÕES, e o objetivo refletir sobre a contribuição das religiões na valorização da vida e na vivência do amor na cultura dos povos. Cada representante explanou o tema de conformidade com a visão de seu credo, respondendo a perguntas que surgiram, mostrando a necessidade de tais encontros para esclarecimento e difusão de pontos que não claros para todas as pessoas.

À tarde, com a continuação das apresentações, assistimos a trechos dos dois Concertos em Clave de Fraternidade que o Grupo do DIRPOA apresentou em novembro de 2013 e junho de 2014 na Igreja das Dores, tornando a visualização do Grupo um fato que nos compensou com muita  alegria e satisfação, parabenizando a Direção da Associação dos Professores do Ensino Religioso pelo evento pleno de êxito e fraternidade.

Cristina Canovas de Moura – Representante da Federação Espírita do Rio Grande do Sul – FERGS