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Cerimônia de Benção pelo Dia das Mães

23 de maio de 2013 0

Foi realizada, no dia 11 de maio, a Cerimônia de Benção pelo Dia das Mães, no Catedral Metropolitana com a participação do Grupo de Diálogo Interreligioso por convite da ACM, comemorando os 95 anos da introdução do Dia das Mães em Porto Alegre.

São Jorge

07 de maio de 2013 0

O texto a seguir circulou no Facebook recentemente:

Sobre São Jorge aquilo que talvez você não soubesse.:)

O dia de São Jorge é o dia de seu falecimento, 23 de Abril de 303, na Nicomédia. Seus restos mortais estão na Igreja de São Jorge, na Lídia, Israel.

– De acordo com a lenda, São Jorge nasceu no ano 275, na Capadócia, hoje território da Turquia. Ingressou no exército romano e, aos 23 anos, se tornou tribuno militar na Nicomédia. Ao ver que o imperador Diocleciano perseguia e matava os cristãos, passou a defendê-los. Por este motivo, foi torturado e degolado.

– São Jorge é um santo que, de certa forma, une diversas tradições cristãs ligadas ao catolicismo. Ele é um dos santos mais venerados na Igreja Católica Apostólica Romana, na Igreja Ortodoxa e na Igreja Anglicana.

– São Jorge é um dos catorze santos auxiliares do catolicismo. Os outros treze são: Santo Acácio, Santa Bárbara, São Brás, Santa Catarina de Alexandria, São Cristóvão, São Ciríaco, São Dênis, São Erasmo, Santo Eustáquio, Santo Egídio, Santa Margarida de Antioquia, São Pantaleão e São Vito.

– Países que celebram o Dia de São Jorge incluem Inglaterra, Canadá, Croácia, Portugal, Chipre, Grécia, Geórgia, Sérvia, Bulgária, Roménia, Bósnia e Herzegovina e República da Macedónia. Cidades incluem Moscou, na Rússia, Genova , na Itália, Ljubljana , na Eslovénia, Beirute , no Líbano, Qormi e Victoria em Malta e muitos outros. Ele também é comemorado na antiga Coroa de Aragão, na Espanha, Aragão , Catalunha , Valência e Maiorca .

Dia de São Jorge é conhecida como a Festa de São Jorge por palestinos e é celebrada no Mosteiro de São Jorge , em al-Khader , perto de Belém . É também conhecido como Georgemas.

– A cruz de São Jorge foi adotada pelo rei Ricardo Coração de Leão, no século XII. Os soldados do rei utilizavam este símbolo em suas túnicas para evitar confusão em batalha.

– O Papa Paulo VI, em 1963, rebaixou São Jorge para santo menor de terceira categoria. Em 2000, o Papa João Paulo II restaurou a relevância do santo, que voltou a aparecer nos missais como santo patrono da Inglaterra.

– Para fugir da perseguição, os praticantes do candomblé associavam um orixá a um santo católico. Desta forma, Ogum, o deus guerreiro, é associado a São Jorge.

– São Jorge é o padroeiro da Catalunha. Uma lenda regional diz que, após matar o dragão, ele deu à princesa uma rosa vermelha. Assim, no dia 23 de abril, especialmente em Barcelona, é comum que o homem dê à sua esposa ou namorada uma rosa vermelha.

– De acordo com tradição que surgiu apenas em meados do século XII, São Jorge matou um dragão. O dragão simboliza a idolatria destruída com as armas da fé cristã. Diz a tradição que as manchas na lua representam o milagroso santo e sua espada pronto para defender aqueles que buscam sua ajuda.

– A representação de São Jorge matando o dragão pode ter origem na mitologia nórdica, pela figura de Sigurd, o caçador de dragões.

– William Shakespeare nasceu e morreu no dia de São Jorge. Nasceu em 23 de abril de 1564 e morreu em 23 de abril de 1616.

– São Jorge é sincretizado também com o Orixá Ogum na Umbanda, São Jorge representa a vitoria sobre o mal que existe na alma de todos os seres, males como o egoísmo, medo e tantos outros, que deverão ser derrotados pelo guerreiro que existe dentro de nós.

– No Brasil, São Jorge também é padroeiro dos escoteiros, da cavalaria do exército. As tatuagens associadas a este santo estão entre as mais populares no país. No Rio de Janeiro, a data da morte do santo se tornou feriado devido à grande quantidade de devotos.

– Na música nacional, São Jorge já foi homenageado em canções por Jorge Ben, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Fernanda Abreu, Racionais MC’s, Zeca Pagodinho e pela banda Angra. Na música internacional, a banda Iron Maiden fala do santo na música “Flash of Blade”, no álbum Powerslave.

Carta pela Compaixão

06 de maio de 2013 0

Lembrando da visita da autora e historiadora da religiões Karen Armstrong, reproduzimos a Carta pela Compaixão e o seu convite de adicionar a sua assinatura ao compromisso de cultivar a compaixão na sua vida diária, no seu local de trabalho e na sua cidade:

Carta pela Compaixão

O princípio da compaixão é o cerne de todas as tradições religiosas, éticas e espirituais, nos conclamando sempre a tratar todos os outros da mesma maneira como gostaríamos de ser tratados. A compaixão nos impele a trabalhar incessantemente com o intuito de aliviarmos o sofrimento do nosso próximo, o que inclui todas as criaturas, de nos destronarmos do centro do nosso mundo e, no lugar, colocar os outros, e de honrarmos a santidade inviolável de todo ser humano, tratando todas as pessoas, sem exceção, com absoluta justiça, eqüidade e respeito.

É necessário também, tanto na vida pública como na vida privada, nos abstermos, de forma consistente e empática, de infligir dor. Agir ou falar de maneira violenta devido a maldade, chauvinismo ou interesse próprio a fim de depauperar, explorar ou negar direitos básicos a alguém e incitar o ódio ao denegrir os outros – mesmo os nossos inimigos – é uma negação da nossa humanidade em comum. Reconhecemos que falhamos na tentativa de viver de forma compassiva e que alguns de nós até mesmo aumentaram a soma da miséria humana em nome da religião.

Portanto, conclamamos todos os homens e mulheres ~ a restaurar a compaixão ao centro da moralidade e da religião ~ a retornar ao antigo princípio de que é ilegítima qualquer interpretação das escrituras que gere ódio, violência ou desprezo ~ garantir que os jovens recebam informações exatas e respeitosas a respeito de outras tradições, religiões e culturas ~ incentivar uma apreciação positiva da diversidade religiosa e cultural ~ cultivar uma empatia bem-informada pelo sofrimento de todos os seres humanos – mesmo daqueles considerados inimigos

É urgente que façamos da compaixão uma força clara, luminosa e dinâmica no nosso mundo polarizado. Com raízes em uma determinação de princípios de transcender o egoísmo, a compaixão pode quebrar barreiras políticas, dogmáticas, ideológicas e religiosas. Nascida da nossa profunda interdependência, a compaixão é essencial para os relacionamentos humanos e para uma humanidade realizada. É o caminho para a iluminação e é indispensável para a criação de uma economia justa e de uma comunidade global pacífica.

————————————

Assine a Carta pela Compaixão no site oficial do movimento. Junte-se às quase 100.000 pessoas e organizações que já assinaram a determinação de colaborar para a restauração da compaixão ao centro da moralidade e da religião.

. O Encontro do Grupo de Diálogo Interreligioso com a Karen Armstrong

. Reportagem sobre a Palestra dela em Porto Alegre

Lançada Cartilha que traz orientações sobre oferendas ecológicas

20 de setembro de 2011 1

foto felipe dalla valle/cmpa

A Câmara Municipal de Porto Alegre lançou na noite de terça-feira (13/9), a Cartilha “A Educação Ambiental e as Práticas das Religiões Afro-Umbandistas”, que traz orientações sobre as práticas religiosas e o cuidado com o meio ambiente. 

Conforme a presidente da Casa Legislativa, vereadora Sofia Cavedon (PT), o caderno é resultado da mobilização dos líderes religiosos que compõem as Matrizes Africanas, e dos Movimentos Sociais. “A Cartilha tem o papel de orientar leigos e integrantes da religião que ainda não tem formação apontando para a preservação ambiental e o uso correto das oferendas, assim como a de contribuir na superação do preconceito que historicamente as religiões afro-umbandistas sofrem”. 

O representante da religião, Pai Clóvis, do Conselho Estadual da Umbanda e dos Cultos Afro-brasileiros do RS (Ceucab/RS), diz que “o momento é histórico, e a Cartilha servirá como multiplicadora da nossa mensagem”. Ele agradeceu o apoio da Câmara de Vereadores, representado pela presidente da Casa, que “em um gesto amoroso abraçou a causa, constituiu um Grupo de Trabalho que construiu a cartilha e já realizou o I Seminário Tolerância Religiosa e a Consciência Ambiental, que debateu a preservação do meio ambiente pela religião afro-umbandista e a realização de campanhas pela tolerância religiosa”.

A cartilha traz orientações sobre oferendas ecológicas como a apresentação e plantação de oferendas, despachos e limpezas, com a utilização de materiais orgânicos biodegradáveis, evitando materiais de difícil absorção pela natureza.

11 de setembro, uma data que não podemos esquecer

12 de setembro de 2011 0


Participei na última sexta-feira do programa de TV Boa Tarde RS, onde refleti sobre a data de 11 de setembro, a seguir os links para ver o programa.



Embaixada americana promove jantar Inter-religioso

09 de agosto de 2011 0

Em meio à difícil e explosiva situação no Oriente Médio, a embaixada americana promoveu um jantar inter-religioso na casa do cônsul Thomas Kelly, localizada nos Jardins, em São Paulo. Tudo para comemorar o ramadã. Sentaram-se à mesa amistosamente representantes das religiões islâmica, cristã judaica e até da persa bahá’í. A partir das 17h20, logo depois de o sol se por, a prática muçulmano religiosa dita jejum por 30 dias durante todo o dia. Somente à noite, seguidores de Maomé podem comer e tomar água.

Jantaram todos distribuídos por seis mesas montadas na varanda. Não sem antes assistirem aos xeques Armando Hussein, da Sociedade Beneficente Muçulmana, Jihad Hassam Hammadeh, da Assembleia Mundial da Juventude Islâmica da América Latina, e Houssan el Boustani, missionário pela paz mundial, estenderem seus tapetes na ampla sala. E rezarem voltados para Meca.

“É o segundo ano que fazemos isso”, explica Kelly, ao lado de seu xará e chefe, o embaixador Thomas Shannon. “É na diversidade que se encontra a força”, pondera o representante maior dos EUA no Brasil, que veio de Brasília especialmente para o evento. “A miscigenação no País, bem como a que existe nos EUA, dá o sentido de fraternidade e respeito às diferenças”.

Ao final, frase de Raul Meyer, da Casa de Cultura de Israel, sinalizou a importância do congraçamento, praticado pela Casa Branca durante o ramadã: “O Estado é laico, a sociedade não”.

Fonte  FISESP

11 de abril de 2011 0

Japão

Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro.

Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência. Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar à serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?

Outra palavra é gaman: aguentar, suportar. Educação para ser capaz de suportar dificuldades e superá-las.

Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo de duas maneiras. A primeira pela violência do  tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima. A segunda pela disciplina,  ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas. Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para  os banheiros.

Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém. Compartilhavam cobertas,  alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área. As crianças não faziam algazarra, não  corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado. Não furaram as filas para assistência médica – quantaspessoas necessitando de remédios perdidos – mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção  médica, alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água. Compartilharam também do resfriado, da falta de água para
higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte.

Nos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques. Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo  pouco que recebiam. Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão.

Sumimasen é outra palavra chave. Desculpe, sinto muito, com licença. Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver.  Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta. Desculpe pela minha dor,  pelo minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo. Sumimasem.

Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um  todo, somos cuidadas e respeitadas. O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei. Cada um de  nós, cada uma de nós é o todo manifesto.

Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a  realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico. As vítimas encontradas, vivas ou mortas eram gentilmente cobertas pelos  grupos de resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias,  helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais.

Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de  que “somos um só povo e um só país”.

Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas. Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança  nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo.

Aprendemos com essa tragédia o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória, nada é seguro neste mundo, tudo  pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente.

Reafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra. O planeta tem seu próprio movimento e vida. Estamos na superfície, na casquinha mais fina. Os movimentos  das placas tectônicas não tem a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos. O que podemos fazer é cuidar da  pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos. E isso já é uma tarefa e tanto.

Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento  compartilhado leva à reconstrução.

Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que  companharam os eventos que se seguiram a 11 de março.

Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar.

Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso dizer : todas. Todas eram e são pessoas de meu conhecimento. Com elas aprendi a orar, a ter fé, paciência, persistência. Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas.

Mãos em prece (gassho)
Monja Coen

Católicos e Israel: uma questão de valores

21 de março de 2011 0


POR GEORGE WEIGEL

A Igreja Católica vem refletindo sobre a ética e as relações internacionais desde que Santo Agostinho escreveu “A Cidade de Deus”, no século 5. Já os fundamentos morais das sociedades modernas e liberais sofrem a influência católica desde que o Papa Leão XIII estabeleceu a doutrina social católica através da encíclica “Rerum Novarum”, em 1891. Portanto, as teorias contemporâneas de democracia e do entendimento clássico de ordem mundial devem inspirar os católicos de todo o mundo a se solidarizarem com o Estado de Israel, que enfrenta uma campanha global de deslegitimação.

Democracia

Os laços católicos com a democracia foram reforçados pelo saudoso Papa João Paulo II. Dadas as alternativas disponíveis no século 21, a Igreja prefere democracias porque as democracias baseiam-se na proteção constitucional dos direitos humanos e respeitam as instituições da sociedade civil, tais como família, associações, grupos econômicos e culturais e entidades religiosas. As democracias encarnam a superioridade do Estado de Direito sobre a coerção e abrem aos cidadãos a oportunidade de debater o bem comum, a participação no governo e, assim, cumprir com as suas responsabilidades cívicas. Somente os métodos democráticos de autogoverno possibilitam mudanças políticas pacíficas.

Nenhum dos 192 países membros da Organização das Nações Unidas encarna perfeitamente a concepção católica de democracia. No Oriente Médio, somente um país tem um projeto razoavelmente eficaz em torno dos valores políticos e morais em que se baseia a idéia católica de democracia. Esse país é o Estado de Israel.

Durante décadas, o Líbano se esforçou num projeto parecido, mas este foi destruído pela Síria e pelo Irã, em nome de uma compreensão muito diferente da política do que a aprovada pela doutrina social da Igreja Católica. O Iraque, esperamos, está se movendo na direção de uma democracia pluralista, mas este processo é ameaçado por ataques dos jihadistas contra os cristãos remanescentes.

Já Israel não é apenas o único país da região com um projeto democrático estável. É o país do Oriente Médio que mais se aproxima da visão católica sobre o que a política do século 21 deve ser. Ainda que imperfeita, é uma versão da sociedade virtuosa elogiada pelo Concílio Vaticano II e por João Paulo II e Bento XVI.

Em uma região marcada pela intolerância religiosa e étnica, Israel, um país constantemente ameaçado por seus vizinhos, tem feito grandes esforços para honrar os princípios da democracia pluralista. Os árabes israelenses – tanto muçulmanos quanto cristãos – têm direito a voto; o parlamento de Israel possui sua bancada árabe e um árabe cristão é juiz na Suprema Corte de Justiça. A vida para os cristãos árabes em Israel ainda não é a ideal, mas a vida cristã em Israel é muito melhor do que a vida cristã em Gaza ou sob a Autoridade Palestina. A perseguição estatal aos cristãos é comum no Egito, mas inexistente no Estado Judeu, onde a liberdade religiosa – que grande parte do mundo árabe e islâmico considera uma heresia – é legalmente garantida. Esta realidade (muitas vezes despercebida) explica um fato marcante: a população cristã de Israel tem crescido desde 1948, enquanto a população de cristãos nos demais países do Oriente Médio vem diminuindo.

Ordem Mundial

Ao longo do século 20, os bispos de Roma propuseram uma visão da ordem mundial alicerçada sobre o reconhecimento dos Direitos Humanos fundamentais. João Paulo II e Bento XVI transpuseram esta visão para o século 21, em que a Igreja muitas vezes parece ser a última crente na possibilidade de uma comunidade global regida pela ética.

A campanha para deslegitimar o Estado de Israel é um ataque direto sobre os princípios da ordem ética mundial. O Estado de Israel surgiu como resultado de um ato da Assembleia Geral da ONU. A sua destruição – via ataque nuclear do Irã, campanhas de pressão internacional ou através de mudanças demográficas – seria um duro golpe contra a visão de um mundo no qual a política e o Direito substituem a violência das massas.

Sozinho entre os seus vizinhos, Israel trocou terras por paz. Todos os partidos políticos relevantes em Israel aceitam a ideia de um Estado palestino. Já a maioria dos estados islâmicos se recusa a aceitar a simples existência de Israel, mesmo quando discretamente apoiam os esforços israelenses em conter o terrorismo jihadista e os clérigos apocalípticos de Teerã. É situação bizarra e, francamente, hipócrita.

Uma Questão de Valores

Uma visão católica de Israel não se baseia em leituras fundamentalistas da Bíblia, tampouco envolve uma visão romântica do Estado Judeu. Um compromisso católico com Israel não implica em lhes dar um cheque em branco, assim como o empenho dos católicos em defesa de Israel pode e deve coexistir com uma profunda preocupação para com os cristãos do Oriente Médio. A visão católica sobre Israel deve se basear em verdades sobre a Liberdade, a Razão e a Justiça – verdades cuja compreensão está ao alcance de todos os homens e mulheres de boa vontade. Ela também reflete um juízo prudente de que a destruição do único Estado do Oriente Médio que leva a sério a liberdade religiosa seria um golpe fatal para a causa da liberdade religiosa em todo o mundo.


George Weigel é Membro Sênior do Centro de Políticas Públicas e Éticas de Washington, onde mantém a cátedra de Estudos do Catolicismo, e autor da biografia do Papa João Paulo II.


(Fonte: http://www.friendsofisraelinitiative.org/article.php?c=78. Tradução: Victor Grinbaum.)

03 de fevereiro de 2011 0

Meditação muda estrutura do cérebro

Estudo de Harvard mostra, pela primeira vez, que a prática pode aumentar a concentração de massa cinzenta.Ressonância magnética exibiu variações em áreas ligadas a estresse, aprendizagem e à regulação de emoções
MARIANA VERSOLATO/FOLHA
DE SÃO PAULO

De olhos fechados, em silêncio e, de preferência, sentados, os praticantes da meditação de atenção plena devem se concentrar em apenas uma coisa: a respiração.
A técnica é antiga, da tradição budista, mas começou a ser mais difundida depois de ter sido usada em um curso não religioso de redução de estresse, criado em 1979 por Jon Kabat-Zinn, professor da Escola Médica da Universidade de Massachussets.
Os benefícios da técnica, conhecida também como “mindfulness”, já foram relatados em vários estudos.
A lista vai da melhora de sintomas de esclerose múltipla (como diz estudo publicado na “Neurology”) à prevenção de novos episódios de depressão (demonstrada em artigo na “Archives of General Psychiatry”).
Mas, agora, um estudo mostra, pela primeira vez, os efeitos provocados por essa meditação no cérebro.
A pesquisa, publicada hoje na “Psychiatry Research: Neuroimaging”, foi feita pela Harvard Medical School, nos EUA, em conjunto com um instituto de neuroimagem da Alemanha e a Universidade de Massachussets.
E o mais importante: as mudanças ocorreram em apenas oito semanas de meditação em praticantes adultos iniciantes.As conclusões foram feitas após comparações entre as ressonâncias magnéticas dos que praticaram a meditação e de um grupo-controle que não fez as aulas.Outros estudos já haviam sugerido que a meditação causa mudanças no cérebro. Mas eles não excluíam a possibilidade de haver diferenças preexistentes entre os grupos de meditadores experientes e não meditadores.Ou seja, não era possível afirmar se os efeitos eram causados pela prática.
MENOS ESTRESSE
Todos os 16 participantes da pesquisa, com idades de 25 a 55 anos, deveriam obedecer a um critério: não ter feito nenhuma aula de meditação “mindfulness” nos últimos seis meses ou mais de dez aulas em toda a vida.Eles frequentaram oito encontros semanais, com duração de duas horas e meia.Também foram instruídos a fazer 45 minutos de exercícios diários e a praticar os ensinamentos da meditação em atividades do dia a dia, como andar, comer e tomar banho.Para avaliar as mudanças, todos os participantes e o grupo-controle fizeram ressonâncias magnéticas antes e depois do período de aulas.Os exames iniciais não indicaram diferenças entre grupos, mas as ressonâncias feitas após o curso mostraram um aumento na concentração de massa cinzenta no hipocampo esquerdo naqueles que haviam meditado.
Análises do cérebro todo revelaram mais quatro aumentos de massa cinzenta: no córtex cingulado posterior, na junção temporo-parietal e mais dois no cerebelo.

BENEFÍCIOS
Britta Hölzel, pesquisadora da Harvard Medical School e uma das autoras do estudo, disse à Folha que isso pode significar uma melhora em regiões envolvidas com aprendizagem, memória, emoções e estresse.
O aumento da massa cinzenta no hipocampo é benéfico porque ali há uma maior concentração de neurônios, afirma Sonia Brucki, do departamento científico de neurologia cognitiva e do envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia.”Antes, acreditava-se que a pessoa só perdia neurônios durante a vida. Agora, vemos que podem brotar em qualquer fase da vida, e determinadas atividades fazem a estrutura do cérebro mudar.”Isso significa que o cérebro adulto também é plástico, capaz de ser moldado.No ano passado, um estudo dos mesmos pesquisadores já mostrava redução da massa cinzenta na amígdala cerebral, uma região relacionada à ansiedade e ao estresse, em pessoas que fizeram meditação por oito semanas.Mas qualquer um que começar a meditar amanhã terá esses mesmos efeitos benéficos em algumas semanas?
“Provavelmente sim”, diz a neurologista Sonia Brucki.
Ela ressalta, no entanto, que a idade média dos participantes da pesquisa é baixa e, por isso, não dá para afirmar com certeza que isso acontecerá com pessoas de todas as idades.Agora, a pesquisadora Britta Hölzel quer entender como essas mudanças no cérebro estão relacionadas diretamente à melhora da vidas das pessoas.
“Essa é uma área nova, e pouco se sabe sobre o cérebro e os mecanismos psicológicos relacionados a ele. Mas os resultados até agora são animadores.”

06 de janeiro de 2011 0

Caros Leitores,

recebi a mensagem abaixo de minha prof., monja Coen, e achei interessante de partilhar em nosso blog.

Gasshô,

Monja Shoden.

Reflexões sobre uma teologia budista para o bem comum

No próximo dia 8 de fevereiro de 2011, o Fórum Mundial de Teologia e Libertação irá celebrar, dentro do Fórum Social Mundial, em Dakar, no Senegal, uma oficina sobre “Religiões e Paz: A visão/teologia necessária para tornar possível uma Aliança de Civilizações e de Religiões para o bem comum da humanidade e a vida no planeta”. A organização da oficina é da Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo – ASETT/EATWOT.
Para facilitar a participação e o debate, a EATWOT disponibilizou as conferências resumidas de vários especialistas que serão apresentadas sobre a temática proposta na oficina do ano que vem.
O sítio do IHU, em suas Notícias do Dia, está disponibilizando as principais conferências a respeito da temática. Veja abaixo, em “Para ler mais”, a lista de textos já publicados.
No texto abaixo, David R. Loy, professor da Xavier University, a partir da perspectiva budista, afirma que “a globalização da humanidade permite que nossas diversas tradições se tornem cada vez mais conscientes das demais”. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto.

Reflexões sobre uma teologia budista para o bem comum
1. Vivemos em um tempo de uma grande e crescente crise: econômica, social e – o mais alarmante – ecológica. Esses desafios urgentes foram provocados pelo ser humano e requerem a melhor resposta possível das tradições religiosas. As religiões não deveriam se relacionar entre si como concorrentes, porque estão comprometidas em uma tarefa comum. A globalização da humanidade permite que nossas diversas tradições se tornem cada vez mais conscientes das demais, que aprendam e cooperem entre si. Também devemos aprender com o melhor que a ciência tem a oferecer – por exemplo, a evolução biológica –, sem cair em um materialismo reducionista.
2. “Deus” é uma forma de tentar dizer algo muito importante, que definitivamente não pode ser expresso pela linguagem. Brahman, Nirvana e o Tao são algumas outras formas para tentar descrever ou apontar para essa ultimidade. Somos desafiados não a compreender esse mistério inefável, mas sim a abrir-nos a ele e a ser transformados por ele.
3. Cada tradição religiosa tem contribuições espirituais que se tornaram parte da herança religiosa comum da humanidade, mas nenhuma tradição é incorrigível ou tem o monopólio da verdade religiosa. Historicamente preservadas e transmitidas, todas essas revelações ou realizações foram cocriadas por seres humanos e, portanto, estão sujeitas à crítica e à correção. Elas precisam ser integradas aos desenvolvimentos “seculares” tais como a democracia e os direitos humanos, incluindo os direitos das mulheres.
4. A partir de uma perspectiva budista, não somos “salvos” por nos identificarmos com uma figura em particular (por exemplo, Shakyamuni Buddha), um texto, um código moral ou um conjunto de rituais. Cada um destes, por si mesmos, é apenas parte do caminho espiritual que envolve a transformação pessoal de toda a pessoa, incluindo a realização da nossa interdependência com os outros. Hoje, tornou-se mais claro que esse processo de transformação individual não pode ser separado da transformação social e ecológica.
5. No passado, os caminhos religiosos foram entendidos frequentemente como transcendentes a este mundo, no sentido de que escapariam de seus problemas ao alcançar algum âmbito mais alto ou alguma dimensão espiritual. Esse dualismo implicou às vezes em desprezo ou desvalorização do mundo físico, incluindo a natureza (os animais), a mulher e os nossos próprios corpos. Os desafios religiosos que enfrentamos hoje incluem a superação desse dualismo. O caminho religioso não significa escapar deste mundo, mas envolve um compromisso com ele, que está profundamente comprometido com o aperfeiçoamento de todas as suas criaturas.
David R. Loy
Professor da cátedra Besl de Ética, Religião e Sociedade da Xavier University, em Cincinnati, nos Estados Unidos
Para ler mais: