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Posts na categoria "Temas de atualidade"

Intolerância religiosa no Brasil

14 de novembro de 2016 0

Dados da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, ligada ao Ministério da Justiça.

Em caso de intolerância religiosa, lembre  discar 100, o Disque denúncia.

Intolerância religiosa no Brasil

 

Acolhida de Nossa Senhora Aparecida encerra Jubileu da Misericórdia

13 de novembro de 2016 0

Uma tarde de muitas celebrações e significados. Assim foi a programação que marcou, na tarde deste domingo, dia 13, o encerramento do Jubileu Extraordinário da Misericórdia e a acolhida solene da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida na Arquidiocese de Porto Alegre. Centenas de leigos e dezenas de padres participaram do evento na Catedral Metropolitana.

Ainda no contexto do Jubileu da Misericórdia, integrantes do grupo de Diálogo Inter-Religioso de Porto Alegre marcaram presença na celebração. Após o pronunciamento do Rabino Guershon Kwasniewski, deram-se as mãos os líderes judaico, muçulmano, espírita e católico, reforçando o discurso de paz e reconciliação.

Dentro da Catedral, o coral da PUCRS apresentou canções em referência à devoção mariana antes da missa.

Catedral 13 novembro 2016 Misericórdia

O evento deste domingo teve ainda outra grande marca: a recepção da imagem jubilar de Nossa Senhora Aparecida, dentro das comemorações dos 300 anos da aparição da santa nas águas do rio Paraíba do Sul, no interior do Estado de São Paulo. Antes da procissão de entrada, crianças de projetos sociais e um casal conduziram a imagem até o presbitério da Catedral Metropolitana.

A missa foi transmitida ao vivo para todo o país pela TV Aparecida.

Comemoração Ano da Misericórdia 13 de novembro 2016 Catedral

Fonte, Arquidiocese de Porto Alegre

Fotografias, Amanda Fetzner Efrom

Sacrifício de animais na pauta do STF

08 de novembro de 2016 0

SUPREMO DECIDIRÁ se parágrafo que destaca licença para religiões de matriz africana deve ser retirado ou não de legislação

Pouco mais de um ano depois de os deputados gaúchos derrubarem um projeto de lei que previa a proibição do uso de animais em sacrifícios religiosos, a discussão voltou à tona, desta vez, no Supremo Tribunal Federal (STF). O STF vai decidir se um parágrafo que destaca a licença das religiões de matriz africana para realizar sacrifícios será excluído ou não do Código Estadual de Proteção aos Animais.

Está na pauta da mais alta corte da Justiça brasileira um recurso protocolado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) em 2005 que pede a retirada do texto que integra o artigo segundo do documento. O órgão recorreu após a ação de inconstitucionalidade ter sido negada por 15 votos a 10 pelo STF.

– O MP não questiona a possibilidade de haver sacrifício em rituais religiosos. Esse é um parágrafo inócuo, porque a liberdade religiosa é garantida constitucionalmente. Mas o Estado foi além de onde poderia para regulamentar – diz o promotor assessor da subprocuradoria para assuntos jurídicos, Bruno Heringer Júnior.

No entendimento do MP, o parágrafo único de autoria do então deputado estadual Edson Portilho (PT), que destaca a liberdade das religiões de matriz africana para realizarem liturgias que abatem animais, é inconstitucional por ferir os princípios da isonomia – que prevê tratamento igualitário a todos – e da laicidade do estado, porque “beneficiaria a uma única religião”. O órgão defende, ainda, que não é competência do Estado regulamentar esse tipo de questão.

PARA ENTIDADES, EXCLUSÃO PODE GERAR PERSEGUIÇÕES

Para entidades que representam religiões de matriz africana, a eventual retirada do parágrafo específico sobre o assunto é preocupante. Embora o direito à liberdade religiosa esteja previsto na Constituição Federal, os movimentos acreditam que a exclusão pode dar margem a perseguições.

– Isso vem ocorrendo há anos, em várias esferas: apegam-se no ritual para embargar as religiões afro-brasileiras. Nós não maltratamos animais, nós os tratamos muito bem e o sacralizamos para os nossos orixás. É uma religião milenar em que os fundamentos são feitos dessa forma – explica Jorge Verardi, presidente da Federação das Religiões Afro-Brasileiras (Afrobras).

Segundo Verardi, diversas entidades estão encaminhando documentos ao STF pedindo para que o texto seja mantido. Conselheiro-geral do Conselho Estadual da Umbanda e dos Cultos Afro-Brasileiros, Clovis Alberto Oliveira de Souza diz que os movimentos estão apreensivos com o julgamento de pessoas sem um conhecimento mais profundo das religiões de matriz africana. O sacrifício, para elas, é um ritual de morte e renascimento – comer sangue e vísceras de animais imolados é o que dá vida às divindades afro-brasileiras –, e é realizado com alguns tipos de animais, nunca silvestres. A carne do abate deve ser consumida por quem participa do rito.

– A natureza é o nosso altar. Somos contra maus-tratos, e os movimentos sérios têm nosso apoio. Nós abatemos os mesmos animais que têm no supermercado, e consumimos ela, o que chamamos de comida de obrigação. O que não é consumido é doado a instituições carentes, porque deixar a carne estragar invalida o ritual – afirma Souza.

Fonte ZH, 8 de novembro de 2016

 

Centro Cristão de Estudos Judaicos lança livro sobre os 50 anos de diálogo católico-judaico

07 de novembro de 2016 0

O Centro Cristão de Estudos Judaicos lançou em outubro o livro “Jubileu de Ouro do Diálogo Católico-Judaico: primeiros frutos e novos desafios”, quarta obra de sua coleção Judaísmo e Cristianismo. A obra inspira-se no 50º aniversário da declaração conciliar Nostra Aetate, a qual apresenta o desejo manifesto da Igreja em seguir e aprofundar o diálogo inter-religioso, de um modo específico com o judaísmo. A comemoração se deu em São Paulo no ano de 2015, no Teatro Tuca da PUC-SP. Na ocasião, o cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e da Comissão da Santa Sé para as Relações Religiosas com o Judaísmo, encontrou-se com o cardeal de São Paulo Odilo Pedro Scherer, com Fernando Lottenberg, presidente da Conib, e com Michel Schlesinger, rabino da CIP e representante da Conib para o diálogo inter-religioso, além de outras importantes personalidades dos meios católico e judaico. “Este livro é um novo e importante reconhecimento do trabalho de aproximação que judeus e católicos vêm desenvolvendo no país, ao longo das últimas décadas. As conquistas obtidas devem servir como evidência da capacidade que o homem possui de superar conflitos do passado e construir pontes de coexistência. É nossa tarefa estender esse entendimento para as bases de cada comunidade, bem como para estabelecer conexões com outras religiões”, declarou Lottenberg. A obra traz dois textos que abordam a Nostra Aetate sob o ponto de vista judaico: o primeiro, de um grupo de rabinos franceses ligados à Amizade Judaico-Cristã da França; o segundo, assinado por mais de 50 rabinos ortodoxos de Israel, da Europa e da América do Norte, tem o seguinte título: “Declaração do Rabinato Ortodoxo sobre o Cristianismo”. Ambos manifestam alegria pelo diálogo com o mundo católico após 50 anos da Declaração Nostra Aetate e apresentam novos desafios teológicos. O livro também apresenta duas conferências do cardeal Kurt Koch, proferidas na PUC-SP. Em sua primeira conferência, ele fala sobre “A Igreja em diálogo” e propõe uma reflexão ecumênica. Na segunda, “Nostra Aetate – bússola permanente do diálogo católico-judaico”, aborda a contribuição da Nostra Aetate para que a Igreja superasse uma série de preconceitos históricos e nota que, “para que a visão antissemita seja superada, se faz necessário lançar um novo olhar para a história e perceber as tensões que marcaram católicos e judeus”. A apresentação foi escrita pelo rabino Michel Schlesinger e pelo cônego José Bizon.

Jornada de estudos judaicos on-line com Rabinos brasileiros

07 de novembro de 2016 0

Rabinos brasileiros participarão de jornada mundial de estudos The Global Day of Jewish Learning

O PROCESSO DE CURA – DIVINO, UMA PRÁTICA NATURAL OU ALGO NO MEIO DO CAMINHO? DIA MUNDIAL DE ESTUDOS JUDAICOS – domingo, 20/11,  19 horas.

NO BRASIL, coordenado pelos rabinos Uri Lam (Congregação Israelita Mineira) e Guershon Kwasniewski (SIBRA, Porto Alegre).
Participem desta discussão via internet.

Seria “antinatural” interferir e fazer mudanças no mundo natural? A cura de uma pessoa ocorre graças a um esforço humano ou é algo divino?
Juntos, estudaremos e analisaremos como é possível abrir espaço para o divino em nossas próprias vidas, ao mesmo tempo em que adotamos o entendimento contemporâneo no tratamento da saúde.

VAGAS ILIMITADAS (via internet).

Inscrições sem custo  e informações no site http://www.theglobalday.org/

 

Igreja católica proíbe guardar ou espalhar cinzas de mortos

26 de outubro de 2016 0

Cd Igreja católica divulgou nesta terça-feira as novas diretrizes para a sepultura dos mortos e a conservação das cinzas daqueles que são cremados, através das quais proíbe espalhá-las ou mantê-las em casa.

Segundo as normas, ilustradas no Vaticano pelo cardeal alemão Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, as cinzas devem ser mantidas em um cemitério ou em um local sagrado.

“Não está permitida a conservação das cinzas no lar” nem “a dispersão das cinzas no ar, na terra ou na água”, ou sua conversão como lembranças, segundo as novas disposições.

“Evita-se o risco de que os mortos sejam esquecidos por suas famílias e pela comunidade cristã”, explicou à imprensa o cardeal alemão, cujo cargo costuma ser chamado de “guardião da fé”.

“Também são evitados possíveis descuidos e falta de respeito por parte das gerações sucessivas”, disse Müller.

Poucos dias antes da celebração do dia dos mortos, em 2 de novembro, a hierarquia da igreja católica lembra a importância que a morte e a ressurreição têm para os católicos.

Também lembra que desde 1963 é permitida a cremação, uma prática que, reconhece, “se difundiu notavelmente em muitos países, mas que também esteve acompanhada pela propagação de ideias que estão em desacordo com a fé”, disse.

Em casos “excepcionais e graves”, os bispos locais podem conceder a permissão de conservar as cinzas em casa, como é o caso das zonas de guerra, onde a sepultura é dificultada.

A igreja católica proíbe claramente e de forma categórica que as cinzas se convertam “em recordações, joias e outros objetos”, assim como a distribuição das cinzas de um falecido entre os diferentes parentes, uma recomendação que se aplica de forma retroativa às relíquias dos santos.

O texto do Vaticano reitera a posição tradicional da Igreja, que recomenda que os corpos dos falecidos sejam enterrados em cemitérios ou santuários.

Com isso é encorajada a memória e a oração por parte da família e de toda a comunidade cristã, lembra o texto.

“Caso o falecido tenha decidido pela cremação e dispersão de suas cinzas na natureza por razões contrárias à fé cristã, seu funeral deve ser negado, de acordo com a norma do direito”, adverte o documento.

Portanto, as pessoas que desejarem que suas cinzas sejam espalhadas não poderão ter funerais católicos, segundo a decisão aprovada pelo papa Francisco em março deste ano e divulgada sete meses depois.

* AFP

Placa descerrada no Hospital Conceição pelo Grupo de Diálogo Inter-religioso

22 de janeiro de 2016 0

Placa GHC

Encontro promoveu a paz e reuniu representantes de diversas religiões no GHC

22 de janeiro de 2016 0

 

Grupo Hospitalar Conceição
No Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, o Espaço Inter-Religioso do Hospital Conceição realizou ato de acolhimento de diferentes crenças com a participação de integrantes de denominações religiosas como Judaísmo, Islamismo e de Matriz Africana



Com o objetivo de promover a cultura da paz e da liberdade de crenças, o Espaço Inter-Religioso do Hospital Conceição realizou, nesta quinta-feira, 21 de janeiro, um encontro temático com a participação de integrantes de diversas denominações religiosas. A data, que celebra o Dia Mundial das Religiões e o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, foi marcada pelo descerramento da placa do Espaço Inter-Religioso, que materializa o compromisso do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) de incentivar a liberdade de culto.

Convidados representantes do Judaísmo, Islamismo, Budismo, Espiritismo, Catolicismo, Anglicanismo, religiões Evangélicas e de Matriz Africana participaram da solenidade expressando a fé em prol do cuidado ao usuário. O gerente de Apoio do GHC, Márcio Belloc, defendeu que o Espaço Inter-Religioso é uma articulação importante, garantida por políticas públicas que buscam a diversidade. “É um privilégio que nossa instituição possa sustentar um espaço assim”, disse o gerente.

O diretor técnico do GHC, José Fossari, considerou de extrema importância a presença da religião no ambiente hospitalar. “Sabemos que manter o vínculo com a fé ajuda a diminuir o sofrimento, estimulando a longevidade em casos de recuperação e, nos casos terminais, um fim com conforto e qualidade que todos merecem”, declarou o diretor.

A diretora-superintendente do GHC, Sandra Fagundes, também esteve presente no encontro e destacou o respeito às dimensões da espiritualidade como um momento histórico de reafirmação do GHC em relação à população do Rio Grande do Sul. “Estamos promovendo a paz em um momento oportuno das necessidades brasileiras. Aqui é realizado um trabalho civilizatório, de reconhecer a pluralidade, aceitar e acolher cada crença, e isso faz a diferença”, enfatizou a superintendente.

O coordenador da Participação Cidadã, Elpídio de Souza, reforçou a importância do encontro como meio de integração. “Este espaço é fundamental para a saúde do usuário”, disse o coordenador.

A assistência espiritual é feita nos hospitais do Grupo Hospitalar Conceição (Conceição, Criança Conceição, Cristo Redentor e Fêmina), por meio de celebrações nos espaços inter-religiosos e conforme o calendário de atendimento com escala elaborada para contemplar todas as denominações. Também são realizadas visitas aos usuários internados, quando há solicitação. O objetivo é contribuir com a humanização e a atenção integral à saúde, levando em conta o aspecto físico, psicológico, social e espiritual.

Representantes das denominações religiosas parabenizaram o GHC e o Núcleo de Assistência Espiritual pela promoção de um espaço inter-religioso e ressaltaram a missão de incentivar a fé, a esperança e o respeito à diversidade. O espaço garante acesso à assistência espiritual e assegura aos usuários o direito de expressar sentimentos de fé, paz e solidariedade durante o tratamento médico.

Também estiveram presentes na cerimônia o gerente de Recursos Humanos do GHC, Diogo dos Santos, a coordenadora da Comissão Especial de Promoção de Políticas da Igualdade Racial (Ceppir/GHC), Ludmila Marques, a coordenadora da Comissão de Gênero do GHC, Renata Zardin ,o gerente de Administração do Hospital da Criança Conceição, Aldacir Oliboni, o representante do Conselho Estadual da Umbanda e dos Cultos Afro-brasileiros do Rio Grande do Sul Pai Clóvis de Xangô Aganju, a representante da Igreja Evangélica da Graça de Deus Carla Oliveira, a representante da Igreja Anglicana Roberta Santos.

O encontro inter-religioso integra a programação do GHC no Fórum Social Mundial 2016, e contou com a participação dos seguintes integrantes de denominações religiosas:

Ahmad Ali – Centro Cultural Islâmico do Rio Grande do Sul

Carlos Dreher – Igreja Evangélica de Confissão Luterana

Darlan Oliveira – Igreja Evangélica Assembleia de Deus

Guershon Kwasniewski – Judaísmo

Jussara Reis – Doutrina Espírita

Lea Bos Duarte – Federação Espírita do Rio Grande do Sul

Mãe Angélica de Oxum – Religião de Matriz Africana

Mãe Carmem de Oxalá – Religião de Matriz Africana

Maximiliano Zambom – Igreja Católica

Pai João de Iemanjá – Religião de Matriz Africana Umbandista



Creditos:
Mariana Ribeiro

Grupo de Diálogo Inter-religioso abriu os trabalhos do Fórum Social Mundial

19 de janeiro de 2016 0

Fórum Social Mundial 19 de janeiro de 2016

Convite aberto à população

18 de janeiro de 2016 0

Interreligioso Hospital Conceição

O Grupo de Diálogo Interreligioso estará presente no Fórum Social Mundial

15 de janeiro de 2016 0

FSM

Acreditamos no Diálogo Interreligioso

07 de janeiro de 2016 0

O Grupo de Diálogo Interreligioso de Porto Alegre em sintonia com um mundo que pede e necessita diálogo.

É possível, basta querer e começar.

Assista o vídeo produzido pelo Vaticano.

https://youtu.be/ApLt2ryh3Yw

Tempo de priorizar

04 de janeiro de 2016 0

Artigo

Guershon Kwasniewski: tempo de priorizar

Líder religioso da Sociedade Israelita Brasileira (Sibra) e coordenador do Grupo de Diálogo Interreligioso de Porto Alegre

Por: Guershon Kwasniewski
28/12/2015 – 05h05min  Zero Hora

A chegada de um novo ano motiva e gera em cada indivíduo uma série de reflexões, que ligam o passado com o futuro. O simples fato da virada do ano proporciona um olhar diferente em nossa linha do tempo.

Essa caminhada pelo tempo é desigual entre os que nos rodeiam. O jogo dos sentimentos vai de um estremo a outro, pudendo estar ansiosos, expectantes, teimosos ou alegres pelo novo, representado pelo 2016 ou tristes e saudosos pelas lembranças que deixa o 2015.

Se falarmos desde a espiritualidade, toda mudança está relacionada com o otimismo e a renovação interna e externa do ser. Escolhemos uma nova roupa, trocamos de penteado, procuramos surpreender a nós mesmos. Desde uma mudança de conduta, atitude, relacionamentos, desafios e compromissos.

Planificamos ter mais tempo para a família, os amigos, um bom livro, exercício físico, cuidados com a saúde, fazer algum trabalho voluntário, participar mais da vida religiosa e cultural da nossa comunidade.

Se avaliarmos as promessas que fazemos de um ano para outro, percebemos que mais da metade delas ficam na teoria e em nossos pensamentos.

É tempo de priorizar, devemos ser práticos e objetivos, às vezes pouco ou nada mudará de um ano para outro, mas se priorizamos com quem aproveitar o nosso efêmero tempo, a nossa vida terá outra dimensão.

Devemos ter prazer pelo que fazemos e encaramos, sabendo que existem dificuldades, mas também acertos.

O sucesso e o fracasso estão tão próximos um do outro que às vezes é uma questão de detalhes, mas devemos tentar.

Priorize em que e com quem deseja investir a sua energia e o seu tempo.

Integrantes do Grupo Interreligioso participaram das comemorações dos 83 anos do Viaduto da Otávio Rocha

15 de dezembro de 2015 0

Dirpoa Otávio Rocha

Respeito às diferenças Papa e rabino dão exemplo de diálogo. Preocupados com terrorismo, líderes religiosos, ambos argentinos, costumam refletir juntos e até já escreveram um livro Por: Léo Gerchmann 28/11/2015 -

30 de novembro de 2015 0
Papa e rabino dão exemplo de diálogo Arquivo pessoal / Abraham Skorka/Arquivo pessoal / Abraham Skorka

O papa Francisco e o rabino Abraham Skorka nas dependências privadas da Santa SéFoto: Arquivo pessoal / Abraham Skorka / Arquivo pessoal / Abraham Skorka

Uma lufada de diálogo e respeito às diferenças. Essa é a mensagem que o argentino Jorge Mario Bergoglio passa para um mundo que vê terroristas usando dos meios mais cruéis em nome de suposta religiosidade. Bergoglio se tornou Papa e assumiu o nome de Francisco, com todo o significado de generosidade nele contido.

Adequado à evolução dos costumes e à necessidade de enfrentar a incompreensão, ele se notabilizou por abordar tabus e estender a mão ao diferente. Uma obra que traduz isso é o livro Sobre o Céu e a Terra (Paralela, 192 páginas), escrito por Bergoglio e pelo grande amigo e parceiro de reflexões, o rabino Abraham Skorka, reitor do Seminário Rabínico Latino-Americano, em Buenos Aires. Dessa escola se formam líderes judaicos para predicar em cidades como Porto Alegre.

No dia 19, um fim de tarde chuvoso, Zero Hora esteve no seminário e conversou com Skorka. Com voz suave, ele abordou o significado da amizade ecumênica que mantém com um dos líderes mundiais mais respeitados. No mesmo momento, Francisco se preparava para viajar até a África, com sua mensagem de paz.

Skorka não é só coautor de livro com o Papa. Também foi escolhido por Bergoglio para prefaciar sua biografia. A amizade se materializa em diálogos frequentes, em que ambos se mostram preocupados com atentados como o de Paris no dia 13. Há, ainda, as brincadeiras sobre futebol (Francisco torce para o San Lorenzo, e Skorka, para o River Plate) e situações curiosas. Um dia depois de Bergoglio ter sido escolhido Papa, o celular de Skorka tocou.

– Alô, rabino Abraham! Estou no Vaticano e não me deixam voltar! – riu o então já papa, do alto da afinidade espiritual e intelectual de duas décadas.

Francisco diz que “dentro do cristão há um judeu”.

– O fundamentalista não sabe o que é diálogo. Tem coração fechado a tudo que seja confronto com outra posição. Temos, católicos e judeus, o mesmo sangue. Somos humanos filhos do mesmo pai. Vamos buscar caminhos de paz – disse certa vez Francisco.

Em um programa de TV do Vaticano, em um momento, Francisco afirmou, referindo-se ao extremismo:

– Cuidem dos seus filhos. Que cresçam com uma mentalidade aberta, aprendam a escutar, a dialogar. Fiquem atentos para perceber lavagens cerebrais.

Sobre Skorka, com quem também gravou 30 programas de TV, ele diz:

– Nossa amizade é um exemplo.

Em maio de 2014, Francisco, Skorka e o xeque Omar Abboud, também de Buenos Aires, visitaram Jerusalém e exibiram na prática o conteúdo de suas conversas. Skorka se emociona ao lembrar o abraço que os três se deram no Muro das Lamentações.

Em 2016, para marcar os 80 anos da sinagoga Sibra, Skorka virá a Porto Alegre, convidado pelo líder religioso Guershon Kwasniewski, seu ex-aluno. A data do evento ainda não está marcada.

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Entrevista com Abraham Skorka, reitor do Seminário Rabínico Latino-americano

O que representa para o senhor a amizade com o Papa?
A relação que se criou entre nós marcou profundamente nossas vidas. O livro que escrevemos foi traduzido para todos os idiomas europeus, coreano, chinês, hebraico. A mensagem que elaboramos juntos se expandiu como sonhamos. Não imaginávamos que se transformaria em realidade. É uma mensagem de paz, de entendimento, o paradigma de diálogo que quisemos apresentar com esse livro. Deus nos bendisse. Que sirvamos como fonte de inspiração.

O que une o senhor e Francisco?
Compartilhamos a concepção de que, nas ações dos homens, em especial quando são para elevar a espiritualidade e melhorar a condição humana, ali se encontra Deus. É um conceito que se manifesta na literatura rabínica e nos escritos cristãos. A relação homem-Deus, quando o homem busca o bom, o justo, o misericordioso. É o que posso dizer da nossa relação.

Como ocorreu a aproximação?
Descobrimos um ao outro, vimos que podemos achar, nos nossos caminhos de vida, sendas que sejam comuns. Foi desde a década de 1990, quando nos conhecemos na catedral e eu era convidado para o Te Deum (celebração religiosa), em 25 de maio e 9 de julho, para fazer o culto israelita no dia da pátria. Ali, a partir de meados da década de 1990, ainda antes de Bergoglio ser o arcebispo de Buenos Aires, ele me conhecia pelos textos que eu escrevia na imprensa, sempre falando sobre a necessidade de um diálogo claro, mais profundo. O diálogo não é só sentar e conversar. A partir desses artigos, ele me conheceu. Nossa aproximação ocorreu pelas piadas de futebol, porque aqui na Argentina, como no Brasil, somos aficionados.

Francisco é torcedor do San Lorenzo. E o senhor?
Sou River Plate. E foi assim, com as piadas sobre futebol, que as portas se abriram. Ele se tornou arcebispo de Buenos Aires e abriu as portas da catedral para mim. Começamos a pensar nos projetos de diálogos inter-religiosos, como uma matéria importante para melhorar as relações entre os humanos.

O judaísmo é monoteísta e prega o respeito ao outro. O cristianismo segue essa linha. Mas há diferenças. Como vocês preservam os pontos de encontro?
O relato que aparece nos Evangelhos é claro: perguntaram a Jesus qual é a síntese da Torá (livro sagrado do judaísmo), e ele disse “amará a teu próximo como a ti mesmo”. Isso aparece no capítulo 19 do Levítico. O outro preceito é o monoteísmo. O eterno é uno, amarás ao eterno teu Deus com todo o teu coração, com todo o teu ser. Está no Deuteronômio. É uma definição que deram os sábios. Não fazer ao outro o que não queres que façam a ti é a formulação de Hillel, o sábio, como o resumo de toda a Torá quando uma pessoa não judia que queria ser judia pediu que ele fizesse uma definição rapidamente, parado com uma perna só. São formas diferentes de dizer, mais negativa ou positiva. Rabi Akiva (sábio da Judeia) dizia que o resumo da Torá é amarás a teu próximo como a ti mesmo. Grande parte da visão de Jesus é concomitante com diferentes escolas rabínicas do seu tempo. Claro que há coisas na história de Jesus das quais nós, como judeus, divergimos. E aí começou a divisão entre os judeus e os seguidores de Jesus, que depois se tornaram conhecidos como cristãos.

Essas diferenças em meio às convergências fazem o diálogo e a amizade de vocês mais especial?
A matriz, a primeira matriz, o judaís­mo do século 1, é a base. Eu e Bergoglio mantemos um diálogo tão especial porque a história de judeus e cristãos é cheia de desencontros muito dolorosos, mas é como se fossem desencontros entre dois irmãos. Houve desencontros, mas sabíamos que viemos de um mesmo ponto de partida. Um foi para um lado, e o outro foi para outro, paralelo. Repito: para outro lado paralelo. Tal como irmãos, há nisso uma relação de amor e ódio. Há vários casos assim, como Caim e Abel, Esaú e Jacó, José com os irmãos. A relação de irmandade, na história humana, é problemática. Esses desacertos, muito graves em vários casos do nosso passado, devem-se ao fato de que um olhava o outro e sabia que havia algo. O cristão olhava o judeu e dizia que tinha negado Jesus, mas sabia que Jesus era judeu. O judeu olhava o cristão e pensava: há valores que compartilhamos, mas há outros que não podemos aceitar, e sabemos que o início de vocês foi em nossa Jerusalém, a Jerusalém judaica do século 1. Essa relação, depois do Holocausto, demandou uma resposta, especialmente por parte do mundo europeu, porque foi lá que se deu o Holocausto. João XXIII, hoje em dia São João XXIII para os católicos e João, o Bom para nós, teve a valentia, a grandeza moral e a audácia espiritual de convocar o Concílio Vaticano II.

Qual o impacto disso?
Ele tocou no tema da relação judaico­católica. Recentemente, fez 50 anos que isso ocorreu. João XXIII morreu durante o concílio, e Paulo VI disse, no final, que o povo judeu jamais pode ser acusado de deicida, de ter matado Deus. Sabemos da importância e do impacto que isso teve. Bergoglio está entre os indivíduos que sabem criar uma mudança na História. Não só agora como Papa. Ele justamente chegou a Papa por ter essa atitude, não só com o judaísmo. Sabe recuperar a espiritualidade em tempos tão turbulentos.

Está nessa história toda o fundamento do encontro de vocês?
Frente a essa atitude de Bergoglio, ele me encontrou. E volto a dizer: Deus seguramente propiciou esse encontro. A partir daí, fizemos coisas juntos. Eu o convidei duas vezes à sinagoga para as orações de selichot, preparatórias para o Rosh Hashaná (ano novo judaico), e ele deu a mensagem dele, como arcebispo, para os judeus de Buenos Aires. Nessas noites de selichot, sempre o nosso diálogo era muito profundo.

Há algum episódio que o senhor guarde como emblema dessa amizade?
Não me lembro se na primeira ou na segunda vez em que ele esteve aqui (na sinagoga), eu lhe mostrei livros que sobreviveram, vieram da Alemanha, livros judaicos que vêm do final dos anos 1700, início dos anos 1800. Eu lhe disse: nesses livros, rezaram judeus desde 1800. Sobreviveram ao Holocausto e passaram de pais para filhos. Eu não quis enterrar esses livros, porque temos o costume de enterrar os livros em cemitérios quando suas letras não podem mais ser lidas. Eu queria que aqueles livros continuassem vivendo. E disse a Bergoglio que os livros ficariam com ele. Talvez estejam em Roma, com ele. Depois, quando dois jornalistas escreveram a biografia dele, perguntaram-lhe quem ele queria que escrevesse o prefácio. O livro é O Jesuíta. E ele disse que queria que fosse o rabino Skorka. Eu escrevi, claro. Fiquei emocionado. Ele pedia para o rabino escrever o prefácio da sua biografia. Isso foi enorme.

Vocês se comunicam com frequência, mesmo ele estando em Roma? Chegaram a conversar sobre fatos como o atentado terrorista em Paris?
Sim, com frequência. Falamos muitas vezes sobre a violência no mundo, não é a primeira vez. Quando fomos a Israel, eu ajudava a preparar o encontro entre o Papa e Shimon Peres (então presidente israelense). A ideia era transmitir uma mensagem de paz. Com o embaixador palestino na Santa Sé, trabalhamos para servir como ponto de comunicação entre Mahmoud Abbas, Shimon Peres e o Papa. A reunião ocorreu nos jardins do Vaticano. Depois, fomos, um judeu e um islâmico, na delegação do Vaticano em viagem de peregrinação à Terra Santa.

Isso pode servir de exemplo e influência a outras situações?
Depois do nosso encontro nos jardins do Vaticano, houve a guerra entre Israel e Hamas. Trocando e-mails com Bergoglio, ele me disse, usando estilo profético: vai chegar um momento em que o pó que se levantou com a batalha vai se dissipar, e a imagem do nosso abraço diante do Muro das Lamentações, essas mensagens de paz, vão servir como fonte de inspiração para lutar pela paz. Como diria Bergoglio, vão servir de imagem de que se pode, de que é possível.

Francisco (C), Skorka (D) e o xeque Omar Abboud no Muro das Lamentações

 

O senhor acredita que é possível, mesmo quando presenciamos o surgimento de grupos cada vez mais cruéis e impenetráveis como o Estado Islâmico?
O problema é duplo. Tem duas caras. Por um lado, está essa gente que propicia o ódio. Por outro, há um mundo que não reage como deveria reagir, um mundo que segue estando em seus cálculos, às vezes em seus mesquinhos cálculos, e não há um compromisso real contra toda essa demencial atitude. Não estou falando de intervenção militar. Primeiro, necessitamos de manifestações claras dos líderes religiosos mais importantes, das três grandes religiões, judaísmo, islamismo e cristianismo em todas as suas denominações, condenando esses atos. Vozes claras, com um idioma que não deixe lugar a dúvidas, a duplas interpretações. Necessitamos manifestações claras contra todo tipo de violência, de terrorismo. Outra coisa de que se poderia falar é: quem financia esses grupos, quem dá dinheiro para comprarem as armas que têm? Quais os canais de obtenção de dinheiro? Deve-se cortar isso. Em uma frase, elevar o cuidado da vida de cada homem por cima de todos os interesses e cálculos monetários. A guerra pararia. A guerra, como qualquer atitude humana, é questão de cultura. Quando há uma cultura de destruição, de ambição, de querer ser dono do mundo, estamos mal, e essa cultura segue sendo dominante. Outra questão é considerar que Israel é a causa de todos os problemas. É um subtema.

Em meio a tudo isso, há o drama dos refugiados. Como o senhor vê isso?
É um drama enorme. Qual será o futuro dessa gente, se não podem voltar a seus lugares de origem? Sofrerão muito. Estarão em meio a uma cultura que não é sua, com idioma que não seu. Uma coisa é quando alguém quer imigrar e adota o novo país, se prepara, estuda, vai e aceita as regras do país. Outra é ter de migrar por desespero. Toda migração ocorre por algo que incomoda, até porque o homem tende a ser mais sedentário que nômade. A primeira coisa que se deveria fazer era frear a terrível matança na Síria. O problema não é só o que fazer com os migrantes. O problema é: temos, como humanidade, o direito de nos manter indiferentes enquanto ocorre essa matança? Após o Holocausto, houve matanças terríveis na África, misérias e fomes terríveis na África e outros lugares, e o mundo não socorreu as pessoas. Temos hoje tecnologia para ajudar muitíssimo aos necessitados. Segue havendo um egoísmo na atitude em relação ao seu próximo, que é o centro de todos esses males. Quando terminar este terrorismo, começarão outras crises. Mas não só por sermos humanos e termos conflitos, e sim porque o compromisso de grande parte da humanidade, os compromissos que aparecem na Bíblia, são aceitos por todos que falam em democracia, em direitos humanos, mas essas pessoas não agem para baixar os níveis de agressividade, egoísmo e egocentrismo. Conflitos sempre haverá, o homem está cheio deles. A questão é até onde a humanidade mantém o grau de conflitividade por carência de um compromisso real e profundo de justiça social, de bondade, misericórdia e direitos humanos, que muitos proclamam, mas poucos praticam.

O senhor fala sobre isso com o Papa?
Nós nos falamos sempre. E esse discurso que estou fazendo é o que ele pratica, de não destruir nossa casa, viver com responsabilidade, não se crer dono da vida alheia.

Há medidas práticas previstas?
Há medidas que se fazem em nível de Vaticano, por iniciativa do Papa, como projetos de escolas, educativos. São projetos especiais em nível global, para transmitir educação e valores. O Vaticano, por meio do Papa, tem o clamor de um líder com muita credibilidade, talvez o líder com mais credibilidade para grande parte da humanidade, não apenas cristãos. É um homem que vive de acordo com o que acredita. Mas outros líderes deviam fazer o mesmo.

O que fazer quanto à expansão do EI?
Alguma coisa deve falhar em relação a esses terroristas, em nível de afeto. Algo deve ocorrer com eles em sua estrutura afetiva. Algo foi bloqueado por alguém. Não sou expert em psicologia, nem sei se há alguém que possa explicar o que ocorre. Mas a chave é o afeto. O amor é a palavra-chave da Bíblia judaica e é a base da Bíblia cristã. Amar ao eterno teu Deus, amar ao estrangeiro, amar ao teu próximo como a ti mesmo. Certa parte do desenvolvimento afetivo dessas pessoas tem algum problema.

Vocês se falam como? Ele demonstra angústia com o que ocorre no mundo?
Falamos mais por e-mail. Ele demonstra grande preocupação. Não gosto de usar a palavra angústia, porque a angústia paralisa, e ele é um homem de ação. A preocupação leva à ação. O que ele me diz é o que ele diz a todos. É uma pessoa muito transparente e criou muitos canais de diálogo. Sempre nos falamos sobre algum projeto, algo para fazer. Muitas vezes temos nos encontrado: em setembro do ano passado na Filadélfia, depois em dezembro. Em 30 de junho, em Roma, fizemos algumas coisas juntos. Foi a última vez que nos vimos. Estamos sempre conversando e projetando pequenas coisas.

O livro
Em Sobre o Céu e a Terra, o papa Francisco e o rabino Abraham Skorka, em diálogo franco, revelam tudo que pensam acerca de Deus, ateísmo, aborto, morte, fundamentalismo, homossexualidade e vários outros temas. O papa Francisco (então cardeal Jorge Mario Bergoglio) e o rabino Abraham Skorka, reitor do Seminário Rabínico Latino-americano, são grandes incentivadores do diálogo inter-religioso, por meio do qual buscam construir horizontes comuns diluindo particularidades. Sobre o Céu e a Terra é o resultado de uma série de conversas profundas, realizadas na sede do Episcopado e na comunidade judaica Benei Tikva.