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Primeiros passos

17 de novembro de 2008 0

Pezinhos delicados/Cynthia Vanzella

Por uma questão particular sempre fui contra andadores. Assim como não gosto daqueles cercadinhos. Coisa minha. Nos dois casos, sempre achei que a criança tem que desenvolver suas potencialidades, seja andando meio torta, segurando-se nos móveis, ou até mesmo explorando a casa – com segurança, claro.

Pois é, recebi um texto do ortopedista Fabio Ravaglia, que fala sobre o tema e compartilho com vocês. Como ele é longo, dei uma editada, mantendo a essência.

ANDADOR

Pais de diferentes gerações são assaltados por dúvidas clássicas e muito procedentes… O andador favorece ou prejudica o bebê? Qual é o calçado mais indicado para as crianças? Serei tachativo na resposta para a questão do andador. O andador não é indicado, pois compromete o desenvolvimento psicomotor da criança. Para entender melhor o que isso significa, basta pensar que durante o processo de crescimento, o bebê passa por etapas fundamentais para o desenvolvimento motor e neurológico.

Ao engatinhar e explorar o ambiente, a criança está desenvolvendo todo um conjunto de músculos e vivenciando sensações importantes para o seu crescimento. O andador elimina todas essas etapas e ainda faz com que a criança “caminhe” na ponta dos pés, correndo o risco de deformar a estrutura óssea da perna.

Não é apenas isso! Os acidentes causados por andadores podem causar lesões sérias, especialmente na cabeça. Como último argumento, cito a falsa liberdade concedida à criança pelo andador, que deixa os pais apartados do delicioso processo de segurar o bebê, ser literalmente o seu guia nos primeiros passos da vida.

 

SAPATOS

No que se refere aos calçados mais indicados, recentemente li uma matéria sobre os sapatos “Heelarious” _ junção de heel (salto) e hilarious (hilário) _ empresa norte-americana que criou uma série de modelos de sapatos de salto alto para bebês de até seis meses. É claro que não são adequados para o uso. Milhares de pessoas compram sapatos para crianças de todas as idades com base na beleza, no charme da peça. Poucos sabem que cada idade _ e fase do crescimento infantil _ pede um modelo adequado de calçado.

 

Bebês usam meias

Os bebês, por exemplo, não precisam de sapatos. As meias são suficientes para manter os pés protegidos. A estrutura dos pés dos bebês, normalmente sem arcos, é muito frágil; apenas pequenas partes do esqueleto do pé e do tornozelo possuem ossos, ou seja, a maior parte é formada por cartilagens e os ligamentos são elásticos.

O sapato começa a ganhar o status de fundamental na vida da criança no primeiro ano de vida, momento a partir do qual a troca deve ser realizada a cada três meses. Nessa fase, o ideal é optar por sapatos de couro ou tecido macio, que deixem os pés ventilados e que não saiam dos pés com facilidade. Os pais devem valorizar um solado que não derrape, pois até os dois anos, os tendões são muito flexíveis e a musculatura não está firme. Os pais também vão observar que a partir dos dois anos, o arco do pé começa a aparecer.

 

Maiorzinhos e suas vontades

Dos quatro aos sete anos, a opinião das crianças começa a contar. É nesse momento que os pais devem ser firmes e procurar combinar beleza e saúde na hora de escolher um modelo. Mais uma vez, priorize os modelos fabricados com materiais flexíveis, anatômicos e com espaço suficiente para acomodar os pés sem limitar a flexibilidade.

Usar um sapato apertado ou largo demais prejudica o crescimento do pé, pode causar problemas de postura e comprometer a coluna. O ideal é comprar, no máximo, dois pares de qualidade e tamanho adequados.

No caso das meninas _ cujos pés crescem mais rápido do que o dos meninos _, muita atenção com os modelos com saltinhos, que são totalmente inadequados para a fase de crescimento e para o estilo de vida infantil, já que as crianças correm e pulam o tempo todo.

 

Dicas para comprar sapatos para qualquer idade:

* escolha um modelo confortável e anatômico;

* dê atenção para o tamanho, que não pode ser justo nem grande demais;

* não force os pés da criança para calçar os sapatos;

* priorize modelos com parte interna reforçada no solado para evitar impactos desnecessários com o solo;

* não ceda ao apelo infantil de trocar o conforto pela beleza.

 

Texto do ortopedista Fabio Ravaglia

Postado por Romí – Fpolis

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