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Um minutinho só...

24 de novembro de 2008 4

Recebi hoje, artigo muito interessante do blog Histórias de um café e resolvi compartilhar com vocês. O texto é da jornalista Mariana Haas, que escreve crônicas semanais. Espero que o texto sirva para uma reflexão sobre a forma como, muitas vezes, as crianças são tratadas.

A FALA

“Final de tarde de uma quarta-feira. Quente. Promessa de chuvinha no final do dia. Chegam à minha casa um senhor rechonchudinho e sua filha. Ela, uns sete anos. Animadíssima. Tivera um dia cheio. Milhões de novidades para contar. Não podia esperar. As palavras não cabiam na sua boca. Precisava falar. Ele, por sua vez, cansado do dia exaustivo que tivera.

Pararam ali para espairecer. A pequena queria uma torta de morango. Seu pai optou por mim. Um café. Cheio de chantilly. “Tudo bem”, pensei. “Com a quantidade de histórias que a garotinha deve ter pra contar, vale apena encarar o chantilly!”. Fui para a mesa. Doce… Muito doce!

E a menina falava… Ele chamou o garçom.

- Por favor… Gostaria de trocar de mesa… Há algum problema?

- Não senhor. Fique à vontade! – indicou.

A menina havia sido bruscamente interrompida. Mas insistiu. Permaneceram sentados uns 5 minutos em sua nova mesa.

- Então pai, quando a Luiza pegou o brinquedo, eu…

- Um momentinho querida… – chamou novamente o garçom – Olha, aqui está muito vazio, não há ninguém. Gostaria de me sentar em alguma mesa onde tivesse mais movimento… É possível?

- Claro senhor! Mudarei suas coisas não se preocupe…

Nessa altura eu já estava frio e o chantilly todo misturado em mim. A garota estava ficando chateada. Era uma história muito interessante…

- Posso falar?

- Claro, querida!

- A Luiza, pegou a corda e disse que brincava apenas quem ela quisesse…

- Um momentinho, meu amor… – Esticou a mão, novamente, acenando para o garçom.

- Este café está intragável! Traga-me outro, por favor!

O garçom providenciou outro imediatamente. Voltei novo. Purinho. Uma beleza. Pensei, “agora consigo saber o que aconteceu”. O pai pegou o jornal que havia trazido e começou a ler… Sua filha, indignada, apenas calou-se. Talvez pensasse no porque o pai não quis ouvir sua história… Era boa… Mas ele não ouviu…

Passaram-se uns dez minutos. O pai olhou para a menina que já havia comido sua torta –  e não estava mais falante como antes – e disse:

- Acabou a torta?

- Sim.

- Então, vamos? Sua mãe nos espera…

Foram. Ela saiu cabisbaixa. Tristonha. Entrou no carro quieta. Talvez tentasse contar a mesma história de seu dia para a mãe. Em casa. A dúvida era: ela ouviria? Valeria à pena? Não sei a resposta. O que eu sei, é que esse cafezinho aqui, gostaria muito de tê-la ouvido. É pena não poder falar… Também… “

 

É,às vezes, falta sensibilidade aos pais.

Postado por Romí – Fpolis

Comentários (4)

  • Ana diz: 26 de novembro de 2008

    Adorei esse pos e resolvi dar uma espiada nos anterires. Quero parabenizar essa jornalista pela qualidade do texto, que mais parece um rotei misturado com crõnica. Meus filhos também gostaram. Se possível, por favor mantenham os posts semanais. Obrigada

  • Levi Rodrigues diz: 25 de novembro de 2008

    Oi, Pessoal.

    Também gosto muito do leio por aqui, e fiz uma pequena citação do blog de vocês no meu.

    Abs

    Levi Rodrigues
    http://www.good4kids.com.br

  • luiz galvão diz: 26 de novembro de 2008

    Acompanho semanalmente os posts da jornalista Mari Haas. Admiro a sensibilidade das crônicas com relevância aos comportamentos e atitudes de pessoas na nossa sociedade. A partir da visão de um “cafezinho”, muito observador, “humano” e, porque não, “abelhudo”, pode-se sempre fazer reflexões com respeito aos valores morais, relacionamentos entre jovens e idosos, pais e filhos etc, em diferentes “classes” sociais.
    Texto enxuto, essa jovem jornalista já conquistou muitos antigos profissionais .

  • Mariana diz: 24 de novembro de 2008

    Olá! Adorei o blog de vocês! Valeu por indicarem o cafezinho!
    Linkei vocês! Poderiam também colocar meu link?
    Valeu pela força… Passem sempre por lá!
    Abraços

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