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Florais na infância. Pode?

05 de abril de 2010 0

Para as crianças lidarem melhor com as emoçõesA maioria dos pediatras prefere não se pronunciar, mas terapeutas garantem que as essências de Bach e seus similares ajudam a criança a lidar com as emoções. Mas, atenção, eles não substituem os tratamentos alopatas. Quer saber mais sobre isso? Dá uma olhada nesta matéria do Correio Brazieliense: Rock Rose, Clematis, Impatiens e, principalmente, o unânime Rescue Remedy (indicado para todos os males) são termos bastante conhecidos por pessoas que desejam se livrar de ansiedade, insônia, tristeza e outros incômodos psicológicos. O que elas mais querem é uma vida mental saudável sem a necessidade de calmantes e ansiolíticos. Por isso, optam pelo uso de florais de Bach, do cerrado, de Minas e de outros que seguem a mesma linha do tratamento lançado pelo médico inglês Edward Bach. Os florais são essências naturais. Mas será que crianças também podem se beneficiar deles? Para o terapeuta floral Francisco Gouveia, essa é uma boa opção para as crianças que sofrem muitas emoções e atravessam períodos de estresse. “Lidar com essas emoções durante a infância pode ajudá-las a crescer felizes e saudáveis”, afirma. A terapeuta floral Maria Aparecida das Neves explica que os pequenos reagem bem aos florais e, na maioria das vezes, muito mais rápido que os adultos. “Eles são puros, viveram poucas frustrações e não acumularam sentimentos negativos”, justifica. E acrescenta: as essências florais não mudam a personalidade da criança, mas trazem de volta a harmonia e o equilíbrio da mente no seu desenvolvimento, além de ajudá-las a enfrentar mais felizes as situações da vida. A arquiteta e empresária Márcia Campos descobriu esses benefícios há 13 anos, quando o filho Rafael, na época com seis meses, sofreu uma crise alérgica. “A alergia surgiu quando suspendi a amamentação e iniciei a introdução de outros alimentos. Como sou contra o consumo de remédios por qualquer motivo, procurei a terapia floral”, conta. E o garoto usa até hoje, sempre que precisa. Os pediatras, porém, são reticentes quando questionados sobre o uso de florais pelas crianças. A reportagem da Revista do Correio entrou em contato com a diretoria da Sociedade Brasileira de Pediatria, a entidade nacional e a regional do Distrito Federal, e não obteve nenhuma informação sobre o assunto. Francisco Gouveia diz que é preciso levar em conta não só o comportamento da criança quando ela está com algum problema, mas também sua atitude na escola, em casa, diante das dificuldades da vida. “Todas as informações são de grande valia para identificar os florais certos, que vão resgatar o equilíbrio emocional e trazer de volta a alegria à criança”, diz o terapeuta. Para ele, toda a família deve participar do processo terapêutico. “Eu adotei o uso de florais com o Rafael, pois precisava ficar tranquila para cuidar dele”, reforma Márcia Campos. Os florais podem ajudar as crianças a enfrentar os mais diversos problemas, tais como timidez, medo, descontrole, conflito de sentimentos, tormentos mentais, insegurança, indecisão, apatia, resignação, tristeza, melancolia, desmotivação, desânimo, abatimento, cansaço mental, preguiça, insatisfação, autoestima baixa, dificuldade de aprendizagem e concentração, nostalgia, falta de energia, agressividade, solidão e impaciência. “Podem ajudá-los a enfrentar situações como, por exemplo, a separação dos pais ou adaptação às situações novas que causem estresse. Os resultados são percebidos em duas semanas”, garante Gouveia. O filho dele, por exemplo, fez a terapia em um período em que tinha medo de dormir sozinho à noite. O uso, no entanto, exige cautela. “Os florais não substituem o tratamento convencional nos casos mais graves, mas eles são uma terapia complementar”, alerta a clínica-geral Márcia Mossurunga. Para ela, que receita florais para os pacientes, a medicina alopata não exclui as práticas alternativas. “Elas são inclusivas. Uma ajuda a outra.” Márcia Campos, por exemplo, sempre adotou a prática de usar florais em Rafael, porém nunca deixou de levá-lo ao pediatra. “Quando ele tinha infecção de garganta, sempre tomava antibióticos. O floral é um complemento”, diz a mãe. Variedade de essências Os florais de Bach são conhecidos mundialmente e usados por milhões de pessoas. Criados pelo médico inglês Edward Bach nos anos 1930, as essências são extraídas de plantas e flores e diluídas em álcool ou, em casos especiais, em água. A terapeuta Nei Naif, no livro Florais do mundo, explica que cada tipo de líquido é indicado a uma emoção específica. Pode ser tomado individualmente ou misturado, segundo a orientação do terapeuta, de acordo com o que estiver sentindo. Entre as décadas de 1970 e 1980 ocorreu o renascimento da terapia floral. Dezenas de pessoas em diversas partes do mundo começaram a pesquisar as flores de sua região ou de seu país. Os americanos Richard Katz e Patrícia Kaminski (EUA), seguidores do Dr. Bach, elaboraram o repertório dos florais da Califórnia (Flower Essence) no início dos anos 1970. Depois das divulgações dos trabalhos dos florais da Califórnia, surgiram dois sistemas na Austrália: Living Essences, criado por Vasudeva Barnao e Kadambii, e o Bush Australian, de Ian White. Ainda nesse período, nos Estados Unidos, Steve Johnson criou os florais do Alaska, sendo o primeiro a desenvolver as essências ambientais — elixires feitos a partir do tempo, lugar ou região e não necessariamente de flores. Já Sabina Pettitt criou os florais do Pacífico, os primeiros a usar a água do mar ou seus habitantes (moluscos, corais, algas, etc.) para extrair elixires. Philippe Deroide elaborou os florais franceses (Deva Essences) e fez um jardim especificamente para a pesquisa das essências. A partir da publicação desses trabalhos, o mundo inteiro se rendeu às pesquisas e passou a usar os florais. No Brasil, os pioneiros na pesquisa de nossas flores foram Breno Marques da Silva e Ednamara Vasconcelos e Marques, na criação dos florais de Minas, no fim da década de 1980, em Itaúna (MG), e também Joel Aleixo, com a linha de Florais Brasileiros, em São Paulo. Nos anos 1990, surgiram mais pesquisadores, como Neide Margonari (florais de Saint Germain), Maria Grillo (florais Filhas de Gaia), Ferdinand Röhr (florais do Agreste), Sandra Epstein (florais da Mata Atlântica), Denilde Lourenço (florais Arco-íris), Gelse Campos e Lourdes Agnesini (Florais Agnes), Fabian e Kátia Cubakowic (florais da Mantiqueira), entre dezenas. Tem até florais do cerrado, desenvolvidos por Claudia do Valle Gonçalves.

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