Tossir ou dar uma risada para algumas mulheres pode se transformar numa situação embaraçosa devido à incontinência urinária. Entre as mulheres, o problema é bastante grave.
– A fragilidade do assoalho pélvico feminino explica por que essa doença atinge mais as mulheres. A musculatura que dá sustentação aos órgãos pélvicos é mais frágil nelas e o aparelho esfincteriano, mais delgado, e a uretra feminina curta. Além disso, o músculo estriado, que forma um pequeno anel em volta da uretra, é mais fino e adelgaçado nas mulheres do que nos homens, onde é espesso e forte – afirma o urologista Ricardo de La Roca, diretor da Clínica e Cirurgia Urológica Dr. Ricardo Felts de La Roca.
Diferentemente das mulheres, as perdas urinárias nos homens adultos estão mais relacionadas aos procedimentos cirúrgicos que envolvem a retirada total da próstata com o comprometimento do esfíncter uretral masculino. Além da própria constituição física, o aumento do peso, do conteúdo abdominal e uterino, devido à gravidez, são também causas da incontinência urinária futura, dentre as mulheres.
– Durante a gestação, não só o aumento do volume abdominal, mas também a presença da cabeça fetal na pelve podem causar uma pressão maior sobre o diafragma muscular pélvico, que pode levar a uma flacidez da musculatura –explica o urologista.
Obesos, fumantes com tosse crônica e pneumopatas também podem desenvolver incontinência urinária. O tipo de incontinência urinária mais comum entre as mulheres é a incontinência urinária de esforço. Seu sintoma inicial é a perda urinária que ocorre durante aumento da pressão abdominal, quando a pessoa tosse, espirra, levanta um peso, movimenta-se, ou faz algum exercício físico.
O segundo tipo mais freqüente é a incontinência urinária de urgência, mais grave do que a de esforço. É a incontinência que as mulheres apresentam quando, em meio às atividades diárias, abrem uma torneira, por exemplo, e sentem uma vontade súbita e urgente de ir ao banheiro, mas não conseguem chegar ao sanitário a tempo de evitar a perda de urina.
O terceiro tipo é a incontinência mista que associa a incontinência de esforço à incontinência de urgência. Nesse caso, o principal sintoma também é a perda urinária pela uretra sem possibilidade de controle.
Existem métodos para facilitar o diagnóstico. Um deles é o diário miccional, onde ela deve registrar, durante três dias consecutivos, como foi a perda urinária. Se a urina escapou, por exemplo, quando fez exercícios, ou em repouso, ou quando estava dormindo em casa. Essas duas situações são bastante diferentes para identificação e tratamento da enfermidade.
Outro recurso que auxilia o diagnóstico da incontinência urinária é o exame urodinâmico, que permite determinar a ocorrência de contrações vesicais involuntárias (sem que a bexiga esteja muito cheia, surge o desejo premente de urinar), assim como a perda urinária quando a paciente faz esforço.
O tratamento da incontinência urinária por esforço é basicamente cirúrgico, embora exercícios fisioterápicos para reforçar a musculatura do assoalho pélvico também ajudem. Em determinadas situações são necessárias outras abordagens cirúrgicas para corrigir falhas maiores da musculatura pélvica, bem como o reposicionamento do útero, ou do reto, caso estes também estejam comprometidos.
Já o tratamento da incontinência urinária de urgência é farmacológico e fisioterápico. O farmacológico pressupõe o uso de várias drogas que contêm substâncias anticolinérgicas que evitam a contração vesical. Atualmente, alguns médicos já utilizam a aplicação de botox intravesical a fim de controlar e diminuir a contração da musculatura vesical e evitar a perda urinária nos casos mais graves.
Postado por Sílvia Lisboa