Considerada uma doença inflamatória e imunomediada (quando o sistema imunológico provoca a inflamação), a psoríase atinge, aproximadamente, 130 milhões de pessoas em todo o mundo. O problema de pele tem predisposição genética e acomete igualmente homens e mulheres, podendo aparecer em qualquer idade, inclusive em crianças, sendo mais comum em pessoas entre 30 e 40 anos.
A psoríase se desenvolve pela ação das chamadas células T, que hiperestimulam e aceleram a proliferação das células da pele. Esse crescimento acelerado provoca a formação de lesões elevadas, chamadas de placas, com aparência avermelhada e recobertas por escamas brancas.
— Para se ter uma idéia, na pele normal e saudável, as novas células levam cerca de um mês para migrarem para a superfície. Já na pele de uma pessoa com psoríase, esse processo pode levar apenas três a quatro dias para acontecer — explica a dermatologista Letícia Secco.
Os sinais e sintomas físicos mais evidentes da psoríase são lesões avermelhadas e descamativas, que coçam, podem rachar e sangrar. Os joelhos e os cotovelos são os locais geralmente atingidos, porém, outras partes do corpo podem apresentar lesões. Diversos fatores podem desencadear a doença: um trauma na pele, por exemplo, pode fazer com que as placas apareçam no local. Fatores como mudança de temperatura, estresse físico e psicológico e infecções podem agravar o quadro.
Ao contrário do que muita gente pensa, a psoríase não é contagiosa e pode ser controlada. Para isso, entretanto, é necessário que se faça um diagnóstico correto para que a doença não tome proporções mais graves, com áreas extensas de pele acometidas, dor e deformidade nas articulações, também conhecida como artrite psoriásica.
— Por se tratar de um problema que fica exposto o tempo todo, os pacientes sentem-se envergonhados. Mas com as terapias certas, indicadas por um médico, é possível ter uma vida completamente normal e saudável. Medicamentos à base de corticosteróides injetáveis ou tomados via oral podem proporcionar uma melhora imediata, mas geralmente causam piora posterior — conclui a especialista.
A psoríase é contagiosa?
Não, a psoríase não é contagiosa. Ninguém pega psoríase pelo ar, na piscina, nas toalhas, no ato sexual ou ao manter qualquer outra forma de contato com a pele de uma pessoa com a doença. Se você tem psoríase, lembre-se: não há motivo para constrangimentos. E se você convive com pessoas que têm a doença, é importante saber que ela não é contagiosa e, portanto, não há por que apresentar qualquer tipo de preconceito ao relacionar-se com um portador de psoríase.
O que pode agravar os sintomas?
Vários fatores podem agravar ou até desencadear a doença. Estresse físico ou psicológico, além de fatores externos como uso de álcool, cigarro e coçar as lesões, podem piorar o quadro.
Pacientes com psoríase devem seguir alguma dieta alimentar?
Não há restrições na alimentação do portador de psoríase. Mas fique atento: alimentos ricos em gordura interferem na absorção de alguns medicamentos usados no tratamento das lesões. Sempre é recomendável uma dieta balanceada, rica em frutas, legumes e verduras. Isso ajuda na recuperação. Existem estudos mostrando que indivíduos obesos tendem a apresentar mais psoríase que os magros. Portanto, procure manter o peso ideal. Faça exercícios físicos e procure evitar ao máximo situações e hábitos estressantes. Não esqueça: repouso e lazer são muito importantes.
Posso viver normalmente com a psoríase?
A doença não deve impedir o lazer, atividades sociais, exercícios físicos, viagens, alimentação, vida profissional e familiar. Este é o objetivo dos tratamentos: proporcionar a retomada de todas as atividades, de forma saudável.
Já que a psoríase não tem cura, devo ficar sem medicação?
Apesar de ser uma doença que não tem cura, a psoríase pode e deve ser controlada. A finalidade do tratamento é reduzir as crises com uma terapia que possa ser usada a longo prazo com segurança. As substâncias calcipotriol e betametasona são as mais utilizadas. Já existem medicamentos que combinam os dois princípios ativos, diminuindo a necessidade de muitas reaplicações. Além da maior comodidade, o calcipotriol e a betametasona combinados atuam mais rapidamente no organismo e apresentam resultados mais efetivos que quando usados separadamente.
Cremes hidratantes ajudam na cicatrização ou apenas mascaram os sintomas?
Hidratantes melhoram a descamação e evitam as rachaduras. Todos os pacientes portadores de psoríase se beneficiam com a utilização de hidratantes potentes nas áreas lesadas. Abuse de hidratantes.
Posso tomar banhos de imersão?
Sim. Estâncias hidrominerais proporcionam hidratação e desinfecção das lesões, além de exercer efeito calmante sobre a pele. Por exemplo, na região do Mar Morto (Ásia), existem clínicas voltadas exclusivamente a essa terapêutica, que tratam a psoríase com exposição solar moderada e banhos de água salgada.
Fonte: Letícia Secco, dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, da American Academy of Dermatology e da European Academy of Dermatology and Venereology
Postado por Larissa Roso

