O diabetes é uma das doenças que mais mata no mundo. Já reconhecido como um mal de origens genéticas, pode ser desencadeado por fatores que vão além da obesidade e do sedentarismo — apesar de esses ainda serem considerados os principais fatores de risco. Entre as crianças, o gatilho para as primeiras crises pode estar em oscilações emocionais e viroses. Os nascidos por cesarianas também são mais propensos a desenvolver a síndrome metabólica.
Na infância, o diabetes mais comum é o do tipo 1. Ele corresponde à incapacidade do pâncreas de produzir insulina, uma enzima responsável pela transformação do açúcar em energia, indispensável para o funcionamento do corpo. Essa disfunção é determinada pela genética, com fortes influências hereditárias. A doença, no entanto, está condicionada a uma crise inicial: um momento específico que marca a falha da produção da insulina. Viroses simples, daquelas que aparecem em períodos frios e melhoram sem grandes danos, podem levar à inclusão no grupo dos diabéticos.
Professor da pós-graduação em endocrinologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, Leão Zagury aponta que o quadro é bastante comum. Os fatores, segundo ele, ainda não estão bem explicados. Não há, por exemplo, uma relação entre um ou outro tipo de vírus.
— Mas é consenso que podem levar à debilidade do pâncreas que, naturalmente frágil, levará à primeira crise — explica.
Epidemiologistas europeus investigaram a incidência da síndrome e o parto cesariano. Constataram que o diabetes acomete 20% mais crianças nascidas dessa forma, se compararmos com as que passaram por parto normal — independentemente da idade gestacional, peso ao nascer, idade materna, amamentação ou diabetes materna. Em ambos os casos, há a prova da influência de fatores externos no desencadear da doença tipo 1 em crianças geneticamente predispostas.
Outro fator apontado pelo especialista é o chamado diabetes nervoso, ou seja, influenciado por fatores emocionais. Em geral, a crise surge por algum momento de estresse, mas também pode resultar de momentos de euforia. O médico citou o exemplo de um garoto que se descobriu diabético no dia da primeira comunhão, e outro, na festa de aniversário do irmão.
— As emoções alteram índices glicêmicos e, conseqüentemente, exigem maior ou menor concentração de insulina — explica.
O médico Freddy Goldberg, chefe do departamento de endocrinologia do Hospital Heliópolis (SP) e membro da equipe do Hospital Albert Einstein (SP), mostra que estudos recentes apontam para uma ação da insulina nas áreas cerebrais responsáveis pelas emoções. Isso justificaria o cruzamento comum de duas patologias: diabetes e depressão, que acometem cerca de 30% dos pacientes tipo 2.
— Ao que parece, as descargas hormonais influenciam a ação da insulina e vice-versa. A depressão do diabético não é só por descontentamento — afirma.
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— As constatações foram apresentadas durante o Congresso Internacional de Endocrinologia 2008, realizado no Rio de Janeiro, no mês passado, reunindo cerca de 6 mil especialistas de 60 países. Durante o encontro, os médicos também defenderam a importância de iniciar mais cedo a suplementação de insulina para evitar complicações decorrentes da doença. Entre as mais comuns estão as doenças cardiovasculares, insuficiência renal, problemas visuais e amputação de membros inferiores.
— O diabetes se divide entre os tipos 1 e 2, referentes à dificuldade de produção da insulina e à capacidade de ação da mesma para sintetizar o açúcar nas células, respectivamente. No tipo 2, a enzima geralmente só é prescrita quando o diabético não consegue mais dispor de quantidade suficiente para cumprir essa função. No entanto, os protocolos médicos atuais apontam que não se deve chegar a esse ponto para iniciar a suplementação injetável de insulina. Ela deve ser administrada a partir da contagem dos anos com a doença, cruzada com os índices glicêmicos do paciente.
— Freddy Goldberg defende que a necessidade do uso da insulina é fruto do efeito progressivo da doença. Mesmo que num primeiro momento o paciente consiga produzir a insulina, a tendência é que essa produção caia de forma significativa com o tempo. "Enquanto isso ocorre, outras complicações podem se desenvolver em paralelo. Se há suplementação, reduz-se a chance de problemas", explica. A resistência dos pacientes às injeções diárias ainda é a grande barreira. "Para não desagradar, muitos médicos deixam a insulina como último recurso. Com isso, exigem muito do organismo do paciente", comentou.
— A evolução dos medicamentos e dos mecanismos de administração dos mesmos oferece vantagem aos pacientes. A variedade de insulinas abrange diversas manifestações da doença. Há, por exemplo, insulinas de dose única capazes de agir durante 24 horas. Outras têm ação imediata e podem ser usadas após a refeição, evitando o cálculo errado da dose — útil, especialmente, crianças e idosos que tenham problemas em se alimentar.
Postado por Larissa Roso