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Posts de fevereiro 2009

Poucos estudos científicos na área

28 de fevereiro de 2009 0

Daniel Marenco

Do caderno Vida de hoje

Apesar de ganharem novo fôlego com o reconhecimento do Conselho Federal de Odontologia (CFO), as práticas integrativas ainda são vistas com reservas por boa parte dos profissionais. Há alguns motivos para que se fique com um pé atrás. Um deles é a falta de cursos reconhecidos na área. Sem formação adequada, não há como controlar o trabalho dos dentistas que utilizam as técnicas. Esse problema, porém, pode ser resolvido em alguns anos. A decisão do CFO abre espaço legal para a formação de dentistas no trabalho com acupuntura, por exemplo.

 

Outro receio decorre da falta de pesquisas científicas que comprovem a eficácia dessas práticas, como explica João Batista Burzlaff, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

— A academia ainda não abraçou algumas dessas técnicas, como a fitoterapia e a hipnose. Por isso, há poucos estudos avaliando a questão, o que nos deixa um pouco conservadores na hora de buscar as novas práticas — diz.

Segundo ele, não existe um preconceito forte entre os profissionais. A insegurança reside apenas na falta de conhecimento sobre os procedimentos.

— Eles não fizeram parte da minha formação profissional. Como não os conheço, não me sinto no direito de indicá-los para meus pacientes — conta.

Porém, o dentista cita a homeopatia e a acupuntura como duas vertentes mais conhecidas dos acadêmicos, com vários trabalhos publicados mostrando sua eficácia.

— No caso da laserterapia, conheço bem suas aplicações como anti-inflamatório e já indiquei para meus pacientes, com bons resultados. A homeopatia, apesar de não usar no consultório, usei no tratamento de saúde de meus filhos. E também com bom resultado — lembra.

Postado por Larissa Roso

Casos de aids por drogas injetáveis caem no Brasil

28 de fevereiro de 2009 0

Em uma década, entre 1996 e 2006, o número de casos de aids relacionados ao consumo de drogas injetáveis no Brasil diminuiu de 23,5% para 9,3%, no caso dos homens, e de 12,6% para 3,5%, entre as mulheres. Assim destaca a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife) em seu relatório anual, reunindo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

O sucesso da luta é atribuído à participação das autoridades brasileiras em um projeto de prevenção do abuso de drogas, da aids e das doenças sexualmente transmissíveis, centrado em facilitar aos portadores de HIV ou aids o acesso aos serviços de saúde. Além disso, o órgão da ONU encarregado de zelar pelo cumprimento dos acordos internacionais sobre drogas lembra que o Brasil é o país da América do Sul onde há as maiores apreensões de maconha. Em 2007, as autoridades brasileiras apreenderam quase 200 toneladas da droga. As apreensões de cocaína totalizaram 18,2 toneladas, incluindo a pasta de coca.

Com Chile e Equador, o Brasil é um dos países por onde passa o contrabando de drogas provenientes do Peru para os Estados Unidos e a Europa. Embora em menor quantidade, há também na região — com o Brasil à frente — o consumo da heroína que entra por contrabando a partir da Ásia e de outros opiáceos ilícitos.

Postado por Larissa Roso

Tratamento genético é seguro e ativo contra a aids

28 de fevereiro de 2009 0

O tratamento genético é seguro e ativo nos portadores do vírus HIV e pode ser desenvolvido como um tratamento convencional contra a aids, segundo um estudo publicado pela revista Nature Medicine.

Os autores da pesquisa, dirigida pelo professor Ronald Mitsuyasu, da Universidade da Califórnia (Estados Unidos), afirmam que o tratamento genético é "uma opção atrativa" para tratar a aids, por ter o potencial de ser um tratamento de uma só aplicação.

Dessa maneira, seria reduzida a carga viral para o paciente, com a preservação de seu sistema imunológico e, o mais importante, evitando o tratamento com antirretrovirais, que, no caso dos atuais pacientes com aids, é um tratamento para a vida inteira.

O tratamento genético busca curar doenças hereditárias que, na maioria das vezes, são causadas por genes defeituosos, mediante a introdução de outros saudáveis.

É aplicável também ao tratamento de doenças atualmente incuráveis, como câncer, determinadas patologias infecciosas (hepatite ou aids), cardiovasculares, doenças neurodegenerativas ou crônicas. Mais de 5 mil doenças humanas foram atribuídas a fatores genéticos.

Postado por Larissa Roso

Maior incidência de derrames em países pobres

28 de fevereiro de 2009 0

Os fatores que tradicionalmente influem no surgimento da apoplexia ou do derrame cerebral não explicam por que há uma maior incidência dessa doença nos países pobres, segundo afirma uma pesquisa publicada no jornal The Lancet.

Consumo de álcool, diabetes, pressão sanguínea alta, tabagismo e obesidade são alguns desses fatores, que, no entanto, não são registrados em maior medida nos países pobres e em desenvolvimento, onde a incidência de derrames doença dobrou nos últimos 40 anos. Na verdade, esses fatores de risco chegam até a ser mais comuns nos países desenvolvidos. Apesar disso, as pessoas que vivem nos países mais pobres têm 20% mais possibilidades de sofrer uma apoplexia.

O professor Claiborne Johnston, da Universidade da Califórnia (Estados Unidos), em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS), chegou a essas conclusões após calcular a taxa de mortalidade por derrame cerebral em diferentes países.

Em 2002, mais de 85% dos 15,3 milhões de derrames cerebrais registrados no mundo ocorreram em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, devido, segundo Johnston, ao fato de que, nas nações desenvolvidas, há um maior investimento tanto na prevenção da doença quanto no tratamento.

Essa pesquisa vem preencher "o déficit que existe no estudo dos fatores que determinam a incidência dos derrames cerebrais" e estimula a melhorar a prevenção e o tratamento nesses países, afirmou o Lancet.

Postado por Larissa Roso

Número de pacientes com câncer deve dobrar

28 de fevereiro de 2009 0

Os casos de câncer no mundo todo dobrarão nos próximos anos devido, sobretudo, à epidemia de obesidade que afeta países industrializados e emergentes. O alerta é de um especialista britânico. A cada ano, o câncer mata aproximadamente 7 milhões de pessoas no mundo, segundo cálculos do Fundo de Pesquisas sobre o Câncer Mundial. Segundo a entidade, esse número pode chegar a 16 milhões até 2020.

— É enorme. É catastrófico — disse ao jornal The Observer Michael Marmot, professor de epidemiologia e saúde pública do University College de Londres e autor de um relatório sobre a crescente incidência da doença.

Marmot acha que o câncer requer pesquisas urgentes e em escala global, assim como o aquecimento do planeta.

— Muitas das mortes por câncer são evitáveis ou poderiam ser adiadas. É necessário tomar medidas o mais rápido possível — recomenda.

O especialista liderou um grupo de 23 cientistas de todo o mundo no maior estudo já feito sobre a relação entre o câncer e o estilo de vida dos indivíduos. Marmot reconheceu que a atual recessão econômica agrava os problemas, já que cada vez mais gente recorre ao fast-food. Segundo o professor britânico, a epidemia de obesidade, provocada por causas socioeconômicas, tem de ser combatida com soluções sociais e econômicas.

— Estamos preocupados aqui neste país, mas isto é algo que também atinge Egito, México, Brasil e países de renda média. No Egito, dois terços das mulheres são obesas — exemplificou Marmot.

Postado por Larissa Roso

Por que é tão difícil voltar?

26 de fevereiro de 2009 0

Daniel Marenco

Marcelo Goldstein Spritzer *

Muitas pessoas têm dificuldades para fazer o movimento de retorno às suas atividades após um período de férias. Essa retomada do trabalho é sentida com uma enorme angústia. Mas por quê? Por que é tão difícil, após recarregar as baterias nas férias, voltar às atividades do cotidiano?

— Isto se dá porque, durante as férias, os problemas de convívio com o grupo de trabalho e os chefes e a falta de motivação para desempenhar a função ficam suspensos, se não esquecidos, deixados para trás.

— Essas dificuldades no trabalho, cujo contato é evitado durante as férias, geram repercussões negativas em diversas áreas da vida (familiar, conjugal, social). A época das férias, quando utilizada como refúgio para problemas profissionais, passa a não servir como momento necessário para o restabelecimento do indivíduo. Aquilo que se procura evitar acaba ficando presente na mente, consciente ou inconscientemente, apesar de muitos acreditarem que podem se distanciar ou até esquecer os problemas relacionados ao trabalho indo para as férias.

— De acordo com a teoria psicanalítica, os problemas ou conflitos que não são pensados, que encobrimos, que deixamos para trás, manifestam-se sob outras formas, podendo se transformar em sintomas no corpo ou na mente. Durante o trabalho, temos um contato maior com nosso projeto de vida e o que ainda falta para a realização desse, aonde queremos chegar profissionalmente. Na retomada do trabalho, temos de nos deparar com algo do que parecia estarmos distantes, mas que se manifestava indiretamente, trazendo-nos inquietação.

— O sujeito deve ter liberdade de se desligar de seu trabalho e voltar a se ligar novamente. Para que possa ocorrer essa separação, é necessário que ele esteja seguro de sua identidade, saber quem ele é, o que quer ser, para onde quer ir. Muitas vezes, uma pessoa com essa dificuldade tem medo de que, depois das férias, não consiga mais voltar a trabalhar, ou que seu cargo já tenha sido ocupado por alguém melhor.

Assim, a saída para lidar com esse sentimento é ir de encontro consigo mesmo, poder investigar os conflitos que há dentro de cada um, conscientes ou não. Com isso, é possível que o sujeito se permita desfrutar não só de suas férias, mas de tudo o que a vida pode oferecer a ele, melhorando sua qualidade de vida e sua relação consigo mesmo e com os outros.

Dicas

— Aproveite os primeiros dias de trabalho para se reorganizar e se readaptar à rotina.

— Não resolva os assuntos pendentes com pressa. Isso pode levar a um esgotamento físico e mental. Veja as prioridades. Algumas pessoas se organizam melhor fazendo uma lista de tarefas para seguir. Lembre-se de que você tem o ano todo pela frente. Enfrente os primeiros dias de trabalho, um após o outro, com calma.

— Atenção para reações muito negativas no retorno ao trabalho. Após as férias, é saudável sentir falta da função exercida, dos colegas etc. Em casos de desmotivação, é indicado tratamento psicológico.

— Fatores como a retomada do trabalho aliada à crise econômica pela qual estamos passando podem agravar problemas psicológicos já existentes. Esses fatores externos passam a servir de confirmação da desmotivação interna, do desvalor que o sujeito se dá, que é vinda de outros motivos.

* Psicólogo (CRP 07/16369)

Postado por Larissa Roso

Fim do período de excessos

25 de fevereiro de 2009 0

Daniel Marenco

Bebida alcoólica e tira-gosto para acompanhar, lanches calóricos na madrugada, abusos no almoço ou no jantar. O carnaval normalmente encerra o período de excessos, que tem início com o verão e as festas de fim de ano. E o corpo se ressente desses abusos.

A nutricionista Natália Chede explica que muitas doenças estão ligadas à ingestão e à produção em excesso de substâncias que o corpo humano só toleraria em pequenas e eventuais doses. Alguns produtos consumidos em excesso são vilões da saúde, como o álcool, o café, o açúcar branco, os aditivos químicos dos produtos industrializados, a gordura animal e os agrotóxicos.

— O álcool, além de todos os seus efeitos deletérios e estimulantes, tem uma ação prejudicial no fígado (órgão em que é metabolizado), que é um importante órgão desintoxicante — diz Natália.

Os excessos podem causar desde uma simples má digestão ou indisposição a doenças graves e crônicas. Para ajudar na desintoxicação, Natália indica alimentos que contribuem com a faxina do corpo, como sementes e grãos germinados, a exemplo de brotos, frutas e hortaliças orgânicas, cereais integrais, leguminosas e oleaginosas, como as nozes.

Palavra da especialista

Após o período de Carnaval, o organismo pode ficar "intoxicado"?

Depende de como a pessoa se comportou. Com o aumento da ingestão de álcool, alimentação desregrada e sem tempo de descanso, ocorre uma combinação de fatores que contribuem para a intoxicação orgânica. Outro problema é que, nas viagens, estamos mais expostos a alimentos feitos com óleo de baixa qualidade e com temperos em excesso, além das condições higiênicas dos locais muitas vezes não serem ideais. Tudo contribui para um nível maior de toxinas circulando no organismo. Além disso, acabamos dando férias aos bons alimentos e tendo como opção não só o que é saudável, e sim prazeroso.

Quais os principais problemas disso para o organismo?

O problema é que o acúmulo de toxinas causa cansaço, baixa da vitalidade, o sistema linfático fica sobrecarregado, o que pode se manifestar com inchaço, alterar o funcionamento do intestino, aumentar o peso e sobrecarregar principalmente os órgãos de eliminação: fígado, intestinos, rins e pele. O estômago também pode ser afetado.

O que pode ser feito para desintoxicar o corpo?

Beber muita água. Os sucos de frutas ácidas com vegetais folhosos verde-escuros são ótimos para o fígado(exemplo: abacaxi com couve). Manter uma alimentação rica em vegetais em geral (hortaliças e frutas), evitar alto consumo de carnes e alimentos refinados. O chá de hortelã e o chá verde também contribuem para eliminar toxinas e equilibrar os órgão digestivos. Atividades que promovam a transpiração (suor), com boa hidratação depois, podem ser outra opção.

Fonte: Ana Paula Surita, nutricionista

Postado por Larissa Roso

Tratamento com células-tronco provoca tumores

24 de fevereiro de 2009 0

Um adolescente que sofre de uma rara doença genética desenvolveu tumores de caráter benigno no cérebro e na medula espinhal após passar por tratamento com células-tronco embrionárias, em um caso inédito. Os pesquisadores do Cheeba Medical Center, em Israel, que acompanharam o paciente, documentamo na revista PLoS Medicine os efeitos do tratamento celular regenerativo.

Ele sofre de uma doença hereditária chamada ataxia telangiectasia e se submeteu em 2001, aos nove anos, a um tratamento regenerativo em um hospital de Moscou, no qual, por diversas vezes, células-tronco germinais neurais foram injetadas em seu cérebro e em seus fluidos.

A ataxia telangiectasia é uma complexa patologia, causada por uma mutação em dois genes chamados ATM, e se caracteriza pela degeneração da região do cérebro que controla o movimento e a fala.

Após reclamar de recorrentes dores de cabeça, em 2005, os médicos o submeteram a uma ressonância magnética, que revelou crescimentos celulares anormais no cérebro e na medula espinhal. Em 2006, eles retiraram a massa da medula, posteriormente analisada em laboratório. Nela foram encontradas células de neurônios e da glia que formavam um tumor glioneuronal.

Além disso, havia células com cromossomos XX (pertencentes ao sexo feminino) e XY (relativos ao sexo masculino) com cópias saudáveis do gene ATM. Os pesquisadores descobriram que esse tumor derivou de células-tronco embrionárias de dois indivíduos que não eram o paciente.

Embora as massas do cérebro, que seguem crescendo lentamente, não tenham sido examinadas, os numerosos locais em que os tumores foram encontrados indicam que eles provavelmente apareceram de forma independente, a partir das células transplantadas em diferentes localizações. A lentidão do crescimento dos tumores e a aparência bem diferenciada das células sugerem que eles são relativamente benignos.

A equipe médica explica que a proliferação dos tumores neste paciente pode ter ocorrido devido ao fato de o sistema imunológico dos doentes de ataxia telangiectasia ser normalmente danificado. Normalmente, esse sistema atua para abortar o crescimento das células tumorais.

Este é o primeiro exemplo de tumor cerebral derivado do transplante de células-tronco neurais. Por isso os pesquisadores, que expressaram sua preocupação, pedem que se aprofunde a pesquisa dos tratamentos com células-tronco germinais e que se acompanhe os pacientes que já se submeteram a esse tipo de tratamento.

Os transplantes com células-tronco são recomendados em tratamentos para determinadas doenças neurodegenerativas. As células-tronco podem substituir os neurônios e as células da glia danificadas ou mortas. Trata-se de dois tipos de células muito especializadas do cérebro e da medula espinhal que compõem o sistema nervoso e que não se reproduzem.

Postado por Larissa Roso

Filhos de pessoas com Alzheimer têm memória pior

23 de fevereiro de 2009 0

Os filhos de pessoas que sofrem da doença de Alzheimer ou de outro tipo de enfermidade mental têm memória 50% pior do que os demais, concluiu um estudo da Universidade de Boston, nos Estados Unidos. Os pesquisadores, liderados por Sudha Seshadri, apresentarão seus resultados na reunião anual da Academia Americana de Neurologia em Seattle, ainda no primeiro semestre.

Para chegar à conclusão de que a memória do adulto é afetada por essas doenças na ascendência, a equipe científica submeteu 715 pessoas com média de 59 anos de idade a testes de memória visual e verbal e a uma ressonância magnética cerebral.

Dos mais de 700 participantes, 282 tinham antecedentes de Alzheimer ou de outras doenças mentais em um ou nos dois pais. Os pesquisadores também observaram os que portavam o gene ApoEe4, considerado um fator de risco de transmissão. Aqueles que tinham esse gene e antecedentes das doenças obtiveram pontuações muito mais baixas do que os demais voluntários nas provas de memória.

— As doenças dos pais, como a de Alzheimer, estiveram fortemente associadas aos piores resultados nas tarefas de memória verbal e visual — afirmou Seshadri.

Segundo o especialista, o resultado nas pessoas com pais afetados pelo Alzheimer ou doença semelhante equivaleu a um envelhecimento cerebral de 15 anos em relação aos demais participantes. Os indivíduos com antecedentes dessas doenças e a presença do gene ApoEe4, então, mostraram probabilidades duas a três vezes maiores de obter maus resultados nos testes de memória.

O efeito, segundo os pesquisadores, esteve muito limitado às pessoas portadoras do gene, o que reforça a hipótese de que ele é, pelo menos parcialmente, responsável pela transmissão do Alzheimer entre gerações.

Postado por Larissa Roso

Suicídio de adolescentes acima da média na Capital

21 de fevereiro de 2009 0

Cynthia Vanzella

Entre as 10 principais causas de morte na população mundial, as tentativas de suicídio têm gerado um aumento de mortes prematuras em adolescentes. No Brasil, os estados da Região Sul apresentam média acima da nacional, sendo as cidades de Porto Alegre e Curitiba as que têm os maiores índices.

Com o objetivo de auxiliar a possível redução de comportamentos de risco na área, pesquisadoras da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) investigaram a prevalência do planejamento suicida e fatores associados entre 1.170 adolescentes da rede pública de ensino de Porto Alegre. O estudo, publicado na revista Cadernos de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), revelou uma taxa de prevalência de 6,3%.

Na pesquisa, adolescentes de 12 a 18 anos responderam a questionários que avaliavam questões como saúde, consumo de álcool e drogas, relacionamento familiar, se sofrem algum tipo de violência, se têm sentimentos de solidão e tristeza, comportamento na escola, relação com os amigos, dificuldades para dormir e preocupação com a imagem corporal.

"Destaca-se que o comportamento suicida ocorre, muitas vezes, como reflexo de conflitos internos, sentimentos de depressão e ansiedade que acompanham a profunda reorganização física, psíquica e social que ocorre na adolescência", explicam as pesquisadoras. "Entretanto, pode ser difícil determinar a intencionalidade de atitudes destrutivas. Em função disso, estudos são feitos para mapear um conjunto de fatores de risco que, individualmente ou associados, contribuem para a ação."

A análise apontou que o planejamento suicida é mais prevalente em meninas (40% a mais) e em jovens que relataram problemas nas relações com os pais. Os resultados também mostraram que o uso de drogas pelos amigos e pequeno número de colegas próximos aumentou em, respectivamente, 90% e 66% as possibilidades de planejamento.

"Aqueles agredidos por colegas, os que referiram sentirem-se sozinhos e tristes apresentaram duas ou três vezes mais prevalência", afirmam as estudiosas. "Da mesma forma, aqueles que referiram serem agredidos pelos pais ou responsáveis e os que faltaram às aulas sem o conhecimento e a permissão deles mostraram uma prevalência de desfecho 2,7 vezes maior."

Os dados revestem-se de importância para a saúde coletiva em função do caráter multiplicador da situação. Para as pesquisadores, a escola é o local onde são reproduzidos padrões de comportamentos e relacionamentos que podem pôr em risco a saúde dos jovens, sendo, assim, locais estratégicos para a promoção e a proteção da saúde deles.

"Acredita-se que a escola possa ser um local privilegiado para a identificação precoce de situações problemáticas, já que os aspectos relacionados a meio familiar, grupo de amigos e escola são de extrema importância para a qualidade de vida do adolescente."

Postado por Larissa Roso