Esqueça os tênis e a toalhinha. Para praticar o deep water running — ou "corrida dentro d`água", em uma tradução adaptada —, você vai precisar de touca, roupa de banho e boias. Criada em meados dos anos 1980, nos Estados Unidos, a modalidade ficou conhecida pela eficácia no tratamento de atletas lesionados. A ideia é simular os movimentos da corrida em solo dentro da piscina, que deve ter, no mínimo, dois metros de profundidade. Com a cabeça para fora da água e usando coletes ou cintos flutuadores, os alunos "correm", sem encostar os pés no chão.
Mas qual a vantagem em trocar o asfalto pela piscina? Além de queimar calorias rapidamente — em uma hora de aula, são cerca de 700 calorias que vão embora — e melhorar o condicionamento físico, os exercícios feitos em meio aquático não causam nenhum impacto nas articulações. Isso evita problemas como contusões ou distensões musculares, comuns em atletas de solo. Como o acompanhamento é feito individualmente, não há necessidade de dividir os alunos em turmas específicas. Cada um acompanha as aulas no seu próprio ritmo, seja iniciante ou avançado.
— De acordo com os batimentos cardíacos do aluno, o professor vai ajustando a intensidade do exercício — diz Tiago Alves Pires, professor de educação física.
Embora o esforço físico para correr na água seja menor que o necessário em uma corrida convencional, os resultados aparecem mais rápido.
— Tem gente que chega a ver resultado em um mês, outros em um mês e meio — diz Vítor Ferreira dos Santos, instrutor da modalidade.
Vítor explica que as vantagens do esporte são muitas, mas, ainda assim, há restrições para quem quer se aventurar.
— Não é recomendado para quem tem problemas de hipertensão ou labirintite aguda, porque mesmo que a frequência seja baixa, a intensidade do exercício é muito alta — alerta.
O especialista em fisioterapia, traumatologia e ortopedia do esporte Márcio Costa Antonelo explica que a falta de impacto se dá graças a uma força existente dentro d`água, que torna os corpos mergulhados "mais leves", chamada empuxo.
— É como se a pessoa fosse um astronauta no espaço, mantidas as devidas proporções — compara.
Mas a modalidade é recomendada não apenas para atletas lesionados que não querem perder o condicionamento físico durante o tratamento ou para corredores ansiosos por intensificar e diversificar ainda mais seus treinos: pessoas que não têm o hábito de correr também têm vez.
— Se a pessoa nunca correu e quer treinar o gesto do esporte, pode começar na água e depois ir para o solo — diz o médico. Isso previne acidentes quando ela for para a rua.
Um problema de artrose na cabeça do fêmur foi o que motivou Renato Brilhante Ustra, de 73 anos, a começar o deep running.
— Cheguei aqui usando bengala, me arrastando. Tinha uma dificuldade muito grande para me locomover — conta.
Renato precisou colocar uma prótese no osso lesionado. A preparação para a cirurgia, há um ano, foi toda dentro d`água.
— Hoje estou andando normalmente, não sinto dor, não sinto nada — comemora.
Mesmo recuperado, Renato descarta a possibilidade de desistir do esporte.
— É um clima de amizade, de camaradagem, de harmonia. Isso motiva a gente a vir e se sentir à vontade para fazer o exercício — conclui.
Pratique
— A técnica para correr de forma correta nas ruas melhora com os treinos na água
— É uma ótima opção para quem gosta de correr, mas está entediado com os treinos repetitivos ou quer variar o ambiente Interação social: não há problemas em atletas, pessoas lesionadas e iniciantes fazerem a mesma aula
— A falta de impacto poupa a coluna, os quadris, os joelhos e os tornozelos de problemas futuros, além de melhorar a postura
— O efeito massageador da água pode atuar também como drenagem linfática
Postado por Larissa Roso

