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Posts do dia 3 outubro 2009

Que tal correr dentro d`água?

03 de outubro de 2009 1

Divulgação

Esqueça os tênis e a toalhinha. Para praticar o deep water running — ou "corrida dentro d`água", em uma tradução adaptada —, você vai precisar de touca, roupa de banho e boias. Criada em meados dos anos 1980, nos Estados Unidos, a modalidade ficou conhecida pela eficácia no tratamento de atletas lesionados. A ideia é simular os movimentos da corrida em solo dentro da piscina, que deve ter, no mínimo, dois metros de profundidade. Com a cabeça para fora da água e usando coletes ou cintos flutuadores, os alunos "correm", sem encostar os pés no chão.

Mas qual a vantagem em trocar o asfalto pela piscina? Além de queimar calorias rapidamente — em uma hora de aula, são cerca de 700 calorias que vão embora — e melhorar o condicionamento físico, os exercícios feitos em meio aquático não causam nenhum impacto nas articulações. Isso evita problemas como contusões ou distensões musculares, comuns em atletas de solo. Como o acompanhamento é feito individualmente, não há necessidade de dividir os alunos em turmas específicas. Cada um acompanha as aulas no seu próprio ritmo, seja iniciante ou avançado.

De acordo com os batimentos cardíacos do aluno, o professor vai ajustando a intensidade do exercício — diz Tiago Alves Pires, professor de educação física.

Embora o esforço físico para correr na água seja menor que o necessário em uma corrida convencional, os resultados aparecem mais rápido.

Tem gente que chega a ver resultado em um mês, outros em um mês e meio — diz Vítor Ferreira dos Santos, instrutor da modalidade.

Vítor explica que as vantagens do esporte são muitas, mas, ainda assim, há restrições para quem quer se aventurar.

— Não é recomendado para quem tem problemas de hipertensão ou labirintite aguda, porque mesmo que a frequência seja baixa, a intensidade do exercício é muito alta — alerta.

O especialista em fisioterapia, traumatologia e ortopedia do esporte Márcio Costa Antonelo explica que a falta de impacto se dá graças a uma força existente dentro d`água, que torna os corpos mergulhados "mais leves", chamada empuxo.

— É como se a pessoa fosse um astronauta no espaço, mantidas as devidas proporções — compara.

Mas a modalidade é recomendada não apenas para atletas lesionados que não querem perder o condicionamento físico durante o tratamento ou para corredores ansiosos por intensificar e diversificar ainda mais seus treinos: pessoas que não têm o hábito de correr também têm vez.

— Se a pessoa nunca correu e quer treinar o gesto do esporte, pode começar na água e depois ir para o solo — diz o médico. Isso previne acidentes quando ela for para a rua.

Um problema de artrose na cabeça do fêmur foi o que motivou Renato Brilhante Ustra, de 73 anos, a começar o deep running.

— Cheguei aqui usando bengala, me arrastando. Tinha uma dificuldade muito grande para me locomover — conta.

Renato precisou colocar uma prótese no osso lesionado. A preparação para a cirurgia, há um ano, foi toda dentro d`água.

— Hoje estou andando normalmente, não sinto dor, não sinto nada — comemora.

Mesmo recuperado, Renato descarta a possibilidade de desistir do esporte.

— É um clima de amizade, de camaradagem, de harmonia. Isso motiva a gente a vir e se sentir à vontade para fazer o exercício — conclui.

Pratique

— A técnica para correr de forma correta nas ruas melhora com os treinos na água

— É uma ótima opção para quem gosta de correr, mas está entediado com os treinos repetitivos ou quer variar o ambiente Interação social: não há problemas em atletas, pessoas lesionadas e iniciantes fazerem a mesma aula

A falta de impacto poupa a coluna, os quadris, os joelhos e os tornozelos de problemas futuros, além de melhorar a postura

— O efeito massageador da água pode atuar também como drenagem linfática

Postado por Larissa Roso

Botox contra a paralisia cerebral infantil

03 de outubro de 2009 0

A toxina botulínica tipo A, muito popular por suas indicações estéticas contra as rugas, é usada com muito sucesso na reabilitação de crianças com paralisia cerebral. O neurologista Nasser Allam, pioneiro no uso desse produto no país como terapia neurológica, explica que, aplicada diretamente nos músculos afetados, a substância relaxa a musculatura e bloqueia a atividade motora involuntária.

— Além de aumentar a amplitude do movimento, a toxina reduz a dor provocada pela rigidez muscular — esclarece o médico do Ambulatório de Dissonais do Hospital de Base do Distrito Federal.

O neurologista Cristiano Milani explica que a melhora é fundamental em todas as etapas do tratamento, pois permite que membros afetados sejam manejados pelos fisioterapeutas, facilitando as manobras de reabilitação, como o uso de próteses e o treino de marcha.

— A aplicação da toxina botulínica, combinada com o trabalho de reabilitação, pode reduzir o uso de relaxantes musculares orais e, ainda, retardar ou evitar intervenções cirúrgicas — diz Milani.

Esse tratamento é feito pelo SUS e coberto pelos planos de saúde regulamentados pela Lei nº 9656/98.

Palavra do especialista

O que é realmente a paralisia cerebral?

A pessoa portadora de paralisia cerebral tem inteligência normal, a não ser que a lesão tenha afetado áreas do cérebro responsáveis pelo pensamento e pela memória. A questão é que, se a criança tiver sua visão ou audição prejudicadas, ela terá dificuldades para entender algumas informações. Se os músculos da fala forem atingidos, terá dificuldade para comunicar seus pensamentos ou necessidades.

A doença tem cura?

A paralisia cerebral é um distúrbio persistente, porém não imutável da motricidade, pois, com os tratamentos atualmente disponíveis, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes, promovendo o relaxamento e o alongamento muscular, facilitando o equilíbrio, a marcha e a postura, além de amenizar a dor.

Como a sociedade deve tratar uma criança com paralisia cerebral?

Ela deve tratá-la como um cidadão, com os mesmos direitos e deveres que os não portadores de uma determinada alteração motora têm. Obviamente, algumas necessidades são fundamentais para que ela possa desenvolver todas as suas potencialidades com menor dificuldade. O fundamental é saber que isso não é sinônimo de incapacidade.

Fonte: Cristiano Milani, neurologista

Postado por Larissa Roso