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Posts do dia 10 outubro 2009

Absolva o salto alto

10 de outubro de 2009 5


Visivelmente irritada, a mulher se senta em um banco do shopping, tira o sapato alto e faz uma expressão de alívio. A cena trivial é suficiente para que o ortopedista Mário Lopes emita o diagnóstico.

 

— É a típica reação de quem tem o neuroma de Morton — diz o cirurgião, especialista em pés e tornozelos.

Muito comum entre mulheres, a doença é provocada pelo espessamento de terminações nervosas próximas aos dedos. Mas, diferentemente do que muitos pensam, a origem não tem uma relação direta com o uso de saltos altos.

— Se fosse assim, a maioria dos pacientes apresentaria o problema em ambos os pés, o que acontece em menos de 20% dos casos — explica Rodrigo Daher, ortopedista também especializado em pés.

Em geral, o neuroma não oferece maiores riscos à saúde. Mas o incômodo pode ser crescente, a ponto de dificultar o simples caminhar em casos mais avançados, principalmente com o uso de calçados de bicos finos e saltos.

— Pacientes descrevem como a mesma sensação que temos quando há uma pedra dentro do sapato — compara Daher.

Para a grande maioria, o tratamento clínico basta para aliviar a dor. O primeiro passo é uma reorientação na compra dos sapatos, seguido pelo uso de palmilhas anatômicas. A cirurgia só é indicada para casos mais severos, pelo incômodo que provoca. Apesar de simples, exige uma média de 15 dias sem tocar o pé no chão.

Palavra do especialista

Em que casos a cirurgia é recomendada?

Quando nenhum dos outros tratamentos é suficiente para amenizar o problema. Só se indica cirurgia em menos de 30% dos casos, quando as outras possibilidades de tratamento foram esgotadas. Se optar pela cirurgia, o médico terá de escolher a modalidade de procedimento, a depender do caso do paciente. Por exemplo, pode acessar o neuroma pelo dorso ou pela planta do pé. Pode ainda retirar o neuroma ou apenas liberar as cadeias neurais.

Quais as restrições do pós-operatório?

É preciso ficar sem pisar por 15 dias, em média, para que a cicatrização seja completa. Após isso, a recuperação dará o ritmo. É possível voltar a praticar exercícios físicos com 30 dias após a cirurgia, desde que sejam de baixo impacto. Para exercícios mais intensos, é preciso esperar o mínimo de dois meses.

As grandes queixas sobre o neuroma partem de mulheres que gostam de sapatos de salto alto. Após a cirurgia, é possível voltar a usá-los?

Sim, obviamente respeitando o tempo do resguardo. Mas convém lembrar: há certos tipos e alturas de salto que não são recomendáveis a nenhuma pessoa. Em geral, não há reincidência do neuroma após a cirurgia.

Há algum risco de conviver com o neuroma? Ele pode evoluir para uma lesão maligna?

Não há risco. Em geral, ele se mantém como um tumor benigno. O problema é que o incômodo pode ser crescente quando não há tratamento adequado.

Fonte: Mário Lopes, ortopedista e cirurgião especialista em pés e tornozelos

Postado por Larissa Roso

Entenda a esteatose hepática

10 de outubro de 2009 0

Grande parte das pessoas com maus hábitos alimentares e que são obesas sofrem de um problema silencioso que pode trazer graves complicações para a saúde, a esteatose hepática. Trata-se de uma alteração metabólica que se caracteriza pelo acúmulo de gordura no interior das células hepáticas (as células do fígado), segundo André Siqueira Matheus, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e cirurgião do serviço de cirurgia de vias biliares e pâncreas do Departamento de Gastroenterologia da instituição.

A professora Maria Rita Souza, 37 anos, descobriu a esteatose há três anos.

— Meu médico disse que eu teria que emagrecer, que meu fígado estava com o dobro do tamanho normal. Eu comia muitas frituras, então comecei cortando esses alimentos. Também reduzi os doces e refrigerantes. Perdi 10 quilos em três meses e fiz o exame de novo, que mostrou que o problema tinha regredido. Agora, só me esforço para manter o peso e não comer alimentos muito gordurosos — diz a professora.

Eduardo Berger, gastroenterologista do Hospital Professor Edmundo Vasconcelos, ressalta que a esteatose, por si só, não é uma doença, mas um sinal de que algo não vai bem no organismo.

— Ela frequentemente representa uma síndrome metabólica. É acompanhada por colesterol e triglicérides elevados, além de diabetes ou pré-diabetes.

Normalmente, acomete adultos, com maior incidência na faixa entre os 40 e os 50 anos, de acordo com Matheus, mas isso não quer dizer que crianças não possam ter o problema.

— Há muitas crianças diabéticas que podem ter esteatose — diz Berger.

Descoberta por meio de ultrassom, a alteração costuma ser detectada por acaso, devido à falta de sintomas. Pode ser percebida até durante um ultrassom ginecológico, por exemplo. E, quando é diagnosticada, precisa ser tratada para que não evolua para doenças graves, como a cirrose, dizem os médicos.

Causas e tratamento

Diabetes, alcoolismo, desnutrição e obesidade podem ser causadores da esteatose hepática. E não é apenas a ingestão de gordura que provoca a alteração, mas também carboidratos e açúcares, que são transformados em gordura para serem acumulados no organismo em forma de energia. Daí a importância da alimentação equilibrada.

O peso, porém, não é fator primordial, já que magros podem ter a doença, e obesos podem desenvolver esteatose em graus muito pequenos, afirma Matheus.

Os especialistas afirmam que o melhor tratamento é sempre a adequação da dieta do paciente, aliada a exercícios físicos. E, em alguns casos, há medicamentos que podem ajudar.

Verdades e mentiras sobre a esteatose hepática

O excesso de peso pode causar o acúmulo de gordura no fígado.

Verdade. Quando há um excesso de gordura armazenada no organismo, isso pode contribuir para o acúmulo também nas células do fígado.

O problema pode ter causas hereditárias.

Verdade. Na realidade, alguns dos fatores associados ao aparecimento dessa alteração do metabolismo, como diabetes e colesterol alto, é que podem ser hereditários.

A esteatose hepática é um problema que só acomete adultos.

Mentira. Embora seja mais difícil de acontecer, crianças também podem ter esteatose hepática. Segundo médicos, isso ocorre especialmente em crianças diabéticas.

Trata-se de uma alteração metabólica irreversível.

Mentira. Quando as causas são tratadas e controladas, o problema pode regredir completamente. Mas os cuidados adotados devem ser mantidos para que a esteatose não volte a ocorrer.

Postado por Larissa Roso