No Dia Mundial de Conscientização da Psoríase, 29 de outubro, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) promove uma campanha nacional. As regionais da instituição montarão tendas em pontos de grande circulação para distribuir folders informativos e orientar a população sobre esta doença, muito comum, mas ainda pouco falada e cercada de preconceito, que acomete duas entre cada cem pessoas em todo o mundo. Em Porto Alegre, serão três postos de atendimento.
— A campanha acontece em 19 Estados, em mais de 45 postos de orientação. Nossa expectativa é de que pelo menos 50 mil pessoas sejam abordadas e aprendam a como identificar a doença, que não é contagiosa e não tem cura, mas pode ser controlada com o tratamento junto ao dermatologista — informa a médica Claudia Maia.
As ações da SBD continuam ainda com um simpósio online destinado à atualização de dermatologistas (oferecido pelo site da entidade nos dias 5, 14, 19 e 26 de outubro) e um simpósio presencial em Brasília, no dia 14 de novembro, com a participação de médicos e autoridades. Este tem por objetivo promover um amplo debate sobre a doença e terá como destaque um workshop para associações de pacientes com psoríase, no qual estas serão orientadas, entre outros assuntos, sobre questões envolvendo regulamentação, captação de recursos e apoio a pacientes.
Este ano, a campanha também ganhou mais um reforço: a reedição do Consenso Brasileiro da Psoríase — uma publicação da SBD para a qual foram convocados vários especialistas atuantes em seu estudo clínico e terapêutico. A partir deste mês, a edição, considerada uma importante ferramenta de atualização dos guias de tratamento dessa dermatose, será enviada a bibliotecas médicas de todo o país, secretarias de saúde, entidades médicas e serviços credenciados.
O presidente da SBD, Omar Lupi, explica que esta é uma publicação científica muito relevante e que, de certa forma, normatiza o tratamento.
— O consenso irá contribuir para a padronização de condutas e, consequentemente, para aprimorar o atendimento ao paciente, nosso principal objetivo — reforça.
Postos de atendimento em Porto Alegre no dia 29/10
Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, das 12h às 14h — Palestra aberta ao público, seguida de espaço para perguntas sobre a doença
Amrigs, às 19h30min — Palestra aberta ao público, seguida de espaço para perguntas
Ambulatório de Dermatologia Sanitária, das 9h às 12h — Orientação à população
O que é psoríase?
É uma doença inflamatória crônica da pele que se manifesta, na maioria das vezes, por lesões róseas ou avermelhadas recobertas por escamas esbranquiçadas. Em alguns casos, as lesões podem estar apenas nos cotovelos, joelhos ou couro cabeludo. Já em outros, as lesões se espalham por toda a pele. Frequentemente, há acometimento das unhas. Embora seja pouco habitual, há casos em que as articulações também podem ser afetadas, causando a artrite psoriásica.
A psoríase não escolhe sexo ou idade, embora tenha picos de incidência na segunda e quinta décadas de vida. Qualquer pessoa pode desenvolver essa doença, que não é contagiosa e não atinge órgãos internos. Apesar de não provocarem dor, as lesões trazem prejuízos à qualidade de vida dos portadores, já que atingem a aparência, comprometendo a interação social e a autoestima.
Fatores desencadeantes
A psoríase é causada por vários fatores, destacando-se a existência de um componente genético, o que não significa que seja, necessariamente, hereditária. Aproximadamente, de 50% a 60% dos pacientes não possuem registro da psoríase em sua família. A partir do componente genético, vários fatores podem desencadear o surgimento das lesões, como a reação a alguns medicamentos, infecções, ferimentos na pele e, principalmente, o estresse. É comum o surgimento da psoríase estar associado a crises emocionais. Porém, a eliminação de um ou de todos esses fatores não significa que as lesões de psoríase desaparecerão.
Diagnóstico
Pelo simples exame clínico do dermatologista, que é o único médico indicado pelo Conselho Federal de Medicina para tratar da pele, cabelos e unhas. A psoríase não causa manifestação nos órgãos internos, por isso, os exames laboratoriais têm pouca utilidade (geralmente só são utilizados para acompanhamento durante o uso das medicações). Além do "olho clínico", o único recurso que pode confirmar o diagnóstico é a biópsia da pele: exame simples feito no consultório ou ambulatório, em que o médico tira um pedacinho da pele para análise.
Tipos
Psoríase vulgar ou em placas — A psoríase em placas ou vulgar é a mais comum. Atinge 90% dos pacientes. A doença pode apresentar diferenças em relação à intensidade e evolução. As áreas mais afetadas são cotovelos, joelhos, couro cabeludo, região lombo-sacra e umbigo.
Psoríase nas unhas ou ungueal — Em mais de 50% dos casos, pode envolver as unhas, correspondendo a um grande estigma da doença, pois interfere nas relações sociais e atividades de trabalho. Umas das principais características da doença é o descolamento da unha (onicólise). Para minimizar, é preciso que o paciente evite traumatismos e mantenha a unha curta, seca e limpa para diminuir as chances de ocorrerem estímulos que possam intensificar o descolamento.
Artrite psoriática — Uma pequena parcela da população de pacientes pode apresentar esse tipo de manifestação da doença, que pode apresentar inflamações nas cartilagens e articulações, desenvolvendo dor, dificuldades nos movimentos e alterações na forma das articulações.
Além dos principais tipos de psoríase, existem ainda: psoríase em gotas, psoríase eritrodérmica, psoríase pustulosa, psoríase invertida e psoríase palmo-plantar.
Tratamento
São várias as formas de tratamento, portanto cabe ao dermatologista avaliar a melhor delas. Nas formas leves, são prescritos medicamentos tópicos sob a forma de pomada, loções, xampus ou géis. Nas formas mais avançadas, além de duas ou três sessões de fototerapia por semana, podem ser indicados medicamentos de uso interno via oral ou injetável, dependendo do caso. As terapias biológicas são os tratamentos mais modernos para psoríase, mas por serem muito caras, destinam-se a casos especiais.
Controle
Não existe cura para essa doença, mas é possível controlá-la e levar uma vida normal. As lesões podem desaparecer e não reaparecer durante muitos anos e, algumas vezes, nunca mais voltar. Porém, para a maioria dos pacientes, a psoríase é uma doença crônica com períodos de erupções e períodos sem manifestações visíveis.
A evolução é completamente imprevisível, variando muito de paciente para paciente. Em muitas pessoas, as lesões são moderadas e se concentram em uma região da pele. Entretanto, existem casos em que as lesões se generalizam pelo corpo todo. As articulações eventualmente podem estar acometidas, inclusive levando a deformidades.
As medicações variam desde cremes para uso local até medicações sistêmicas, dependendo da forma e extensão da doença. O médico dermatologista é o profissional que irá determinar qual deverá ser indicado.
Postado por Larissa Roso