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Posts de janeiro 2010

Entenda a incontinência urinária feminina

30 de janeiro de 2010 0

A perda urinária involuntária, conhecida como incontinência urinária, gera situações constrangedoras pela dificuldade de segurar o xixi até chegar ao banheiro, principalmente para a mulher. Esta perda pode ser precedida de um esforço (tosse, espirro, risada ou exercícios), de uma vontade urgente de urinar ou de ambos.
— A perda do controle da bexiga não é uma doença, mas sim um sintoma que pode surgir por determinadas causas. Pode afetar qualquer pessoa, em qualquer idade: de crianças a idosos, homens e mulheres. As mulheres, contudo, têm três vezes mais chance de sofrer incontinência urinária por causa de fatores como esforço físico causado pela gestação e queda nos níveis de estrogênio depois da menopausa — explica Oskar Kaufmann, doutor em Urologia e integrante do corpo clínico dos Hospitais Albert Einstein e São Luiz.
A incontinência urinária chega a atingir 25% da população feminina. Mesmo os quadros leves interferem diretamente nas atividades diárias, comprometendo a qualidade de vida.
— Muitas consideram que a perda urinária faz parte dos problemas que as mulheres têm de aceitar ao se aproximar da velhice. Por conta desse falso conceito e por não conhecerem a existência de tratamentos modernos, nem sempre cirúrgicos, muitas não procuram ajuda médica — completa o especialista.
Mas o que leva à incontinência urinária?
— O aumento do peso do conteúdo abdominal e uterino, devido à gravidez, é uma das causas da incontinência urinária futura. Durante a gestação, o aumento do volume abdominal e a presença da cabeça fetal na pelve podem causar uma pressão maior sobre o diafragma muscular pélvico, levando à flacidez dessa musculatura — explica Kaufmann.
Tipos de incontinência
— Incontinência de esforço: é causada por danos ou enfraquecimento dos músculos da pélvis, em especial do assoalho pélvico. Esse conjunto de músculos, que fica na parte inferior da pélvis, dá sustentação aos órgãos baixos e ajuda-os a manter sua forma e a realizar suas funções adequadamente. Partos, menopausa, fraturas na pélvis e certos tipos de cirurgia, como histerectomia (remoção do útero), podem fazer com que esses músculos se tornem deficientes. Como resultado, qualquer atividade que exige esforço repentino ou pressão na bexiga, como espirrar ou jogar tênis, pode causar a liberação de urina.
— Incontinência de urgência (bexiga hiperativa): a pessoa sente uma necessidade repentina de urinar e não consegue chegar ao banheiro a tempo. Ocorre quando há danos nos nervos que conectam o cérebro e a bexiga, resultando em contrações incontroláveis do músculo da bexiga, que forçam a eliminação da urina. Esses danos nervosos podem ser causados por derrames, traumas na medula ou doenças como esclerose múltipla, que causam disfunções nervosas.
— Incontinência mista: algumas pessoas sofrem, simultaneamente, tanto de incontinência de esforço quanto de urgência.
— Incontinência de superenchimento: o corpo produz mais urina do que a bexiga consegue armazenar, causando o vazamento ou o gotejamento do excesso de urina. Pode ser resultado de uma obstrução ou de um mau funcionamento dos músculos da bexiga, que impedem que seja esvaziada completamente, causando vazamento da urina.
Tratamento
Dependendo do tipo de incontinência, os tratamentos podem incluir mudanças no estilo de vida ou comportamento, medicação, exercícios especiais ou cirurgia. Vários aparelhos e produtos podem ajudar a lidar com o problema.

Dificuldade de engolir pode ser indício de doença grave

30 de janeiro de 2010 0

A dificuldade moderada, ou até mesmo leve, de engolir líquidos ou sólidos não deve ser negligenciada. 
— Assim que é diagnosticado o problema, é fundamental investigar a sua causa, pois em alguns casos pode ser o alerta de algo mais sério — aponta Rubens Sallum, gastroenterologista e diretor do Serviço de Cirurgia do Esôfago do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
A disfagia é um sintoma comum em doenças graves como megaesôfago e câncer de esôfago. Segundo o médico, muitas vezes os pacientes acabam procurando tratamento tardio.
— Em ambas as doenças, dois ou três meses subestimando o sintoma podem ser cruciais. Quando o médico é procurado, a situação já se agravou — alerta, ressaltando que assim que o sintoma é reconhecido é recomendável rapidamente procurar um médico e, quando necessário, fazer uma endoscopia.
Os tumores epidermoide (próprio do revestimento do esôfago) e adenocarcinoma (que atinge a junção do esôfago com o estômago), quando diagnosticados, têm alto percentual de cura. Segundo o médico, a cura nos estágios iniciais chega a 90%. Quando a doença é tratada em estágios mais avançados, os índices de cura podem chegar em 60%, mas dependem de modernas técnicas de tratamento.
— Em alguns casos, é necessário fazer uma cirurgia radical de retirada do esôfago (esofagectomia). Mas, para oferecer essa operação, é fundamental diagnosticar a doença em estágio menos avançado — diz Rubens Sallum.
No megaesôfago, a musculatura no final do esôfago — que funciona como um esfíncter que abre e fecha — para de abrir normalmente, impedindo a passagem de alimentos, o que leva a uma dilatação do esôfago. Uma das consequências é a dificuldade de engolir alimentos, podendo gerar alteração do estado nutricional do paciente.
O especialista alerta que, além da atenção que a população em geral deve ter à disfagia, é fundamental que fumantes, alcoólatras e aqueles que já sofreram alguma agressão no esôfago (como, por exemplo, quem ingeriu soda cáustica no passado) façam regularmente o exame de endoscopia.

Atenção à diarreia

30 de janeiro de 2010 0

De acordo com especialistas, é comum haver um aumento de casos de diarreia no verão por causa das condições climáticas — que propiciam a proliferação de micro-organismos nos alimentos, além da circulação de vírus no ar e nas águas. O pediatra Gerson Matsas alerta para o risco da desidratação, que, se não for tratada adequadamente, pode levar à morte. Caso a pessoa apresente vômito e diarreia, sem conseguir ingerir líquidos e se alimentar, deve procurar um pronto-socorro.
— É importante manter a higiene durante o manuseio dos alimentos, lavar as mãos com e usar água potável no preparo das refeições e das bebidas — alerta a nutricionista Weruska Barrios.
Dicas de prevenção e tratamento
O que causa a diarreia?
A doença é transmitida pelo contato direto e indireto com pessoas, objetos, alimentos ou água contaminados. O contágio também pode ocorrer por meio da água de piscina, mar, rios e lagos.
O que é?
É o aumento do número das evacuações e/ou alteração na consistência das fezes. Tem início súbito e com duração inferior a três semanas. Na maior parte dos casos, a diarreia dura entre três e cinco dias. Pode ser causada por vírus, bactérias ou parasitas. A doença pode ser provocada pelo consumo ou exposição à água não tratada e contaminada, má higienização das mãos antes e depois de atividades diárias e consumo de alimentos contaminados. Utensílios de cozinha contaminados e higiene pessoal inadequada também podem causar o problema.
Quais os riscos?
Caso não seja tratada adequadamente, a diarreia pode causar desidratação, que, em casos mais graves, pode levar à morte. 
E os sintomas?
Desconforto abdominal, cólica, estufamento, gases, mal-estar, aumento no número de evacuações _ com diminuição da consistência das fezes _, náuseas e vômito. Em casos graves, são registrados sangramentos, febre, pus ou muco nas fezes.
O que fazer para prevenir?
Beba somente água filtrada ou fervida e consuma alimentos produzidos em locais limpos. Se fizer as refeições fora de casa, procure estabelecimentos com segurança alimentar controlada. Conserve a comida sempre em local refrigerado, embalada e livre de animais e insetos. Evite consumir alimentos perecíveis que estiverem fora da geladeira por mais de duas horas. Alimentos crus ou mal cozidos também devem ser evitados, e o ambiente doméstico e de trabalho devem estar sempre limpos.
Estou com diarreia. O que devo fazer?
Ingira muitos líquidos e mantenha alimentação leve. Caso o vômito e a diarria persistam ou se agravem procure um médico ou pronto-socorro. Não utilize medicamentos antidiarreicos e/ou antibióticos sem orientação médica. Lave as mãos antes e depois de qualquer atividade, especialmente, após utilização do sanitário. Além disso, intensifique a higiene do ambiente com uso de produtos com cloro.
Recomendações
— Evite ingerir açúcar simples, doces e refrigerantes.
— O leite também deve ser evitado, pois pode ocorrer intolerância.
— Consuma aproximadamente dois litros de líquidos por dia.
— Consulte um nutricionista em caso de dúvida.
Alimentos permitidos
— Frutas como maçã, pera, banana, goiaba (sem casca ou cozidas)
— Papas de frutas sem açúcar
— Sagu, gelatina, picolé de frutas não ácidas
— Tapioca, farinha de mandioca
— Purês (chuchu, cenoura, batata, mandioquinha), preparados sem leite
— Massas (pães, macarrão sem molhos ácidos e à base de leite), arroz
— Carnes magras brancas (bem cozidas, assadas ou grelhadas)
— Temperos: sal, cebola, tomate e cheiro verde
Alimentos a serem evitados
— Cereais integrais
— Grãos de leguminosas
— Hortaliças cruas ou cozidas
— Frutas com bagaço, como laranja e bergamota
— Mamão, ameixa, uva
— Oleaginosas como nozes, castanha, amendoim
— Doces concentrados
— Doces gordurosos como tortas, bolos, massa folhada, musses, sorvetes à base de leite, doces com chocolate, biscoitos amanteigados e/ou recheados
— Frituras, salgadinhos, balas, croissant, chocolate
— Bebidas alcoólicas ou gasosas
— Leite e derivados
— Alimentos como repolho, couve, couve-flor, brócolis, rabanete, pimentão, vagem
— Alimentos condimentados e gordurosos como catchup, maionese, mostarda, creme de leite
— Frios e embutidos
— Patês industrializados ou com maionese ou creme de leite
— Alimentos industrializados como hambúrguer, almôndegas, quibe, nuggets etc.

Gestação e medicamentos: falta orientação

23 de janeiro de 2010 0

Pesquisa da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) mostra que 60% das gestantes que utilizam medicamentos durante a gravidez não recebem informação sobre possíveis riscos da medicação para a saúde do feto. O estudo, realizado com 699 mulheres com mais de 30 semanas de gestação, no interior de São Paulo, ressalta a necessidade de orientação adequada sobre medicamentos muito utilizados, como os receitados para cólicas, mas que não dispõem de estudos aprofundados sobre seus efeitos.
— Durante a gestação, os medicamentos ingeridos pela mãe podem atravessar a placenta e provocar efeitos teratogênicos, como defeitos na formação do feto — afirma a farmacêutica Andrea Fontoura, que realizou a pesquisa. — Todo medicamento é lançado após exaustivos testes clínicos com seres humanos, mas como eles não podem ser realizados em gestantes, seus efeitos deletérios são conhecidos apenas quando já estão no mercado — completa.
Das gestantes entrevistadas, 98% disseram usar pelo menos um tipo de princípio ativo, com um número médio de sete princípios ativos por gestante — uma das mulheres revelou que usava 34 medicações diferentes. O trabalho utilizou a classificação da Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador de medicamentos nos Estados Unidos, que divide os princípios ativos em cinco grupos. Os medicamentos mais utilizados pelas gestantes estão nas categorias A e B, com 20,55% e 25,20%, respectivamente.
— Os estudos existentes demonstram que esses grupos de medicamentos não tiveram efeitos teratogênicos sobre os fetos — afirma Andrea.
A farmacêutica alerta para os riscos da utilização dos princípios ativos da categoria C, verificada em 14,07% das mulheres pesquisadas, e que inclui a escopolamina, receitada em casos de dor e cólicas.
— Essa categoria inclui medicamentos que apresentaram efeitos adversos no feto em pesquisas sobre reprodução animal. Entretanto, em seres humanos, não existem estudos adequados ou os resultados não foram divulgados.
Orientação
Embora 86,4% das gestantes usem medicamentos com prescrição médica, 60% não receberam nenhuma orientação sobre a medicação utilizada. De acordo com a pesquisadora, essa disparidade acontece porque em muitos casos os medicamentos são apenas entregues pelo farmacêutico com a apresentação da receita.
— Na verdade, a medicação deveria ser dispensada, ou seja, no ato da entrega são fornecidas todas as informações necessárias para o usuário — explica.
Apenas uma das gestantes pesquisadas usava medicamentos da categoria X, que apresenta maiores riscos ao feto: uma mulher que tomava anticoncepcional e soube da gestação apenas no quinto mês de gravidez.
Além dos contraceptivos, o grupo também inclui medicamentos como a isotretinoína, para tratamento de acne severa, e a vitamina A em doses elevadas. A Política Nacional de Humanização do Pré-Natal e Nascimento, adotada pelo Ministério da Saúde, prevê a captação precoce das gestantes, que devem passar pela primeira consulta do pré-natal antes de completarem 120 dias de gravidez.
Andrea recomenda a presença de farmacêuticos nas equipes de saúde que cuidam das gestantes durante o pré-natal.
— Elas não devem utilizar medicamentos sem receber informações adequadas sobre os possíveis efeitos negativos dos princípios ativos.
A farmacêutica também aponta que a realização de estudos farmacoepidemiológicos sobre a utilização de medicamentos ajuda a promover seu uso de forma mais racional.
— De posse dessas informações, é possível deixar de prescrever medicação apenas por prescrever, sem consciência dos riscos para a gestação.

Entenda o câncer de peritônio

23 de janeiro de 2010 0

O câncer primário de peritônio atinge, na maior parte das vezes, mulheres na pós-menopausa (cerca de 70% das pacientes são diagnosticadas em idades avançadas). A apresentadora Hebe Camargo, 80 anos, foi diagnosticada neste mês com a doença, um tipo raro de neoplasia, mas com grandes chances de cura.
O peritônio é a maior membrana do corpo. Ela reveste o interior do abdômen (barriga), abrangendo e protegendo intestino, fígado, estômago e ovários, entre outros.
A enfermidade normalmente se inicia na parte inferior do abdômen, conhecida como pélvis, onde se localizam os ovários. Por esta razão, o câncer primário de peritônio e o câncer de ovário se comportam de forma muito semelhante e são tratados, quase sempre, da mesma maneira.
Sabe-se que mutações genéticas podem estar ligadas à formação desse câncer.
— Cinco em cada cem mulheres são acometidas pelo câncer de peritônio — afirma Sérgio Simon, oncologista clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, médico que cuida da apresentadora.
Sintomas
O câncer primário de peritônio, geralmente, não apresenta qualquer sintoma durante um longo período. Quando os sinais aparecem, podem se apresentar das seguintes formas:
— Perda de apetite
— Inchaço no abdômen
— Dor abdominal
— Constipação ou diarreia
— Necessidade de urinar com frequência
— Esses sintomas podem ser causados por uma série de outras doenças e não exclusivamente pelo câncer primário de peritônio. Por esse motivo, procure orientação de um médico de confiança, que poderá fazer o diagnóstico.
Tratamento
— Cirurgia: pode ser um dos tratamentos. O intuito é retirar o maior volume de tumor ou tumores possível.
— Quimioterapia: é o uso de drogas, geralmente administradas após a cirurgia, para destruir as células cancerosas. No entanto, há casos em que o médido opta por administrá-la primeiro, para posteriormente realizar a cirurgia. O objetivo é diminuir o tamanho do tumor e facilitar a retirada cirúrgica do mesmo.
— Radioterapia: trata o câncer usando raios X de alta energia para destruir as células cancerosas. Ocasionalmente, utiliza-se a radioterapia no tratamento de câncer primário de peritônio.
Fonte: Oncoguia

Café pode reduzir risco de diabetes tipo 2

16 de janeiro de 2010 0

O consumo regular de café ou chá pode reduzir o risco de diabetes tipo 2, mostra a análise de 18 estudos publicada no Archives of Internal Medicine. Os pesquisadores avaliaram trabalhos que consideraram a ingestão de café normal, descafeinado e chá.

Após excluírem variáveis que poderiam influenciar no aparecimento do diabetes, eles calcularam, em comparação com quem não ingere nenhuma dessas bebidas, que cada xícara (150 ml) de café diária reduz em 7% as chances de desenvolver a doença. No caso do descafeinado, o consumo de três ou quatro xícaras por dia foi relacionado a um risco 36% menor, e quem bebia a mesma quantidade de chá apresentou 18% menos chances.

Uma das hipóteses é a de que substâncias antioxidantes presentes nas bebidas, como os ácidos clorogênicos, atuem nas células beta, responsáveis por sintetizar insulina (hormônio que promove a absorção de glicose). O excesso de oxidação pode lesar as células.

Esse processo de oxidação é muito importante para a gênese do diabetes — afirma o endocrinologista Antônio Carlos Lerário, da Sociedade Brasileira de Diabetes.

A Universidade de Brasília (UnB) também desenvolve uma pesquisa para avaliar a ação do café na prevenção do diabetes. Foram entrevistados por telefone cerca de mil voluntários. Desses, 70 foram avaliados em laboratório. Os dados serão divulgados este ano, mas os resultados preliminares são bons.

— Populações de diferentes países apresentaram resultados consistentes, e agora avaliamos no Brasil. Várias pesquisas apontam que quem consome café regularmente tende a desenvolver o quadro de diabetes mais tardiamente. No entanto, temos o hábito de consumir com açúcar e, por isso, podemos ter diferença de resposta — afirma a nutricionista Teresa Helena Macedo da Costa, uma das responsáveis pelo trabalho e professora da UnB.

Quanto consumir

Pesquisadores indicam a ingestão diária de até 600 ml de café filtrado ou de chá, o equivalente a quatro xícaras, para se obterem os benefícios.

— Esses estudos mostram que, do ponto de vista cardiológico, não há razões para evitar tomar café — afirma o cardiologista Luiz Antônio Machado César, do Instituto do Coração (InCor), onde também pesquisa sobre esse assunto.

— É uma revisão de vários estudos, mas isso não se transfere para a prática clínica de imediato. Quando sai um trabalho em uma revista de impacto, a interpretação pode ser "vamos tomar café para prevenir diabetes", mas não é assim —  contrapõe Antônio Roberto Chacra, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia de São Paulo.

Médicos ouvidos pela reportagem e os autores do estudo consideram que ainda faltam estudos controlados que comparem pessoas que consomem as bebidas com grupos controle que não as ingerem para ser possível passar a uma indicação clínica desses alimentos.

Alerta para a música nas academias

16 de janeiro de 2010 0

Pessoas que frequentam academias em busca de saúde e beleza não se dão conta, mas correm o risco de ter a audição comprometida. Especialistas dizem que o nosso ouvido tolera até 85 decibéis. Em muitas academias, o barulho pode chegar a 110 decibéis, por causa da música utilizada pelos professores para estimular seus alunos a malhar. A grande preocupação é que a perda auditiva induzida por ruído é cumulativa. 
— Dependendo da frequência e do tempo de exposição ao som elevado, o atleta — e também o professor — pode sofrer danos auditivos de forma contínua e elevada ao longo da vida. Quanto maior a frequência a ambientes barulhentos, maior o problema. Além disso, na medida em que o volume passa dos 100 decibéis, aumenta o risco de lesões na cóclea (órgão dentro da orelha responsável pela audição). Nesses casos, o tempo de exposição não deve passar de 30 minutos — explica a fonoaudióloga Isabela Pereira Gomes.
Academias acabam ruídos sonoros próprios de ambientes industriais, danosos à audição. Na indústria, o uso de protetores de ouvido é obrigatório entre os trabalhadores. No entanto, nas academias, muito frequentadas por jovens, não há fiscalização. O barulho em excesso é tolerável e até muito bem aceito.
As aulas de spinning, por exemplo, que simulam trajetos de bicicleta em diversas superfícies, são sempre embaladas por música bem alta. Para piorar, os professores são obrigados a gritar a cada mudança de exercício, o que torna o barulho ainda maior. Para evitar ou pelo menos atenuar os riscos de danos, o melhor é usar protetores auriculares na academia.
Eles apenas reduzem o volume excessivo, mas quem usa não deixa de ouvir o som ambiente —explica a fonoaudióloga.
Isabela lembra que existem pessoas mais suscetíveis aos altos ruídos do que outras.
O ideal é consultar sempre um otorrinolaringologista e fazer uma avaliação. Ele dará as orientações necessárias para prevenir ou impedir o agravamento do problema.

Você ronca muito? Então, fique atento

15 de janeiro de 2010 0

Uma boa noite de sono é quesito fundamental para quem deseja ter saúde e qualidade de vida. Muitas pessoas, no entanto, não conseguem usufruir deste bem e sofrem com os chamados distúrbios do sono. Os principais sintomas são apneias, ranger (apertar) de dentes, dispneia, sensação de sufocamento, agitação, cefaleia, movimentos de membros superiores e inferiores, sudorese e até enurese.
Apesar do avanço de estudos médicos relativos ao sono, as informações voltadas para o público leigo ainda são escassas. Por esse motivo, o problema ainda pouco compreendido por muitas pessoas que, quase sempre, ignoram um sinal que pode ser o prenúncio de problemas graves: o ronco.
O ronco ocorre quando há uma obstrução da orofaringe, uma região da faringe. Quando a entrada de ar é parcialmente obstruída temos o ronco. Quando o bloqueio é total ocorre a apneia. O ideal é que pessoas com mais de 40 anos passem pelo exame de polissonografia (PSG) em que especialistas, por meio de sensores especiais e câmeras de vídeo acompanham uma noite de sono do paciente. A aparelhagem permite o monitoramento e a análise das atividades cerebrais, respiratórias e musculares fora da normalidade.
Com base no diagnóstico, o médico pode escolher um dos vários tipos de tratamento disponíveis atualmente. O mais recente foi criado este ano por uma equipe médica do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). É uma série de exercícios musculares para fortalecimento do tônus da língua e da orofaringe. Isso evita que, durante o sono, esses músculos relaxem excessivamente e "caiam para trás" sobre a entrada da faringe, fechando a entrada de ar.
Existem outras opções de tratamento mais antigas, mas também com ótimos resultados. É possível fazer intervenção cirúrgica, ou utilizar as máquinas CPAP - compostas por uma máscara que injeta ar no nariz, com pressão continuada e positiva - e ainda os aparelhos intrabucais, que reposicionam a mandíbula e a base da língua, o que mantém a entrada da faringe livre.
Todos esses dados e informações provam que não há razão para que não se procure ajuda. Quem não busca tratamento, pode sofrer com sintomas como sonolência excessiva, irritabilidade, mau humor, fadiga crônica, sintomas de cansaço e depressão, dores de cabeça, acidentes ao dirigir, falta de memória e de concentração e até perda de libido.
Então, se você ou algum parente ronca muito quando dorme, procure um especialista. Com certeza, suas noites de sono serão muito melhores, assim como seus dias serão mais agradáveis.

foto: Júlio Cordeiro

Gravidez, atividade física e sexualidade

13 de janeiro de 2010 0

Jefferson BotegaA gravidez é um momento único na vida da mulher. Mas, logo após receber a notícia de que está gerando uma criança, surgem algumas dúvidas sobre a rotina e os hábitos que podem ser mantidos ou alterados. "Há risco de abortar se continuar a fazer exercícios físicos?", "será que estou me alimentando corretamente?" ou "posso continuar a ter uma vida sexual ativa?".
- É comum a mulher ficar confusa como relação ao ritmo de vida nessa época. Afinal, deseja fazer o melhor para que ela e o bebê tenham qualidade de vida durante a gravidez _ explica a ginecologista Rosa Maria Neme.
Tire aqui algumas dúvidas comuns às gestantes:

- A mulher que tem um ritmo intenso nas atividades físicas precisa dar uma pausa nos três primeiros meses ou pode dar continuidade com exercícios leves?
A mulher grávida pode e deve manter os exercícios com uma intensidade menor no início da gravidez, a não ser que tenha alguma contra-indicação, como sangramentos ou dores fortes, por exemplo.

- É importante a gestante ter uma atividade física? Qual a mais indicada?
Sim, é muito importante. A atividade física mantém o condicionamento físico, ajuda no controle de peso e diminui a chance de desenvolvimento de doenças na gestação, como o diabetes gestacional.  Indica-se sempre exercícios orientados por um profissional, sempre com uso de frequencímetro. Os exercícios mais indicados são a hidroginástica, yoga, pilates, exercícios aeróbicos leves e musculação com pequenas cargas.

- Antes de engravidar, a mulher tem um corpo torneado e deseja mantê-lo durante a gravidez. Ela pode malhar até que fase?
Ela poderá malhar durante toda a gestação, mas os exercícios devem ser acompanhados por um profissional. Na musculação, devem ser diminuídos os pesos e restringidos alguns exercícios. Na parte aeróbica, deve-se ter um controle bastante rigoroso da frequência cardíaca.

- Existem restrições para a atividade sexual no período de gestação?
Não. Inclusive, isto proporciona uma maior interação entre o casal durante esta fase.

- Há algum tipo de influência para o feto quando o casal faz sexo durante a gravidez? Existe algum período em que o sexo seja contra-indicado?
Não. Há situações que ele é proscrito para estas mulheres, mas somente em situações que coloquem em risco o bem-estar da gestação, como por exemplo, nas ameaças de abortamento ou de trabalho de parto prematuro.

- E após a gravidez, é preciso um período de abstinência? Como retomar a vida sexual?
Em geral, solicitamos uma restrição de 40 dias para retorno às atividades sexuais, já que o útero está voltando a seu tamanho normal e o tecido de dentro do útero está cicatrizando.

- Após o nascimento do bebê, muitas mulheres notam uma redução do desejo sexual. É normal? O que deve ser feito para melhorar?
Isto é normal acontecer, principalmente nas mulheres que amamentam. O hormônio que estimula a formação e ejeção do leite da mama diminui a produção de testosterona no corpo da mulher, diminuindo, consequentemente, a libido. Além disso, a mulher após o nascimento do bebê tende a ficar mais cansada pelo ritmo de vida diferente nesta fase.

- Durante quanto tempo a falta de libido tende a continuar e como melhorar essa situação?
A falta de libido pode persistir até a parada da amamentação. Eventualmente podem ser prescritos medicamentos naturais que aumentam um pouco a libido, permitindo que o casal tenha uma vida sexual ativa. Praticar exercícios físicos que diminuem a sensação de cansaço e aumentam um pouco a produção da testosterona também é indicado.

Mitos e verdades da catarata

11 de janeiro de 2010 0

Catarata é uma lesão ocular que atinge e torna opaco o cristalino, lente situada atrás da íris e essencial para a formação da imagem. Esse envelhecimento gradual do cristalino compromete a visão e pode levar à cegueira. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a doença é responsável por 48% dos casos de perda da visão no mundo, atingindo de 45 milhões de pessoas. Só no Brasil, estima-se que surjam 552 mil novos casos da doença todos os anos. Apesar de a cegueira por catarata ser reversível, na maioria dos casos, milhares de pessoas continuam sem tratamento por medo, falta de informação ou dificuldade de acesso ao tratamento. O especialista Walton Nosé, da Universidade Federal de São Paulo e diretor da Eye Clinic, ajuda a esclarecer alguns dos mitos que ainda rondam a catarata.

Catarata é uma doença apenas de idosos?
Não. A catarata senil, que atinge pessoas com mais de 60 anos, é mesmo a manifestação mais comum da doença, mas existem outros tipos de catarata. Por exemplo, 10 em cada 10 mil recém-nascidos podem apresentar a catarata congênita, que se manifesta na infância, podendo surgir do nascimento até os 10 anos de idade. Geralmente aparece em decorrência de doenças como rubéola e a toxoplasmose durante a gravidez. Existe ainda a catarata traumática, relacionada a lesões oculares, e a secundária, em decorrência de outras doenças sistêmicas, como diabetes, e oculares, como o glaucoma. Esse tipo de catarata também pode aparecer por conta do uso excessivo de medicamentos à base de corticoides.

A catarata é hereditária?
A catarata congênita pode sim ser hereditária. A catarata senil, não. No entanto, a velocidade de envelhecimento e da opacificação do cristalino pode depender de características hereditárias. "Os primeiros sinais de perda da visão começam a surgir a partir dos 40 anos de idade. É também nessa fase que entram em cena a presbiopia, a chamada vista cansada, e a degeneração macular, que dificultam a visão de perto. A melhor maneira de prevenir tais doenças é consultar um oftalmologista anualmente", orienta Walton Nosé.

Algum colírio pode curar a catarata?
Não. A evolução da doença varia de pessoa para pessoa, mas a catarata só é tratada através da cirurgia. O procedimento é realizado por um aparelho de ultrassom, o faco-emulsificador, que aspira o cristalino e injeta a lente atrás da íris. Hoje já é possível retornar ao trabalho em 24 horas, sendo que a recuperação total geralmente ocorre em uma semana.

Quando operar?
"Hoje, graças aos avanços da medicina, que tornaram o procedimento muito mais seguro para os pacientes, entende-se que o procedimento deve ser levado em consideração sempre que a catarata interferir nas atividades diárias do indivíduo", explica Walton Nosé. No caso da catarata congênita, deve-se operar o mais precocemente possível, para permitir a chegada do estímulo luminoso à retina e com isso possibilitar o desenvolvimento visual.

É possível se livrar do uso dos óculos operando a catarata?
Sim, na maioria dos casos. Atualmente existe uma grande variedade de lentes para a cirurgia de catarata. As mais recomendadas são as dobráveis de acrílico, pois são inseridas em uma pequena incisão e proporcionam uma recuperação visual mais rápida e segura.
O implante de lentes pode reduzir os fenômenos conhecidos como glare (manchas brancas na imagem) e halo (anéis luminosos), associados à visão noturna. Elas amenizam de forma significativa a dificuldade de enxergar em ambientes com pouca luminosidade e possibilitam que o paciente volte a realizar tarefas como dirigir ou andar nas ruas à noite.

Como é feito o implante?
A técnica cirúrgica mais moderna consiste da remoção do cristalino por microfragmentação e aspiração do núcleo, num processo chamado faco-emulsificação, e posterior implante de uma lente intra-ocular dobrável. A evolução da técnica permite hoje incisões muito pequenas, entre 2 e 2,5 milímetros, o que dispensa a necessidade de sutura, possibilitando que o paciente seja submetido à cirurgia de catarata com anestesia tópica (apenas colírios), saindo da sala de cirurgia com uma visão bem próxima da visão esperada.

É possível evitar a catarata?
Não existe nenhum método efetivo para evitar a opacificação do cristalino com o passar da idade, mas algumas dicas podem ajudar a retardar o aparecimento e prolongar a saúde da visão.
É recomendável, ao longo de toda a vida: não fumar, manter uma dieta balanceada que inclua frutas e vegetais, cuidar bem de outras doenças, como o diabetes, e proteger os olhos, usando óculos escuros com proteção contra os raios ultravioletas.