Segundo dados do Datasus, só no Brasil, a doença pulmonar obstrutiva crônica, conhecida pela sigla Dpoc, mata 37 mil pessoas por ano. Progressiva e irreversível, é caracterizada pela manifestação conjunta da bronquite crônica e do enfisema pulmonar. Assim como o diabetes e a hipertensão, apesar de não ter cura, pode ser controlada, mas o sucesso dessa investida depende de atenção do paciente e do diagnóstico correto por parte dos profissionais de saúde.
— A doença é grave e requer cuidados. Infelizmente, ainda é subdiagnosticada no Brasil — afirma Oliver Nascimento, pneumologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia.
Causada pela inalação de substâncias tóxicas, principalmente as do cigarro, a Dpoc afeta adultos e exige tratamento específico para controlar sintomas como tosse, pigarro e falta de ar progressiva, chegando, até mesmo, à incapacidade de realizar atividades diárias.
— O paciente com Dpoc avançada, muitas vezes, não consegue subir escadas, tomar banho sozinho e, em alguns casos, pentear os cabelos — exemplifica Nascimento.
O especialista afirma ainda que, de modo geral, os pacientes procuram o médico quando a dificuldade para respirar já está interferindo no seu dia a dia. Mas, quanto antes o diagnóstico for feito e o tratamento adequado iniciado, melhor será sua qualidade de vida.
Além de reforçar a importância de cessar o tabagismo, médicos costumam dar dicas para melhorar a qualidade de vida do paciente.
— Os exercícios físicos melhoram a condição do paciente na realização de suas atividades. O indivíduo deve passar por uma avaliação médica para conhecer o grau de capacidade respiratória. Após essa avaliação, o especialista poderá determinar qual a atividade física é mais adequada a ele — explica Nascimento.
O tratamento medicamentoso também é fundamental. Análises do estudo UPLIFT, um dos maiores já realizados em pneumologia, demonstraram que a intervenção precoce com brometo de tiotrópio pode evitar a progressão da doença desde sua fase inicial, além de manter o paciente ativo e reduzir a mortalidade. Recomendado pelos consensos internacional e brasileiro de Dpoc, o tiotrópio é um broncodilatador de longa duração, desenvolvido especificamente para essa enfermidade. O medicamento, com ação anticolinérgica, dilata os brônquios, controla o diâmetro das vias aéreas e proporciona melhora da qualidade de vida, aumentando a resistência a exercícios e reduzindo as crises que o paciente frequentemente apresenta.
Diagnóstico
É necessário que o médico esteja atento aos sinais clínicos da doença, principalmente, tosse, pigarro e falta de ar progressiva, que ocorre em fumantes crônicos. A espirometria, teste que avalia a função pulmonar, é um exame complementar para o diagnóstico.
A fim de padronizar e orientar o diagnóstico e o tratamento, o GOLD (Iniciativa Global para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) desenvolveu um questionário com cinco perguntas básicas que podem ajudar a identificar o paciente com Dpoc:
— Tem mais de 40 anos?
— É fumante ou ex-fumante?
— Apresenta tosse diária e constante?
— Apresenta catarro pulmonar ou muco, na maioria dos dias?
— Fica com mais falta de ar que as pessoas da mesma idade?
Se o paciente responder "sim" às duas primeiras questões e a pelo menos uma das três últimas, deve procurar um especialista para que a Dpoc seja ou não confirmada.


