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Posts de maio 2010

Um alerta às mulheres

31 de maio de 2010 0

Ele mede apenas 10cm, mas suas consequências são avassaladoras. A cada ano, o cigarro é responsável pela morte de 5 milhões de pessoas no mundo, um número maior do que todas as guerras ou qualquer outra causa evitável, apesar dos esforços internacionais. De acordo com as estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), há 1 bilhão de fumantes no planeta. Desse total, cerca de 20% são mulheres, o que as tornaria alvo preferencial das estratégias de marketing para expansão da indústria tabagista. Por esse motivo, são justamente elas o foco das ações hoje, Dia Mundial da Luta contra o Tabaco.
A consultora da OMS Vera Luiza da Costa e Silva conta que a escolha das mulheres como alvo prioritário da campanha deste ano ocorreu também por se tratar da parcela da população tradicionalmente mais exposta aos efeitos nocivos do cigarro
— O uso do tabaco em todas as suas formas se concentrou historicamente entre homens. Mas as mulheres e as crianças sempre pagaram o preço do tabagismo passivo, já que na maioria das vezes os pais e os maridos as expõem à fumaça de seus cigarros — destaca a médica.
Anualmente, segundo a OMS, 600 mil pessoas morrem em decorrência da inalação da fumaça de cigarros de parentes, amigos ou colegas de trabalho. Respirar a fumaça do cigarro de outras pessoas é o suficiente para o desenvolvimento de doenças como tumores cerebrais e problemas respiratórios.
— No caso das mulheres, os efeitos são ainda mais dramáticos. A inalação da fumaça do cigarro aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de mama e de útero. Nas gestantes, potencializa as chances de abortos espontâneos e de nascimento de crianças com baixo peso — enumera o oncologista Murilo Buso.
Dependência
A pesquisa da OMS revelou também dados preocupantes sobre os danos causados pela dependência de nicotina. Se o quadro atual persistir, em 2030 o número de mortes causadas pelo cigarro e seus derivados deve pular para 8 milhões.
— O que é mais dramático é que dois terços dessas mortes,  todas perfeitamente evitáveis, ocorrerão em países em desenvolvimento — afirma a médica Vera Luiza da Costa e Silva.
O angiologista Ricardo Meirelles, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), explica que os danos do fumo não estão restritos ao sistema respiratório.
Praticamente todos os órgãos do corpo são prejudicados pelo consumo das mais de 6 mil substâncias tóxicas presentes no cigarro. Esses problemas vão desde irritação nasal e ataques de asma até tumores cerebrais e leucemia.
O médico conta ainda que é preciso evitar ao máximo o consumo do primeiro cigarro.
Duas de cada três pessoas que experimentam acabam se viciando. Além disso, quanto mais jovem a pessoa começar a fumar, mais difícil vai ser para largar — afirma.

Os benefícios dos fitoterápicos

29 de maio de 2010 0

Parte fundamental da cultura de boa parte dos países orientais, o hábito de beber chá conquista cada dia mais o paladar e a atenção dos brasileiros. É bem verdade que a evolução da indústria farmacêutica nos anos 1950 desacelerou o consumo por um tempo. No entanto, a partir da década de 1980, o interesse pelas plantas com propriedades medicinais voltou a crescer, dessa vez com o incentivo de pesquisas em todos os cantos do mundo. Hoje, os chás, quentes ou gelados, são apreciados em qualquer estação.
Quem nunca ouviu falar dos benefícios do chá quebra-pedra para quem sofre de cálculo renal? Usadas como preventivas ou terapêuticas, as infusões à base de plantas medicinais têm propriedades digestivas, diuréticas, antirreumáticas, antiestressantes e cicatrizantes, e não são mais vistas como remédios populares. 
— A ciência, pouco a pouco, vem confirmando a ação dos fitoterápicos. Um estudo recente da Escola Paulista de Medicina, por exemplo, prova o efeito benéfico da espinheira-santa (Maytenus illicifolia). Seu princípio ativo combate bactérias e cura úlceras do aparelho digestivo, principalmente no estômago — afirma a farmacêutica Andrea Saboya.
No Brasil, há diversidade para todos os gostos — e necessidades. As ervas mais usadas no preparo de chás são a espinheira-santa, a camomila, a carqueja, a cidreira, a São João, o boldo e o alecrim. A nutricionista Jamile Freire lembra que as propriedades medicinais das espécies já são reconhecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
— Atualmente, a população tem acesso a derivados de espinheira-santa, para gastrites e úlceras, e de guaco, para tosses e gripes.
Atualmente, os chás branco, verde e vermelho ganharam espaço entre consumidores do mundo ocidental por proporcionarem benefícios à saúde e à beleza, prevenindo doenças, reduzindo peso e até retardando o envelhecimento. Os três são produtos da mesma erva, a Camellia sinensis. O que os diferencia são o estágio de maturação e a forma de processar a folha da planta.
— O branco e o vermelho são fontes de substâncias funcionais, que combatem os radicais livres e células cancerígenas. Eles também são diuréticos e melhoram a saúde cardiovascular. Os dois, assim como o verde, podem emagrecer se associados à alimentação saudável e aos exercícios — garante a nutricionista. Estudos recentes publicados na revista científica American Journal of Clinical Nutrition comprovam que o chá verde também combate a angústia e a depressão.
Cuidados
É preciso cautela, entretanto. Quem faz o alerta é o coordenador da Divisão de Farmacologia e Toxicologia do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas da Unicamp, João Ernesto de Carvalho. Segundo ele, o uso indiscriminado de algumas plantas traz efeitos nocivos ao organismo, porque os chás têm propriedades farmacológicas semelhantes às dos remédios sintéticos. — Eles são benéficos, mas podem provocar danos colaterais ou serem tóxicos se ingeridos exageradamente. Algumas substâncias presentes em determinadas plantas também interagem negativamente com medicamentos receitados para o tratamento de doenças crônico-degenerativas — pondera.
O farmacêutico da Unicamp explica que é fundamental obter orientação médica para a ingestão dos chás.
— O grande problema é que as faculdades de medicina não abordam os fitoterápicos. Os médicos nem sempre conhecem os efeitos das plantas no organismo — acrescenta.
Algumas ervas
Confira as propriedades de algumas das plantas mais usadas em chás:
— Sabugueiro
Nome científico: Sambucus nigra L.
Partes utilizadas: folhas e flores (os frutos são tóxicos)
Indicações: gripes, resfriados, bronquite, asma, reumatismo, doenças renais, rubéola e sarampo. É também usado para baixar a febre
— Camomila
Nome científico: Matricaria chamomilla
Parte utilizada: flor
Indicações: usada para aliviar cólicas intestinais e diarreias infantis, tem ação calmante, trata feridas na boca e enxaquecas
— Capim santo
Nome científico: Cymbopogon citratus
Parte utilizada: folhas
Indicações: insônia, dores de cabeça, nervosismo e flatulência. É usado como analgésico suave
— Carqueja
Nome científico: Baccharis trimera
Parte utilizada: toda a planta, principalmente a parte aérea
Indicação: gastrite, má digestão, azia, cálculos biliares e prisão de ventre. Age como diurético e protege o fígado
— Espinheira-santa
Nome científico: Maytenus illicifolia
Parte utilizada: folhas
Indicações: problemas gástricos, principalmente úlcera. Externamente, é indicada para cicatrização de feridas
— Erva cidreira
Nome científico: Melissa Officinalis L.
Partes utilizadas: folhas e sumidades floridas
Indicação: para aliviar o nervosismo, dores de cabeça, dores das vias digestivas, enjoos, gases, palpitações cardíacas e irregularidades menstruais. Também é eficaz como estimulante cutâneo e repelente contra picadas de insetos
— Hortelã
Nome científico: Mentha piperita L.
Partes utilizadas: folhas e sumidades floridas.
Indicações: como digestivo, para alívio de cólicas, doenças hepáticas e diminuição dos gases. É usado em xaropes para tratamento de asma e bronquite (favorece a expectoração). Também é vermífugo
— Alcachofra
Nome científico: Cynara scolymus
Parte utilizada: folhas
Indicações: doenças do fígado e da vesícula biliar, males gástricos e renais, redução da taxa de colesterol. É diurética, hipoglicemiante e ajuda nos regimes de emagrecimento
— Pata de vaca
Nome científico: Bauhinia forficata link
Parte utilizada: folhas
Indicações: diabetes, elefantíase, taxa elevada de colesterol no sangue, insuficiência urinária

Mitos e verdades sobre a calvície

29 de maio de 2010 0

O dermatologista e especialista em tricologia Ademir Jr. responde dúvidas sobre a alopecia androgenética, mais conhecida como calvície, que atinge homens e mulheres.
— Estresse provoca queda de cabelos.
Verdade. O estresse, seja físico ou emocional, causa alterações hormonais que podem levar à queda dos fios.
— Lavar os cabelos diariamente aumenta a queda.
Mito. Componentes do xampu podem ressecar os fios, mas jamais levar à queda.
— O que leva à perda de cabelo é o excesso de testosterona. Assim, pode-se presumir que os carecas são mais potentes.
Mito. A perda de cabelo não é provocada por um aumento na produção de hormônios masculinos, mas sim pela quantidade maior da enzima 5-alfa-redutase, determinada geneticamente. Não há relação com virilidade.
— Usar gel causa queda de cabelo.
Mito. O produto não favorece a queda dos fios, mas é bom evitar dormir com gel nos cabelos, pois ficam endurecidos e podem quebrar com mais facilidade.
— Os cabelos caem mais no inverno.
Verdade. Nos meses frios, sensores de luz localizados na pele recebem menos luminosidade. Essa mudança diminui o estímulo da divisão celular, o que gera um número menor de fios e ainda enfraquece a raiz. O resultado: além de os fios caírem mais rápido, eles também nascem mais devagar. É também nessa época de mudanças climáticas que aumenta a incidência de dermatite seborreica — a caspa.
— Secador e chapinha aumentam a queda.
Mito. A queda de cabelo está relacionada a problemas no couro cabeludo. O que pode acontecer é a quebra do fio devido à alta temperatura dos aparelhos.
— Alguns esportes danificam os cabelos e levam à queda.
Mito. Atletas que tiverem tendência à calvície ficarão calvos independentemente do esporte ou atividade física praticados.
— A caspa favorece a queda.
Mito. Ela pode ser um coadjuvante da queda, mas não a desencadeadora. A confusão se dá porque cerca de 70% dos calvos têm dermatite seborreica (oleosidade e descamação do couro cabeludo).
— Os cabelos crescem mais rápido no verão.
Verdade. O sol estimula a atividade de alguns hormônios, como a prolactina e a melatonina, que induzem o bulbo capilar a "trabalhar" mais, acelerando o crescimento dos fios.
— Cortar os cabelos interfere na queda dos fios.
Mito. Cortar o fio do cabelo não interfere em nada com o seu crescimento nem provoca sua alteração. As causas de queda de origem hormonal ou hereditária abrangem apenas a parte das raízes, onde o cabeleireiro não exerce influência.
— Usar boné faz cair os cabelos.
Mito. O acessório não faz cair os cabelos, mas pode interferir para algumas pessoas que exageram no uso, agravando doenças como a dermatite seborreica, que pode ser um coadjuvante da queda.
— Perco mais cabelos se penteá-los ou escová-los.
Mito. Caem apenas os cabelos que já completaram o seu ciclo de vida. Sendo assim, não faz diferença se isso ocorre durante a escovação ou mais tarde, espontaneamente.
— Condicionador pode causar a queda.
Mito. O que ocorre é que os fios que já estão na fase de queda cairão com mais facilidade. Mas o ideal é que o condicionador seja utilizado apenas nos fios e não diretamente no couro cabeludo, pois pode agravar a dermatite seborreica e favorecer a queda.
— Técnicas de alisamento e tingimento podem provocar queda.
Mito. A tintura e o alisamento agem nos fios e não na raiz dos cabelos, e quando usadas corretamente e com intervalos de 30 dias, não influenciam na queda. O que pode ocorrer é o enfraquecimento da haste dos cabelos, resultando em fios mais fracos, ressecados, com pontas duplas e tendência à quebra.
— Colocar anticoncepcional no xampu faz os cabelos crescerem mais rápido.
Mito. O uso de hormônios femininos não faz os cabelos crescerem mais rápido, muito menos dessa maneira, pois a absorção dos hormônios, se ocorrer, será mínima.
— Os cabelos caem mais após o parto.
Verdade. Cerca de quatro meses após o parto (ou alguma outra situação de estresse físico ou emocional), muitos fios de cabelo podem entrar prematuramente na fase de queda, levando à perda de mais fios por dia do que o normal. Os pêlos voltarão a crescer normalmente após algum tempo.
— Cortar os cabelos os faz ganhar força.
Mito. O fato de cortar o fio do cabelo não interfere em seu bulbo capilar, responsável pelo crescimento.
— Cortar os cabelos durante a lua crescente os faz crescer mais rápido.
Mito.
— Calvície tem tratamento.
Verdade. Quanto mais cedo começar o tratamento contra calvície, melhor. Somente o dermatologista poderá prescrever o tratamento mais adequado.

Tipos de anestesia para o parto

29 de maio de 2010 0

Desde a confirmação da gravidez, diversas são as dúvidas das futuras mamães, especialmente as de primeira viagem. Algumas delas, no entanto, podem ser facilmente resolvidas com uma boa conversa com um especialista. É o caso da anestesia para o parto, com várias técnicas e indicações.
As anestesias regionais, entre as quais se destacam os bloqueios neuroaxiais (peridural, raquianestesia e combinada raquiperidural), são as mais utilizadas, explica o médico Carlos Othon Bastos, membro da Comissão Científica da Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo. Aplicadas adequadamente, são capazes de abolir completamente a dor de qualquer fase evolutiva do trabalho de parto, inclusive no parto normal. 
—  O parto normal, com a utilização de técnicas adequadas de analgesia espinhal, apresenta inúmeras vantagens para mãe e filho — Bastos.
Além disso, explica ele, a anestesia diminui a sobrecarga cardiorrespiratória materna, que pode se tornar bastante intensa na progressão do trabalho de parto.
— Ao aplicar a anestesia, reduzimos a liberação hormônios e substâncias ligadas ao estresse e à dor, o que repercute de forma positiva.
Um recente marco na anestesiologia foram os diversos estudos favoráveis e a consequente proliferação do uso de opioides espinhais na década de 90, permitindo a redução significativa da concentração e da dose de anestésicos.
— Esses fármacos possibilitam a abolição da dor, porém mantêm o tônus motor e o equilíbrio necessários para um bom andamento do parto — explica o anestesiologista.
Um equívoco bastante comum é achar que a anestesia pode prejudicar a dilatação do colo do útero durante o trabalho de parto.
— Se realizada de forma adequada, com fármacos em quantidades e concentrações ideais, a anestesia regional interfere de forma mínima e, às vezes, até mesmo benéfica na evolução da dilatação do colo uterino. Assim, causamos diminuição insignificante da força motora, mantendo a capacidade da parturiente de atuar de forma ativa para o nascimento do concepto através dos esforços expulsivos — pondera Bastos.
Apesar dos benefícios da peridural, há algumas contraindicações. Mulheres que apresentam distúrbios adquiridos ou congênitos de coagulação, ou portadoras de algumas cardiopatias e doenças neurológicas, não devem se submeter a esse procedimento anestésico. Nesses casos, é necessário disponibilizar métodos alternativos de analgesia para que não se privem do alívio da dor.
Complicações ocasionadas pela anestesia, embora raras, podem acontecer. Por isso, a anestesia deve ser realizada por médico anestesiologista, que é o profissional adequadamente treinado para o procedimento. Além disso, ter os equipamentos necessários para a analgesia e o monitoramento da parturiente e do feto é imprescindível para identificar e tratar precocemente eventual intercorrência.

Quando a criança não quer comer

22 de maio de 2010 0

Mauro Fisberg*
Chegada a hora do almoço, começa a batalha entre pais e filhos. Depois de broncas, ameaças, choro e manha, alguns adultos se dão por vencidos e acabam deixando que a própria criança decida o que vai comer ou até se vai comer. O tormento se inicia, geralmente, a partir dos dois anos. Com o início da fase de autonomia da criança, quando ela passa da alimentação infantil para uma mais adulta, é que os problemas começam. É comum escutar dos pais que quando o filho era bebê comia de tudo, mas que depois de algum tempo começou a apresentar menor interesse pela comida e frequentes oscilações na preferência e aceitação dos alimentos.
Chamadas de picky eaters (termo que pode ser traduzido como "comedores seletivos"), essas crianças têm um comportamento alimentar que pode variar desde excluir determinados grupos de alimentos (como verduras, legumes ou peixe, por exemplo) a pular refeições, ou, simplesmente, comer muito pouco. O problema é mais comum do que parece — 50% das crianças na faixa de dois a cinco anos podem ser consideradas picky eaters. Apesar de passageiro, o problema gera transtornos no relacionamento familiar, além de afetar o progresso cognitivo e comprometer o desenvolvimento e o crescimento natural das crianças. Algumas adotam esse comportamento de maneira exacerbada e apresentam baixo peso, falta de atenção, desenvolvimento lento no aprendizado, deficiência de nutrientes como ferro, vitaminas e sais minerais.
Diante desse cenário, surge uma pergunta: como lidar com uma criança com dificuldade de alimentação? O primeiro passo é buscar orientação profissional. O pediatra ou o nutricionista sabem como identificar o quanto o problema está afetando a criança e qual caminho seguir para adequar a alimentação. O tratamento oferecido deve incluir orientações nutricionais, comportamentais e psicológicas, não só para a criança, mas também para os pais e os irmãos. Muitas vezes, as divergências na hora da comida causam ruídos no relacionamento entre pais e filhos e podem até interferir na relação do casal. Além disso, os hábitos da família têm enorme peso nas decisões da criança, por isso esse tratamento multidisciplinar e extensivo é importante.
Em muitos casos, o uso de suplementos nutricionais se faz necessário. No entanto, vale a pena prestar atenção ao tipo de produto a ser escolhido. Existe disponível no mercado uma gama de alimentos voltados para crianças, mas nem todos têm fórmula balanceada e equilibrada, principalmente no que diz respeito à distribuição calórica. Os suplementos nutricionais verdadeiros são uma alternativa para incrementar a dieta infantil e evitar que a criança fique em risco nutricional enquanto passa pelo processo de adaptação a uma dieta mais saudável. Os bons suplementos são diluídos em água, não interferem no aumento de peso da criança normal, não têm como objetivo abrir o apetite nem substituir refeições. Os suplementos devem contribuir para o equilíbrio da alimentação natural.
Por outro lado, lançar mão de algumas estratégias para despertar o interesse dos pequenos pela comida pode acalmar os ânimos à mesa:
— Apostar em preparações mais atrativas para a criança pode ser uma boa dica. Apresentar pratos coloridos, fazer carinhas com a comida e oferecer o alimento rejeitado pelo menos 10 vezes, em refeições e com apresentações diferentes (cozido, frito, assado, purê).
Brincar com o alimento, mas não brincar com a alimentação. Isto é, não distrair, não enganar, não forçar, não castigar ou premiar. O famoso aviãozinho, por exemplo, está fora de cogitação, pois é uma maneira de enganar, distrair a criança.
— A criança precisa se concentrar na atividade da refeição, sentir o sabor dos alimentos e entender a sensação de fome e de saciedade. Com uma distração, que pode ser a TV também, a criança, e qualquer pessoa, come automaticamente. Às vezes, pode comer mais do que o suficiente para saciar sua fome.
É muito importante que os pais imponham limites aos filhos — horários para as refeições, locais apropriados, ritmo de alimentação sem exageros na duração.
Mauro Fisberg é pediatra e nutrólogo, coordenador clínico e professor associado do Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

10 questões sobre infertilidade e fertilização feminina

22 de maio de 2010 0

Problema de ovulação, síndrome do ovário policístico e endometriose são alguns dos fatores que contribuem para a infertilidade feminina. Com a evolução da medicina, essa condição deixou de ser um fantasma para muitas mulheres, que hoje contam com tratamentos que podem reverter o quadro. A ginecologista Rosa Maria Neme responde algumas das principais dúvidas sobre o tema.
— Quais as principais causas da infertilidade feminina?
Endometriose, ovários policísticos, causas tubárias ou problemas na ovulação.
— Tomar anticoncepcional por muito tempo pode deixar a mulher infértil?
O anticoncepcional, quando suspenso, pode atrasar o retorno da ovulação em, no máximo, seis meses. Portanto, o uso de anticoncepcional por muito tempo não deixa a mulher infértil.
— Há como reverter a infertilidade antes de decidir pelo uso de técnicas de fertilização?
Tudo dependerá da causa da infertilidade. Na endometriose, em alguns casos, o tratamento cirúrgico pode reverter a infertilidade, assim como algumas alterações das tubas uterinas. No caso do ovário policístico e da ovulação, alguns medicamentos podem ser úteis para corrigir essas alterações.
— Qual o conceito da fertilização?
O conceito correto é de reprodução assistida. Essa especialidade ajuda os casais a engravidar por meio da manipulação extracorpórea do sêmen _ no caso da inseminação intrauterina _ e do óvulo e espermatozoide, no caso da fertilização in vitro.
— Quais as técnicas existentes em fertilização humana?
Há o coito programado (estímulo da ovulação e programação da relação sexual no dia do pico da ovulação), a inseminação artificial e a fertilização in vitro.
— Qual a diferença entre fertilização in vivo e in vitro? E qual o procedimento de cada método?
A fertilização in vivo é mais conhecida como inseminação artificial. Realiza-se uma indução da ovulação na mulher e, na época em que ela ocorrer, prepara-se o sêmen do parceiro, que é introduzido na cavidade uterina. Já na fertilização in vitro o médico captura um óvulo e coloca milhares de espermatozoides ao seu redor. O mais capacitado o fecundará. O embrião fica por dois a três dias no laboratório, em um ambiente que imita o corpo da mulher (controle da temperatura, umidade, gás carbônico e partículas no ar). Após esse período, é transferido para o útero, e pode ocorrer ou não a chamada implantação — fenômeno em que o embrião se prende ao útero. Sem a implantação, não ocorre a gravidez.
Na técnica ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide), o médico seleciona o espermatozoide e o injeta no óvulo. Nesse procedimento, o embrião também é transferido para o útero de dois a três dias depois, podendo haver ou não a implantação. Esse método é recomendado para homens com baixíssimas taxas de espermatozoides no sêmen ejaculado.
— Em quais casos cada técnica é indicada?
A indução de ovulação pode ser indicada para mulheres que apresentem distúrbios de ovulação (sem comprometimento da função das tubas uterinas), fazendo com que haja uma melhora do processo ovulatório e uma gestação de forma natural. A inseminação intrauterina é indicada para casais em que o parceiro apresenta algum distúrbio discreto de mobilidade ou quantidade dos espermatozoides, já que há uma melhora da qualidade do sêmen que é preparado no laboratório e é injetado diretamente dentro do útero.
Já a fertilização in vitro é indicada para mulheres com alteração da função das trompas, com sêmen do parceiro normal ou não. A técnica de ICSI é indicada quando há ou não alteração da função das trompas, ou com sêmen com menos de 1 milhão de espermatozoides na concentração (o normal é acima de 20 milhões).
— Quais as chances de sucesso em cada método de fertilização?
Tudo dependerá da idade da paciente, da função do ovário (em mulheres que fizeram várias cirurgias nos ovários, o resultado tende a ser pior), da integridade do útero (onde ocorre a implantação). Em média, para uma mulher de 35 anos, a chance de engravidar pela inseminação artificial é de cerca de 18% e para a fertilização é de cerca de 40%.
— Existe algum risco para a mulher nesses procedimentos?
O risco é muito pequeno, desde que sejam realizados em centros especializados. Pode haver risco de gestação nas trompas (o embrião se implanta no local errado), risco de sangramento durante o procedimento de punção dos ovários para coleta dos óvulos na fertilização in vitro, risco de hiperestímulo da ovulação causando situações de instabilidade circulatória para a mulher (quando a dose de hormônio administrada pelo médico é muito alta e o ovário produz muitos óvulos e, consequentemente, a taxa de hormônio produzido no corpo é muito grande, causando alterações vasculares no corpo da mulher).
— A fertilização artificial sempre resulta em nascimento de múltiplos?
A taxa de gestações únicas é sempre maior que a de múltiplos. Tudo também dependerá do número de embriões que são transferidos para o útero. Atualmente, recomendamos a transferência de dois a três embriões, a fim de evitar gestações múltiplas, que aumentam o risco de prematuridade e complicações na gravidez.

Perder peso faz bem às pernas e ao coração

22 de maio de 2010 0

Controlar o peso com uma dieta equilibrada e praticar exercícios físicos regularmente são fatores-chave para se prevenir das doenças do coração e levar uma vida saudável. Mas, se para perder peso você tem de se mexer, você deve contar com pernas saudáveis. O problema aparece quando se está tão acima do peso que as pernas doem muito e não se tem a mínima disposição de enfrentar caminhadas. O que fazer?
— Muitas pessoas se tornam sedentárias justamente porque as pernas doem e incham assim que elas se põem a caminhar, praticar esportes ou outras atividades físicas. Isso afeta não só a saúde do coração como também intensifica as dores nos membros inferiores, resultando num problema crônico que tende a se agravar com o surgimento de varizes e doenças circulatórias — diz o angiologista Rodrigo Kikuchi.
Kikuchi afirma que fazer um check-up das pernas e garantir uma circulação eficaz é o primeiro passo em busca de uma vida saudável.
— O surgimento de problemas venosos indica que o sangue começa a se acumular nas pernas. Manter a saúde das pernas, então, é fundamental para evitar problemas das veias e correlatos.
De acordo com o médico, as doenças arteriais são ainda mais graves do que os problemas venosos.
— O estreitamento das artérias compromete inclusive a saúde do coração e é agravado por fumo, estresse, altas taxas de gordura no sangue (colesterol e triglicérides), sedentarismo, hipertensão, diabetes e obesidade. Nesse caso, aumentam as chances de formação de placas de gordura e coágulos que podem resultar em derrame, acidente vascular cerebral e infarto.
Controlar o peso e manter as pernas sempre saudáveis e em movimento é a dica do especialista para evitar problemas vasculares.
Quem passa longos períodos em pé ou sentado deve movimentar pernas e pés a cada duas horas e ingerir bastante líquido. Caminhar três vezes por semana, subir e descer escadas em vez de usar o elevador, nadar e pedalar são ótimos exercícios para ativar a irrigação arterial dos diversos órgãos e do próprio coração.

Sete dicas para combater a depressão

18 de maio de 2010 0

Manter um estado emocional positivo e combater a depressão são atitudes fundamentais na prevenção de doenças. Diversos estudos científicos já comprovaram que as boas emoções são um excelente reforço contra gripes, resfriados, alergias, obesidade, problemas de pele, hormonais, cardíacos e gástricos. Na opinião de Luiz Gonzaga Leite, chefe do Departamento de Psicologia do Hospital Santa Paula, de São Paulo, "independentemente do tamanho e do tipo de problema de cada um, é preciso ter domínio sobre os próprios pensamentos e aprender a enxergar a luz no fim do túnel".
A depressão deve ser encarada como uma doença como outra qualquer, como o diabetes e as enfermidades do coração. Ou seja, pode ser prevenida e tem controle. Para quem não tem acesso a terapias de grupo e não tem recursos para consultar um bom psicólogo, Leite revela sete dicas para combater o estresse sem custo algum e sem remédios:
— Pare de se culpar
Há um tipo de pessoa com altíssimo nível de autocrítica e que acredita ser culpada por todos os problemas, incluindo os das pessoas à sua volta. Essa dica serve para todos nós: é necessário começar a dividir o problema em partes e verificar exatamente qual é o seu papel para que a situação sofra mudanças favoráveis. Não se martirize pelo que está fora do seu alcance.
— Perca o medo de envelhecer
Tem muita gente que se deprime ao se imaginar em desvantagem na vida profissional e pessoal somente porque passou dos 30, 40 ou 50 anos. Encare a crise da meia-idade como mais uma possibilidade de crescimento pessoal, de dar uma virada profissional e afetiva. Se seu parceiro está passando por isso, aceite a situação como algo natural do processo de amadurecimento e, talvez, conjugal. Exponha suas opiniões com serenidade e aproveite você também para definir a qualidade de vida que quer para si de agora em diante.
— Desabafe de vez em quando
É sempre importante cultivar amigos e ter um bom relacionamento com familiares, principalmente quando se quer desabafar. Claro que você deve evitar reclamar de tudo e de todos para os que estão próximos. Nada disso! Mas ter com quem se abrir e estar pronto para ouvir o que nem sempre se quer ouvir é um passo importante para evitar o estresse.
— Pratique exercícios
Não é preciso se transformar num maratonista. Se você caminhar vigorosamente três dias por semana, durante 30 minutos, não apenas se sentirá mais saudável como também perceberá que o bom humor será mais constante na sua vida.
— Atenha-se à rotina normal
Pessoas em crise de depressão geralmente se sentem desestimuladas para cumprir inclusive tarefas simples, como lavar a louça, levar os filhos ao colégio, fazer uma boa refeição ou até mesmo caprichar na higiene diária. Nesses momentos, insistir em cumprir tudo o que faz parte da rotina faz parte do processo de cura.
— Evite álcool e drogas
Algumas pessoas com depressão acabam recorrendo ao álcool e às drogas com intenção de se livrar do problema. Esse é um dos piores erros que se pode cometer, já que, a longo prazo, essas substâncias afetarão a química cerebral e certamente colocarão em risco seus relacionamentos no trabalho, na vida a dois e em família.
— Coma e durma bem
Alguns alimentos comprovadamente fazem bem à saúde e proporcionam bem-estar. Portanto, vale a pena incluir mais frutas e vegetais na alimentação, assim como peixes, grãos integrais e proteínas. Dormir bem é outra dica de combate à depressão. Mas preste atenção: não se entregue ao sono o dia inteiro. Combata o desânimo tentando dormir entre seis e oito horas por noite e utilizando o dia para cumprir com boa disposição todas as tarefas.

Trabalhar demais é ruim para o coração

15 de maio de 2010 0

Trabalhar três horas a mais que a média normal (sete a oito horas diárias) expõe a pessoa a um risco 60% maior de desenvolver problemas cardíacos, segundo um estudo publicado pelo European Heart Journal.
Um total de 6.014 trabalhadores londrinos com idades entre 39 e 61 anos (4.262 homens e 1.752 mulheres) e sem patologia cardíaca foram acompanhados durante 11 anos em média, até 2002-2004, como parte de um amplo estudo batizado de Whitehall II.
Durante os 11,2 anos de acompanhamento, 369 dos voluntários morreram de problemas cardíacos ou tiveram um acidente cardíaco não fatal ou uma angina de peito.
— As relações entre as longas horas de trabalho e as enfermidades cardiovasculares são independentes de um conjunto de fatores de risco medidos no início do estudo, como o tabaco, o excesso de peso ou uma taxa elevada de colesterol — precisou Marianna Virtanen, que dirigiu o estudo do Finnish Institute of Occupational Health (Helsinque) e da University College of London, em um comunicado.
Quem trabalha mais do que a norma geralmente são homens, mais jovens que a média do grupo e que ocupam postos de maior responsabilidade.
Se a relação entre as horas adicionais de trabalho e as enfermidades cardiovasculares parece clara, a causa nem tanto, segundo os autores. Uma pista pode ser que o trabalho adicional afetaria o metabolismo ou encobriria os estados depressivos, de ansiedade ou de falta de sono.
O "presentismo doentio" através do qual, ao contrário do ausentismo, os empregados vão trabalhar inclusive doentes, ignorando os sintomas e sem consultar um médico, pode igualmente estar entre as causas do problema. No entanto, as pessoas que gostam de seu trabalho e têm tendência a trabalhar mais simplesmente pelo prazer poderão sofrer um risco menor de enfermidade cardíaca.
Marianna Virtanen avalia várias pistas, como costumes pouco saudáveis e fatores de risco mais extensos entre as pessoas que trabalham em excesso.
— Outra possibilidade é que o estresse crônico (geralmente associado às longas horas de trabalho) afete o organismo — acrescenta, explicando que ainda são necessárias pesquisas adicionais.

Risco no açaí mal higienizado

15 de maio de 2010 0

O protozoário causador da doença de Chagas sobrevive na polpa do açaí mal higienizado, mesmo que o produto seja congelado a 20°C negativos. Somente a correta pasteurização — tratamento térmico que envolve aquecimento e rápido resfriamento —, que ainda não é obrigatória no Brasil, consegue eliminar o microrganismo. Os dados são de pesquisa concluída recentemente, liderada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Os autores do trabalho, realizado a pedido do Ministério da Saúde, destacam que higienizar corretamente os frutos ainda é o método mais importante de prevenção. O açaí industrializado, consumido nas grandes cidades, passa em teoria pelos processos, dizem os cientistas, e deve ser registrado no Ministério da Agricultura. A pasta informou ainda que, apesar de a legislação nacional ainda não exigir a pasteurização, visitas de fiscais às fábricas têm demonstrado que a maioria das empresas possui máquinas para realizá-la, em razão de exigência do mercado externo.
Por causa disso, informou ainda o ministério, o órgão "avalia a possibilidade de desenvolver estudos sobre metodologias de pasteurização" para a polpa de açaí. A pasteurização vinha sendo defendida pelo Ministério da Saúde desde meados da década passada.
A reportagem não conseguiu localizar representantes dos produtores de açaí.
Segundo destaca Luiz Augusto Passos, do Centro Multidisciplinar para a Investigação Biológica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o estudo, publicado na revista Advances in Food and Nutrition Research, é o primeiro a comprovar efetivamente que a polpa do fruto pode transmitir a doença de Chagas, apesar das suspeitas.
— Não havia dado que mostrasse que essa via era factível — disse o cientista, que trabalhou ao lado de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade de São Paulo.

Saiba mais
— A doença de Chagas é uma doença infecciosa febril causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi.
— Pode ser adquirida por meio do contato direto com as fezes do inseto chamado barbeiro e causa problemas cardíacos e digestivos.
— No caso da transmissão oral, em razão da higiene inadequada, fezes ou o próprio inseto são processados junto com a polpa e ingeridos pela população.
— Só no ano passado, o Brasil registrou 226 casos da doença, a maioria deles no Pará e, calcula-se, 80% ligados ao consumo de alimentos, principalmente o açaí.