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Posts de julho 2010

Dicas para aliviar a dor no pescoço

31 de julho de 2010 1

A dor no pescoço é vice-campeã de reclamações nos locais de trabalho. A primeira colocada é a dor nas costas. De acordo com o ortopedista Gilberto Anauate, do Hospital Santa Paula, em São Paulo, a dor no pescoço não é causada apenas pela má postura, podendo ser um problema emocional
O estresse pode ser o grande vilão da cervicalgia em grande parte dos casos. Os músculos localizados atrás do pescoço têm de estar sempre tensos para suportar a parte de cima do corpo. Quando eles trabalham além da conta, sofrendo contrações constantes de fundo nervoso, a dor é inevitável. Inclusive, pode ser irradiada para os ombros ou ainda resultar em dor de cabeça — diz Anauate.
O ortopedista afirma que, por apresentar grande mobilidade em relação ao restante da coluna, a região cervical está mais sujeita a dores e contraturas musculares devido à friagem e, principalmente, episódios de alta tensão psicológica. Uma vez diagnosticada a raiz do problema, Anauate orienta o paciente a buscar ajuda especializada.
— Cada vez mais surgem recursos terapêuticos que podem amenizar a dor no pescoço. O paciente pode ser orientado a seguir um tratamento à base de anti-inflamatórios e relaxantes musculares, ou mesmo a buscar terapias complementares, como a acupuntura. O ideal é que seja feita uma investigação personalizada.
O médico faz um alerta:
Ninguém pode se acostumar com a dor. Se ela começar a irradiar para os braços, ou se o paciente começar a sentir "pinçadas" no pescoço, é necessário uma investigação diagnóstica mais detalhada.
Dicas para driblar a dor no pescoço
— Nos dias frios, agasalhe-se bem e evite tomar friagem.
— Quem trabalha o dia inteiro diante do computador deve fazer pausas para movimentar ombros e pescoço lentamente, por alguns minutos, a cada duas horas. Esse hábito alivia a tensão que normalmente se acumula ao longo do dia.
— Quem passa horas no trânsito não pode descuidar do pescoço. Além do cinto de segurança, é importante contar com um encosto de cabeça devidamente ajustado ao corpo, mantendo os braços esticados e as mãos firmes no volante. Não dirija se a dor estiver muito forte.
— Massagens suaves com óleos aromáticos ou anti-inflamatórios em gel ou creme também contribuem para aliviar.
— Donas de casa devem se acostumar com novos hábitos na hora de se abaixar ou suspender objetos. Deve-se usar mais a força das pernas para abaixar ou se levantar.
— É importante praticar regularmente atividades de relaxamento para a mente e o corpo. Isso inclui terapias alternativas, hobbies ou simplesmente descansar mais.
— O modelo ideal de travesseiro não é nem muito fino, nem muito grosso. O ideal é dormir de lado e escolher um travesseiro que se encaixe bem entre o ombro e o pescoço.

Biomarcadores contra o câncer colorretal

31 de julho de 2010 0

O combate ao câncer costuma ser travado em duas frentes, a depender do caso: quimioterápica e radioterápica. A 12ª edição do Congresso Mundial de Câncer Gastrointestinal trouxe, em junho, novos dados sobre o tratamento da doença. Na ocasião, mostrou-se uma pesquisa de resultados promissores com portadores de câncer colorretal metastático, considerado o terceiro mais frequente no mundo, com 1,1 milhão de casos novos a cada ano.
Os pacientes estudados estão passando por testes com biomarcadores ou indicadores biológicos. Trata-se de moléculas que, uma vez expostas a determinado ambiente, apresentam variações bioquímicas e fisiológicas que servirão de parâmetro para o cientista. Elas indicam qual é a terapia mais adequada para cada pessoa, dependendo da mutação nos genes cancerígenos. 
O biomarcador não é tratamento. Ele nos ajuda a individualizar o tratamento com esta ou aquela droga — explica a oncologista Estela Rutkowski.
No caso do câncer colorretal, os médicos analisam se há mutação no gene KRAS, que costuma ser afetado em grande parte dos tumores malignos. Caso o gene não apresente alteração, o paciente poderá ser tratado com as chamadas drogas-alvo, que agem diretamente nas células doentes, poupando as saudáveis e diminuindo os efeitos colaterais da quimioterapia.
Palavra do especialista
Existem pacientes mais suscetíveis à doença?
Pessoas acima de 50 anos, sedentárias e que têm história familiar de câncer colorretal ou história pessoal da doença (que já tiveram outros tipos de câncer).
Quais são os fatores de risco conhecidos?
Algumas doenças inflamatórias do intestino, entre elas a retocolite ulcerativa crônica e a doença de Crohn, assim como as hereditárias, como a polipose adenomatosa familiar (FAP) e o câncer colorretal hereditário sem polipose (HNPCC), também estão relacionadas a um maior risco de desenvolvimento desses tumores. Além disso, obesidade, um baixo consumo de cálcio e fibras e uma alta ingestão de gorduras estão associados a uma maior incidência da doença.
Quais são os sintomas mais comuns?
Mudanças no hábito intestinal (diarreia ou constipação), perda de sangue nas fezes, cólicas abdominais, sensação de que o intestino não esvaziou por completo após a última evacuação (tenesmo), perda de peso, fadiga e/ou cansaço.
Há formas de prevenção?
Sim. Uma dieta rica em vegetais e laticínios e pobre em gordura animal (principalmente a saturada), além de atividades físicas regulares. Deve-se evitar o consumo exagerado de carne vermelha. Os pólipos intestinais, que são tumores benignos, podem ao longo do tempo sofrer um processo de malignização. Dessa forma, é recomendada a pesquisa de sangue oculto nas fezes anualmente para toda pessoa com mais de 50 anos, além da videocolonoscopia, com o objetivo de detectar eventual lesão suspeita.
Fonte: Igor Morbeck, oncologista clínico e professor de medicina interna da Universidade Católica de Brasília

Combatendo a cólica menstrual

24 de julho de 2010 2

Todo mês aparecem os mesmos sintomas: dores no ventre, na região lombar, de cabeça, mal-estar e, em alguns casos, até vômitos ou diarreia. A dismenorreia, também conhecida como cólica menstrual, pode ser tão forte que chega a alterar a rotina de muitas mulheres.
— Algumas pacientes que apresentam casos mais severos chegam a programar atividades pessoais ou profissionais com base no período menstrual, devido às cólicas — explica o ginecologista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo Ben-Hur Albergaria.
O desconforto é tão grande que a cólica está entre os três tipos de dores que mais atrapalham o humor e a disposição das mulheres, assim como as dores de cabeça e nas costas. Além disso, um estudo indica que a taxa de incidência de dismenorreia é de aproximadamente 70% em adolescentes brasileiras.
Existem dois tipos de dismenorreia, sendo que a primária está associada a ciclos menstruais normais. — Ela é mais comum nas adolescentes, pois a ovulação ainda é recente, e os ovários estão em fase de adaptação — aponta Albergaria. — Outro fator que contribui para a maior frequência nas cólicas nessa idade é a produção do nível de prostaglandina, que está sendo modulada. A substância, responsável pelas contrações que causam dor, é produzida pelo útero em maior quantidade nas primeiras menstruações — complementa o ginecologista.
Os tipos
— Dismenorreia primária

Cólica menstrual que acompanha as mulheres principalmente na adolescência e tende a diminuir ou até desaparecer após os 20 anos. Acontece devido à maior produção de prostaglandina pelo útero, substância que provoca as contrações uterinas e, consequentemente, as dores .
— Dismenorreia secundária

Geralmente, ocorre alguns anos após a primeira menstruação e tem como causa outros problemas no sistema reprodutivo. Assim, em vez de tratar uma dor comum ao ciclo menstrual, como a dismenorreia primária, a secundaria está associada a alterações nos ovários, útero ou vagina, endometriose, miomas, infecção pélvica, tumores, entre outros fatores.
Algumas medidas podem contribuir para que as mulheres consigam conviver pacificamente com a dismenorreia primária. Atividades físicas e dietas balanceadas podem amenizar as dores.
— No entanto, é importante ressaltar que estes não podem ser tomados como únicos ou principais métodos de combate às cólicas, especialmente nos casos moderados e graves. Eles devem acompanhar o tratamento com medicamentos antiinflamatórios, antiespasmódicos ou anticoncepcionais — alerta Albergaria.
A dismenorreia secundária precisa ser investigada e exige exames complementares, já que pode ter diferentes causas. Porém, para os dois tipos de dismenorreia, é essencial consultar um médico para obter acompanhamento e tratamento corretos.
Dicas para amenizar a dor
— Atividades físicas
Após cerca de 30 minutos de exercícios, o organismo passa a liberar endorfina, substância responsável pela modulação da dor e do humor. Além disso, a prática regular de atividades físicas pode reduzir as dores, pois aumenta o tônus muscular e fortalece o assoalho pélvico.
— Alimentação balanceada
Uma dieta equilibrada só traz vantagens para a mulher. No caso das cólicas, não é diferente: vegetais, nozes e peixes, entre outros, são aliados para diminuir a dor. O cálcio (encontrado em derivados do leite), por exemplo, pode ajudar a regular a atividade de contração do músculo uterino. A cafeína (encontrada em alguns chás, como o preto, refrigerantes e chocolate) deve ser evitada, já que provoca a contração dos vasos sanguíneos do endométrio, causando ainda mais desconforto.
— Calor
Por provocar vasodilatação, o calor aumenta o fluxo sanguíneo e ajuda a relaxar os músculos contraídos. Para isso, basta recorrer a uma bolsa térmica, um cobertor ou um banho quente.
Estudo destaca ação do leite
Estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Ciências e Tecnologia da Jordânia revela que o consumo de leite e derivados pode amenizar os sintomas das cólicas menstruais. O estudo avaliou a reação de 127 estudantes universitárias, sendo que 87% relatavam apresentar cólicas menstruais. Metade das pesquisadas classificou suas dores como severas.
Os resultados mostram que as mulheres que consumiram de três a quatro porções por dia de leite e derivados apresentaram uma redução acentuada nas dores.

Pulmão com células-tronco funciona como órgão natural

24 de julho de 2010 0

Pela primeira vez na história, um animal respirou graças a um pulmão desenvolvido com a ajuda de células-tronco. O feito foi obtido por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Yale, em Connecticut, nos Estados Unidos. Os especialistas criaram em laboratório um tecido pulmonar que foi implantado em ratos e substituiu com êxito o órgão natural. O estudo foi publicado recentemente na revista especializada Science. 
— Nós mostramos que é possível usar a engenharia genética para criar um pulmão que pode desempenhar perfeitamente sua função mais importante: a troca de gases — disse ao site do periódico científico Laura Niklason, uma das autoras do estudo. — Esse é um primeiro passo na regeneração de pulmões inteiros para animais maiores e, eventualmente, para humanos — acrescentou.
Na pesquisa, a equipe da universidade retirou do pulmão de um rato as células que poderiam causar rejeição. Depois, na "casca" que sobrou, foram injetadas células-tronco específicas dos pulmões, levando o material para um biorreator, espécie de incubadora.
— O que descobrimos, para nossa grande surpresa, foi que as células em geral "pousaram" na sua localização anatômica correta. Achamos que isso significa que a matriz descelularizada tem uma espécie de CEP (que orienta as células-tronco) — comparou a cientista.
Depois de pronto, o pulmão artificial foi implantado no rato e funcionou praticamente como um pulmão normal por até duas horas. Durante esse período, os cientistas chegaram a acreditar que o órgão criado com células-tronco funcionaria perfeitamente. Porém coágulos começaram a se formar, indicando o mau funcionamento do órgão.
Laura afirmou à Science que agora os cientistas têm um desafio que ainda deve tomar cerca de 20 a 25 anos de estudos até que a tecnologia seja aplicada com sucesso em seres humanos. Para isso, os pesquisadores terão de provavelmente identificar células-tronco adultas que possam reconstituir o tecido pulmonar sem provocar a reação do sistema imunológico, maior problema que ameaça a recuperação de pacientes que passam por um transplante.
Microchip
Outro estudo divulgado pela Science e que traz esperanças às pessoas que sofrem de problemas pulmonares foi desenvolvido por uma equipe da Universidade de Harvard, também nos Estados Unidos. A pesquisa desenvolveu um dispositivo do tamanho de uma ervilha que funciona como os alvéolos (sacos de ar do pulmão, que transferem oxigênio para o sangue por meio de uma membrana). O equipamento tem três partes — células pulmonares, membrana permeável e um pequeno vaso sanguíneo ou células capilares. Tudo fica montado num microchip. Em um teste, o grupo colocou uma bactéria no alvéolo, e provou que células sanguíneas poderiam invadi-lo para combater a infecção, como numa reação imunológica normal. No entanto, os cientistas, liderados por Donald Ingber, ainda não conseguiram promover trocas gasosas, função essencial dos alvéolos e do pulmão como um todo.
Os dois estudos mostram o avanço das pesquisas que buscam desenvolver tecidos artificiais, que combinam materiais sintéticos e células humanas para funcionarem como órgãos naturais. As pesquisas também buscam uma solução para problemas que a medicina ainda encontra grandes dificuldades de contornar. Segundo a Science, apenas entre 10% e 20% dos pacientes que passam por um transplante de pulmão apresentam uma sobrevida superior a 10 anos. Esse índice nos casos de transplantes de coração é de 50%.

Como evitar as crises de asma no inverno

17 de julho de 2010 1

A queda de temperatura e os dias mais secos contribuem para o aumento das crises de asma, principalmente entre as crianças. Outro agravante para a incidência da doença nesta época do ano é o descaso em relação à prevenção, que exige conhecimento das causas da doença por parte do paciente e a continuidade do tratamento durante o ano todo, a fim de evitar as crises.
Por se tratar de uma enfermidade de tratamento fácil, na maioria das vezes, as preocupações do asmático com sua saúde só ganham importância quando a falta de ar já está instalada. Especialistas reforçam que a crise é apenas o auge do problema, a ponta do iceberg. O paciente tem a doença 100% do tempo, o que torna o tratamento continuado de extrema importância.
Bernardo Kiertsman, pneumologista pediátrico e professor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, explica que as doenças respiratórias são frequentes todo o ano, sendo mais incidentes no outono e no inverno.
— Nesta época, é comum usarmos roupas mais pesadas e que, na maioria das vezes, estão guardadas há muito tempo. O acúmulo de pessoas em ambientes fechados e mal ventilados se torna mais frequente e contribui para que os asmáticos fiquem mais suscetíveis às crises — destaca o médico.
O ar frio, irritante para a mucosa respiratória e possível causador do fechamento dos brônquios nos asmáticos, associado ao maior tempo dentro de ambientes fechados devido à temperatura mais baixa, a presença de poeira, ácaros e outras substâncias alergênicas e a maior ocorrência de resfriados e gripes, acaba formando um cenário ideal para a piora dos sintomas e a ocorrência das crises. As frentes frias propiciam o acúmulo de poluentes sobre as cidades e costumam prejudicar ainda mais os asmáticos.
Tratamento e controle
O tratamento da asma tem três pilares: ação educativa do paciente e seus familiares para controle da doença, higiene do ambiente e tratamento farmacológico de manutenção e da crise. Entre os medicamentos mais indicados, estão os broncodilatadores de ação imediata. Recomendados para o tratamento da crise aguda de asma, eles podem ser utilizados por inalação, sob a forma de spray (bombinhas), ou via nebulização. Em casos mais severos, é necessária a utilização de anti-inflamatórios por via oral ou endovenosa, por um curto período.
— Atualmente, temos dado preferência aos sprays pela sua praticidade, duração menor da aplicação, menores doses e, consequentemente, menor custo, para obter o mesmo efeito clínico necessário — explica Kiertsman.
Há medidas domiciliares que podem auxiliar a pessoa que tem asma a evitar as crises ao longo do ano.
— É possível ter uma boa resposta com procedimentos domésticos, tais como usar umidificadores de ar, limpar a casa com pano úmido, não levantar poeira com espanador ou vassoura, evitar odores fortes, animais de sangue quente, plantas e, principalmente, contato com fumaça de cigarro, além de realizar a manutenção correta do ar-condicionado — recomenda.
A asma não tem cura. O asmático deve ser submetido a um tratamento contínuo para manter a doença sob controle.
A finalidade do tratamento preventivo é diminuir o número de crises, aumentar o espaço entre elas e que, caso ocorram, sejam facilmente reversíveis, sem a necessidade de procurar um pronto atendimento. Esse controle deve ocorrer com o menor número de medicamentos e na menor dose — explica o especialista.
E completa:
— O desafio é conseguir que o asmático possa ter uma qualidade de vida normal ou muito próxima da normalidade.

Distúrbio do sono na infância traz prejuízos na vida adulta

17 de julho de 2010 0

Deitar sempre à mesma hora, falar pouco e não se agitar durante a noite, não ter pesadelos, dormir o número de horas suficiente para cada idade, acordar sozinho, recuperado e bem disposto para um dia de mais atividades. Será que todas as crianças conseguem isso? De acordo com o pediatra e homeopata Yechiel Moises Chencinski, sempre que houver uma alteração nessa dinâmica, o resultado pode não ser satisfatório. Começar um dia após uma noite mal dormida ou mesmo em claro costuma trazer problemas:
— Não só para a criança, mas para todos nós, um dia produtivo só pode começar após uma boa noite de sono. Nossas baterias, muito exigidas durante o período de atividade, são recarregadas durante a noite e, para isso, é fundamental que esse período seja vivenciado com uma diminuição da atividade metabólica. Assim, podemos carregar nossas baterias sem gastá-las ao mesmo tempo.
Para Chencinski, competitividade, cobranças, obrigações, muitas atividades extracurriculares, ambiente familiar conturbado ou até mesmo doenças próprias da infância — como febres e resfriados, por exemplo —, são fatores que podem interferir no sono das crianças.
— Naquelas um pouco maiores, distúrbios emocionais, inclusive ansiedade e depressão, que são mais comuns do que se imagina, também podem interferir no adormecer e na qualidade do sono — salienta.
Não há como medir o tamanho dos prejuízos. Os problemas vão desde queda de atenção e rendimento escolar, alterações na alimentação, no humor, até danos ao desenvolvimento — isso porque o GH (hormônio do crescimento) tem maior liberação na fase do sono.
— Se a criança tem dificuldades à noite, essa liberação pode ser prejudicada — explica o especialista. Ele aponta que os distúrbios podem aparecer na infância e se manter na fase adulta. Insônia, distúrbio de atenção, mudanças de humor e outras alterações como obesidade, por exemplo, podem ter origem na infância.
Como tratar
— O ideal não é tratar as crianças com problemas, mas sim criar condições para que essas crianças consigam ter um ritmo e uma rotina adequados para a idade — comenta Chencinski. — As rotinas devem ser estabelecidas desde os primeiros meses de idade, com limites tanto nos horários para ir para cama à noite quanto para acordar de manhã.
No caso de crianças, é comum a indicação de medicamentos homeopáticos ou fitoterápicos para o tratamento de distúrbios do sono, estresse e ansiedade em crianças, pois são de fácil acesso e não apresentam contraindicações nem efeitos colaterais.
Quantas horas crianças e adolescentes devem dormir por dia
Recém-nascido: 16 a 18 horas por dia 
2 a 6 meses: 14 a 16 horas por dia (destas, 5 horas de sono diurno) 
6 a 12 meses: 12 a 14 horas por dia (destas, 3 horas de sono diurno) 
1 a 6 anos: 10 a 12 horas por noite
Até os 2 anos: 2 sonos diurnos de 1 hora cada
Dos 2 aos 3 anos: 1 sono diário de 1 hora
Acima dos 3 anos: não há necessidade de sono diurno 
Acima de 6 anos: 8 a 10 horas por noite 
Adolescentes: 8 a 9 horas por noite

Autoridades americanas veem avanços significativos em vacina contra a aids

15 de julho de 2010 0

Depois de décadas de esforços para criar uma vacina contra a aids, as autoridades de saúde americanas começam a ver "avanços significativos" neste sentido, declarou Anthony Fauci, diretor do Instituto de Doenças Infecciosas.
— Até poucos anos atrás, apesar de termos buscado uma vacina por duas décadas sem êxito, não tínhamos nem a mínima ideia se estávamos na direção certa — disse Fauci.
Mas dois avanços científicos de grande importância ocorridos nos últimos anos geraram "um avanço significativo no desenvolvimento da vacina", considerou o diretor do Instituto Nacional para Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID). O primeiro desses avanços significativos foi o teste clínico realizado no ano passado na Tailândia com um grupo de 16 mil pessoas.
— Os resultados mostraram um pequeno e modesto efeito positivo, que não foi bom o suficiente para distribuir uma vacina, mas bom o suficiente para considerá-lo um avanço conceitual que, pelo menos, nos fez pensar que a vacina é possível — explicou Fauci.
O segundo avanço foi registrado na semana passada quando cientistas do NIAID publicaram um artigo na revista Science sobre pesquisas que contribuíram para identificar anticorpos em um indivíduo infectado pelo vírus da aids que foram utilizados para bloquear a doença.
— Isto mostra que é possível identificar uma parte do vírus que pode ser utilizada como vacina, porque sabemos que, quando os anticorpos entram em contato com essa parte, destroem o vírus — disse.
A próxima etapa consistirá em tentar injetar essa parte do vírus em um indivíduo para produzir uma resposta imunológica contra a infecção, acrescentou Fauci.
O mais provável é que a vacina leve vários anos para estar pronta, o que significa que a luta contra a doença terá de permanecer centrada em políticas de prevenção como a distribuição de preservativos e os tratamentos para bloquear a transmissão entre a mãe e o feto, considerou Fauci.

TV pode dificultar a concentração

10 de julho de 2010 0

Longo período em frente à TV, seja surfando pelos canais ou jogando videogame, pode dificultar a concentração de crianças na escola, afirmaram psicólogos do Laboratório de Pesquisa de Mídia, da Universidade de Iowa, em estudo publicado na revista Pediatrics.
Enquanto os pesquisadores continuam divididos sobre a questão, os resultados estão de acordo com os últimos trabalhos que analisaram os efeitos da TV sobre crianças, disseram eles.
_ O que nós não sabemos neste momento é por qual motivo a TV e o videogame causam problemas de atenção _ disse Douglas Gentile, que trabalhou no estudo.
Gentile acrescentou que o tempo de exposição em frente à tela também pode ser associado ao aumento da agressividade e ao aumento de peso.
Os pesquisadores acompanharam um grupo de mais de 1,3 mil crianças em idade escolar, que, assistido por seus pais, registraram o tempo em frente à TV e jogando videogame ao longo de um ano. Eles, então, pediram que os professores respondessem a perguntas sobre como as crianças se comportavam na escola _ se elas tinham dificuldade de se concentrar em tarefas, por exemplo, ou se distraiam-se com frequência.
As crianças que passaram mais de duas horas por dia na frente da tela _ o limite recomendado pela Academia Americana de Pediatria _ aumentaram suas chances de ultrapassar o nível médio de problemas de atenção em 67%.
Os casos extremos de dificuldade de atenção, por vezes, levam a um diagnóstico de TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade). Entre 3% e 7% das crianças em idade escolar sofrem do problema. No entanto, os pesquisadores não diagnosticaram nenhuma criança com essa condição.
Miriam Mulsow, um especialista em TDAH da Universidade de Tecnologia do Texas, que não foi envolvida no estudo, disse que não acha que a TV ou os jogos de videogame possam causar problemas de atenção ou o transtorno. No entanto, acrescentou que, "se uma criança tem tendência a desenvolver problemas de atenção, horas seguidas em frente à TV e a falta de exercícios podem agravar o quadro."
Ela disse que concorda que uma criança não deve assistir mais de duas horas de TV por dia.
_ Eu mesma não permito que meus filhos assistam por mais do que esse período _ disse ela.

Sinais dos riscos de doenças mentais

10 de julho de 2010 0

Cientistas britânicos acreditam ter encontrado padrões específicos de atividade cerebral em crianças e jovens que podem ser sinais ou "marcadores" do futuro aparecimento de doenças mentais como a esquizofrenia.
Pesquisadores da Universidade de Nottingham, que apresentaram um estudo no Fórum Europeu de Neurociência, em Amsterdã, disseram que os padrões sugerem que, no futuro, seria possível identificar pessoas com risco de ficar doentes antes que os sintomas se desenvolvam.
_ Se conseguirmos detectar as pessoas que estão em risco particularmente elevado de desenvolver esquizofrenia, talvez usando marcadores neurocognitivos, poderíamos reduzir esse risco e ajudá-las a funcionar melhor _ disse a médica Maddie Groom, que trabalhou no estudo.
Centenas de milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de doenças mentais, neurológicas e de atitudes, como esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), depressão, epilepsia e demência.
Muitas das pessoas que desenvolvem esse tipo de problemas têm antecedentes de comportamento que remontam à infância, mas especialistas dizem que nessa fase é muito difícil detectá-los, pois as diferenças são muito sutis.

Como foi feita a pesquisa

Em um estudo, a médica Maddie Groom e sua equipe investigaram crianças saudáveis de pessoas com esquizofrenia que tinham um risco levemente maior de desenvolver a doença em comparação com população em geral.
Utilizando imagens do cérebro para ler os níveis atividade, os cientistas pediram que as crianças usassem um jogo computador no qual deveriam responder rapidamente ou relutar a reagir.
_ Ao medir a atividade cerebral de filhos de pessoas com esquizofrenia, ela diminuiu no momento em que as crianças deveriam prestar atenção ao estímulo e quando deveriam inibir sua resposta _ explicou Maddie.
Isso, segundo ela, sugeriu que as diferenças sutis poderiam funcionar como um marcador de risco da doença.
Em um segundo estudo, os pesquisadores compararam a atividade cerebral das crianças com TDAH, um distúrbio mental que afeta de 8% a 12% das crianças e 4% dos adultos em todo o mundo.
Os pesquisadores mostraram-lhes o mesmo jogo de reações rápidas em várias situações, inclusive quando as crianças estavam tomando medicação, e, quando não, usaram um sistema adicional de recompensas e punições.
Os resultados mostraram que crianças que tomam a medicação e as que receberam incentivos tiveram melhor desempenho do que aquelas que não tomam remédio e não obtinham nenhuma recompensa.
De acordo com Maddie, isso sugere que os médicos poderiam encontrar novas alternativas para tratar crianças com TDAH, utilizando uma combinação de estratégias comportamentais e medicamentos.

Soro combaterá veneno de abelha

10 de julho de 2010 0

O Instituto Butantan produziu pela primeira vez um soro contra o veneno de abelhas. É uma descoberta importante porque, só neste ano, três pessoas morreram apenas no Estado de São Paulo por causa de ataques de abelhas. A última vítima foi um homem que morreu no dia 28 de junho em Tarumã, no interior de São Paulo, após levar mais de 300 picadas.
Esse novo soro precisa ser aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas é importante o passo que foi dado. A bióloga Keity Souza diz que todos os testes tiveram uma resposta satisfatória para neutralizar o veneno de abelha.
_ O que a gente faz agora é pegar todos esses testes com os resultados, mandar para a Anvisa, e eles vão avaliar se os testes foram suficientes para esse soro ser aprovado _ diz.
É importante ressaltar, no entanto, que o soro não resolve casos de alergia à picada da abelha. Leia mais »