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Posts de novembro 2010

Evite o cafezinho durante a TPM

27 de novembro de 2010 0



A tensão pré-menstrual é um conjunto de sintomas físicos e comportamentais causados por alterações hormonais no período que antecede a menstruação, alterando significativamente a vida da mulher. É comum ocorrer irritabilidade, ansiedade, mau humor, indisposição, tensão nervosa, depressão, dores de cabeça e retenção de líquidos.
Com a chegada do verão, a preocupação feminina de entrar em forma até o final da temporada aumenta. Porém, quando chega a TPM, muitas vezes, as mulheres acabam ficando inchadas, problema que pode se intensificar com a alta temperatura.
A nutricionista Audrey Abe dá algumas dicas :
— A baixa serotonina, substância que traz sensação de bem-estar e prazer, pode ser controlada com o consumo de alimentos ricos em vitamina B6, magnésio e ácido fólico. Essas substâncias melhoram a disposição e controlam a oscilação de humor.
Verifique alimentos ricos em componentes benéficos para esse período:
— Vitamina B6: cereais, banana, leguminosas (soja, grão de bico, feijão, lentilha), oleaginosas (nozes, castanhas).
— Magnésio: vegetais folhosos escuros, cereais integrais, oleaginosas.
— Ácido fólico: vegetais folhosos escuros crus (rúcula, almeirão, escarola, couve).
— Triptofano: açaí, banana, damasco, cereais integrais.
Dicas
Diminua o consumo de sal e evite alimentos e produtos industrializados que contêm conservantes, a fim de controlar a retenção de líquido. Vale também aumentar o consumo de alimentos diuréticos como alface, pepino, aipo, alcachofra, salsinha, melancia, tomate, melão, morango e abacaxi. Beba bastante água.
A cafeína deve ser evitada, pois estimula o sistema nervoso central, piorando a irritação, o nervosismo e as dores de cabeça. Diminua também o consumo de chá preto e refrigerantes.
— Apesar da vontade de comer doces, controle-se para não exagerar depois que a TPM passar.
Inclua en sua rotina alguma atividade física que lhe  agrade (corrida, musculação, pilates, ioga, natação, hidroginástica ou caminhada) para estimular a liberação de endorfina, amenizando os sintomas.

Saiba mais sobre a distonia

27 de novembro de 2010 0

Movimentos bruscos e involuntários dos membros, espasmos no pescoço e nos braços, tremores nas mãos e piscadas repetidas dos olhos. Essas são algumas das reações que, diariamente, acompanham a vida de mais de meio milhão de pessoas com distonia no país.
A distonia é uma doença neurológica que produz contrações musculares involuntárias em determinadas regiões do corpo. A semelhança nos sintomas faz com que o problema seja confundido com o popular "tique nervoso", manifestação semi-involuntária em que a pessoa consegue controlar o gesto.
O neurologista Flávio Sekeff Sallem, do Hospital das Clínicas de São Paulo, esclarece as principais dúvidas sobre o tema.
— A distonia pode estar associada ao transtorno obsessivo-compulsivo (TOC )?
Essas são duas condições relativamente comuns e podem ocorrer em um mesmo paciente, sem necessariamente haver relação entre elas. Mas, em casos de TOC, o paciente que recebe medicações psiquiátricas pode apresentar quadros de distonia, autolimitados (distonias agudas) ou crônicos (distonia tardia).
— O problema atinge somente as mulheres?
Não. Atinge pessoas de todos os sexos, idades, classes sociais e raças.
— Se a doença não for tratada, pode prejudicar atividades simples do dia a dia como andar, dirigir, escovar os dentes e se alimentar?
Há casos em que, desde o começo, já existe prejuízo nas atividades diárias. Em outros, o quadro pode ser benigno, não levando a grandes prejuízos, mesmo quando não tratados. Há ainda situações em que doença evolui para grandes perdas funcionais.
_ Tem cura?
Sendo uma doença de múltiplas causas, a maior parte é incurável, dependendo da causa apresentada. As distonias causadas por medicações podem desaparecer sozinhas ou com o uso de remédios apropriados. Já a distonia que acompanha casos de paralisia cerebral não tem cura. Distonias pós-derrames cerebrais ou secundárias, as lesões cerebrais variadas podem raramente melhorar sozinhas. As distonias primárias, ou seja, sem causa definida e sem lesão cerebral ou medular, raramente podem melhorar ou mesmo desaparecer sozinhas ou com o uso de medicações, como a toxina botulínica.
— Não existem tratamentos para controlar a distonia?
Há vários tratamentos, clínicos e cirúrgicos. O clínico mais importante, dependendo também da extensão (quantidade de membros ou músculos acometidos), é a toxina botulínica tipo A para tratar a distonia focal (de um segmento isolado do corpo, como o blefaroespasmo ou a distonia cervical). É considerada a medicação "padrão ouro" para o tratamento das distonias. Sua ação é sobre a placa motora, onde o nervo encontra o músculo, bloqueando a liberação de um neurotransmissor chamado acetilcolina, levando a enfraquecimento muscular temporário.
— A doença impossibilita a pessoa de trabalhar?
Em alguns casos, sim, como nas distonias generalizadas. Em outros, pacientes não só trabalham como praticam esportes.
— É um problema hereditário?
Alguns casos sim, mas a maior parte é primária, sem história familiar, ou secundária a medicações ou lesões cerebrais.

O Amor em Tempos de Aids

24 de novembro de 2010 0

Para marcar o Dia Mundial da Luta contra a Aids, o canal a cabo Discovery Home & Health exibe no próximo domingo, às 23h, o documentário O Amor em Tempos de Aids (Love in a Time of HIV). Jovens revelam como contraíram o HIV e de que forma lidam com a doença, destacando o impacto provocado em seus relacionamentos.

O casal Andrew e Michelle (foto) — ele é portador do vírus, ela não — dá seu depoimento. O documentário pretende alertar para comportamentos de risco da nova geração como fazer sexo com múltiplos parceiros.

Cuidados na praia e na piscina

20 de novembro de 2010 0

Com a proximidade do verão e dos tradicionais meses de férias, é preciso tomar alguns cuidados com a pele e os olhos em praias e piscinas. O médico Guilherme Maia ressalta que, nessa época do ano, a ocorrência de micose aumenta, principalmente em locais em que não se exige exame médico.
— Frequentadores de clubes, hotéis e academias devem usar chinelos até nos vestiários, enquanto tomam uma ducha. Todos devem secar muito bem as áreas entre os dedos dos pés e a virilha após o banho — recomenda.
Nas praias, o grande problema de pele é o bicho geográfico. Areias frequentadas por cães têm grande potencial de contaminação. Nesse caso, a educação da população é uma forte aliada da saúde.
Evitar andar descalço na praia, não entrar no mar quando há indicações de estar impróprio para banho e limitar a exposição ao sol aos horários saudáveis (até 10h e depois das 16h), sempre com proteção, são medidas importantes para aproveitar todo o verão sem problemas.
Na opinião do oftalmologista Renato Neves, piscinas sem tratamento, com excesso de cloro, sujeira, ou mesmo lotadas, oferecem grande risco. Praias consideradas impróprias para banho são um risco para os olhos.
Neves ressalta que a conjuntivite é um problema frequente na próxima estação:
— Além do calor, o uso compartilhado de piscinas, ou mesmo de toalhas e roupas, costuma desencadear infecções oculares.
De acordo com o médico, tanto na conjuntivite viral quanto na bacteriana, o paciente apresenta olho avermelhado, sensação de irritação e excesso de lágrimas.
— A conjuntivite causada por bactéria, entretanto, provoca uma secreção amarelada, e é comum o paciente acordar com os olhos "colados". O tratamento costuma durar uma semana, com colírio de antibiótico. Já no caso da conjuntivite viral, os sintomas são tratados com colírios lubrificantes e anti-inflamatórios, além de compressas geladas.

Olhos refletem saúde do corpo

20 de novembro de 2010 0

Consultas de rotina ao oftalmologista têm revelado problemas que vão além da saúde ocular. Deve-se evitar o diagnóstico tardio de problemas que podem ser tratados com sucesso em sua fase inicial por meio da integração de especialistas de áreas diversas da medicina. Uma das regiões oculares que mais ajudam nesse diagnóstico amplificado é a retina, onde as imagens captadas pelo olho são formadas.
— Por ser bastante vascularizada, essa região ocular permite o acompanhamento e o diagnóstico de doenças tratadas por especialistas da pediatria, da neurologia, da cardiologia e da endocrinologia, entre outros. O exame de fundo de olho é fundamental nesse processo — explica o especialista em retina Sérgio Kniggendorf.
Oncologia
Por possuir muitos vasos sanguíneos, o olho tem uma incidência alta de metástases.
— Já tive pacientes que foram diagnosticados com tumores intraoculares nos quais depois foi descoberto que a origem era intracraniana ou um câncer de mama. Não é muito comum, mas também não é extremamente raro. Às vezes, os pacientes aparecem se queixando de uma baixa visão, e você descobre que se trata de uma metástase de outro local — alerta Kniggendorf.
Endocrinologia
O órgão mais afetado pelo diabetes, por exemplo, é o olho. Segundo Kniggendorf, essa é a razão por que a comunicação entre o oftalmologista e o endocrinologista é essencial para o sucesso do tratamento do paciente diabético. As informações da situação dos vasos sanguíneos intraoculares, bem como a evolução do estado de visão do portador de diabetes, são fundamentais para o endocrinologista, na mesma proporção que o oftalmologista precisa das informações sobre o controle clínico desse paciente. Kniggendorf explica que o estado visual é diretamente relacionado ao controle de glicemia.
— Se o paciente não estiver com a glicemia controlada, ele pode até perder a visão por causa da retinopatia diabética — alerta o médico.
A retinopatia diabética é uma doença progressiva que acomete a retina e pode levar à cegueira quando não tratada. Não tem cura, só controle. É considerada, pela Organização Mundial da Saúde, como a maior causa de cegueira prevenível. Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o diabético tem quase 30 vezes mais chances de desenvolver cegueira do que um não diabético. Ainda segundo o CBO, cerca de 6,1% dos brasileiros são diabéticos, e a metade deve desenvolver retinopatia diabética.
Cardiologia
Os exames oftalmológicos também permitem acompanhar a pressão arterial.
— O exame de fundo de olho dá muita informação para o cardiologista sobre como estão os vasos sanguíneos, se estão esclerosados, estreitados ou tortuosos. Percebe-se quando o paciente controla ou não a pressão arterial — conta o oftalmologista.
Outra relação da cardiologia com a oftalmologia está no tratamento do glaucoma. Para o especialista em glaucoma Juscelino de Oliveira, há muita confusão na relação entre pressão arterial e pressão intraocular, relacionada com o desenvolvimento da doença.
— Muitos pacientes hipertensos procuram oftalmologistas com medo de desenvolver o glaucoma. A pressão alta, por si só, não significa que o paciente está com glaucoma. A doença está relacionada à pressão intraocular inadequada, causada pela diferença entre o volume do humor aquoso (líquido ocular) produzido e escoado nos olhos. Quando há desequilíbrio entre o que é produzido e o que é escoado, ocorre o glaucoma. Para avaliar risco de desenvolver a doença, o oftalmologista reúne uma série de exames e informações — explica Oliveira.
Hematologia
Por meio do exame de fundo de olho, é possível visualizar os vasos sanguíneos diretamente. Assim, obtém-se muita informação, e várias doenças hematológicas podem ser diagnosticas e acompanhadas.
— A anemia falciforme, por exemplo, que é uma doença que causa a má-formação das hemácias, traz uma série de obstruções vasculares. Com isso, a periferia da retina apresenta hemorragias ou oclusões vasculares — observa Kniggendorf.
Neurologia
O especialista em retina Sérgio Kniggendorf lembra ainda que outra área médica constantemente ligada à oftalmologia é a neurologia.
— Como o oftalmologista consegue ter uma visualização direta do nervo óptico, sem precisar fazer uma invasão no organismo, com muita frequência recebemos pacientes com queixa de baixa visão, os quais, na verdade, apresentam problemas neurológicos como tumores intracranianos, AVC, isquemias ou hemorragias que passam despercebidas — conta.
Pediatria
A oftalmopediatra Dorotéia Matsuura explica que os principais problemas oculares detectados em crianças são a ambliopia (olho preguiçoso) e o estrabismo (desalinhamento dos olhos). A especialista ressalta a importância do encaminhamento, pelo pediatra ao oftalmologista, das crianças diante do menor sinal de desalinhamento dos olhos.
— A partir dos dois meses, a criança que apresentar o menor sinal de estrabismo já deve ser encaminhada ao oftalmologista. Quanto mais cedo tratar, mais efetivos serão os resultados. O olho humano adquire sua forma definitiva aos sete anos — explica.
Dermatologia
Alguns medicamentos para acne podem causar ressecamento das mucosas, principalmente do olho. Outra doença de pele que traz sinais nos olhos é o pseudoxantoma elástico (síndrome de Gronblad-Strandberg), que afeta a elasticidade da pele.
— A área do pescoço, das axilas e da virilha se torna espessa, enrugada, não flexível e frouxa. Surgem então pequenas proeminências duras e amareladas parecidas com pele de galinha. Nos olhos, essa doença pode provocar estrias na retina e levar a lesões na mácula, parte nobre da retina e da estrutura do olho humano — explica Kniggendorf.

Evite lesões em caminhadas

16 de novembro de 2010 0

Das práticas mais comuns entre quem procura manter uma atividade física regular, a caminhada requer alguns cuidados para que não acarrete problemas físicos. Rodrigo Arbo, ortopedista e traumatologista, diz ser essencial ao praticante utilizar tênis com sistema de amortecimento. Dependendo do peso da pessoa, alguns calçados são mais adequados do que outros.
— Há tênis com amortecimento em toda a extensão, e estes são os mais apropriados para evitar lesões nos tornozelos e nos joelhos. Porém, é fundamental solicitar auxílio a um especialista no assunto e consultar um médico antes de iniciar qualquer atividade física — destaca Arbo.
Os riscos aumentam quando a caminhada é praticada em calçamento, onde a rigidez do solo exige mais do corpo. Outro desafio é evitar as irregularidades da calçada, propícias para entorses. Pisos como areia e terra oferecem menos impacto em relação à calçada, e as condições ficam ainda melhores quando a caminhada é feita em esteira.
— A tecnologia do sistema de amortecimento da esteira conta com uma zona emborrachada e amortecedores para reduzir o impacto das passadas — explica o médico.
Outro cuidado para evitar lesões é fazer um aquecimento antes de iniciar os exercícios, e isto não significa que tenha de ser alongamentos. Conforme Arbo, o alongamento é essencial após a caminhada.
— O risco de lesão por causa de um alongamento exagerado, feito antes da caminhada, é muito maior que depois da prática do exercício. Como o corpo está frio e com pouca flexibilidade, um movimento brusco pode ocasionar lesão. Porém, após os exercícios, o corpo já está aquecido, e as chances diminuem — explica.

Unhas ajudam a identificar doenças

16 de novembro de 2010 0

Crianças estrábicas deve ter acompanhamento constante

16 de novembro de 2010 0

Estudo da Mayo Clinic (Estados Unidos) recentemente divulgado no American Journal of Ophthalmology revela que 90% das crianças que sofrem de exotropia intermitente serão míopes por volta dos 20 anos. Na exotropia intermitente, os olhos se voltam para os cantos externos quando a criança tenta focar um objeto. Trata-se de um tipo de estrabismo menos frequente do que a esotropia, quando os olhos se voltam para dentro.
O estudo norte-americano recomenda que as crianças com exotropia intermitente façam um acompanhamento rígido com um oftalmologista, por duas razões: correção do desalinhamento dos olhos e diagnóstico e correção de miopia na adolescência. Cerca de 7,4% das crianças com essa condição desenvolvem miopia por volta dos cinco anos de idade, enquanto 46,5% desenvolvem próximo dos 10 anos e 91,1%, na faixa dos 20 anos.
De acordo com o oftalmologista Renato Neves, o estrabismo ocorre quando o cérebro não consegue alinhar os olhos apropriadamente. Como resultado, um olho pode apontar para dentro, para fora, para cima ou para baixo, fazendo com que duas imagens distintas sejam enviadas para o cérebro.
— Como o cérebro não consegue fundir duas imagens tão distintas entre si, a criança passa a ter visão dupla. A solução encontrada pelo cérebro, então, é suprimir a imagem capturada pelo olho problemático. Ou seja, a criança passará a usar apenas um olho para enxergar.
Neves diz que o olho fraco deve receber uma imagem nítida e ser forçado a funcionar como visão principal, a fim de corrigir a disfunção.
Normalmente, costuma-se usar um tampão no olho sadio por alguns períodos, obrigando o olho fraco a reagir e a funcionar adequadamente. Por fim, há situações que exigem cirurgia de alinhamento dos olhos ou retirada de opacidades nos meios ópticos da córnea e do cristalino (catarata).
É imperativo que os pais da criança portadora de qualquer tipo de estrabismo entendam claramente quais são as opções de tratamento, escolhendo a terapia mais adequada e dando todo incentivo e suporte durante a fase mais crítica da correção.
— Os ganhos são permanentes, uma vez que o cérebro passa a fundir as imagens, garantindo a binocularidade e a acuidade visual. O primeiro exame oftalmológico da criança deve ocorrer logo ao nascimento, devendo ser repetido aos dois, quatro e seis anos de idade, em princípio — alerta o especialista.

Crianças estrábicas deve ter acompanhamento constante

16 de novembro de 2010 0

Estudo da Mayo Clinic (Estados Unidos) recentemente divulgado no American Journal of Ophthalmology revela que 90% das crianças que sofrem de exotropia intermitente serão míopes por volta dos 20 anos de idade. Na exotropia intermitente, os olhos se voltam para os cantos externos quando a criança tenta focar um objeto. Trata-se de um tipo de estrabismo menos frequente do que a esotropia, quando os olhos se voltam para dentro.
O estudo norte-americano recomenda que as crianças com exotropia intermitente façam um acompanhamento rígido com um oftalmologista, por duas razões: correção do desalinhamento dos olhos e diagnóstico e correção de miopia na adolescência. Cerca de 7,4% das crianças com essa condição desenvolvem miopia por volta dos cinco anos de idade, enquanto 46,5% desenvolvem próximo dos 10 anos e 91,1%, na faixa dos 20 anos.
De acordo com o oftalmologista Renato Neves, o estrabismo ocorre quando o cérebro não consegue alinhar os olhos apropriadamente. Como resultado, um olho pode apontar para dentro, para fora, para cima ou para baixo, fazendo com que duas imagens distintas sejam enviadas para o cérebro.
— Como o cérebro não consegue fundir duas imagens tão distintas entre si, a criança passa a ter visão dupla. A solução encontrada pelo cérebro, então, é suprimir a imagem capturada pelo olho problemático. Ou seja, a criança passará a usar apenas um olho para enxergar.
Neves diz que o olho fraco deve receber uma imagem nítida e ser forçado a funcionar como visão principal, a fim de corrigir a disfunção.
— Normalmente, costuma-se usar um tampão no olho sadio por alguns períodos, obrigando o olho fraco a reagir e a funcionar adequadamente. Por fim, há situações que exigem cirurgia de alinhamento dos olhos ou retirada de opacidades nos meios ópticos da córnea e do cristalino (catarata).
É imperativo que os pais da criança portadora de qualquer tipo de estrabismo entendam claramente quais são as opções de tratamento, escolhendo a terapia mais adequada e dando todo incentivo e suporte durante a fase mais crítica da correção.
— Os ganhos são permanentes, uma vez que o cérebro passa a fundir as imagens, garantindo a binocularidade e a acuidade visual. O primeiro exame oftalmológico da criança deve ocorrer logo ao nascimento, devendo ser repetido aos dois, quatro e seis anos de idade, em princípio — alerta o especialista.

Antídoto para o veneno de abelha

16 de novembro de 2010 0

Correio Braziliense
Márcia Neri
Um século após a descoberta da especificidade dos soros antiofídicos pelo sanitarista Vital Brazil, que são responsáveis por evitar a morte de milhares de vítimas picadas por serpentes nos quatro cantos do planeta, o Brasil continua referência em imunologia. Cientistas brasileiros desenvolveram e produziram o primeiro soro contra veneno de abelhas do mundo. Depois dos testes em voluntários, o produto deve chegar aos hospitais em um ano.
O soro, desenvolvido a partir de uma parceria entre o Instituto Butantan, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), poderá salvar pacientes atacados por enxames. Testes feitos em laboratório provaram que o antídoto neutraliza 90% dos danos à saúde causados pelas ferroadas das abelhas africanizadas, espécie mais comum nas Américas. A novidade chegou em um momento importante.
Em todo o Brasil, os casos de ataques (acima de 50 picadas) e de feridos com risco de morte vêm crescendo e já preocupam o Ministério da Saúde. Dados revelam que em 2008 foram registradas 13 mortes decorrentes de acidentes com abelhas. Em 2009, o número saltou para 50. As serpentes, animais peçonhentos que mais matam, fizeram 106 vítimas no ano passado. Ao contrário do que se imagina, a maioria das investidas dos enxames ocorre na zona urbana. Em 63% dos casos notificados, a vítima é do sexo masculino, com idade que varia de 20 a 49 anos.
A bióloga Keity Souza Santos, responsável pela pesquisa, explica que cientistas de todo o mundo perseguiam o desenvolvimento do soro contra o veneno de abelhas há mais de uma década. Segundo ela, a complexidade da substância venenosa produzida pelos insetos voadores exigiu uma investigação detalhada da composição e do mecanismo de ação da peçonha.
_ O veneno em si é conhecido há muito tempo. O desafio foi identificar todas as proteínas presentes no composto, uma mistura com mais de 100 componentes. A partir daí, foi possível trabalhar para conseguirmos um soro que neutralizasse o máximo de propriedades tóxicas _ explica Keity.
O protocolo desenvolvido por Keity _ método usado para a obtenção do soro _ já está patenteado. Até agora foram produzidos 80 litros do medicamento. Os cientistas trabalham no terceiro lote do antídoto. Os resultados dos testes do produto serão enviados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão responsável por validar as provas em laboratório e autorizar o uso em seres humanos. Isto só ocorre depois de a agência testar três lotes do produto.
O processo de produção do soro antiveneno de abelhas é similar ao do antiofídico. Após a identificação das proteínas, o veneno é injetado em cavalos. Os animais desenvolvem anticorpos, que são as moléculas capazes de neutralizar a substância venenosa.
_ Quando o teor de anticorpos atinge o nível desejado, retiramos o sangue do animal para a extração do plasma. O soro é obtido a partir da purificação e da concentração desse plasma _ define Keity.
As hemácias são devolvidas ao animal por meio da plasmaferese, técnica que reduz os efeitos colaterais provocados pela retirada do sangue e que também foi desenvolvida no Butantan. O antídoto é aplicado na veia do paciente. Cerca de 20 mililitros trazem ao corpo os anticorpos capazes de neutralizar o veneno.
Dependendo da idade e do peso do indivíduo, 30 microgramas de veneno são suficientes para colocar a vida em risco. Cada abelha injeta até dois microgramas da substância no corpo da vítima. Além da dor, se a pessoa não for alérgica, uma ferroada não causará mal algum ao organismo.
_ O soro é destinado apenas a indivíduos atacados por um enxame. Nesse caso, a quantidade de veneno é suficiente para lesar rins, fígado e coração, podendo causar a falência múltipla dos órgãos. Atualmente, os acidentados ainda são tratados com drogas e terapias que variam de analgésicos a hemodiálise _ acrescenta a pesquisadora.