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Posts de janeiro 2011

Nova técnica impede que HIV se multiplique

29 de janeiro de 2011 0

Uma nova técnica desenvolvida por pesquisadores americanos para combater a multiplicação das células infectadas pelo HIV demonstrou ser promissora no controle do vírus em camundongos. Cientistas do Beckman Research Institute, nos Estados Unidos, conseguiram desenvolver em laboratório uma combinação de moléculas de RNA que, quando aplicadas no sangue dos camundongos, procuram e invadem as células infectadas pelo HIV, preservando as células saudáveis. Os resultados foram publicados pela revista Science.
A molécula combinada funciona como uma espécie de míssil guiado: ao localizar células doentes, ela se liga à cápsula que envolve o HIV e inicia um processo de degradação do vírus.
_ O RNA assume uma forma específica, que se une seletivamente à proteína da capa do vírus HIV _ afirmou o professor John J. Rossi, um dos autores do estudo.
Os pesquisadores deixaram os ratos imunodeprimidos, injetaram células humanas saudáveis e, depois, o HIV. Houve forte queda nas concentrações de HIV, indicando um bloqueio da multiplicação do vírus.
_ É a primeira vez que um grupo consegue realizar essa experiência em células vivas em um modelo animal _ diz o infectologista Esper Kallás, da Universidade de São Paulo (USP).
Para ele, os resultados podem servir para outras doenças:
_ Teoricamente, pode-se aplicar a técnica para qualquer outro vírus, até mesmo para algo relacionado ao câncer.

Pesquisa não vê relação entre anticoncepcional e ganho de peso

29 de janeiro de 2011 0

Uma pesquisa publicada no periódico científico Human Reproduction mostra que não houve relação entre o uso da pílula anticoncepcional por via oral e o ganho de peso em um grupo pesquisado. A análise, feita com dez fêmeas de macacos rhesus, que têm um mecanismo reprodutivo bastante similar ao humano, não conseguiu registrar ganho de peso entre os animais pesquisados. Pelo contrário, as fêmeas em geral perderam peso durante o tratamento.
A pesquisa, publicada em dezembro, concluiu que o maior ganho de peso durante o uso da pílula ocorria entre fêmeas obesas. O estudo lembra que, em geral, os seres humanos adultos tendem a ganhar peso com o passar dos anos.
_ Não é surpreendente que as mulheres geralmente culpem os contraceptivos orais pelo ganho de peso, já que eles podem ser a única medicação que as mulheres tomam consistentemente ao longo de sua vida reprodutiva. Apesar disso, a razão mais provável para o crescimento da gordura de mulheres em nossa população é uma combinação de fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida, que não têm nada a ver com o uso de anticoncepcionais orais _ afirma o estudo.
O estudo lembra que pesquisas anteriores realizadas em humanos não conseguiram determinar conclusivamente se as pílulas têm algum impacto no ganho de peso das mulheres, notando que em geral há poucas mulheres obesas nesses trabalhos _ as macacas obesas foram as que perderam mais peso nesse último estudo.
_Porém, há vários estudos com humanos com conclusões similares às nossas, demonstrando de leve à moderada perda de peso com o uso da pílula, afirma o trabalho, ou pelo menos não há ganho de peso.
A íntegra da pesquisa está disponível, em inglês, no seguinte endereço na internet: http://humrep.oxfordjournals.org/content/early/2010/12/01/humrep.deq335.full.pdf+html?sid=68640bf3-3139-494a-b7ce-d1f686498fbd

Termômetro para os pés

22 de janeiro de 2011 0

O cientista é movido pela curiosidade e passa a vida à procura de problemas para solucioná-los. Foi diante de mais um desafio que a dupla de professores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) João Francisco Justo Filho e Francisco Javier Ramirez Fernandez descobriu a palmilha "inteligente", capaz de regular a temperatura dos pés. A patente já foi depositada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) _ pode ser classificada como patente em julgamento _ e o protótipo está sendo construído em laboratório.
João Justo, bacharel e mestre em física pela USP, Ph.D. pelo Massachsetts Institute of Technology (MIT), revela que a ideia surgiu em 2007, quando esteve como professor visitante na University of Minnesota, em Minneapolis, nos Estados Unidos, e se deparou com um problema. Ele conta que a região norte dos EUA tem um inverno bastante rigoroso, com temperaturas chegando a cerca de 25 graus negativos de novembro a abril. Um dos grandes problemas do frio é caminhar, já que as calçadas são geladas e se sente muito frio na parte inferior dos pés.
A solução óbvia é usar sapato reforçado, com sola bastante grossa e isolante térmico. Mas o professor lembra que essa saída implica em outro obstáculo: nos ambientes interiores, o aquecimento deixa a temperatura perto de 25°C.
_ Assim, indo de um ambiente exterior para um interior, ou vice-versa, há variação de temperatura de aproximadamente 50°C _ explica.
Portanto, o sapato reforçado e isolante, conveniente para as áreas exteriores, é totalmente inconveniente para as interiores. O que as pessoas acabam fazendo é ter dois sapatos, um para cada tipo de ambiente.
_ Identificado o problema, foi a partir de conversas com o professor Javier que encontramos a solução proposta. Nossa invenção propõe uma solução única, ou seja, um sapato para as duas condições climáticas _ acrescenta João Justo.
Assim surgiu o termo palmilha "inteligente", usado porque o sistema desenvolvido identifica a temperatura exterior do sapato como fria ou quente e permite a refrigeração dos pés nas situações apropriadas. Justo destaca que, antes do depósito da patente no INPI, eles fizeram cuidadosa pesquisa nos bancos de patentes norte-americanos, europeus e japoneses. E não existe no mundo nenhuma solução parecida com a proposta dos professores.

Células
Para entender melhor, João Justo procura explicar o funcionamento da palmilha "inteligente" de forma bem didática:
_ A palmilha faz uso de um dispositivo eletrônico, chamado células de Peltier. Essas células têm dois terminais elétricos (positivo e negativo) e duas regiões de superfície amplas (parecem bolachas, com superfícies A e B). Quando as células são polarizadas positivamente (ou seja, se coloca o terminal positivo de uma bateria no positivo da célula) a célula permite a condução de calor de um determinado lado para o outro (digamos que permite a passagem de calor somente de A para B). Invertendo a polarização da bateria, inverte-se também a direção permitida de condução de calor (de B para A) _ esclarece.
A partir daí, uma espécie de termômetro, o termopar, é colocado na parte que faz contato com a sola do sapato. É ele quem identifica se o ambiente está quente ou frio. Se está quente, ele manda informação para um dispositivo controlador, que polariza positivamente as células de Peltier, permitindo passagem de calor da parte de dentro do sapato para a fora, refrigerando os pés. Agora, na situação inversa, se o termopar identificar que está frio, ele inverte a polarização da célula de Peltier, permitindo passagem de calor somente de fora para dentro. Como fora do sapato está frio, então a célula praticamente cria um isolamento térmico, não deixando o calor dos pés sair do sapato.
O professor lembra que ao retornar ao Brasil, no início de 2008, havia identificado o problema daquela situação, que era o sapato. Mas não tinha uma solução, ainda:
_ A ideia se cristalizou somente no fim de 2009.

Custo
A palmilha pode, em princípio, ser usada em qualquer calçado e nas mais variadas situações. Entretanto, é mais conveniente para períodos em que há grandes variações de temperatura, geralmente em países do Hemisfério Norte.
_ No Brasil, ela pode ter boa utilidade para pessoas idosas, que sentem mais frio nos pés _ diz.
O grande benefício apontado pelo professor com a descoberta é o "conforto térmico". Não há previsão, no entanto, para o produto ser comercializado. Ele terá uma versão apenas, inicialmente, para homens e mulheres.
_ Já fizemos contato com o setor industrial, mas ainda não temos ideia de quando chegará ao consumidor.
Por outro lado, vale enfatizar que o custo para a produção em escala industrial não é exorbitante:
_ Os componentes do sistema não seriam caros, podemos estimar que um par de palmilhas custaria, no máximo, R$ 50.

Adereço útil
A palmilha pode ser usada em qualquer calçado. É indicada, entretanto, para períodos de maior variação de temperatura, como os registrados em países do Hemisfério Norte.

Ambiente externo quente
_ O fluxo de calor é de dentro para fora do calçado, fazendo com que este resfrie o pé

Ambiente externo frio
_ O fluxo de calor é de fora para dentro do calçado. Como está frio do lado de fora do sapato, o pé fica isolado termicamente, não perdendo calor.

Como funcionam as células de Peltier
O efeito Peltier consiste na circulação de uma corrente elétrica por junções de metais diferentes, fazendo com que uma seja aquecida (junção quente) e a outra resfriada (junção fria). Para transmissão da corrente elétrica, são usados semicondutores para uma maior densidade de corrente e, assim, de potência. Quando a corrente circula pelas junções, o calor é transferido de uma para outra.

Apague a luz

22 de janeiro de 2011 0

A exposição à luz elétrica antes de dormir pode interferir na qualidade do sono, na pressão arterial e no risco de diabetes. É o que sugere um novo estudo conduzido por pesquisadores do Hospital Brigham and Women's e da Escola de Medicina de Harvard, EUA. A pesquisa será publicada no "Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism", periódico da Sociedade de Endocrinologia dos EUA.
Segundo o estudo, a luz do quarto pode afetar os níveis de melatonina e interferir em processos fisiológicos controlados por esse hormônio, como o sono e a regulação da temperatura, da pressão sanguínea e dos níveis de glicose. A melatonina é produzida durante a noite pela glândula pineal, localizada no cérebro. Além de regular o ritmo circadiano (sono e vigília), já se mostrou que o hormônio pode baixar a pressão sanguínea e a temperatura do corpo, e ser usado como alternativa no tratamento de insônia, hipertensão e câncer.
O estudo buscou avaliar se a exposição à luz do quarto durante a noite poderia inibir a produção de melatonina. Para isso, foram avaliados 116 voluntários, entre 18 e 30 anos, que ficaram expostos à luz do quarto ou a uma luz mais fraca durante as oito horas que precedem o sono, por cinco dias consecutivos. Um cateter intravenoso foi aplicado no antebraço dos participantes para realizar a coleta periódica do plasma sanguíneo e fazer a medição dos níveis de melatonina. Os resultados mostraram que a exposição à luz do quarto reduzia em mais de 50% os níveis de melatonina.

A acupuntura e as fibromialgias

15 de janeiro de 2011 0

A acupuntura pode tratar diferentes tipos de dor, a partir de um diagnóstico preciso que identifique sua causa e garanta mais qualidade de vida às pessoas. Nos últimos anos, segundo o médico Dirceu de Lavor Sales, presidente do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura, a prática tem se mostrado eficaz para amenizar as dores e as limitações de pacientes que sofrem com a fibromialgia, dor crônica generalizada.
_ A idade do aparecimento da fibromialgia é geralmente entre 30 e 60 anos, porém há casos em pessoas mais velhas, crianças e adolescentes _ diz.
A fibromialgia já é conhecida há mais de cem anos, mas era nomeada de forma distinta e não havia um consenso de como fazer o diagnóstico da doença. Hoje características essenciais apontam seu diagnóstico.
_ Dor por mais de três meses, em todo o corpo, e presença de pontos dolorosos na musculatura (11 pontos, de 18, que estão pré-estabelecidos) já indicam a doença. A alteração do sono na fibromialgia é frequente, afetando quase 95% dos pacientes. Com o sono profundo interrompido, a qualidade sofre uma queda, e a pessoa acorda cansada, mesmo que tenha dormido por um longo tempo, aumentando a fadiga, a contração muscular e a dor _ explica o médico.
A depressão está presente em 50% dos pacientes com fibromialgia, que por si só, piora o sono, aumenta a fadiga, diminui a disposição para o exercício e aumenta a sensibilidade do corpo.
O tratamento para quem sofre de fibromialgia é constante, pois a doença ainda não tem cura. Em um estado de dor crônica, os medicamentos utilizados com mais eficácia são os analgésicos e os antidepressivos. Vários tipos de tratamento já foram testados para a fibromialgia, e muitos deles não ajudaram. Porém, com o melhor entendimento do problema, novas medidas estão por vir. Atividade física regular pode restaurar a pessoa para uma vida normal. A acupuntura também é um método que pode ajudar em casos de dor localizada e resistente. Porém, deve se ter em mente que a acupuntura funciona somente enquanto o paciente está sob tratamento, e não tem efeito duradouro.

Os sintomas
_ Rigidez matinal, dor abdominal, cefaléias, tonturas, amortecimentos, dor torácica atípica, palpitação, sensação de aumento do volume articular, tensão pré-menstrual, incômodo psicológico como depressão e ansiedade, queixas cognitivas como problemas de memória e dificuldade de concentração. Em alguns pacientes, são encontrados pontos de intensa contração muscular, semelhantes a pequenos caroços: são os chamados "pontos-gatilho".

Evite doenças nas suas férias

15 de janeiro de 2011 0

É importante incluir cuidados de saúde para garantir diversão nas férias. O médico e professor de medicina da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), Valdes Roberto Bollela, dá dicas para evitar e contornar os problemas mais comuns nas viagens nesta época. Segundo Bollela, os incidentes mais corriqueiros no verão são a desidratação, a insolação, a diarreia e as queimaduras e alergias. Para a prevenção dos primeiros casos, o indicado é tomar muita água e abusar de sucos e frutas frescas, além de evitar sol nos horários de pico.
_ Principalmente nas áreas litorâneas, não é recomendado tomar água de torneiras e filtros. A melhor escolha é sempre água mineral, inclusive para lavar frutas e verduras, o que ajudará a evitar as diarréias ocasionadas por água contaminada _ adverte.
No caso das queimaduras, o médico recomenda o uso de filtro solar e proteção com bonés, óculos escuros e guarda-sol. No entanto, caso as queimaduras ocorram, a melhor solução é interromper a exposição solar, ingerir muita água e alimentos leves, além de hidratar a pele com produtos específicos. Outro inconveniente comum, as alergias _ principalmente aquelas causadas por picadas de insetos _ podem ser evitadas com a aplicação de repelentes.

Outras recomendações
Alimentação: De acordo com o especialista, os alimentos frescos, principalmente frutas, legumes e verduras, devem ser priorizados no verão, pois são mais nutritivos e de fácil digestão. Comidas gordurosas e exóticas devem ser dispensadas, para evitar problemas de digestão.
Vacinas: Para quem viaja para algumas regiões do Brasil, como as matas no Centro-Oeste, o médico recomenda tomar a vacina contra febre amarela. Para quem pretende sair do país e visitar países da América Central, África e Ásia, por exemplo, a mesma vacina é indicada. No entanto, cada país tem as suas exigências, que podem ser conhecidas por meio de seus consulados.
Farmácia básica: O especialista recomenda ter em mãos medicamentos básicos, como antitérmicos, analgésicos, antiinflamatório e material para desinfecção e curativo de ferimentos.

Normas mais rígidas para venda de cigarro

08 de janeiro de 2011 0

Está em fase de consulta pública a proposta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para limitar a exposição de derivados de tabaco nos pontos de venda e aumentar os alertas nos maços. O período para críticas e sugestões vai até 31 de março.
Se as novas normas forem aprovadas, estabelecimentos que vendem esses produtos, como padarias, supermercados e bancas, não poderão expor embalagens de cigarros, charutos e cigarrilhas. A publicidade em painéis ainda será permitida nos pontos de venda, desde que fique na parte interna dos estabelecimentos e contenha advertência sobre os riscos. Essas regras só não valem para tabacarias.
A Anvisa também propõe que 50% da face visível dos maços seja coberta por um novo alerta sobre os riscos do tabagismo. O outro lado do maço continua como hoje, ocupado pela advertência com foto.
No Uruguai, uma lei impõe que 80% da superfície dos maços sejam cobertos por alertas.

Um mapa da saúde dentária do brasileiro

08 de janeiro de 2011 0

Uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde mostra que 7 milhões de brasileiros com idade entre 65 anos e 74 anos precisam de próteses dentárias. No entanto, a produção anual não ultrapassa 500 mil unidades. Seriam necessários 14 anos para corrigir o déficit.
Os dados integram a Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, um levantamento feito com 38 mil pessoas residentes nas 26 capitais e no Distrito Federal. O trabalho, o primeiro que permite fazer comparação histórica, mostra que a saúde bucal do brasileiro melhorou, mas há ainda muito o que avançar.
Uma boa notícia é que o Brasil passa a integrar o grupo de países com baixa prevalência de cárie. O indicador, batizado de CPO (sigla para dentes cariados, perdidos e obturados), que em 2003 era de 2,8, caiu em 2010 para 2,1. Para ser considerado de baixa prevalência, o país precisa apresentar um indicador menor que 2,6 _ numa escala que vai de 0 a 32, o número de dentes presentes na boca. A Europa tem um índice médio de 1,6.
O coordenador da pesquisa, Angelo Giuseppe Roncalli da Costa, considera bastante significativa a queda apresentada pelo Brasil no período 2003-2010.
_ A tendência é de que o CPO continue a cair, mas agora numa velocidade mais lenta _ disse. Esses dados se referem à população de 12 anos que, de acordo com Roncalli da Costa, retratam a tendência a ser seguida pelos países. O trabalho mostra que o número de crianças de até 12 anos que nunca tiveram cárie da vida cresceu de 31% para 44%. Isso significa que 1,4 milhão de crianças não têm nenhum dente cariado atualmente, 30% a mais do que em 2003.

Esperança para a vacina contra o HIV

03 de janeiro de 2011 0

LARISSA ROSO *

Aproxima-se uma data redonda que dá a dimensão de um dos maiores desafios da ciência deste século: em 2011, completam-se três décadas desde o registro do primeiro caso de infecção por HIV, o vírus causador da aids. Apenas no Brasil, são 35 mil pessoas contaminadas a cada ano.
Empolgados com descobertas recentes, pesquisadores ao redor do mundo acreditam estar mais perto de um método preventivo capaz de conter a epidemia. A pesquisa de resultados mais instigantes foi conduzida na Tailândia. Dados revelados em 2009 sobre a vacina comprovaram uma eficácia superior a 30% entre grupos de risco do país asiático. Número longe de significar um produto pronto para ser lançado comercialmente, em escala global, capaz de deter a propagação assustadora da doença, mas que representa um avanço inédito.
O estudo RV-144 nos mostrou que é possível prevenir a infecção, mesmo que o primeiro passo tenha sido modesto. É fundamental observar que mesmo uma vacina parcialmente eficaz pode ser impactante. Em um país com altos índices de contaminação por HIV, por exemplo, uma vacina com 50% de eficácia, combinada com diagnóstico precoce, tratamento e campanhas públicas de conscientização, pode virar o jogo. Por outro lado, nos Estados Unidos, uma vacina com 50% de eficácia pode ter utilidade bastante limitada — exemplifica o pesquisador norte-americano Jerome Kim, coronel do Exército dos Estados Unidos, que participou do experimento tailandês e esteve presente à reunião da Iniciativa Global pela Vacina contra o HIV, realizada em outubro, em Atlanta, capital do Estado da Geórgia, no sul dos Estados Unidos.
Para Mitchell Warren, também participante do evento, vive-se agora um momento profícuo no campo da investigação de terapias para combater a enfermidade com a qual, de acordo com a Unaids — braço da Organização das Nações Unidas (ONU) dedicado ao estudo e à contenção do HIV —, vivem cerca de 33,4 milhões de pessoas no mundo.
Os últimos 14 meses foram os mais proveitosos de todos os tempos na busca de novas técnicas de prevenção — avalia Warren.

* Larissa Roso viajou a Atlanta (EUA) como bolsista da National Press Foundation, sediada em Washington-DC

ENTREVISTA
Mitchell Warren, americano de 44 anos formado em Inglês e História que cursou também Políticas de Saúde na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, é diretor-executivo da Global Advocacy for HIV Prevention (Avac), organização sem fins lucrativos que promove a conscientização e a mobilização de populações quanto à prevenção da infecção pelo vírus HIV. A instituição traduz complexos conceitos científicos para comunidades e, simultaneamente, mostra aos cientistas quais são as necessidades de cada grupo. Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista.

Zero Hora — Quais foram as descobertas recentes mais importantes sobre HIV, aids e prevenção?
Mitchell Warren —
Os últimos 14 meses foram os mais proveitosos de todos os tempos na busca de novas técnicas de prevenção. Vimos resultados positivos em um estudo para a vacina, uma pesquisa sobre um microbicida (gel para aplicação nos genitais antes da relação sexual) e uma investigação sobre terapia preventiva com antirretrovirais (administração de medicamentos para diminuir o risco de infecção). Ainda que cada um desses estudos levante muitas questões que precisamos responder com urgência, começamos 2011 muito mais perto de obter um método de prevenção baseado em antirretrovirais e acelerando a busca por uma vacina efetiva contra a doença.

ZH — A vacina contra a aids é o grande desafio científico deste século? Que outras descobertas, essenciais para um futuro próximo, você destacaria?
Warren —
Não há dúvida de que a vacina da aids é um dos nossos maiores desafios — e será uma de nossas descobertas mais fantásticas. Vacinas para grande parte das doenças foram difíceis de se obter, e o processo de desenvolvimento levou muito tempo. Em muitos aspectos, o HIV não é diferente da malária, da tuberculose e de outras enfermidades para as quais ainda procuramos vacinas. Fatos recentes — como o estudo tailandês — nos permitem acreditar que estamos no caminho certo para desenvolver uma dose altamente eficaz.

ZH — O estudo tailandês, divulgado em 2009, foi a primeira evidência de que o desenvolvimento de uma vacina segura é possível. Quais são as perspectivas a partir desse ponto?
Warren —
Novas pesquisas expandindo o conceito testado na Tailândia estão sendo conduzidas, e esperamos que nos deem mais respostas sobre como a estratégia deve funcionar. Mas não podemos concentrar todos os esforços em uma única ideia, e por isso cientistas estão tocando também outros projetos de vacinas, atualmente em fases de testes em humanos e também em laboratório. Ao mesmo tempo, terapias preventivas com antirretrovirais e microbicidas também representam grandes esperanças. Deve-se manter a pesquisa nesses produtos, que se mostraram parcialmente eficazes, e também em novas drogas e técnicas de contenção do contágio. Basicamente, o que precisamos é de uma combinação entre métodos novos e já existentes para evitar a contaminação de quem está em grupos de risco e para tratar quem é HIV positivo.

ZH — Há milhares de cientistas dedicando suas vidas à pesquisa de uma vacina. Você acredita que é possível descobrir uma totalmente eficaz? Quando? Daqui a 10, 15, 20 anos?
Warren —
A vacina testada no estudo tailandês mostrou cerca de 30% de eficácia. É uma descoberta importante e estimulante, mas é claro que queremos ir além. Esperamos encontrar uma vacina com eficácia superior a 60% — como a maior parte das vacinas hoje em dia —, mas a realidade é que até mesmo uma vacina com poder menor poderia representar uma valiosa ajuda se usada como parte de uma estratégia inteligente de prevenção. É sempre tentador especular sobre quando deveremos ter uma vacina de impacto na saúde pública, mas, se é que aprendemos algo nos 30 anos que já dura essa epidemia, é que não podemos dizer com nenhuma certeza quando isso ocorrerá. Mas sou otimista: acho que poderei testemunhar o surgimento de uma vacina para as populações que mais precisam dela, e tenho esperança de que isso aconteça antes do que se imagina.

ZH — Por que ainda não se chegou lá? Quais são os maiores obstáculos?
Warren —
É difícil se proteger contra vírus, e o HIV é particularmente traiçoeiro. Mas pesquisadores estão desvendando os seus segredos.

ZH — Se uma vacina for descoberta, será suficiente para erradicar as infecções pelo HIV?
Warren —
Uma vacina — parcial ou altamente eficaz — terá um papel importante para acabar com a epidemia, mas precisamos de uma abordagem combinada para dar fim à doença. Isso significa ter uma variedade de opções preventivas _ camisinhas masculinas e femininas, mudanças de comportamento, circuncisão, terapias preventivas com antirretrovirais, microbicidas e a vacina. Também precisamos garantir que todos os pacientes HIV positivos tenham acesso a tratamento.

ZH
Há dinheiro suficiente disponível para pesquisas?
Warren
— Aumentaram muito os recursos para estudos ao longo da última década, mas começamos a ver uma queda de dois anos para cá devido ao impacto provocado pela crise econômica no setor de saúde em geral. Mais recentemente, houve um declínio significativo no repasse de recursos para pesquisas sobre tratamento. São sinais preocupantes. A resposta à epidemia tem sido uma das histórias de maior sucesso de nosso tempo, e o mundo tem o dever de assegurar que continue assim, com total custeio dos tratamentos já existentes, programas de prevenção e pesquisa de novos tratamentos e para a cura.

ZH — Em dezembro, foi divulgada a notícia de um alemão que teria sido curado. Qual é a sua opinião sobre os resultados desse estudo?
Warren —
As informações sobre o homem HIV positivo com leucemia que recebeu um transplante de células-tronco em 2007 despertou grande interesse. Usando células-tronco resistentes à infecção pelo HIV, os médicos de Berlim acreditam terem encontrado a cura. Se, de fato, foi o que ocorreu, a pesquisa aponta para possíveis caminhos para a cura do HIV por meio da engenharia genética de células-tronco. Trata-se de uma descoberta importante e animadora, mas exigirá um esforço enorme para entender como aplicá-la mais amplamente. Não está claro se esse resultado pode ser atingido outras vezes, mas, como muitas "primeiras vezes" importantes na ciência, pode abrir novas áreas para estudos adicionais relevantes.

Exagero na alimentação

01 de janeiro de 2011 0

Fim de ano é sinônimo de festa, brindes e mesa farta. A questão é que as comemorações chegam acompanhadas de exageros. De acordo com a nutricionista Renata Trovo, sucumbir às tentações da ceia pode causar danos ao organismo.
_ No sistema digestivo, além do desconforto por ter se excedido na quantidade de comida, o comer demais provoca gases, dores e queimação. A digestão prejudicada afeta todo o corpo humano, pois aumenta a produção de toxinas, causa alteração nas taxas de colesterol e glicose, além de elevar a pressão arterial _ alerta a nutricionista.
A dica para poder aproveitar bem as delícias da ceia de Ano-Novo é evitar alimentos muitos gordurosos, como bacon, frituras e maioneses, além de optar por alimentos menos calóricos como saladas verdes, legumes, frutas da época e carnes magras. Substituir os refrigerantes por sucos de frutas também é uma excelente pedida.

DEIXE SUA CEIA MAIS SAUDÁVEL
_ Durante o preparo dos alimentos, evite o uso de sal e óleos. Use nas finalizações dos pratos, pois dessa forma o consumo de sódio e gordura saturada é menor.
_ Dê preferência às carnes magras, como as aves especiais de Natal (chester e peru).
_ Elabore saladas de folhas e incremente com maçãs verdes, nozes e molhos de frutas (maracujá, abacaxi, manga).
_ Prepare lindas cestas com frutas da época ou arranjos com abacaxis. Elas ficam bonitas e são ótimas opções para a sobremesa.
_ Substitua as bebidas gaseificadas por sucos naturais e coquetéis de frutas, que contêm vitaminas e minerais.