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Posts de março 2011

O jeito de pisar pode causar dor

26 de março de 2011 0

Pisar de forma errada pode desencadear diversos problemas na postura e nas articulações, provocando dores na coluna vertebral, joelhos, pernas e região lombar.
De acordo com o ortopedista do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, Agnaldo de Oliveira Júnior, muitas crianças com idade inferior a dois anos apresentam algum grau de pé plano flácido, decorrente da flacidez dos ligamentos, sendo que 90% dos casos são corrigidos com o crescimento.
_ As principais más formações que influenciam o jeito de pisar são as deformidades congênitas ou adquiridas, que mudam a anatomia normal do pé e que vão alterar o seu apoio no solo _ alerta.
Outros fatores, como fraturas, diabetes e artrite reumatóide, podem também promover a deformidade nos pés, que são os principais meios de sustentação e equilíbrio do corpo.
Segundo o médico, o uso de palmilhas e sapatos ortopédicos pode proporcionar mais conforto na caminhada para quem tem problemas mais leves. Já nos casos mais graves de deformidade _ especialmente decorrentes de problemas adquiridos como fraturas _ há recursos cirúrgicos de correção.
Avaliações postural e funcional e o teste da pisada (exame de baropodometria) são recursos mais utilizados para diagnosticar alterações na postura devido a má formação dos pés. O ideal é detectar o problema cedo para não comprometer o alinhamento postural e estrutural do corpo. Segundo o ortopedista, há diversos procedimentos para acertar a pisada.

Cuidados para evitar o HPV

26 de março de 2011 1

O programa de Prevenção e Tratamento do Câncer de Colo de Útero e de Mama, lançado esta semana pela presidente Dilma Rousseff, prevê a ampliação no tratamento quimiterápico e radioterápico da doença. A causa primária de câncer do colo do útero é a infecção por um vírus de alto risco, o HPV. É o segundo tumor mais frequente na população feminina, atrás apenas do câncer de mama, e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. Estima-se que 8 em cada 10 mulheres se contaminam com o HPV em algum momento de suas vidas.
Por ano, faz 4,8 mil mortes e apresenta 18.430 novos casos segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Além disso, um estudo recente realizado com 1.159 homens no Brasil, no México e nos Estados Unidos e publicado na revista científica Lancet, apurou que 50% dos homens pesquisados têm o HPV, porém ainda não existe um teste aprovado para a detecção em homens. Felizmente as complicações causadas pelo HPV em homens são raras, porém eles podem transmitir o vírus para as mulheres, aí sim podendo causar o câncer do colo do útero.
Outro estudo realizado pelo Ministério da Saúde com homens e mulheres em seis capitais brasileiras e publicado em 2008 indicou a presença do HPV em 41% das 3210 pessoas analisadas que procuraram o atendimento em clínicas especializadas no atendimento a doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o HPV atinge mais de 685 mil pessoas no país.

Saiba mais
O que fazer para prevenir?
A orientação dos especialistas é utilizar preservativos durante as relações sexuais para evitar a transmissão do vírus e fazer os exames com a frequência correta. Mas quando o HPV passa a agir é necessário que o paciente seja submetido a tratamento específico. Não há tratamento contra o vírus, mas sim para as doenças causadas por ele. Por isso, a alternativa mais indicada é a prevenção e o correto diagnóstico.

Para compreender melhor nossos semelhantes

19 de março de 2011 0

Por que você boceja, quando vê alguém bocejar? Por que todos os semáforos ficam vermelhos quando se está com pressa? Estas e muitas outras questões até parecem brincadeira, mas são temas que podem deixar as pessoas perplexas.
O livro 150 Pequenas Experiências de Psicologia – Para Compreender Melhor Nossos Semelhantes pretende esclarecer muitas questões ligadas à inteligência, às emoções e à percepção, vivenciadas em nosso dia a dia.
A obra é desenvolvida de acordo com o método científico e construída na forma de fichas, o que permite ao leitor recorrer diretamente a uma pergunta ou a um assunto sem ter de fazer necessariamente uma leitura completa do livro.

O autor nos convida a ler os artigos dos quais foram extraídas as experiências descritas e a descobrir explicações que se escondem por trás de certos comportamentos, os quais talvez já tivemos a oportunidade de observar.

Este livro, que é tradução da segunda edição atualizada do best-seller francês, mostra, por meio de 150 experiências realizadas em laboratório ou em ambiente natural, que nosso comportamento cotidiano se baseia em mecanismos fascinantes; dessa forma, o ajudará com informações sobre você mesmo e as outras pessoas. Segundo Serge Ciccotti, doutor em psicologia, “é um livro que deve estar ao alcance de todos, indicado para estudante, psicólogo e leitores interessados no assunto”.

Sobre o autor:

Sege Ciccotti é doutor em psicologia e pesquisador associado da Universidade da Bretanha-Sul. Publicou também 100 petites expériences de psychologie pour mieux comprendre votre bébé (2006).

Serviço:

Título: 150 pequenas experiências de psicologia – Para compreender melhor nossos semelhantes

Autor: Serge Ciccotti

Formato: 14 x 21 cm

Páginas: 384

Preço: R$ 73,00

Grávidas e cirurgias de redução de estômago

19 de março de 2011 0

Mulheres que consideram fazer a cirurgia bariátrica precisam fazer uma suplementação alimentar apropriada antes de engravidarem, segundo estudo publicado pelo oftalmologista Glen Gole, do Royal Children's Hospital, na Austrália. A cirurgia de redução do estômago poderia causar uma deficiência de vitamina A tão grave, capaz de tornar uma criança cega, antes mesmo do nascimento.
O trabalho foi publicado na revista da Associação Americana de Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo. Cole documentou o caso de uma mulher que realizou a cirurgia bariátrica sete anos antes de engravidar. Com apenas nove semanas de gravidez, a mãe foi diagnosticada com grave deficiência de vitaminas A, D, K e de ferro. Quando a criança nasceu, o bebê apresentava malformações significativas em ambos os olhos. E aos noves meses, uma eletrorretinografia revelou outra deficiência orgânica. Apesar do tratamento, a criança apresenta atualmente uma baixa de visão.

"O caso ilustra muito bem a importância da vitamina A para o desenvolvimento normal dos olhos do feto, especialmente para mulheres que desejam engravidar e se submeteram à cirurgia bariátrica", destaca o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

Em 2005, o Conselho Federal de Medicina aprovou a Resolução CFM N° 1.766, estabelecendo as normas seguras para o tratamento cirúrgico da obesidade mórbida, definindo indicações, técnicas cirúrgicas, condições hospitalares necessárias e a equipe de profissionais habilitados não só no procedimento cirúrgico em si, mas também na seleção de pacientes a serem operados, no seguimento pós-operatório e durante a vida destes pacientes.

A cirurgia para tratamento da obesidade, em suas várias técnicas, é chamada em linguagem médica de cirurgia bariátrica. Ela está indicada para os pacientes com obesidade grave, também chamada obesidade mórbida - pacientes com IMC = 40kg/m2, ou 35kg/m2 quando já apresentam complicações da obesidade.

Esse procedimento alcança uma perda de peso variável, na dependência da técnica utilizada e das características individuais dos pacientes, chegando a reduzir, segundo algumas estatísticas, de 68 a 78% do excesso de peso no primeiro ano na modalidade cirúrgica mais utilizada, a cirurgia de Capela.

Importância da vitamina A

Como cerca de 50% das cirurgias para tratamento da obesidade são realizadas em mulheres em idade fértil, muitas delas com grande dificuldade de engravidar - antes da cirurgia bariátrica - devido aos vários problemas causados pela obesidade que afetam a ovulação, é muito importante disseminar entre estas mulheres a informação que as técnicas classificadas como by pass desviam o alimento de importantes rotas absortivas e podem levar à deficiência de vários micronutrientes importantes para à saúde materno fetal.

"As deficiências nutricionais idealmente deveriam ser identificadas e tratadas antes da concepção. E durante a gestação, além da manutenção dos cuidados e suplementações já iniciados, há a necessidade de se intensificar as doses das vitaminas e minerais", destaca a oftalmopediatra do IMO, Maria José Carrari.

A vitamina A é um micronutriente essencial para diversos processos metabólicos, como a diferenciação celular, o ciclo visual, o crescimento, a reprodução e o sistema imunológico. "Apresenta especial importância durante os períodos de proliferação e rápida diferenciação celular, como na gestação, período neonatal e infância", destaca a médica.

A deficiência de vitamina A, DVA, é uma doença nutricional grave e uma das mais freqüentes causas de cegueira prevenível em crianças, além de contribuir para o aumento das mortes e doenças infecciosas na infância.

"A falta de vitamina A provoca a queratose - pele áspera e seca - e pode levar à xeroftalmia, cuja forma clínica mais precoce é a cegueira noturna, por meio da qual a criança não consegue boa adaptação visual em ambientes pouco iluminados. Uma das manifestações mais acentuadas da xeroftalmia é a mancha de Bilot", explica a oftalmolpediatra do IMO.

Estima-se que 10 a 20% das gestantes sejam acometidas pela cegueira noturna, sintoma da deficiência de vitamina A, e que a mesma se associe com risco cinco vezes maior de mortalidade materna nos dois anos pós-parto.

"As gestantes com cegueira noturna e DVA também parecem estar mais predispostas às intercorrências e complicações gestacionais, tais como aborto espontâneo, anemia, pré-eclâmpsia, eclâmpsia, náuseas, vômitos, falta de apetite e infecções do trato urinário, reprodutivo e gastrointestinal. Neste contexto, a suplementação de gestantes que apresentam esta carência nutricional, vem cada vez mais, ganhando espaço durante a atenção pré-natal, especialmente entre as pacientes gastroplastizadas", diz Maria José Carrari.

Nutrição e equoterapia como aliadas do autista

12 de março de 2011 0

O tratamento com base na equoterapia feito com portadores de autismo e paralisia cerebral ganha um aliado especial: a boa alimentação. Comidas balanceadas e fontes de vitaminas e proteínas bem definidas ajudam a melhorar a qualidade de vida, além de estimular a capacidade de resposta desses pacientes. Estudos feitos por uma equipe do curso de nutrição do Centro Universitário UNA, de Belo Horizonte, comprovam os bons resultados. A pesquisa Transdisciplinariedade em ação, iniciada no segundo semestre do ano passado, analisou, a partir de novos hábitos alimentares, o comportamento e as reações de crianças e adolescentes carentes que praticam a terapia com cavalos no município de Itatiaiuçu, localizado na região metropolitana da capital mineira.
A professora Maria Cristina Santiago, uma das responsáveis pelo projeto, diz que o nutricionista não é referenciado como profissional de suporte à recuperação dos deficientes, ao contrário de outras áreas, como a psicologia e a fisioterapia. Mas os resultados apontam a necessidade de mudanças na composição desse quadro. "Mostramos que a criança com uma condição nutricional ruim, principalmente aquelas com paralisia cerebral, tem resposta melhor até mesmo ao próprio tratamento de equoterapia quando consegue absorver os nutrientes dos quais precisa. O corpo deve estar preparado para reagir ao exercício", destaca.
No caso do autismo, uma das primeiras providências é a retirada da caseína (proteína do leite) e do glúten (proteína do trigo), dois elementos que estimulam a agressividade nos portadores da doença. A exclusão delas, conforme testado, melhora a sociabilidade e diminui a irritabilidade. Assim, sairão de cena pães e biscoitos, presentes no cotidiano do grupo, para a entrada de alimentos à base de farinha de mandioca, milho e arroz, que não contêm a proteína. O pão de queijo, por exemplo, poderia ser feito sem leite e com a mandioca; e o queijo poderia ser substituído por essências e aromatizantes. Bolos e pães também substituem ingredientes básicos, como leite e farinha de trigo, pelo polvilho.
No grupo das proteínas, os grandes aliados são o ovo e a soja. "O desafio é tentar receitas mais baratas, principalmente com a soja, sempre pensando na aceitabilidade da criança, que precisa reconhecer o que come. Para esse tipo de paciente, o sabor, muitas vezes, é secundário. O importante é a imagem. Mas, se o paladar também for essencial, devemos conseguir um sabor o mais próximo possível, incluindo sempre as vitaminas, sais minerais, entre outros. Deve-se ressaltar que a retirada ou a inclusão de qualquer elemento deve ocorrer devagar", afirma Maria Cristina.
Quanto a quem tem paralisia cerebral, não é preciso tirar nada da dieta, mas sim estimular o ato de comer. Nesses casos, a grande dificuldade é engolir, por isso, a tendência é ingerir muito líquido, levando a uma desnutrição natural, não provocada pela doença, mas pelo fato puro e simples da falta de comida. Dessa maneira, é preciso coordenar os movimentos de deglutir e mastigar da criança, com uma alimentação muito cozida ou pastosa. "A desnutrição traz problemas que vão comprometer ainda mais o desenvolvimento cerebral. Quantidades insuficiente de proteína e calorias são as que mais lesionam o organismo, deixando a pessoa mais apática e cansada", alerta a professora. A estratégia é introduzir mais proteínas de acordo com o tipo de paralisia.
Segundo Maria Cristina, a principal questão é como introduzir a comida e fazer com que a criança ingira os elementos dos quais precisa diariamente. "É impossível concentrar 1,5 mil calorias por dia, o mínimo necessário ao organismo, em líquidos. Dessa forma, normalmente, ingerem 800. Um litro da dieta pronta custa R$ 300, valor inviável para a maioria dos pais dessas crianças. E sopa no liquidificador não supre essas calorias. Há solução e provamos isso, mas é preciso paciência", ressalta. A paralisia abrange um conjunto de deficiências, problema que pode ser resolvido com uma nutrição equilibrada e consequente recuperação da massa muscular.

Continuidade
O projeto-piloto fez intervenção nutricional em 16 pessoas, das quais quatro crianças e adolescentes foram acompanhados e apresentaram resultados positivos. Muitos pais se esquivaram, com medo de as avaliações significarem mais um transtorno financeiro. Em 2011, a expectativa é trabalhar com 30 pacientes, com a meta de sucesso em 15 deles. No ano passado, um dos casos mais notáveis foi o de uma menina de 7 anos, portadora de paralisia cerebral, que depois do acompanhamento da equipe da UNA ganhou 1,6kg em um mês.

Além disso, ela tem constipação intestinal grave, com frequência de uma vez por semana e fezes endurecidas. A regularidade aumentou para três vezes, com fezes pastosas, por causa do tratamento à base de probióticos (leite fermentado), pasta de ameixa preta pela manhã e o aumento da quantidade de fibras na alimentação, com a introdução de farinha de linhaça nas refeições. A garota também tinha dificuldade de comer novos alimentos e só aceitava beber um determinado suco de caixinha, por causa da embalagem - não importava o conteúdo. Foi ensinado à mãe a esterilizar a caixa e pôr dentro dela os alimentos, para a menina identificar o que era familiar, mas mostrando o conteúdo. Com o tempo, ela se acostumou e, hoje, praticamente aboliu o recipiente.

Outro exemplo é de um adolescente de 13 anos, com paralisia cerebral leve, desnutrição moderada e dificuldade de aceitar novos alimentos, além de cansaço constante. Depois de 60 dias, ele ganhou 6kg, cresceu 2cm e apresentou melhora visível na massa muscular. O garoto deve ser inscrito nas próximas paraolimpíadas. "A primeira parte do estudo foi exploratória, mas houve resultados suficientes para continuarmos, sempre respeitando a individualidade e a realidade econômica das famílias. A nutrição é uma solução, não pode ser um problema a mais", diz Maria Cristina.

Quinoa é alternativa saudável para celíacos

12 de março de 2011 0

A intolerância ao glúten é um problema que afeta cerca de 300 mil brasileiros, segundo estudo divulgado pela Universidade de Brasília (UnB), e pelo menos 25 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS). Os portadores da doença celíaca têm de eliminar o glúten da dieta para que a digestão funcione normalmente e, em alguns casos, a dieta estritamente sem glúten tem que ser mantida por toda a vida.
Entre os sintomas da doença estão dores abdominais, úlceras na boca e má absorção dos nutrientes no intestino. A causa da doença está relacionada com predisposições genéticas e não existe uma cura para o problema. "Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a doença celíaca pode causar danos sérios à saúde. Os danos no organismo ocorrem por causa de um desequilíbrio da mucosa intestinal e podem atrapalhar o funcionamento de todo o corpo. A pessoa passa a não absorver os nutrientes e as vitaminas ingeridos, a ter imunidade baixa e o intestino desregulado", explica a nutricionista Gabriela Goulart.
"A partir do grão de quinoa conseguimos produzir alimentos sem usar a farinha de trigo, que contém glúten e está presente em muitos produtos. O desafio foi fazer uma massa idêntica, com as mesmas características físicas do trigo e, dessa forma, criar novas opções de receitas para pacientes que vivem em dieta especial. Conseguimos resultados significativos e o avanço vai representar alternativas para aqueles que têm resistência ao glúten", afirma Suzana Lannes.

Quinoa: segredo que vem dos Andes

12 de março de 2011 0

Cultivado há mais de 2 mil anos pelos povos incas, que habitaram a Cordilheira dos Andes em uma latitude de mais de 3,6 mil metros, o grão de quinoa chamou a atenção de pesquisadores brasileiros. Um estudo desenvolvido na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF/USP) descobriu formas de aumentar o valor nutricional de alimentos e criar novas misturas usando o cereal.
– O objetivo era encontrar uma forma de produzir novos alimentos sem fazer uso da farinha de trigo. Para isso, fizemos recheios para bombons, massa para bolos, biscoitos, todos misturados com o grão de quinoa. Dessa forma, colocamos um alimento saudável com produtos variados – explica a professora e pesquisadora da USP Suzana Lannes.
O grão era o principal alimento do império inca, mas quase desapareceu depois da conquista espanhola, no século 16. O colonizador, interessado apenas na exploração dos metais preciosos, queimou as plantações e subjugou os conhecimentos dos povos nativos. A quinoa quase desapareceu, mas foi guardada como um tesouro sagrado e plantada em pequenos sítios de agricultura familiar no Peru e na Bolívia. Nos últimos anos, o alimento foi redescoberto por cientistas e nutricionistas, e chama a atenção do mundo inteiro pelo seu potencial nutritivo.
A ideia para o experimento partiu da pesquisadora peruana Adelaida Geovanna Salas, quando observou que no Brasil o grão ainda era muito pouco conhecido. "No Peru, a quinoa é muito consumida. É um grão tradicional, chamado de 'grão de ouro' pelos mais velhos, por sua importância para a saúde. Aqui, poucas pessoas têm o hábito de consumi-lo, basicamente aqueles mais preocupados com uma dieta mais equilibrada e saudável. O objetivo era mudar esse quadro e trazer um novo produto para a mesa dos brasileiros", conta Adelaida.
O cereal é fonte de proteínas, fibras, cálcio, ferro e carboidratos, e considerado um dos alimentos mais completos que existem. Por isso, os cientistas se interessam tanto pelo alimento andino. Pesquisas com a quinoa também estão sendo realizadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e como o solo brasileiro se mostrou apto para o seu cultivo, as pesquisadoras acreditam que em um futuro próximo o cereal será mais apreciado. "O interesse cresceu muito nos últimos anos, mas para que a indústria comece a investir nos produtos que usam a quinoa é preciso que o grão esteja disponível como matéria-prima, o que ainda não ocorre atualmente", afirma Suzana.
A nutricionista mineira Gabriela Goulart aponta várias formas de consumir a quinoa que podem ser incorporadas à alimentação. "Ela é muito parecida com a aveia, e também pode ser misturada em vários pratos. Em mingaus e biscoitos e até na almôndega a quinoa fica uma delícia. E o mais importante: é uma opção a mais na dieta das pessoas que tem intolerância ao glúten, os celíacos", diz Gabriela.

Capa de hoje: o experimento passo a passo

12 de março de 2011 0

Uma antiga crença popular acaba de ganhar comprovação científica.
Publicado em fevereiro na revista Science Translational Medicine, um estudo liderado pela Universidade de Oxford, da Grã-Bretanha, com a participação de outras três instituições europeias, mostrou que o pensamento negativo pode, sim, ter consequências nocivas. Pelo menos quando o assunto é saúde.
Decididos a desvendar os mistérios do cérebro e a testar se as convicções dos pacientes podem alterar o resultado de um tratamento, os cientistas reuniram 22 voluntários para uma bateria de exames. No laboratório, sem que os envolvidos soubessem, manipularam suas expectativas em relação à dor (veja o passo a passo). Os resultados foram surpreendentes.

Leia o resto da reportagem especial na capa e na central do caderno Vida de hoje


O passo a passo

A seguir, confira como foi o estudo desenvolvido pela Universidade de Oxford em parceria com a Universidade de Cambridge, o Centro Médico Universitário Hamburg-Eppendorf e a Universidade Técnica de Munique:
1. Um de cada vez, os 22 voluntários foram acomodados em um scanner de ressonância magnética e receberam um tubo intravenoso
2. Depois, tiveram uma fonte de calor aplicada à perna, até que começassem a sentir dor _ de forma a que, em uma escala de 1 a 100, cada avaliado se enquadrasse no nível 70
3. Sem que os participantes soubessem, os médicos começaram a injetar um poderoso analgésico _ do tipo opióico _ para verificar que efeito teria nessas condições _ sem que os envolvidos tivessem qualquer expectativa do tratamento. A sensação de dor caiu, em média, para 55 na escala
4. Em seguida, os voluntários foram informados de que a droga começaria a ser injetada, embora continuasse sendo aplicada na mesma dosagem. A intensidade da dor caiu para 39
5. Finalmente, todos foram levados a crer que o medicamento seria cessado e que a dor poderia aumentar. A substância foi mantida, mas o incômodo, segundo os relatos, aumentou para 64. Ou seja, a dor ficou tão intensa quanto no início do experimento
6. Ao mesmo tempo em que analisavam essas reações, os estudiosos usaram imagens do cérebro dos participantes para confirmar os relatos
7. A ressonância mostrou que as redes cerebrais responderam em diferentes graus, de acordo com as expectativas e independentemente do analgésico. Ou seja: as expectativas foram determinantes para o resultado do tratamento.
8. Com o estímulo positivo, a efetividade do remédio aumentou. Com o negativo, foi anulada

A primeira coluna com o nome "A Cena Médica"

05 de março de 2011 0

Só um tempo depois a coluna passou a ter o nome "A Cena Médica". Confira a primeira delas:

Clique na imagem para leitura.


A primeira coluna de Scliar

05 de março de 2011 0

Em 1º de janeiro deste ano, Moacyr Scliar contou aos seus leitores por que havia começado a escrever uma coluna no caderno Vida. Leia abaixo:

"O ano era 1993; eu havia sofrido um grave acidente de automóvel e fui, pela primeira vez em minha vida, hospitalizado. Com várias costelas quebradas, um pulmão perfurado e depois uma septicemia, meu estado 'inspirava cuidados', como dizem os médicos. Mas a mim não inspirou só cuidados, inspirou-me a escrever. Eu estava vivendo uma experiência transcendente e queria relatá-la, comentá-la. Assim, tão logo comecei a me recuperar, e ainda com fortes dores elaborei um texto chamado Voltando à vida. E onde publicá-lo, senão neste caderno? Foi o que eu disse na introdução: voltando à vida, eu tinha de escrever para o Caderno Vida. Daí surgiu esta coluna, A Cena Médica. Meu propósito era exatamente esse, comentar o cenário da Medicina e da saúde."

Nós fomos aos nossos arquivos e recuperamos aquele caderno de 1993, com a primeira coluna do escritor no Vida. Confira a reprodução (clique na imagem para leitura)