Além do cachecol, quem acompanha os dias mais frios é a depressão. A temperatura faz com que os casos da chamada depressão de inverno – ou depressão sazonal – aumente consideravelmente. Desânimo, fadiga, aumento do sono, mudanças no apetite, maior irritação e também um chato mau humor. Os sintomas são bem parecidos com a tradicional depressão, mas é a exposição solar que provoca este distúrbio biológico.
Isso porque a diminuição de horas diárias ao sol pode levar a mudanças neuroquímicas. A intensidade da luz é importante para a secreção, por exemplo, da serotonina, um neurotransmissor que regula o humor, o apetite e o sono. Além disso, a maioria das pessoas tende a contrair e enrijecer os músculos e, dessa maneira, a postura também fica prejudicada.
As terapias corporais ajudam aliviar os sintomas. Elas auxiliam no relaxamento muscular do corpo todo, liberam energia guardada e são capazes de provocar mudança brusca na expressão facial e corporal.
_ A experiência de receber, sentir o toque e as manobras dedicadas ao bem estar vão além do físico. Liberam emoção e transmitem alegria, ânimo, felicidade e resultados que proporcionam melhora do desempenho físico e mental _ detalha a especialista em bem-estar Patrícia Castellar Pirozzi.
O psiquiatra e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Acioly Lacerda explica que o problema tem relação com a falta de luz, não com o frio. O especialista explica o que é e como tratar o problema, que, na maioria dos casos, acaba junto com a estação mais fria do ano.
Saiba mais sobre a depressão sazonal:
O que é?
Ela é caracterizada por episódios depressivos que tendem a se concentrar no período de inverno. A depressão no inverno ou sazonal é um quadro mais comum em países com latitudes mais elevadas (superior a 50°). Nesses países, chega atingir 10% da população. Em países com a latitude inferior a 30º, como é o Brasil, atinge 1% das pessoas.
O que causa?
A falta de luminosidade causa mudanças na melatonina, um hormônio secretado pelo cérebro durante a noite e inibido pela manhã, com o retorno da luminosidade natural. Períodos longos de pouca luminosidade aumentam significativamente a secreção diária total de melatonina, o que leva o funcionamento do indivíduo ao padrão noturno, ou seja, ele vai ter menos disposição e mais sonolência mesmo durante o dia.
Quem é mais atingido?
Assim como a depressão comum, o quadro é mais frequente em mulheres. A depressão sazonal pode atingir qualquer idade, mas na maioria dos casos acomete pessoas entre os 20 e 40 anos.
Quais são os sintomas?
Os sintomas da depressão sazonal (que é atípica) são mais marcantes entre o final da tarde e o início da noite. Além da sonolência e falta de motivação, o indivíduo pode apresentar aumento do apetite, especialmente para carboidratos e doces, ganho de peso, perda de energia e tristeza.
Tratamento
De uma maneira geral, o paciente melhora espontaneamente à medida que passa esse período. Se for diagnosticado depressão, o tratamento é feito com antidepressivos e psicoterapia. Em países que o inverno é rigoroso, costuma-se usar a light terapia – o raio de luz incide de uma maneira oblíqua no olho e essa estimulação na retina é que inibe a secreção da melatonina pelo cérebro. Esse é um tratamento incômodo, mas bastante eficaz. No Brasil não existe porque não se justifica comercialmente.
Tristeza e depressão
Não confunda depressão e tristeza. Elas são bem diferentes. Tristeza todo mundo tem e não precisa de tratamento. Depressão é doença. Para deixar qualquer tipo de depressão bem longe de você, a melhor forma é encontrar maneiras de gerenciar o estresse. Atividades físicas e o consumo de alimentos aliados do bom-humor, como verduras verde-escuras (couve, brócolis) e que contenham ômega 3 (peixes como salmão e atum) podem colaborar para o seu bem-estar mesmo com o rigoroso clima gaúcho.


